Há cerca de duas semanas, achei bastante interessante um artigo do jornalista Marcelo Canellas, com quem tive o prazer de trabalhar e conviver na EPTV (Globo) de Ribeirão Preto. No texto, ele escreve com muita propriedade a forma pela qual se enxerga e que ainda se surpreende ao ver que, no espelho, não está aquela pessoa que ele tem em sua memória.
Marcelo Canellas se vê exatamente como no auge de sua mocidade, com vinte e poucos anos, vigor de "foca" (jornalista iniciante, se bem que isso ele mantém até hoje), cabelos negros e quilos a menos. Porém, quando ele se mira no espelho, vê um reflexo totalmente adverso ao que tem em sua mente sobre sua própria pessoa.
Comigo acontece exatamente a mesma coisa. Eu até evito olhar no espelho, porque a decepção é sempre grande. Além dos quilos a mais, dos cabelos começando a ficar grisalhos e bem mais ralos que nos áureos tempos em que cultivava uma cabeleira de "roqueiro contestador", começam a sobressair as marcas de expressão. Mas tão logo saio da mira destruidora do espelho, volto a me sentir como antes, tão logo entrei para a fase adulta de minha vida.
No último final de semana, entretando, percebi que essa relação vai além do espelho. Eu já havia até parado para pensar que vejo Martha, minha esposa, exatamente do jeito que ela era, há 29 anos, quando nos conhecemos ainda no colégio, ou há 27 anos, quando começamos a namorar, nos primeiros dias de faculdade.
Mas reunimos uma turma que não se via há um bom tempo, na sexta-feira, 24 de agosto. O encontro reuniu uma galera do colégio - hoje ensino médio - e que trabalhou junto em uma empresa de consórcio de automóveis, a Conprof. Pois família por família, cada um que chegava ao local, a sensação era a mesma: ninguém mudou nada.
Nem mesmo o tempo, a distância, as marcas adquiridas - com merecimento e até com orgulho, pois chegamos até aqui. Nada disso fazia com que visse aquelas pessoas como muitos as vêem hoje. Maria Edna, Nilza, Sandrinha, Cláudio, Ariane, Álvaro, Ivone, Amarildo, Iara, Baduca, Eduardo Theodoro, Sandra Valverde, Mirinha... Estavam todos do mesmo jeito, ninguém mudou nada. Talvez para o Dimas e para os filhos, aquela turma não passava de um grupo de pessoas rumo a meio século de vida. Mas para nós, aquele encontro significou muito mais. Significou que o tempo nem sempre é soberano. E que a distância não é suficiente para apagar de nossas memórias os bons momentos da vida, nem mesmo diante das adversidades que todos ali enfrentaram ou enfrentam.
Foi um momento tão mágico quanto o retratado na música eternizada por Elis Regina: "apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".
E a coisa não parou ai. No sábado festa da Giovana, irmã do Cauê e filha da Dani... e do Sílvio. Meu amigo em atividade por mais tempo. Nos conhecemos em 1979 e, desde então ainda mantemos amizade. Pois fomos à festa e lá encontramos o Edson, também da galera do Comercial. E encontramos os irmãos do Sílvio, um capítulo à parte. O Silas ainda é o mesmo menininho que se divertia fazendo roda-roda com a chave do carro do meu pai. Ou que jogou futebol de botão comigo a manhã inteira no dia em que eu me casei, ajudando a passar o tempo e deixar mais calmo - embora ele tenha ganho com o seu Palmeiras do meu São Paulo. A Sueli é a mesma baixinha invocada que adorava - e adora - Educação Física. O Sérgio e seu jeito reservado daquele garoto que vivia com violão às costas, sempre admirável. O Sidnei ainda é o molecão que vivia querendo saber de tudo para aprender mais. E o Sílvio é o mesmo que me ensinou a curtir Caetano Veloso e Beatles.
Mais à noite, passamos pela casa da minha irmã Angelica e ela e meu cunhado Luiz estavam do mesmo jeito que em 1985, quando se casaram naquele 19 de janeiro. Talvez isso explique, por exemplo, porque ao ver a foto da Fani no facebook, com quem trabalhei no BHU/Aymoré, não a reconheça da forma como ela é hoje, mas me venha à lembrança como ela era nos anos 1980.
Alguém que estiver lendo, certamente vai se perguntar: então ninguém envelhece? Claro que envelhece, mas isso que senti e sinto talvez só Freud explique. Isso é um tipo de memória menos cerebral e mais do coração.
ADEUS
Quando desembarquei em Ribeirão Preto, há quase 25 anos, fui a um telefone público e pedi, através do 102, o número da TV Globo local. Pedi para falar na Chefia de Reportagem e um homem com voz grossa e jeito matuto me atendeu. Ouviu meu pedido de emprego e me convidou a ir até o local. Não fosse João Garcia, talvez eu jamais tivesse mudado para Ribeirão Preto e aqui construido minha vida familiar e profissional. Ele foi o meu grande padrinho no jornalismo, deu-me a oportunidade da vida. Autor de três livros, João Garcia foi certamente o melhor jornalista na concepção da palavra com quem tive o prazer de trabalhar. Ontem, aos 65 anos, ele nos deixou, vítima de um mal súbito. Vai com Deus, João Garcia. Certamente terá muitas ótimas pautas para onde vai. E obrigado por tudo!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Muito obrigado
Aproveitando as férias escolares de julho, vou tirar alguns dias para recarregar a alma, ao lado da esposa e dos filhos. E gostaria de agradecer a todos os amigos que diariamente ou eventualmente passam por aqui para ler minhas opiniões, para pontuar o que pensam, enfim, para nos comunicarmos através dessa ferramenta maravilhosa que é a internet.
Quando voltar, o Blog do Adal deixa de ser diário e passa a ser eventual. A razão é que pretendo falar quando tiver o que falar, para não cansar ninguém com informações sem conteúdo. A princípio, o único dia fixo do Blog na semana será a sexta-feira. Nos demais dias, quando houver assunto e oportunidade, estarei presente. E vou me comunicar com as ferramentas que uso atualmente, o que não impede que você dê uma passada por aqui e releia os textos. Eles estarão sempre aqui.
Conto com a participação, sugestão, crítica e apoio de cada um dos amigos - dos que conheço há anos e dos que conquistei com este Blog. Cada um de vocês é ,por demais, importante em minha vida e me faz renovar, a cada dia, minha missão de informar, objetivo que tracei lá atrás e que pretendo manter até o meu último dia de vida. Até o próximo texto e tenham um ótimo final de semana.
Quando voltar, o Blog do Adal deixa de ser diário e passa a ser eventual. A razão é que pretendo falar quando tiver o que falar, para não cansar ninguém com informações sem conteúdo. A princípio, o único dia fixo do Blog na semana será a sexta-feira. Nos demais dias, quando houver assunto e oportunidade, estarei presente. E vou me comunicar com as ferramentas que uso atualmente, o que não impede que você dê uma passada por aqui e releia os textos. Eles estarão sempre aqui.
Conto com a participação, sugestão, crítica e apoio de cada um dos amigos - dos que conheço há anos e dos que conquistei com este Blog. Cada um de vocês é ,por demais, importante em minha vida e me faz renovar, a cada dia, minha missão de informar, objetivo que tracei lá atrás e que pretendo manter até o meu último dia de vida. Até o próximo texto e tenham um ótimo final de semana.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Faroeste urbano
Ele cresceu na periferia de Guarulhos. Sua mãe casou-se cedo com seu pai, aos 14 anos. Era 10 anos mais nova que o marido, vindo do sertão da Bahia. Os dois tiveram mais de 10 filhos, mas apenas quatro deles sobreviveram ao parto, aos primeiros dias ou à infância.
Quando se mudaram para o bairro, bem distante e isolado do resto de Guarulhos, ele tinha nove anos. Cresceu como se vivesse em cidade do interior. Logo que chegaram ao conjunto habitacional, um vendaval destelhou várias casas e eles foram alojados, temporariamente, num conjunto de prédios que estava sendo construído na zona norte, no Jaçanã, perto do Clube de Campo Guapira.
Mas foi no Veloso que ele se divertiu à valar. Como todo moleque naquela época, vivia na rua. Soltava pipa, rodava pião, jogava bolinha de gude e adorava brincadeiras coletivas, como pega-pega, queimada e outras do gênero. Em pouco tempo, tornou-se uma espécie de ídolo dos mais novos. Cuidava dos menores sempre com muito carinho. Inclusive de uma sobrinha seis anos mais nova que foi morar com ele por um tempo após ter perdido o pai.
A vida foi passando e o menino virou homem. Ainda assim, era muito popular e com muitas iniciativas. Foi procurar emprego e conheceu as más companhias. Junto com as más companhias, conheceu a maconha. Tal qual a música "Faroeste Caboclo", do Legião Urbana, "já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez".
Assaltou um ônibus e acabou baleado e preso. Ficou um tempo atrás das grades até que a família conseguiu soltá-lo. A essa altura, estava prestes a ser pai. Tomou jeito na vida e tratou de se dedicar à família. Mas tinha outros vícios: o cigarro e a bebida. Mas continuou tocando sua vida.
Nasceram dois meninos, com intervalo de um ano entre ambos. Inconformado com a relação patronal, ele sempre tentou se virar e, em algumas ocasiões, se deu bem em seu improviso. Aprendeu a misturar massa, assentar pisos e azulejos e fez as vezes de ajudante de pedreiro. Achou que podia e passou a pedreiro.
Foi mais além e envolveu-se com políticos. Sempre popular, tornou-se uma espécie de cabo eleitoral naquela periferia de Guarulhos, esquecida pelos homens. Ajeitou as imediações de onde morava. Com sua habilidade, construiu em cimento armado uma grande mesa. Lá a garotada se dividia para desafiá-lo em partidas de pingue-pongue e futebol de botão. Os filhos cresceram vendo o pai ser aquele herói da longínqua periferia.
Reunia a molecada e passavam a madrugada nos brejos das imediações capturando rãs. O banquete no almoço do dia seguinte era farto. Ele mesmo limpava os saborosos anuros, tirando a pele e temperando. Depois fritava, divertindo-se com os espectadores, que viam a rã tento espasmos musculares na frigideira, como se viva ainda estivesse.
Algumas tubaínas para a molecada e a festa estava completa: rã com tubaína. No pedaço era autoridade. Fazia pipas como ninguém. Passou a misturar componentes químicos que comprava em casas de produtos agrícolas e passou a fabricar veneno para combater insetos em residências. O produto era bom e a procura cresceu a ponto de juntar algum dinheiro e comprar um pulverizador, fazendo dedetização nas casas do bairro e região.
A essa altura, ele tinha mais dois filhos e as imediações de seu bairro, finalmente, chegaram por linhas tortas até a última área habitável de Guarulhos. Houve invasões dos sem teto e o bairro acabou integrado à cidade. O que muitos não sabia é que, mesmo durante todo esse período de popularidade, dedicação e bons exemplos como pai, ele manteve seu lado oculto e continuou consumindo drogas.
A coisa só ficou escancarada quando ele já estava viciado no crack. Sua aparência o denunciou. Sua debilidade o sentenciou. A família se desestruturou. A mulher, que sempre trabalhou como doméstica em casas de família, passou a sofrer com a diabetes e ter dificuldade para trabalhar. A filha foi mãe solteira com menos de 16 anos. Os dois filhos mais velhos tiveram problemas com a justiça. Todos foram se separando. Hoje os dois filhos se recuperaram e tocam a vida. A mulher, a filha, o outro filho e o neto também sobrevivem com dificuldade.
Ele perdeu o pai - talvez a maior perda de sua vida - quando tinha 16 anos e há alguns anos a mãe. Ficou com a casa, velha, com impostos atrasados e que mais parece um castelo mal feito, tantos os "puxadinhos" lá existentes. Vive como zumbi. Seu tempo se divide entre consumir crack e se recuperar no que pode para acender um novo cachimbo. Ele até tentou se tratar, parentes chegaram a interná-lo, mas a fissura é maior que qualquer remédio ou vontade própria.
Antes silenciosa, a droga hoje escancara para o mundo mais um da enorme legião de zumbis. Quem não o conhece jamais imagina que atrás daquela figura mal ajambrada existe um homem que foi um moleque feliz, que foi exemplo para seus filhos e que foi admirado. Ali está apenas e simplesmente para a maioria das pessoas, mais um viciado, uma pessoa que muitos querem simplesmente apagar de sua visão. Esse é o resultado do crack e das drogas em geral.
Quando se mudaram para o bairro, bem distante e isolado do resto de Guarulhos, ele tinha nove anos. Cresceu como se vivesse em cidade do interior. Logo que chegaram ao conjunto habitacional, um vendaval destelhou várias casas e eles foram alojados, temporariamente, num conjunto de prédios que estava sendo construído na zona norte, no Jaçanã, perto do Clube de Campo Guapira.
Mas foi no Veloso que ele se divertiu à valar. Como todo moleque naquela época, vivia na rua. Soltava pipa, rodava pião, jogava bolinha de gude e adorava brincadeiras coletivas, como pega-pega, queimada e outras do gênero. Em pouco tempo, tornou-se uma espécie de ídolo dos mais novos. Cuidava dos menores sempre com muito carinho. Inclusive de uma sobrinha seis anos mais nova que foi morar com ele por um tempo após ter perdido o pai.
A vida foi passando e o menino virou homem. Ainda assim, era muito popular e com muitas iniciativas. Foi procurar emprego e conheceu as más companhias. Junto com as más companhias, conheceu a maconha. Tal qual a música "Faroeste Caboclo", do Legião Urbana, "já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez".
Assaltou um ônibus e acabou baleado e preso. Ficou um tempo atrás das grades até que a família conseguiu soltá-lo. A essa altura, estava prestes a ser pai. Tomou jeito na vida e tratou de se dedicar à família. Mas tinha outros vícios: o cigarro e a bebida. Mas continuou tocando sua vida.
Nasceram dois meninos, com intervalo de um ano entre ambos. Inconformado com a relação patronal, ele sempre tentou se virar e, em algumas ocasiões, se deu bem em seu improviso. Aprendeu a misturar massa, assentar pisos e azulejos e fez as vezes de ajudante de pedreiro. Achou que podia e passou a pedreiro.
Foi mais além e envolveu-se com políticos. Sempre popular, tornou-se uma espécie de cabo eleitoral naquela periferia de Guarulhos, esquecida pelos homens. Ajeitou as imediações de onde morava. Com sua habilidade, construiu em cimento armado uma grande mesa. Lá a garotada se dividia para desafiá-lo em partidas de pingue-pongue e futebol de botão. Os filhos cresceram vendo o pai ser aquele herói da longínqua periferia.
Reunia a molecada e passavam a madrugada nos brejos das imediações capturando rãs. O banquete no almoço do dia seguinte era farto. Ele mesmo limpava os saborosos anuros, tirando a pele e temperando. Depois fritava, divertindo-se com os espectadores, que viam a rã tento espasmos musculares na frigideira, como se viva ainda estivesse.
Algumas tubaínas para a molecada e a festa estava completa: rã com tubaína. No pedaço era autoridade. Fazia pipas como ninguém. Passou a misturar componentes químicos que comprava em casas de produtos agrícolas e passou a fabricar veneno para combater insetos em residências. O produto era bom e a procura cresceu a ponto de juntar algum dinheiro e comprar um pulverizador, fazendo dedetização nas casas do bairro e região.
A essa altura, ele tinha mais dois filhos e as imediações de seu bairro, finalmente, chegaram por linhas tortas até a última área habitável de Guarulhos. Houve invasões dos sem teto e o bairro acabou integrado à cidade. O que muitos não sabia é que, mesmo durante todo esse período de popularidade, dedicação e bons exemplos como pai, ele manteve seu lado oculto e continuou consumindo drogas.
A coisa só ficou escancarada quando ele já estava viciado no crack. Sua aparência o denunciou. Sua debilidade o sentenciou. A família se desestruturou. A mulher, que sempre trabalhou como doméstica em casas de família, passou a sofrer com a diabetes e ter dificuldade para trabalhar. A filha foi mãe solteira com menos de 16 anos. Os dois filhos mais velhos tiveram problemas com a justiça. Todos foram se separando. Hoje os dois filhos se recuperaram e tocam a vida. A mulher, a filha, o outro filho e o neto também sobrevivem com dificuldade.
Ele perdeu o pai - talvez a maior perda de sua vida - quando tinha 16 anos e há alguns anos a mãe. Ficou com a casa, velha, com impostos atrasados e que mais parece um castelo mal feito, tantos os "puxadinhos" lá existentes. Vive como zumbi. Seu tempo se divide entre consumir crack e se recuperar no que pode para acender um novo cachimbo. Ele até tentou se tratar, parentes chegaram a interná-lo, mas a fissura é maior que qualquer remédio ou vontade própria.
Antes silenciosa, a droga hoje escancara para o mundo mais um da enorme legião de zumbis. Quem não o conhece jamais imagina que atrás daquela figura mal ajambrada existe um homem que foi um moleque feliz, que foi exemplo para seus filhos e que foi admirado. Ali está apenas e simplesmente para a maioria das pessoas, mais um viciado, uma pessoa que muitos querem simplesmente apagar de sua visão. Esse é o resultado do crack e das drogas em geral.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Metrô Norte-Sul
Lembro bem da inauguração da primeira linha de Metrô em São Paulo, antes conhecida por Norte-Sul. Morávamos no Jaçanã e minha mãe aproveitou para marcar um retorno ao médico no dia seguinte à inauguração. O consultório funcionava numa antiga unidade dos Bombeiros, na Vila Mariana.
No segundo dia de operação do Metrô em São Paulo, fomos eu, minha irmã e minha mãe à consulta. Foi um passeio inesquecível. Naquela época, a estação Tietê não tinha nem vestígio de que ali seria construído um terminal rodoviário.
Durante muitos anos em minha vida, esse foi meu principal meio de transporte e cada uma das estações - do trecho inicial - me trazem alguma recordação.
Santana: a estação inicial na zona norte era mágica. Lá estava o terminal de ônibus para vários bairros da ZN. Eu apanhava o Pq. Edu Chaves, que me deixava na porta de casa. Nos arredores de Santana, muito lugar interessante: fliperamas, galerias de lojas, o rodízio de pizzas mais famoso do Brasil, o Grupo Sérgio. Tinha também a discoteca Zoom.
Carandiru: estação sombria, por conta da Penitenciária. Sempre que tinha rebelião, era um transtorno ir para casa.
Tietê: estação da minha galera. Tinha o terminal Tietê, com gente chegando e partindo a todo instante, mas tinha também nas imediações o colégio onde estudei. Nos encontrávamos todos os dias nas escadas da Tietê.
Ponte Pequena (Armênia): lá tinha o Senac onde fiz, pasmem, datilografia. Aos finais de semana, ia ao clube da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), onde era disputado o “Desafio ao Galo”, torneio do futebol de várzea paulistano. Eu era fanático pelo Parque da Moóca, time do bairro onde nasci.
Tiradentes: nas imediações, tinha o Teatro Cultura. Assisti lá, certa vez, um show com vários artistas, o “Tirem as Mãos da Nicarágua”. Por perto tinha também a Fatec e os grandes cursinhos de Sampa, principalmente na área de tecnologia e exatas. Se tinha cursinhos, tinha também muitos bares.
Luz: Parque da Luz, Estação de Trem da Luz (onde hoje funciona o Museu da Língua Portuguesa), Pinacoteca. Tantos são os atrativos desta estação. E para quem gosta de compras de roupas, tem a região do Bom Retiro e Rua José Paulino.
São Bento: em frente ao Correio. Lançamento de selos era ponto de encontro. Saída dos ônibus com destino ao Morumbi também. Na parte alta, era possível ir para a Rua 25 de Março através da saída da Ladeira Porto Geral, para a Rua São Bento e passear pelo Centro Velho de São Paulo.
Sé: estação do Marco Zero da cidade. Na Catedral da Sé, muita beleza. Não sei se ainda é possível, mas um passeio às catacumbas da Catedral sempre foi interessante.
Liberdade: a porta de entrada para o bairro mais oriental de São Paulo.
São Joaquim: era a estação dos cursinhos para os mais abastados, principalmente o Anglo.
Vergueiro: quantas lembranças. Lá funciona o Centro Cultural Vergueiro. Foram muitas as vezes em que nos reuníamos lá para ouvir músicas, fazer trabalhos escolares, assistir shows ou simplesmente conversar. Lembro de um show, que fui com minha irmã, do Premeditando o Breque. Era lançamento de um disco e foi uma apresentação inesquecível.
Paraíso: estação localizada no final da Avenida Paulista, de lá seguíamos à pé (ainda não tinha o outro trecho do Metrô que segue pela avenida) aos cinemas e galerias. Lá perto, na Av. 13 de Maio, tinha uma das lojas mais charmosas que já vi, a Sears. Bem ao estilo do também saudoso Mappim.
Ana Rosa: era a mais próxima do Parque do Ibirapuera. De ônibus ou à pé, era o acesso mais comum ao principal parque paulistano.
Vila Mariana: havia alguns hospitais próximos. Também era uma estação cercada de bares e com uma relativa vida noturna agitada.
Santa Cruz: descia nessa estação para ir ao Detran. Mas também era muito usada para quem recorria à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Assisti a muitas competições por lá. Era só descer a rua Pedro de Toledo e, num instante, estávamos lá. Era o ponto de encontro dos esportes olímpicos de várias modalidades.
Praça da Árvore: era uma das estações mais tímidas na linha Norte-Sul. Estava no meio da Av. Jabaquara. Era mais uma área residencial, quadro bem diferente do que o bairro vive hoje em dia.
Saúde: tinha ônibus para o Zoológico e Simba Safari.
São Judas: apesar de ser uma estação de pouco movimento nos dias atuais, por estar próxima à igreja de São Judas Tadeu, em dias de festa e celebração religiosa acaba sendo bastante utilizada. São Judas Tadeu é o patrono das causas desesperadas e padroeiro das causas perdidas. A quermesse da São Judas Tadeu é uma das melhores da zona sul de São Paulo.
Conceição: a penúltima estação desta linha, tem várias saídas e é servida por ônibus que ligam diversos bairros das zonas sul e oeste.
Jabaquara: a porta de saída para o litoral. É o terminal rodoviário que oferece linhas regulares para o litoral sul. Hoje também há muitas vans clandestinas que operam nas proximidades. Jabaquara era sinônimo de praia para os paulistanos.
Hoje o Metrô tem muitas outras linhas, mas a sua pioneira é ainda muito utilizada e não deixa de ser um importante meio de transporte, contando inclusive com novas estações. Um dos melhores e mais eficientes metrôs do mundo, apesar dos problemas de super lotação que enfrenta diariamente. Linha 1, linha azul, com ou sem prolongamento, em minha memória, será sempre a linha Norte-Sul do Metrô, aquela que andei pouco mais de 24 horas depois de sua inauguração e que com o passar dos seus 38 anos de existência, viu a paisagem mudar consideravelmente ao seu redor, mas continua firme e cada vez mais útil.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Semana longa
Sim, admito que, como sãopaulino apaixonado, tenho secado de todas as formas o Corinthians. Principalmente nos últimos dois ou três anos. Mas minha mandinga não é das melhores, como todos obviamente podem ter notado. Mas isso acontece justamente no momento em que está havendo uma inversão de valores.
O São Paulo sempre foi considerado um time à frente de seu tempo. Sempre se destacou pelo arrojo nas negociações, pelas grandes conquistas internacionais, pelos exemplos dentro e fora dos gramados. Enquanto o Corinthians, principalmente na década de 1960, era conhecido como o "faz-me rir". Um time sem conquistas, mas representado por uma crescente e apaixonada torcida.
Não sei bem quando a coisa se inverteu, mas sei os motivo. O Corinthians rompeu com o ranço dos cartolas que comandavam o clube, com Duailib sendo se maior expoente. Assumiu um nada simpático ex-chefe de torcida organizada, Andrés Sanchez. Ele trouxe um ex-jogador em atividade, Ronaldo, numa jamais visa jogada de marketing, que deu certo.
O clube recuperou-se financeiramente e passou a ocupar seu merecido espaço na mídia, principalmente a internacional, que passava a conhecer o Corinthians, antes limitados a alguns brasileiros e campeonatos paulistas, sem qualquer tradição fora do Brasil.
Mais que isso, Sanchez conseguiu iniciar a construção do tão sonhado estádio do clube. Não que concorde como isso tem sido feito, afinal, vamos pagar a conta muito cara. Mas não é essa a finalidade deste texto. Então o Corinthians fez 100 anos e passou a focar o tão cobiçado troféu da Libertadores, torneio americano de grande expressão, jamais vencido pelo time alvinegro. Passou por uma eliminação vexatória ano passado, mas continuou mantendo o foco.
Nesse meio tempo, Sanchez deixou a presidência em sequer tentar a reeleição.Enquanto isso, o São Paulo viu um cartola, Juvenal Juvêncio, querer se eterniza no pode. E trocou de papéis com o Corinthians. Passou a não ter mais conquistas, a não vencer mais nada em mata-mata e acabou sendo ridicularizado, ano após ano. A última grande conquista, com todos os méritos, foi o tri-campeonato brasileiro, conseguido entre 2006 e 2008. De lá para cá, seca total. Nem Libertadores tem disputado. Tornou-se um time comum.
E o Corinthians chega à final da Libertadores com todos os méritos. Tem jogado um futebol eficiente e inteligente, comandado por Tite, que antes eu o considerava um técnico limitado, até medíocre e hoje tem calado minha boca e de tantos outros críticos.
Não tem uma única estrela que se sobressai aos demais. Tem um time aguerrido, com técnica, uma defesa intransponível e um ataque que dá para o gasto. Diriam os mais ufanistas que esse ou aquele jogador se encaixaria como uma luva nesse time do Corinthians. Qual nada. O time está aí, funcionando perfeitamente.
O maior exemplo disso foi ver o Corinthians desbancando o todo festejado time do Santos, de Neymar. Tite deu um nó tático em Muricy Ramalho e eliminou os santistas, que já sonhavam com a quarta Libertadores de sua história e com uma final de mundial em dezembro contra o Chelsea.
O gigante foi abatido. Primeiro na Vila Belmiro e depois no Pacaembu. Neymar, a grande estrela santista, até agora não se recuperou do baque. Mas continuamos a secar o alvinegro do Parque São Jorge. E eles foram a Buenos Aires e calaram o La Bombonera, da fanática torcida do Boca Juniors, tão acostumada às conquistas continentais.
Agora a semana tem demorado a passar. Sei como os Corinthianos se sentem. Uma semana longa. Mas uma semana onde mais que tudo, está evidenciado que o antes "faz-me rir" é hoje, sem dúvidas, o melhor time brasileiro e totalmente credenciado para sua primeira conquista nas Américas. E por esse time e pelos meus grandes amigos corinthianos, eu me rendo e faço essa homenagem. Antes da partida - onde certamente estarei tentando secar o time brasileiro mais uma vez. Mas de reconhecimento verdadeiro ao seu time, Sandrinha, Cláudio, ET, Marcelão, Dagmar, Hilsão, Canadá, Masson, Aloísio, Nilzinha, Mainá, Mayara, Diego, Ismael, Marcus, Maria, Renatão, Renatinho e a tantos outros corinthianos do bem. E, claro, à memória do meu pai, também corinthiano.
O São Paulo sempre foi considerado um time à frente de seu tempo. Sempre se destacou pelo arrojo nas negociações, pelas grandes conquistas internacionais, pelos exemplos dentro e fora dos gramados. Enquanto o Corinthians, principalmente na década de 1960, era conhecido como o "faz-me rir". Um time sem conquistas, mas representado por uma crescente e apaixonada torcida.
Não sei bem quando a coisa se inverteu, mas sei os motivo. O Corinthians rompeu com o ranço dos cartolas que comandavam o clube, com Duailib sendo se maior expoente. Assumiu um nada simpático ex-chefe de torcida organizada, Andrés Sanchez. Ele trouxe um ex-jogador em atividade, Ronaldo, numa jamais visa jogada de marketing, que deu certo.
O clube recuperou-se financeiramente e passou a ocupar seu merecido espaço na mídia, principalmente a internacional, que passava a conhecer o Corinthians, antes limitados a alguns brasileiros e campeonatos paulistas, sem qualquer tradição fora do Brasil.
Mais que isso, Sanchez conseguiu iniciar a construção do tão sonhado estádio do clube. Não que concorde como isso tem sido feito, afinal, vamos pagar a conta muito cara. Mas não é essa a finalidade deste texto. Então o Corinthians fez 100 anos e passou a focar o tão cobiçado troféu da Libertadores, torneio americano de grande expressão, jamais vencido pelo time alvinegro. Passou por uma eliminação vexatória ano passado, mas continuou mantendo o foco.
Nesse meio tempo, Sanchez deixou a presidência em sequer tentar a reeleição.Enquanto isso, o São Paulo viu um cartola, Juvenal Juvêncio, querer se eterniza no pode. E trocou de papéis com o Corinthians. Passou a não ter mais conquistas, a não vencer mais nada em mata-mata e acabou sendo ridicularizado, ano após ano. A última grande conquista, com todos os méritos, foi o tri-campeonato brasileiro, conseguido entre 2006 e 2008. De lá para cá, seca total. Nem Libertadores tem disputado. Tornou-se um time comum.
E o Corinthians chega à final da Libertadores com todos os méritos. Tem jogado um futebol eficiente e inteligente, comandado por Tite, que antes eu o considerava um técnico limitado, até medíocre e hoje tem calado minha boca e de tantos outros críticos.
Não tem uma única estrela que se sobressai aos demais. Tem um time aguerrido, com técnica, uma defesa intransponível e um ataque que dá para o gasto. Diriam os mais ufanistas que esse ou aquele jogador se encaixaria como uma luva nesse time do Corinthians. Qual nada. O time está aí, funcionando perfeitamente.
O maior exemplo disso foi ver o Corinthians desbancando o todo festejado time do Santos, de Neymar. Tite deu um nó tático em Muricy Ramalho e eliminou os santistas, que já sonhavam com a quarta Libertadores de sua história e com uma final de mundial em dezembro contra o Chelsea.
O gigante foi abatido. Primeiro na Vila Belmiro e depois no Pacaembu. Neymar, a grande estrela santista, até agora não se recuperou do baque. Mas continuamos a secar o alvinegro do Parque São Jorge. E eles foram a Buenos Aires e calaram o La Bombonera, da fanática torcida do Boca Juniors, tão acostumada às conquistas continentais.
Agora a semana tem demorado a passar. Sei como os Corinthianos se sentem. Uma semana longa. Mas uma semana onde mais que tudo, está evidenciado que o antes "faz-me rir" é hoje, sem dúvidas, o melhor time brasileiro e totalmente credenciado para sua primeira conquista nas Américas. E por esse time e pelos meus grandes amigos corinthianos, eu me rendo e faço essa homenagem. Antes da partida - onde certamente estarei tentando secar o time brasileiro mais uma vez. Mas de reconhecimento verdadeiro ao seu time, Sandrinha, Cláudio, ET, Marcelão, Dagmar, Hilsão, Canadá, Masson, Aloísio, Nilzinha, Mainá, Mayara, Diego, Ismael, Marcus, Maria, Renatão, Renatinho e a tantos outros corinthianos do bem. E, claro, à memória do meu pai, também corinthiano.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Brilho nos olhos
Eles moravam ao lado de um dos pontos mais movimentados do estado de São Paulo: o Aeroporto Internacional André Franco Montoro, ou simplesmente Aeroporto de Cumbica ou de Guarulhos. Por lá passam diariamente milhares de pessoas e é também o local de mais intenso tráfego aéreo na América do Sul.
Mas bem ao lado de todo aquele movimento, de todo aquele luxo, há bairros bem humildes. Num desses bairros, o Haroldo Veloso, moravam os dois irmãos. Naquele tempo ainda não havia ocorrido a invasão dos sem-teto nos terrenos próximos do aeroporto. O que tinha nas imediações era o bairro e muito mato. Rios, lagos e brejos completavam a paisagem bucólica do local.
Os dois irmãos, na faixa dos 10 anos, cresceram por ali. Pouco iam para São Paulo ou até mesmo para o centro de Guarulhos. Aliás, essa era uma tendência de boa parte dos moradores do Haroldo Veloso. O bairro, um conjunto habitacional inaugurado no final dos anos 1960, era bastante distante, o caminho era longo e quem não trabalhava fora acabava vivendo muito tempo por lá.
O ônibus era uma aventura. Pegava-se um que contornava o Aeroporto Internacional e a Base Aérea de Cumbica. O outro fazia o caminho oposto. Para ir até o ponto final, na Estação Ponte Pequena do Metrô (hoje Armênia), levava-se pelo menos duas horas e meia.
E foi naquele local que os dois cresceram. Mas brincavam muito. E brincadeiras que a molecada de bairros bem próximos dali não conheciam mais. Haviam caído no esquecimento. Soltar pipa era regra por lá. Nadar em lagos e rios também. A molecada adorava pescar e capturar rãs. Cabe aqui um parenteses: esse anuro é delicioso, principalmente quando era preparado pelos "nativos" do Haroldo Veloso.
Mas um dia veio a ideia: levar os dois para ver o mar. Se andar de carro já era uma aventura para os irmãos, que dirá descer a serra? Depois de tudo combinado e da noite passada em claro tamanha ansiedade dos dois. Lá fomos rumo a São Vicente. Saímos do Haroldo Veloso, pegamos a Rodovia Dutra, voltamos para São Paulo, passando pela Vila Prudente até pegar a Anchieta, bem no comecinho. Quando mais avançávamos, mais os dois ficavam eufóricos.
Tinham a companhia de um sobrinho, este já "experiente", com muito "tempo de praia". Mas a alegria tomava conta do banco de trás do Passat. Até que antes de chegar ao pedágio, um susto: o escapamento estourou. A viagem prosseguiu com um som ensurdecedor, mas nada que abalasse os ânimos da molecada.
Havia operação e da Anchieta nos mandaram para Imigrantes.Descemos por lá, ainda não era a pista dupla, o tapete de hoje em dia.
Passamos pela represa Billings. Aquele mar de água doce dos dois lados da pista. Os dois estavam em transe. Mas ainda não era a praia. Fomos nos aproximamos e ao longe, na estrada, avistamos aquela imensidão de oceano Atlântico. Quanto mais o carro seguia em frente, maior era o brilho ofuscante vindo da parte traseira do veículo. Até que chegamos. O brilho nos olhos dos dois podia talvez cegar todos que estavam por lá, tamanha sua intensidade. Saíram com roupa e calçado e mergulharam na areia. Até o menino que já tinha muito tempo de praia se contagiou e foi junto com os dois. Pois é, ver a alegria de quem conhece o mar pela primeira vez é algo ímpar. Essa alegria contagiante não tem preço.
Mas bem ao lado de todo aquele movimento, de todo aquele luxo, há bairros bem humildes. Num desses bairros, o Haroldo Veloso, moravam os dois irmãos. Naquele tempo ainda não havia ocorrido a invasão dos sem-teto nos terrenos próximos do aeroporto. O que tinha nas imediações era o bairro e muito mato. Rios, lagos e brejos completavam a paisagem bucólica do local.
Os dois irmãos, na faixa dos 10 anos, cresceram por ali. Pouco iam para São Paulo ou até mesmo para o centro de Guarulhos. Aliás, essa era uma tendência de boa parte dos moradores do Haroldo Veloso. O bairro, um conjunto habitacional inaugurado no final dos anos 1960, era bastante distante, o caminho era longo e quem não trabalhava fora acabava vivendo muito tempo por lá.
O ônibus era uma aventura. Pegava-se um que contornava o Aeroporto Internacional e a Base Aérea de Cumbica. O outro fazia o caminho oposto. Para ir até o ponto final, na Estação Ponte Pequena do Metrô (hoje Armênia), levava-se pelo menos duas horas e meia.
E foi naquele local que os dois cresceram. Mas brincavam muito. E brincadeiras que a molecada de bairros bem próximos dali não conheciam mais. Haviam caído no esquecimento. Soltar pipa era regra por lá. Nadar em lagos e rios também. A molecada adorava pescar e capturar rãs. Cabe aqui um parenteses: esse anuro é delicioso, principalmente quando era preparado pelos "nativos" do Haroldo Veloso.
Mas um dia veio a ideia: levar os dois para ver o mar. Se andar de carro já era uma aventura para os irmãos, que dirá descer a serra? Depois de tudo combinado e da noite passada em claro tamanha ansiedade dos dois. Lá fomos rumo a São Vicente. Saímos do Haroldo Veloso, pegamos a Rodovia Dutra, voltamos para São Paulo, passando pela Vila Prudente até pegar a Anchieta, bem no comecinho. Quando mais avançávamos, mais os dois ficavam eufóricos.
Tinham a companhia de um sobrinho, este já "experiente", com muito "tempo de praia". Mas a alegria tomava conta do banco de trás do Passat. Até que antes de chegar ao pedágio, um susto: o escapamento estourou. A viagem prosseguiu com um som ensurdecedor, mas nada que abalasse os ânimos da molecada.
Havia operação e da Anchieta nos mandaram para Imigrantes.Descemos por lá, ainda não era a pista dupla, o tapete de hoje em dia.
Passamos pela represa Billings. Aquele mar de água doce dos dois lados da pista. Os dois estavam em transe. Mas ainda não era a praia. Fomos nos aproximamos e ao longe, na estrada, avistamos aquela imensidão de oceano Atlântico. Quanto mais o carro seguia em frente, maior era o brilho ofuscante vindo da parte traseira do veículo. Até que chegamos. O brilho nos olhos dos dois podia talvez cegar todos que estavam por lá, tamanha sua intensidade. Saíram com roupa e calçado e mergulharam na areia. Até o menino que já tinha muito tempo de praia se contagiou e foi junto com os dois. Pois é, ver a alegria de quem conhece o mar pela primeira vez é algo ímpar. Essa alegria contagiante não tem preço.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Sexta-feira brava
Não sou muito fã da música sertaneja "moderna". Quando muito, gosto das raízes, com Pena Branca e Xavantinho, Tonico e Tinoco, entre outros nomes sagrados. Mas não tem como deixar de associar sexta-feira à tal da musiquinha da cerveja. Parece automático: "hoje é sexta-feira".
E tinha tudo para ser uma sexta melhor do que as convencionais, afinal os filhos estão começando as férias, apesar do "mundo selvagem", de ter que lhes proporcionar entretenimento boa parte do mês, é sempre bom tê-los mais tempo conosco.
Mas o dia começou tenso. Para começar, me deparo com um acéfalo no trânsito, cortando todo mundo, passando semáforo vermelho, não sem antes me dar uma fechada por conta de sua pressa. Mais adiante, quando o sinal fica verde, outro "motorista" ultrapassa seu sinal vermelho, bem na minha frente, e quase atropela um motociclista que estava saindo quando o semáforo lhe ficou verde.
Chego ao trabalho e meu vizinho de sala, o Tiãozinho, contador de primeira, vem todo pessimista: "pois é, vizinho. A coisa está complicada. Essa noite eu nem dormi direito. Vem coisa brava por aí. Essa turma da Dilma está aprontando. Além disso, aqui em Ribeirão Preto tem a tal da 'cidade limpa' que está inquietando os comerciantes. Muitos estão simplesmente destruindo seus cartazes nas fachadas porque falta informação".
Entro na redação meio preocupado, afinal não parece uma sexta-feira comum. E quando começa assim, tudo tende a ficar mais sério do que parece. São coisas minúsculas que, na somatória, ofuscam o brilho costumeiro da sexta.
Ao entrar na internet para ver as notícias do dia, essa sim encarei como um soco no estômago. Não entendo isso. Um prefeito que considero impopular, às vésperas de um pleito eleitoral, faz mais uma das suas para marcar definitivamente seu nome no panteão dos vilões. Muitas das medidas do tal Gilberto Kassab não me agradam. Uma delas, que não entendo até hoje, foi a proibição da venda de lanches tradicionais, como pernil e calabresa, no entorno dos estádios de futebol.
Isso é um absurdo. Primeiro que tanto no Morumbi, quanto no Pacaembu, não há nada fisicamente instalado, como um bar ou lanchonete, nas suas imediações. Nada que possa atender quem tem fome ou sede antes do jogo. Segundo e mais importante. Eu mesmo fui criado com essa cultura daqueles suculentos lanches preparados antes do jogo. E não venha o senhor Kassab dizer que é por conta de higiene, não. Afinal, por conta de sua proibição, ai sim surgiram os oportunistas e vendem produtos duvidosos.
Mas loucuras à parte, essa foi a principal em sua administração. Li que o Kassab está querendo proibir a distribuição do Sopão da Noite aos moradores de rua. Que absurdo. A instituição que faz a coleta de donativos, compra os ingredientes, prepara a sopa e a distribui nas noites de segunda a quinta-feira, não depende em nada da prefeitura de São Paulo. Tudo isso é feito há 23 anos, por conta própria.
A Ong da Sopa da Noite está na estrada há 23 anos, percorrendo um caminho que a prefeitura jamais se preocupou em trilhar. Ele veio com a velha história da questão de higiene. Lamentável. Vai tirar a única refeição de boa parte dos cerca de 300 moradores de rua beneficiados.
Como a repercussão do fato não foi positiva, tentou emendar a solução. Disse que a própria prefeitura faria a distribuição da sopa em tendas da prefeitura, os chamados centros de convivência social. De qualquer forma, ele imagina que os moradores de rua irão se locomover até as tais tendas para tomar uma sopa. Uma falácia. Já está mais do que provado que, para se atender de verdade os moradores de rua, não basta dar-lhes um endereço. É preciso ir até eles. Haja vista as kombis da Cetrem Central de Triagem e Encaminhamento do Migrante, Itinerante e Morador de Rua). Elas percorrem as ruas convidando os moradores para se dirigirem até seus abrigos e em boa parte das abordagens acabam tendo o convite feito recusado pelos moradores de rua.
Moradores de rua são pessoas desfavorecidas pela sorte, sem teto, sem emprego. Muitos são viciados em álcool ou drogas. Outros desesperançosos da vida. É preciso fazer um trabalho sério. Se a sopa não consegue reintegrá-los à sociedade, ao menos leva-lhes alento. Se a prefeitura de Kassab quiser mesmo cuidar do caso, é preciso deixar a burocracia, os gabinetes e a falácia. Ir a campo é o principal caminho. O bom de desabafar, é que renova-se a esperança de que esta sexta-feira cinzenta volte a ser uma sexta-feira iluminada. Bom final de semana a todos.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Asno volante
Eu pensava que já havia visto motoristas fazendo de tudo no trânsito. Já vi inúmeras vezes motoristas limpando suas cavidades nasais (ou, em linguagem coloquial, tirando "caca" do nariz). Já vi também motoristas aproveitando para dar uma retocada na maquiagem ou conferindo se estava tudo em ordem no espelho escondido atrás do "quebra-sol" dos veículos.
Vi ainda motoristas aproveitando uma pausa no trânsito para espremer cravos e espinhas. Em congestionamentos, já vi até motorista aproveitando para colocar a leitura em dia. Também vi e vejo muitos motoristas utilizando o gps como TV enquanto dirigem e conferindo o que está acontecendo no capítulo da novela preferida.
Motoristas falando ao celular, então, hoje em dia é a coisa mais comum, mesmo sob o risco de serem multados. Aliás, a multa por falar ao celular enquanto dirige é uma das principais aplicadas diariamente. Vi ainda muitos motoristas com seus pets ao volante ou a seu lado, janela aberta, pelo ao vento. E quando escrevo pets, não me refiro somente aos pequenos. Uma vez na praia, vi um sujeito com um singelo cão da raça São Bernardo sentado junto com ele nop banco, enquanto dirigia.
Pior é ver aquele pai ou aquela mãe com o filho pequeno no colo "dirigindo" o carro junto. Se o gajo bate o carro, o filho é quem pagará o preço por conta de sua irresponsabilidade. E essas minhas visões ficarão apenas no caso de veículos, porque se for listar o que vejo motociclistas cometendo de imprudência no trânsito, ficaríamos certamente até amanhã.
Mas ontem o que vi superou tudo isso que descrevi aqui. Estava aguardando para entrar numa avenida, logo após o almoço, saindo de uma rua de menor movimento e onde deveria dar a preferência. Descia pela avenida uma caminhonete importada que é o sonho de todo "agroboy" (a versão country para o playboy). Tudo bem que devemos fazer a higiene bucal após as refeições, mas o sujeito exagerou um pouco na dose.
O motorista descia a avenida sem as mãos ao volante. Estava mirando-se no espelho enquanto passava fio dental. Sim, estava praticando seu asseio ao volante. Distraído, continuou dirigindo após passar por mim, até chegar a um semáforo adiante. Não me contive e emparelhei para ver a cena. Alheio ao mundo, o camarada continuou lá tirando resíduos de seus dentes com o fio dental.
O semáforo abriu, ele nem percebeu. Então buzinei e saí. Ainda tive tempo de ver, pelo retrovisor, que ele manteve o fio dental em sua boca enquanto seguia no sentido oposto ao meu. É bem verdade que todos devemos ter nossa higiene bucal em dia, escovando e passando fio dental sempre após as refeições. Imagino agora minha dentista, a Fernanda, lendo isso e abrindo um largo sorriso. Bem, já que fiz o "merchan", ela até poderia me dar um descontinho no tratamento dentário, quem sabe. Mas a conclusão que cheguei após ver o higiênico motorista é que, se ele realmente tiver chegado inteiro ao seu destino, certamente estará com a boca muito bem higienizada. E lembrei do que minha esposa diz, vez ou outra: "quanto mais conheço o ser humano, mais gosto da minha cachorrinha".
Vi ainda motoristas aproveitando uma pausa no trânsito para espremer cravos e espinhas. Em congestionamentos, já vi até motorista aproveitando para colocar a leitura em dia. Também vi e vejo muitos motoristas utilizando o gps como TV enquanto dirigem e conferindo o que está acontecendo no capítulo da novela preferida.
Motoristas falando ao celular, então, hoje em dia é a coisa mais comum, mesmo sob o risco de serem multados. Aliás, a multa por falar ao celular enquanto dirige é uma das principais aplicadas diariamente. Vi ainda muitos motoristas com seus pets ao volante ou a seu lado, janela aberta, pelo ao vento. E quando escrevo pets, não me refiro somente aos pequenos. Uma vez na praia, vi um sujeito com um singelo cão da raça São Bernardo sentado junto com ele nop banco, enquanto dirigia.
Pior é ver aquele pai ou aquela mãe com o filho pequeno no colo "dirigindo" o carro junto. Se o gajo bate o carro, o filho é quem pagará o preço por conta de sua irresponsabilidade. E essas minhas visões ficarão apenas no caso de veículos, porque se for listar o que vejo motociclistas cometendo de imprudência no trânsito, ficaríamos certamente até amanhã.
Mas ontem o que vi superou tudo isso que descrevi aqui. Estava aguardando para entrar numa avenida, logo após o almoço, saindo de uma rua de menor movimento e onde deveria dar a preferência. Descia pela avenida uma caminhonete importada que é o sonho de todo "agroboy" (a versão country para o playboy). Tudo bem que devemos fazer a higiene bucal após as refeições, mas o sujeito exagerou um pouco na dose.
O motorista descia a avenida sem as mãos ao volante. Estava mirando-se no espelho enquanto passava fio dental. Sim, estava praticando seu asseio ao volante. Distraído, continuou dirigindo após passar por mim, até chegar a um semáforo adiante. Não me contive e emparelhei para ver a cena. Alheio ao mundo, o camarada continuou lá tirando resíduos de seus dentes com o fio dental.
O semáforo abriu, ele nem percebeu. Então buzinei e saí. Ainda tive tempo de ver, pelo retrovisor, que ele manteve o fio dental em sua boca enquanto seguia no sentido oposto ao meu. É bem verdade que todos devemos ter nossa higiene bucal em dia, escovando e passando fio dental sempre após as refeições. Imagino agora minha dentista, a Fernanda, lendo isso e abrindo um largo sorriso. Bem, já que fiz o "merchan", ela até poderia me dar um descontinho no tratamento dentário, quem sabe. Mas a conclusão que cheguei após ver o higiênico motorista é que, se ele realmente tiver chegado inteiro ao seu destino, certamente estará com a boca muito bem higienizada. E lembrei do que minha esposa diz, vez ou outra: "quanto mais conheço o ser humano, mais gosto da minha cachorrinha".
quarta-feira, 27 de junho de 2012
"Se não precisar fazer nada, tem meu apoio"
A questão das sacolinhas gratuitas no supermercado me fez ver o quanto somos "preocupados" com o nosso ecossistema. Tão logo a medida foi anunciada, vi muitos depoimentos de pessoas favoráveis à medida, muitos alegando que precisamos cuidar melhor de nosso planeta.
Seria uma iniciativa louvável, não fosse tão inócua quanto o resultado da medida por parte dos supermercados. Mas quando a coisa começou a apertar e as pessoas se viram obrigadas a comprar sacolas retornáveis toda vez que iam às compras e percebiam que não teriam onde carregá-las, que grande parte dos defensores mudou de opinião.
Especificamente, neste caso, a medida só visava aumentar o lucro dos supermercados. Mas muita gente que se dizia tão favorável às medidas se mostra contraditória em seu cotidiano. No prédio onde moro, por exemplo, multiplicam-se casos assim. Ninguém me contou, eu mesmo vi. Tem um morador que conversou comigo e se mostrou totalmente favorável à medida da suspensão das sacolas gratuitas. Mas dia desses eu o vi, na rua, jogando uma garrafa de água pela janela de seu carro, na rua. Um belíssimo exemplo de como devemos tratar nosso planeta. É a velha história do "se não precisar fazer nada, tem meu apoio".
Mas os casos não param por aí. Numa reunião de condomínio, decidiu-se cimentar a única área verde do prédio, um campinho gramado que também funciona como drenagem de solo em dias de chuva. Numa região extremamente permeável, aquele pedacinho era uma ilha de terra e verde, que será cimentada apenas para não sujar a área comum do prédio. Porém, na reunião, falaram de exemplos de preservação e da reciclagem de lixo.
Reciclagem que existe no meu prédio, mas que constantemente encontro no lixo orgânico materiais que poderiam ser reciclados apenas porque as pessoas acham que não são elas quem deve lavar tais produtos para facilitar na reciclagem. Talvez pensem que é melhor jogar fora para não ter trabalho.
A questão, todavia, não se resume somente aos casos de preservação ambiental. Vai muito mais além. Dia desses li o comentário de um amigo, Gilberto Negro, bastante pertinente. Ele dizia - não necessariamente com essas palavras - que a educação dos filhos não é atribuição da escola, mas dos próprios pais. E é a mais pura verdade.
Mas o que ocorre nas escolas não é exatamente isso. Tomo por base a escola de meu filho, onde vejo os pais de seus colegas sempre comentando coisas que lhes seria atribuição própria. Cabe à escola instruir com conteúdo e passar noções que ajudem a formar o caráter. Mas a educação propriamente dita cabe aos pais.
Não adiante um pai que transgride regras, que fure filas, que dê sempre o tal famigerado "jeitinho brasileiro", querer que a escola ensine a seu filho exatamente o contrário do que ele faz. O exemplo deve partir de casa. Mas muita gente acha que, seja por que paga ou porque tem direito a escola pública, são os professores quem deve assumir o dever de educar as crianças.
Seria bem melhor que essas pessoas se policiassem. Que não furassem filas, que não tentassem sempre levar vantagem, que realmente se preocupe com o ecossistema. Assim ajudariam na formação do caráter de seus filhos bem como esperam que outros o façam. E a natureza, de fato, iria agradecer. Não adianta esperar os outros. Temos que fazer a nossa própria parte. Bom dia.
Seria uma iniciativa louvável, não fosse tão inócua quanto o resultado da medida por parte dos supermercados. Mas quando a coisa começou a apertar e as pessoas se viram obrigadas a comprar sacolas retornáveis toda vez que iam às compras e percebiam que não teriam onde carregá-las, que grande parte dos defensores mudou de opinião.
Especificamente, neste caso, a medida só visava aumentar o lucro dos supermercados. Mas muita gente que se dizia tão favorável às medidas se mostra contraditória em seu cotidiano. No prédio onde moro, por exemplo, multiplicam-se casos assim. Ninguém me contou, eu mesmo vi. Tem um morador que conversou comigo e se mostrou totalmente favorável à medida da suspensão das sacolas gratuitas. Mas dia desses eu o vi, na rua, jogando uma garrafa de água pela janela de seu carro, na rua. Um belíssimo exemplo de como devemos tratar nosso planeta. É a velha história do "se não precisar fazer nada, tem meu apoio".
Mas os casos não param por aí. Numa reunião de condomínio, decidiu-se cimentar a única área verde do prédio, um campinho gramado que também funciona como drenagem de solo em dias de chuva. Numa região extremamente permeável, aquele pedacinho era uma ilha de terra e verde, que será cimentada apenas para não sujar a área comum do prédio. Porém, na reunião, falaram de exemplos de preservação e da reciclagem de lixo.
Reciclagem que existe no meu prédio, mas que constantemente encontro no lixo orgânico materiais que poderiam ser reciclados apenas porque as pessoas acham que não são elas quem deve lavar tais produtos para facilitar na reciclagem. Talvez pensem que é melhor jogar fora para não ter trabalho.
A questão, todavia, não se resume somente aos casos de preservação ambiental. Vai muito mais além. Dia desses li o comentário de um amigo, Gilberto Negro, bastante pertinente. Ele dizia - não necessariamente com essas palavras - que a educação dos filhos não é atribuição da escola, mas dos próprios pais. E é a mais pura verdade.
Mas o que ocorre nas escolas não é exatamente isso. Tomo por base a escola de meu filho, onde vejo os pais de seus colegas sempre comentando coisas que lhes seria atribuição própria. Cabe à escola instruir com conteúdo e passar noções que ajudem a formar o caráter. Mas a educação propriamente dita cabe aos pais.
Não adiante um pai que transgride regras, que fure filas, que dê sempre o tal famigerado "jeitinho brasileiro", querer que a escola ensine a seu filho exatamente o contrário do que ele faz. O exemplo deve partir de casa. Mas muita gente acha que, seja por que paga ou porque tem direito a escola pública, são os professores quem deve assumir o dever de educar as crianças.
Seria bem melhor que essas pessoas se policiassem. Que não furassem filas, que não tentassem sempre levar vantagem, que realmente se preocupe com o ecossistema. Assim ajudariam na formação do caráter de seus filhos bem como esperam que outros o façam. E a natureza, de fato, iria agradecer. Não adianta esperar os outros. Temos que fazer a nossa própria parte. Bom dia.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Como sempre, as sacolinhas
Quando este Blog foi criado em janeiro, um dos assuntos mais recorrentes, desde então, foi a questão envolvendo a distribuição gratuita de sacolas plásticas pelos supermercados. Descaradamente, a APAS (Associação Paulista de Supermercados) transformou em Lei um acordo assinado entre ela, representando principalmente os grandes supermercados, e o governo do Estado, com o objetivo de combater o consumo excessivo de sacolas plásticas que demoram a se desfazer e acabam comprometendo o sistema ecológico.
Tudo muito maravilhoso não fosse o fato de que a "mudança" pouco faria em favor do ecossistema. Na verdade, desde o princípio denunciamos aqui que se tratava mais de uma medida para aumentar gananciosamente os lucros dos supermercados do que propriamente cuidar da natureza.
No princípio, a medida da forma como foi floridamente anunciada, ganhou adeptos ferrenhos. Hoje esses mesmos defensores lá atrás, em janeiro, voltaram-se contra a famigerada APAS. Ninguém mais acredita que a medida tenha sido para o bem da nossa natureza. Ninguém tem dúvidas de que foi uma medida criada única e exclusivamente para reduzir custos e aumentar lucros, uma vez que nada foi repassado em benefício do principal atingido, o consumidor.
Montes de sacolas retornáveis passaram a ser vendidas nos supermercados, com diversos valores praticados. Aumentaram também a venda de sacos de lixo, uma vez que sem sacolinha plástica, o consumidor se viu obrigado a utilizar uma nova embalagem para acondicionar o lixo doméstico. Mas o tal saco de lixo é mais ecológico que a sacolinha? Claro que não. Porém aumenta o lucro dos fabricantes e dos supermercados.
Diante dessa ganância desmedida, os supermercados só pensando em lucro jamais se preocuparam, de verdade, com o cliente. Cada um que se virasse como podia para carregar suas compras. Mas isso não foi uma situação ocorrida na totalidade. Casos exemplares surgiam aqui e ali, principalmente entre os pequenos e médios supermercados.
Os pequenos e médios comerciantes se viram no dever de continuar bem tratando o seu cliente. E provaram que, desde que se uniram em cooperativas ou grupos de pequenos e médios mercados para grandes negociações com fornecedores. Os pequenos e médios passaram a concorrer com os grandes e conseguiram mudar um cenário onde os grandes grupos massacraram por muitos anos os pequenos, que atravessou os anos 1980 e 1990.
E na questão da sacola gratuita, a APAS se preocupou novamente com os grandes associados. Mas não foram só os pequenos. Em algumas cidades, a medida não foi considerada tão salutar ao ecossistema, como faziam crer os empresários e manteve-se. Foi o que ocorreu, por exemplo, em Guarulhos.
Agora mal com a opinião pública e obrigados pelo judiciário a retornar a distribuição de sacolas plásticas a partir de amanhã, os supermercados, através da APAS tentam mudar os rumos da conversa e ainda saírem como paladinos na defesa da natureza. Tentam criar a cobrança de sacolas não retornáveis entre R$ 0,05 a R$ 0,20 por unidade ou distribuir sacos de papel, como era na década de 1970.
Mas é tarde. Todos estão contra a manobra nada simpática e excessivamente gananciosa do APAS, que jamais pensou no conforto dos clientes. O feitiço virou contra o feiticeiro. Terão, em 30 dias, que distribuir gratuitamente, sacolas biodegradáveis, aquelas que se decompõem mais facilmente.
De tudo isso, ficam duas constatações. A primeira é que todos nós devemos sim nos preocupar muito mais com o destino de nosso lixo e começar a separar o que pode ser reciclado em nossas próprias casas, nos condomínios, no local de trabalho. Isso se reverte em benefício para nossa geração, para as gerações de nossos filhos e netos.
Outra constatação: apesar de tudo o que fizeram, os supermercados gananciosos, ao que parece, ficaram impunes. Melhor seria obrigá-los a distribuir sacolas gratuitas sem suas marcas impressas e com uma inscrição que os identificasse: "fingi ser ecologicamente correto e me dei mal".
Tudo muito maravilhoso não fosse o fato de que a "mudança" pouco faria em favor do ecossistema. Na verdade, desde o princípio denunciamos aqui que se tratava mais de uma medida para aumentar gananciosamente os lucros dos supermercados do que propriamente cuidar da natureza.
No princípio, a medida da forma como foi floridamente anunciada, ganhou adeptos ferrenhos. Hoje esses mesmos defensores lá atrás, em janeiro, voltaram-se contra a famigerada APAS. Ninguém mais acredita que a medida tenha sido para o bem da nossa natureza. Ninguém tem dúvidas de que foi uma medida criada única e exclusivamente para reduzir custos e aumentar lucros, uma vez que nada foi repassado em benefício do principal atingido, o consumidor.
Montes de sacolas retornáveis passaram a ser vendidas nos supermercados, com diversos valores praticados. Aumentaram também a venda de sacos de lixo, uma vez que sem sacolinha plástica, o consumidor se viu obrigado a utilizar uma nova embalagem para acondicionar o lixo doméstico. Mas o tal saco de lixo é mais ecológico que a sacolinha? Claro que não. Porém aumenta o lucro dos fabricantes e dos supermercados.
Diante dessa ganância desmedida, os supermercados só pensando em lucro jamais se preocuparam, de verdade, com o cliente. Cada um que se virasse como podia para carregar suas compras. Mas isso não foi uma situação ocorrida na totalidade. Casos exemplares surgiam aqui e ali, principalmente entre os pequenos e médios supermercados.
Os pequenos e médios comerciantes se viram no dever de continuar bem tratando o seu cliente. E provaram que, desde que se uniram em cooperativas ou grupos de pequenos e médios mercados para grandes negociações com fornecedores. Os pequenos e médios passaram a concorrer com os grandes e conseguiram mudar um cenário onde os grandes grupos massacraram por muitos anos os pequenos, que atravessou os anos 1980 e 1990.
E na questão da sacola gratuita, a APAS se preocupou novamente com os grandes associados. Mas não foram só os pequenos. Em algumas cidades, a medida não foi considerada tão salutar ao ecossistema, como faziam crer os empresários e manteve-se. Foi o que ocorreu, por exemplo, em Guarulhos.
Agora mal com a opinião pública e obrigados pelo judiciário a retornar a distribuição de sacolas plásticas a partir de amanhã, os supermercados, através da APAS tentam mudar os rumos da conversa e ainda saírem como paladinos na defesa da natureza. Tentam criar a cobrança de sacolas não retornáveis entre R$ 0,05 a R$ 0,20 por unidade ou distribuir sacos de papel, como era na década de 1970.
Mas é tarde. Todos estão contra a manobra nada simpática e excessivamente gananciosa do APAS, que jamais pensou no conforto dos clientes. O feitiço virou contra o feiticeiro. Terão, em 30 dias, que distribuir gratuitamente, sacolas biodegradáveis, aquelas que se decompõem mais facilmente.
De tudo isso, ficam duas constatações. A primeira é que todos nós devemos sim nos preocupar muito mais com o destino de nosso lixo e começar a separar o que pode ser reciclado em nossas próprias casas, nos condomínios, no local de trabalho. Isso se reverte em benefício para nossa geração, para as gerações de nossos filhos e netos.
Outra constatação: apesar de tudo o que fizeram, os supermercados gananciosos, ao que parece, ficaram impunes. Melhor seria obrigá-los a distribuir sacolas gratuitas sem suas marcas impressas e com uma inscrição que os identificasse: "fingi ser ecologicamente correto e me dei mal".
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Cães desprotegidos
Sábado, 23 de junho de 2012. Estávamos eu e minha esposa caminhando pelo bairro Santa Cruz, em Ribeirão Preto, quando ao passar em frente uma casa cheia de entulhos e fechadas, ouvimos uma tétrica sinfonia. Diversos cães - calculo mais de cinco - uivando desesperadamente dentro da casa fechada. Era por volta de 18h50 e ficamos preocupados com o que ouvimos.
A rua é de pouco movimento e não havia nenhum vizinho que pudesse nos dar algum indício do que seria. Mas era fácil supor que os animais estavam sofrendo ou por falta de alimento ou por maus tratos. Possivelmente por ambos. Imediatamente peguei meu celular e disquei 190.
Atendeu um PM bem educado. Contei-lhe a história, achando que a pendenga estava resolvida. Que nada. Era um sábado. E sábado é sempre plantão de tudo. O PM me informou que essa denúncia deveria ser feita ao Departamento de Zoonoses, da prefeitura. Indaguei se não seria o caso de mandar uma viatura avaliar o local, afinal, a casa estava fechada. Ele manteve a orientação e me passou o número do telefone da Zoonoses.
O telefonema durou cerca de um minuto. Portanto por volta de 18h51 comecei a tentar ligar para o número que me foi passado, o (16) 3628-2668. Estava ocupado. Foram seis tentativas até que, por volta das 18h58, consegui encontrar a linha disponível. Atendeu uma mulher, que não se identificou. Contei o drama dos animais da casa fechada, a tal casa dos cães uivantes. Ela, impassível, apenas se limitou a dizer: "senhor, hoje é sábado e não estamos trabalhando. Além disso, o senhor deve dirigir-se à Delegacia de Defesa dos Animais para registrar uma ocorrência".
Bem, trabalho com jornalismo policial e sei que as delegacias especializadas não funcionam no final de semana. Disse-lhe que apenas o plantão estaria funcionando. "Pois vá então ao plantão". Indaguei se eles não tinham o menor interesse em averiguar possíveis maus tratos e ela deu por encerrada a ligação. Ainda perguntei sei nome e ela simplesmente desligou, popularmente falando, bateu o telefone na minha cara.
Indignado, liguei novamente e antes de qualquer coisa, perguntei-lhe o nome. Ela quis saber a razão. Eu disse que ela deveria se identificar e que denunciaria a falta de interesse. Se não era um procedimento do órgão, que ficasse tranquila, pois a denúncia recairia sobre o órgão. Ela se limitou a dizer que chamava-se Michela e desligou. Bem, duvido muito que esse seja seu verdadeiro nome.
Mas espero que a denúncia seja acatada e que a Prefeitura de Ribeirão Preto tome as devidas providências. Valei-me São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque, considerados respectivamente santo protetor dos animais, santo protetor dos cães e santo protetor dos pets. Afinal, num final de semana de plantão, só mesmo os santos para proteger os pobres animais. Imagino como se sentem vários amigos engajados na luta pela proteção aos animais ao ver situações como essa. A Ariane, a essa altura, está indignada e com razão.
Numa época em que tanto se defende a punição aos que atacam os animais, essa recusa por parte de órgãos, imaginamos, competentes, é absurda. Até porque quem está na rua passando, como é o meu caso, não vai querer ficar perdendo tempo com burocracias, indo a distritos para elaborar ocorrências. Quer é ver a questão resolvida com urgência. Isso desestimula as denúncias e os maus tratos continuarão ocorrendo.
Os cães estão lá uivando, demonstrando que algo não está nada bem. É uma quantidade considerável de animais. Mas ninguém se preocupa em solucionar o caso de imediato, antes de consequências mais graves. Ficam presos a burocracias ou despistes, quem sabe, para não ter trabalho.
E é exatamente assim que se sente o cidadão que trabalha arduamente e, se adoece num final de semana, estará fadado a um atendimento precário na saúde pública. Afinal estão funcionando em sistema de plantão. Ora, se o plantão foi criado, não é, a meu ver, para ser um atendimento figurativo. É para ser efetivo. Pois bem, denúncia feita. E enquanto medidas não forem tomadas para averiguar o que ocorreu naquela casa, só nos resta mesmo ter muita fé e rezar para que São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque protejam aqueles cães de eventuais maus tratos e descaso por quem teria competência para evitar que isso ocorresse.
A rua é de pouco movimento e não havia nenhum vizinho que pudesse nos dar algum indício do que seria. Mas era fácil supor que os animais estavam sofrendo ou por falta de alimento ou por maus tratos. Possivelmente por ambos. Imediatamente peguei meu celular e disquei 190.
Atendeu um PM bem educado. Contei-lhe a história, achando que a pendenga estava resolvida. Que nada. Era um sábado. E sábado é sempre plantão de tudo. O PM me informou que essa denúncia deveria ser feita ao Departamento de Zoonoses, da prefeitura. Indaguei se não seria o caso de mandar uma viatura avaliar o local, afinal, a casa estava fechada. Ele manteve a orientação e me passou o número do telefone da Zoonoses.
O telefonema durou cerca de um minuto. Portanto por volta de 18h51 comecei a tentar ligar para o número que me foi passado, o (16) 3628-2668. Estava ocupado. Foram seis tentativas até que, por volta das 18h58, consegui encontrar a linha disponível. Atendeu uma mulher, que não se identificou. Contei o drama dos animais da casa fechada, a tal casa dos cães uivantes. Ela, impassível, apenas se limitou a dizer: "senhor, hoje é sábado e não estamos trabalhando. Além disso, o senhor deve dirigir-se à Delegacia de Defesa dos Animais para registrar uma ocorrência".
Bem, trabalho com jornalismo policial e sei que as delegacias especializadas não funcionam no final de semana. Disse-lhe que apenas o plantão estaria funcionando. "Pois vá então ao plantão". Indaguei se eles não tinham o menor interesse em averiguar possíveis maus tratos e ela deu por encerrada a ligação. Ainda perguntei sei nome e ela simplesmente desligou, popularmente falando, bateu o telefone na minha cara.
Indignado, liguei novamente e antes de qualquer coisa, perguntei-lhe o nome. Ela quis saber a razão. Eu disse que ela deveria se identificar e que denunciaria a falta de interesse. Se não era um procedimento do órgão, que ficasse tranquila, pois a denúncia recairia sobre o órgão. Ela se limitou a dizer que chamava-se Michela e desligou. Bem, duvido muito que esse seja seu verdadeiro nome.
Mas espero que a denúncia seja acatada e que a Prefeitura de Ribeirão Preto tome as devidas providências. Valei-me São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque, considerados respectivamente santo protetor dos animais, santo protetor dos cães e santo protetor dos pets. Afinal, num final de semana de plantão, só mesmo os santos para proteger os pobres animais. Imagino como se sentem vários amigos engajados na luta pela proteção aos animais ao ver situações como essa. A Ariane, a essa altura, está indignada e com razão.
Numa época em que tanto se defende a punição aos que atacam os animais, essa recusa por parte de órgãos, imaginamos, competentes, é absurda. Até porque quem está na rua passando, como é o meu caso, não vai querer ficar perdendo tempo com burocracias, indo a distritos para elaborar ocorrências. Quer é ver a questão resolvida com urgência. Isso desestimula as denúncias e os maus tratos continuarão ocorrendo.
Os cães estão lá uivando, demonstrando que algo não está nada bem. É uma quantidade considerável de animais. Mas ninguém se preocupa em solucionar o caso de imediato, antes de consequências mais graves. Ficam presos a burocracias ou despistes, quem sabe, para não ter trabalho.
E é exatamente assim que se sente o cidadão que trabalha arduamente e, se adoece num final de semana, estará fadado a um atendimento precário na saúde pública. Afinal estão funcionando em sistema de plantão. Ora, se o plantão foi criado, não é, a meu ver, para ser um atendimento figurativo. É para ser efetivo. Pois bem, denúncia feita. E enquanto medidas não forem tomadas para averiguar o que ocorreu naquela casa, só nos resta mesmo ter muita fé e rezar para que São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque protejam aqueles cães de eventuais maus tratos e descaso por quem teria competência para evitar que isso ocorresse.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Mitos e lendas
Não é de hoje que mitos, lendas e boatos tornam-se praticamente leis. Antes mesmo de existir internet e as famigeradas redes sociais, muita coisa se disseminou e fez com que algumas pessoas acreditassem piamente em tais fatos. Hoje, porém, com a velocidade com a qual a internet propaga algo, surgem "novidades" a cada dia. Mas vale lembrar como tudo começou.
Quando era pequeno, lembro que minha avó ficava apavorada comigo. Eu morria de vontade de provar manga com leite. Mas aquilo era decretar a própria sentença de morte. Diziam os mais antigos que manga com leite dava "nó nas tripas" e matava em segundos. Um dia quase matei minha avó do coração. Não resisti e meti manga com leite no liquidificador, bati e tomei, desafiadoramente diante dela.
Nem é preciso falar que ela quase teve um ataque cardíaco ao me ver fazendo aquilo. Mas como não aconteceu nada, ponderou que talvez fosse a forma como havia juntado dois artigos tão letais. Então tentei de outra forma: cortei a manga em pedaços e fui comendo, tomando um gole de leite a cada pedaço de manga. Nada, novamente.
Só no colégio é que um professor de história, o Azaury, esclareceu a pendenga. Na verdade, na época dos escravos, os patrões criavam tais mitos para evitar que eles consumissem o leite das vacas no curral, deixando-os sem leite pela manhã. É que os escravos, nas senzalas, comiam muita manga e acabavam entrando furtivamente no curral para roubar leite. Com o mito, passaram a comer apenas a manga.
Mas tinha outras lendas. Lembro que era inconcebível comer e tomar banho. Era congestão na certa. Mas para os antigos, congestão não era o aumento do volume de sangue em determinada região. Era uma espécie de ataque no estômago, onde morreríamos em instantes.
Tinha também a história de que era perigoso pentear-se diante do espelho logo após almoçar. Meu avô jurava que conhecia uma pessoa que ficou com a boca torta porque fez isso. E a loira do banheiro, então? Quem é mais velho vai lembrar. Diziam que ela foi abandonada no altar por seu noivo e cometeu o suicídio. Então aparecia nos banheiros, vestida de noiva, mas com boca, nariz e ouvido cheios de algodão. Estava à procura de um pretendente para levá-lo ao além.
Quando era pequeno, lembro que minha avó ficava apavorada comigo. Eu morria de vontade de provar manga com leite. Mas aquilo era decretar a própria sentença de morte. Diziam os mais antigos que manga com leite dava "nó nas tripas" e matava em segundos. Um dia quase matei minha avó do coração. Não resisti e meti manga com leite no liquidificador, bati e tomei, desafiadoramente diante dela.
Nem é preciso falar que ela quase teve um ataque cardíaco ao me ver fazendo aquilo. Mas como não aconteceu nada, ponderou que talvez fosse a forma como havia juntado dois artigos tão letais. Então tentei de outra forma: cortei a manga em pedaços e fui comendo, tomando um gole de leite a cada pedaço de manga. Nada, novamente.
Só no colégio é que um professor de história, o Azaury, esclareceu a pendenga. Na verdade, na época dos escravos, os patrões criavam tais mitos para evitar que eles consumissem o leite das vacas no curral, deixando-os sem leite pela manhã. É que os escravos, nas senzalas, comiam muita manga e acabavam entrando furtivamente no curral para roubar leite. Com o mito, passaram a comer apenas a manga.
Mas tinha outras lendas. Lembro que era inconcebível comer e tomar banho. Era congestão na certa. Mas para os antigos, congestão não era o aumento do volume de sangue em determinada região. Era uma espécie de ataque no estômago, onde morreríamos em instantes.
Tinha também a história de que era perigoso pentear-se diante do espelho logo após almoçar. Meu avô jurava que conhecia uma pessoa que ficou com a boca torta porque fez isso. E a loira do banheiro, então? Quem é mais velho vai lembrar. Diziam que ela foi abandonada no altar por seu noivo e cometeu o suicídio. Então aparecia nos banheiros, vestida de noiva, mas com boca, nariz e ouvido cheios de algodão. Estava à procura de um pretendente para levá-lo ao além.
Lendas da internet
Com a internet começaram a surgir muitos outros mitos. Um deles, que constantemente volta à tona, é a morte do pai da modelo Daniela Sarahyba teria morrido de leptospirose quando, após um passeio de lancha em Angra dos Reis, bebeu cerveja em latas contaminadas pela urina de rato. Ele de fato morreu de leptospirose. Mas contraiu após molhar o pé ferido em água contaminada, o que foi constatado. Também foi constatado que existe o risco de contrair doenças através de latas não higienizadas. Mas não foi o caso do pai da famosa modelo.
Outra lenda que corre o Brasil é a demissão do comentarista político e apresentador da Rede Globo, Alexandre Garcia. Ele teria sido demitido após ficar indignado com a atuação dos congressistas brasileiros e tecer comentários ríspidos ao nosso Congresso. Isso circulou pela primeira vez há oito anos e a cada dois anos, aproximadamente, recebo o mesmo e-mail. E Alexandre Garcia, o demitido, continua firme e forte na Globo.
Existem outras lendas de décadas passadas que foram adaptadas aos dias atuais. No começo do século passado havia o temor da seringa. Dizia a lenda que um homem mal intencionado circulava com uma seringa contendo morfina em transportes públicos à procura de mulheres desacompanhadas. Quando encontrava uma possível vítima, aplicava a morfina à força e a levava para trabalhar em prostíbulos distantes.
Anos mais tarde essa lenda voltou - e ganhou força com a internet - com a seringa contendo sangue contaminado pelo vírus da Aids. Isso até inspirou alguns gaiatos.
O grande problema com as lendas da internet é o que vem por trás dela. Junto com esses "prestativos" e-mails pode estar algum tipo de vírus que se aloja no computador. Pode ser um vírus para passar dados do usuário, como senha, número de contas de banco, cartão de crédito e outros documentos. Pode ser também um e-mail para capturar nomes para mala direta eletrônica.
O fato é que, antes de acreditar em tais lendas, não custa nada dar uma pesquisada na própria internet. No caso da modelo Daniela Sarahyba, existem versões em inglês e francês, apenas mudando os nomes dos personagens. Pense nisso. E não se preocupe em retransmitir aquela oração que lhe trará muito dinheiro, mas que vai acabar com sua vida afetiva e financeira se você não o retransmitir em menos de uma hora para toda a sua lista. Está circulando outro e-mail enviado por Deus, garantindo que não haverá castigo se você negligenciar e quebrar a corrente.
Outra lenda que corre o Brasil é a demissão do comentarista político e apresentador da Rede Globo, Alexandre Garcia. Ele teria sido demitido após ficar indignado com a atuação dos congressistas brasileiros e tecer comentários ríspidos ao nosso Congresso. Isso circulou pela primeira vez há oito anos e a cada dois anos, aproximadamente, recebo o mesmo e-mail. E Alexandre Garcia, o demitido, continua firme e forte na Globo.
Existem outras lendas de décadas passadas que foram adaptadas aos dias atuais. No começo do século passado havia o temor da seringa. Dizia a lenda que um homem mal intencionado circulava com uma seringa contendo morfina em transportes públicos à procura de mulheres desacompanhadas. Quando encontrava uma possível vítima, aplicava a morfina à força e a levava para trabalhar em prostíbulos distantes.
Anos mais tarde essa lenda voltou - e ganhou força com a internet - com a seringa contendo sangue contaminado pelo vírus da Aids. Isso até inspirou alguns gaiatos.
O grande problema com as lendas da internet é o que vem por trás dela. Junto com esses "prestativos" e-mails pode estar algum tipo de vírus que se aloja no computador. Pode ser um vírus para passar dados do usuário, como senha, número de contas de banco, cartão de crédito e outros documentos. Pode ser também um e-mail para capturar nomes para mala direta eletrônica.
O fato é que, antes de acreditar em tais lendas, não custa nada dar uma pesquisada na própria internet. No caso da modelo Daniela Sarahyba, existem versões em inglês e francês, apenas mudando os nomes dos personagens. Pense nisso. E não se preocupe em retransmitir aquela oração que lhe trará muito dinheiro, mas que vai acabar com sua vida afetiva e financeira se você não o retransmitir em menos de uma hora para toda a sua lista. Está circulando outro e-mail enviado por Deus, garantindo que não haverá castigo se você negligenciar e quebrar a corrente.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Água e óleo se misturam
Ao contrário do que muita gente pensa, água e óleo misturam-se, sim. Todavia, não se dissolvem, o que faz com que o sistema água+óleo seja uma mistura, não uma solução. No caso da aliança entre o PT de Lula e o PP de Maluf, pelo jeito houve mistura e solução no acordo alinhavado para a candidatura de Hadad à prefeitura paulistana. Melhor fez Luiza Erundina, que deixou de ser vice na chapa do PT por conta dessa aliança.
Toda essa situação me remete ao ano de 1982, quando por conta de movimento estudantil secundarista, ainda sob o resquício da ditadura militar, conheci o PT. Naquele tempo quem era engajado em algum movimento, estudantil ou sindical, fatalmente simpatizava com o PT. E simpatizar com o PT, nos anos 1980, fatalmente era ir contra Maluf.
Já faz muito tempo que não me considero mais petista, embora possa votar tanto em candidatos deste partido, quando em candidatos do PP de Maluf. Quando ficamos mais velhos, normalmente enxergamos a coisa com outros olhos e acabamos optando em o que nos é melhor, independente de ideologias. Falo isso não generalizando.
Mas ideologia é coisa que há muito o PT deixou de lado. E tento imaginar alguns amigos meus, grandes amigos, que ainda se consideram petistas. Como aquele militante ou simpatizante do partido, forjado nos anos 1980, vê essa aliança, a meu ver, espúria?
Não tem nada mais preciso para definir isso do que a música do genial Chico Buarque de Holanda, "Quem te viu, quem te vê". Basta acompanhar alguns versos:
"Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala (PT: a esperança de trabalhadores e intelectuais)
Você era a favorita onde eu era mestre-sala (era a certeza do voto daquele público)
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua (o PT afastou-se das bases verdadeiras)
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua (hoje vive sob os holofotes, esquecendo-se a que veio)
Quando o samba começava você era a mais brilhante (nos calorosos debates dos anos 1980, ninguém calava o PT e seus candidatos)
E se a gente se cansava, você só seguia adiante (seus representantes não se curvavam e denunciavam toda a falcatrua da época)
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado (quanto tempo faz que não vejo uma manifestação autêntica da militância)
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado (quando chegou à presidência da República, a história mudou)
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria (vai de acordo com as alianças que faz, sob a premissa de que ninguém governa sozinho)
Quero que você assista na mais fina companhia (com seus "grandes" acordos políticos, até anos atrás, surpreendeu até mesmo adversários históricos)
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista (hoje não é mais o representante dos trabalhadores e estudantes, da forma como fazia no início de sua jornada)
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista (e tem feito exatamente isso quando dá de ombros para movimentos, como o sindical, que também desviou de seu caminho com centrais sindicais que mais se preocupam em crescer e ter poder do que, de fato, representar o trabalhador - não generalizando, mas também não correndo o risco errar ao afirmar que é a maioria)
(e vamos ao refrão:)
Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer"
Com o refrão, é covardia acrescentar algo, não é mesmo? Sintetiza bem a aliança que surpreendeu a todos, anunciada nesta semana. PT, saudações.
Toda essa situação me remete ao ano de 1982, quando por conta de movimento estudantil secundarista, ainda sob o resquício da ditadura militar, conheci o PT. Naquele tempo quem era engajado em algum movimento, estudantil ou sindical, fatalmente simpatizava com o PT. E simpatizar com o PT, nos anos 1980, fatalmente era ir contra Maluf.
Já faz muito tempo que não me considero mais petista, embora possa votar tanto em candidatos deste partido, quando em candidatos do PP de Maluf. Quando ficamos mais velhos, normalmente enxergamos a coisa com outros olhos e acabamos optando em o que nos é melhor, independente de ideologias. Falo isso não generalizando.
Mas ideologia é coisa que há muito o PT deixou de lado. E tento imaginar alguns amigos meus, grandes amigos, que ainda se consideram petistas. Como aquele militante ou simpatizante do partido, forjado nos anos 1980, vê essa aliança, a meu ver, espúria?
Não tem nada mais preciso para definir isso do que a música do genial Chico Buarque de Holanda, "Quem te viu, quem te vê". Basta acompanhar alguns versos:
"Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala (PT: a esperança de trabalhadores e intelectuais)
Você era a favorita onde eu era mestre-sala (era a certeza do voto daquele público)
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua (o PT afastou-se das bases verdadeiras)
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua (hoje vive sob os holofotes, esquecendo-se a que veio)
Quando o samba começava você era a mais brilhante (nos calorosos debates dos anos 1980, ninguém calava o PT e seus candidatos)
E se a gente se cansava, você só seguia adiante (seus representantes não se curvavam e denunciavam toda a falcatrua da época)
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado (quanto tempo faz que não vejo uma manifestação autêntica da militância)
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado (quando chegou à presidência da República, a história mudou)
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria (vai de acordo com as alianças que faz, sob a premissa de que ninguém governa sozinho)
Quero que você assista na mais fina companhia (com seus "grandes" acordos políticos, até anos atrás, surpreendeu até mesmo adversários históricos)
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista (hoje não é mais o representante dos trabalhadores e estudantes, da forma como fazia no início de sua jornada)
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista (e tem feito exatamente isso quando dá de ombros para movimentos, como o sindical, que também desviou de seu caminho com centrais sindicais que mais se preocupam em crescer e ter poder do que, de fato, representar o trabalhador - não generalizando, mas também não correndo o risco errar ao afirmar que é a maioria)
(e vamos ao refrão:)
Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer"
Com o refrão, é covardia acrescentar algo, não é mesmo? Sintetiza bem a aliança que surpreendeu a todos, anunciada nesta semana. PT, saudações.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Construindo e filosofando
Conheci o Henrique no começo da década de 1970. Ele tem 10 anos a mais que eu e já cursava engenharia civil, enquanto dava meus primeiros passos na alfabetização. Mas sempre foi um sujeito tranquilo, boa praça, que gostava de filosofar.
Henrique cresceu nos anos 1960, diante da turbulência em torno da ditadura militar e dos movimentos culturais. Sempre gostou do bom e velho rock'n roll e, de certa forma, acabou me influenciando. Foi dele meu primeiro compacto - no tempo dos bolachões, havia os LP's (long plays) e os compactos, que eram pequenos discos com duas ou, no máximo, quatro músicas em seus dois lados. Era do Creedence Clearwater Revival, disco que tenho até hoje, embora não tenha mais onde tocá-lo. Também gostava muito de Beatles. E era sãopaulino, talvez nos três casos tenha me influenciado bastante.
O tempo foi passando e lá estava eu no segundo grau, hoje ensino médio. Estudava pela manhã e trabalhava à tarde com o irmão do Henrique, o Ângelo, advogado recém-formado com um escritório da Rua Tabatinguera, centro de São Paulo. A essa altura, Henrique já cursava outra faculdade, em Campinas, trabalhava em uma grande construtora, mas queria mesmo era ter seu próprio negócio. Sempre afirmou que gostava de construir, de ser um construtor.
E acabou me convidando para trabalhar com ele, tornando-se então, meu segundo patrão. Era muito interessante conviver com alguém tão tranquilo. E que acabava sendo extremamente didático. Tudo para ele era motivo de filosofar. Sempre discutia todos os pontos de vista, todas as dúvidas, para se chegar a uma conclusão. Tudo tinha de ter uma razão concreta.
Enquanto filosofava, começava seu caminho de construtor. Uma capelinha próxima de onde está atualmente o Terminal Rodoviário do Tietê foi totalmente reformada e ganhou um novo telhado graças a um projeto do Henrique. Isso lhe rendeu uma reforma de casa na Vila Ede, zona norte de São Paulo, além de uma outra na rua Cardoso de Almeida, próxima ao estádio do Pacaembu.
O tempo passou, acabei saindo da empresa e trilhando outros caminhos, fiz faculdade, casei e não vi mais o Henrique. Até que o facebook surgiu. Encontrei o cara por lá. Tentei contato, levou cerca de um mês. Sim, sou um adepto tardio do face, relutei muito em aderir a essa rede social. Mas acabou dando certo e hoje fico algumas horas por semana vendo, revendo e conhecendo amigos, virtuais e reais.
E o Henrique estava lá, dizendo que não havia mudado tanto, apesar do tempo. E que deveríamos marcar um almoço, um churrasco e coisa do gênero. Mas a distância não é minha aliada no caso de amizades antigas, afinal, não moro mais em São Paulo, estou a mais de 300 quilômetros de onde cresci.
Até que na semana passada, quando chegava em casa, toca o celular. Era o Henrique, reconheci imediatamente a sua voz. O mesmo tom calmo e otimista de 30 anos antes. Convidou-me para sua festa de aniversário. Tinha outro compromisso, mas sabia que não podia perder a chance e fui para Sampa com a família, encontrar o Henrique.
É impressionante como algumas pessoas são lineares em suas vidas. Talvez pelo gosto de filosofar, Henrique continua do mesmo jeito de antes. Sereno, tranquilo, sempre de bem com a vida, sempre querendo curtir tudo e todos. E sua filosofia não é barata, afinal como ele mesmo diz, vamos todos morrer, essa é a certeza. Que possamos então conviver. E haja amigos. Henrique continua construindo não só amizades. É um grande construtor de prédios residenciais, comerciais, enfim, sempre edificando. E não se limita só às zonas sul e oeste de São Paulo, não. Tem construções em vários pontos, inclusive na badalada praia de Astúrias, no Guarujá, litoral paulista.
Lá ele construiu três torres. Mas não perde o seu jeito sereno. E acaba estimulando você a encontrar respostas para suas perguntas. Se você lhe pergunta algo, ele não responde diretamente, te dá instrumentos para que você mesmo responda à sua pergunta. Mesmo quando seja sobre a vida dele. Aos cinquenta e poucos anos, Henrique segue a vida como de costume, ao prazer da arte de filosofar.
Henrique cresceu nos anos 1960, diante da turbulência em torno da ditadura militar e dos movimentos culturais. Sempre gostou do bom e velho rock'n roll e, de certa forma, acabou me influenciando. Foi dele meu primeiro compacto - no tempo dos bolachões, havia os LP's (long plays) e os compactos, que eram pequenos discos com duas ou, no máximo, quatro músicas em seus dois lados. Era do Creedence Clearwater Revival, disco que tenho até hoje, embora não tenha mais onde tocá-lo. Também gostava muito de Beatles. E era sãopaulino, talvez nos três casos tenha me influenciado bastante.
O tempo foi passando e lá estava eu no segundo grau, hoje ensino médio. Estudava pela manhã e trabalhava à tarde com o irmão do Henrique, o Ângelo, advogado recém-formado com um escritório da Rua Tabatinguera, centro de São Paulo. A essa altura, Henrique já cursava outra faculdade, em Campinas, trabalhava em uma grande construtora, mas queria mesmo era ter seu próprio negócio. Sempre afirmou que gostava de construir, de ser um construtor.
E acabou me convidando para trabalhar com ele, tornando-se então, meu segundo patrão. Era muito interessante conviver com alguém tão tranquilo. E que acabava sendo extremamente didático. Tudo para ele era motivo de filosofar. Sempre discutia todos os pontos de vista, todas as dúvidas, para se chegar a uma conclusão. Tudo tinha de ter uma razão concreta.
Enquanto filosofava, começava seu caminho de construtor. Uma capelinha próxima de onde está atualmente o Terminal Rodoviário do Tietê foi totalmente reformada e ganhou um novo telhado graças a um projeto do Henrique. Isso lhe rendeu uma reforma de casa na Vila Ede, zona norte de São Paulo, além de uma outra na rua Cardoso de Almeida, próxima ao estádio do Pacaembu.
O tempo passou, acabei saindo da empresa e trilhando outros caminhos, fiz faculdade, casei e não vi mais o Henrique. Até que o facebook surgiu. Encontrei o cara por lá. Tentei contato, levou cerca de um mês. Sim, sou um adepto tardio do face, relutei muito em aderir a essa rede social. Mas acabou dando certo e hoje fico algumas horas por semana vendo, revendo e conhecendo amigos, virtuais e reais.
E o Henrique estava lá, dizendo que não havia mudado tanto, apesar do tempo. E que deveríamos marcar um almoço, um churrasco e coisa do gênero. Mas a distância não é minha aliada no caso de amizades antigas, afinal, não moro mais em São Paulo, estou a mais de 300 quilômetros de onde cresci.
Até que na semana passada, quando chegava em casa, toca o celular. Era o Henrique, reconheci imediatamente a sua voz. O mesmo tom calmo e otimista de 30 anos antes. Convidou-me para sua festa de aniversário. Tinha outro compromisso, mas sabia que não podia perder a chance e fui para Sampa com a família, encontrar o Henrique.
É impressionante como algumas pessoas são lineares em suas vidas. Talvez pelo gosto de filosofar, Henrique continua do mesmo jeito de antes. Sereno, tranquilo, sempre de bem com a vida, sempre querendo curtir tudo e todos. E sua filosofia não é barata, afinal como ele mesmo diz, vamos todos morrer, essa é a certeza. Que possamos então conviver. E haja amigos. Henrique continua construindo não só amizades. É um grande construtor de prédios residenciais, comerciais, enfim, sempre edificando. E não se limita só às zonas sul e oeste de São Paulo, não. Tem construções em vários pontos, inclusive na badalada praia de Astúrias, no Guarujá, litoral paulista.
Lá ele construiu três torres. Mas não perde o seu jeito sereno. E acaba estimulando você a encontrar respostas para suas perguntas. Se você lhe pergunta algo, ele não responde diretamente, te dá instrumentos para que você mesmo responda à sua pergunta. Mesmo quando seja sobre a vida dele. Aos cinquenta e poucos anos, Henrique segue a vida como de costume, ao prazer da arte de filosofar.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Simplesmente Ribeirão Preto
Ribeirão Preto começou a surgir no século XIX graças aos mineiros que, tendo esgotado suas terras com a mineração, já decadente naqueles tempos, partiram rumo ao oeste em busca de novas terras prósperas, encontrando a terra roxa da região, própria para o cultivo agrícola. Mas foi graças à estrada de ferro que Ribeirão, definitivamente, passou a crescer a passos largos.
A maior e mais antiga cidade da região era São Simão, hoje uma cidade com cerca de 15 mil habitantes. A chegada da Estrada de Ferro Mogiana alavancou o desenvolvimento e Ribeirão Preto foi, aos poucos, crescendo no cenário regional. Hoje é um dos maiores municípios paulistas e um dos centros regionais mais importantes do interior do Brasil.
A cultura cafeeira trouxe muita gente para Ribeirão Preto. Os barões do café, que marcaram época, foram bastante poderosos. Nomes como Francisco Schimidt e Henrique Dumont eram aclamados como os reis do café brasileiro. Henrique Dumont, aliás, era pai do inventor Alberto Santos Dumont, aquele mesmo que voou com seu 14 Bis em Paris, no início do século passado. E foi graças ao dinheiro do café que muitos monumentos na cidade foram erguidos.
Tudo mandavam vir de Paris. Desde azulejos, afrescos e outros produtos, até as mulheres que trabalhavam no cabaré e eram amantes dos barões do café. Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, a cultura cafeeira acabou levando muitos barões à falência. Mas a cidade já estava nos trilhos do desenvolvimento e continuou crescendo.
Outras culturas vieram, como a cana-de-açúcar, hoje predominante em todo o norte do Estado. Mas a cidade passou a se preocupar também com o comércio e o terceiro setor. Tornou-se centro regional. Hoje recebe diariamente mais de 100 mil pessoas, que vêm à trabalho ou a negócios.
O negócio tornou-se marca registrada de Ribeirão Preto. Considerada a capital nacional do agronegócio, sedia uma importante feira de máquinas agrícolas, o Agrishow, que durante seu período de realização traz tantos visitantes que não só todos os hotéis de Ribeirão Preto, mas hotéis num raio de 100 quilômetros são tomados pelos participantes da feira, rendendo divisas para toda a região.
Cidade universitária, também é um importante polo cultural. Por aqui militaram grandes artistas, como Bassano Vacarini, Francisco Amêndola, entre outros. Da região, surgiu Cândido Portinari, considerado um artista completo. Era de Brodowski, distante 20 quilômetros de Ribeirão. Hoje novos nomes começam a se articular e a arte volta a ganhar nomes exponenciais, como Cordeiro de Sá e outros agitadores culturais.
A ferrovia, que tanto alavancou Ribeirão, hoje definha. Em suas ruas não circulam mais trens. Apenas um único ramal ainda recebe algumas composições. Muitos trechos já não têm mais trilhos. Um aspecto a se lamentar, principalmente por ser o trem um meio de transporte limpo, não poluente.
Mas a cidade foi adiante. A gastronomia é excelente, oferece pratos para todos os gostos. No futebol, a tradição ainda mantém vivas as esperanças de torcedores botafoguenses e comercialinos, embora os tempos atuais não sejam tão profícuos como em décadas passadas. Já houve um tempo onde o Santos de Pelé simulou uma série de contusões para não ser ainda mais humilhado pelo Comercial. Já houve um tempo onde craques como Sócrates, Raí, Mário Sérgio entre tantos outros, desfilavam com o manto sagrado do Botafogo. E todos os times chamados grandes respeitavam a dupla ribeirão-pretana.
Enquanto esses bons tempos da bola não voltam, a cidade segue seu rumo. Crescendo, recebendo sempre novos investimentos. Dezenas de empreendimentos imobiliários estão sendo construídos. Entre eles, um novo shopping center, que vai se juntar aos três já existentes em Ribeirão Preto. A cidade continua com sua vocação de receber os "forasteiros" que vêm tentar a vida, sempre de braços abertos. Quando cheguei por aqui, em 1988, a população beirava 400 mil habitantes. Hoje ultrapassa os 600 mil. Boa parte dessa população, a exemplo do que eu fiz, veio de fora. São ribeirão-pretanos de todos os cantos do País e até do exterior. Gente que se juntou aos filhos da terra para seguir suas vidas. E nada melhor do que propor um brinde à cidade que bem recebe com um de seus melhores e mais famosos produtos: o chope. Um brinde a Ribeirão Preto. Parabéns pelos 156 anos de muita vida.
A maior e mais antiga cidade da região era São Simão, hoje uma cidade com cerca de 15 mil habitantes. A chegada da Estrada de Ferro Mogiana alavancou o desenvolvimento e Ribeirão Preto foi, aos poucos, crescendo no cenário regional. Hoje é um dos maiores municípios paulistas e um dos centros regionais mais importantes do interior do Brasil.
A cultura cafeeira trouxe muita gente para Ribeirão Preto. Os barões do café, que marcaram época, foram bastante poderosos. Nomes como Francisco Schimidt e Henrique Dumont eram aclamados como os reis do café brasileiro. Henrique Dumont, aliás, era pai do inventor Alberto Santos Dumont, aquele mesmo que voou com seu 14 Bis em Paris, no início do século passado. E foi graças ao dinheiro do café que muitos monumentos na cidade foram erguidos.
Tudo mandavam vir de Paris. Desde azulejos, afrescos e outros produtos, até as mulheres que trabalhavam no cabaré e eram amantes dos barões do café. Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, a cultura cafeeira acabou levando muitos barões à falência. Mas a cidade já estava nos trilhos do desenvolvimento e continuou crescendo.
Outras culturas vieram, como a cana-de-açúcar, hoje predominante em todo o norte do Estado. Mas a cidade passou a se preocupar também com o comércio e o terceiro setor. Tornou-se centro regional. Hoje recebe diariamente mais de 100 mil pessoas, que vêm à trabalho ou a negócios.
O negócio tornou-se marca registrada de Ribeirão Preto. Considerada a capital nacional do agronegócio, sedia uma importante feira de máquinas agrícolas, o Agrishow, que durante seu período de realização traz tantos visitantes que não só todos os hotéis de Ribeirão Preto, mas hotéis num raio de 100 quilômetros são tomados pelos participantes da feira, rendendo divisas para toda a região.
Cidade universitária, também é um importante polo cultural. Por aqui militaram grandes artistas, como Bassano Vacarini, Francisco Amêndola, entre outros. Da região, surgiu Cândido Portinari, considerado um artista completo. Era de Brodowski, distante 20 quilômetros de Ribeirão. Hoje novos nomes começam a se articular e a arte volta a ganhar nomes exponenciais, como Cordeiro de Sá e outros agitadores culturais.
A ferrovia, que tanto alavancou Ribeirão, hoje definha. Em suas ruas não circulam mais trens. Apenas um único ramal ainda recebe algumas composições. Muitos trechos já não têm mais trilhos. Um aspecto a se lamentar, principalmente por ser o trem um meio de transporte limpo, não poluente.
Mas a cidade foi adiante. A gastronomia é excelente, oferece pratos para todos os gostos. No futebol, a tradição ainda mantém vivas as esperanças de torcedores botafoguenses e comercialinos, embora os tempos atuais não sejam tão profícuos como em décadas passadas. Já houve um tempo onde o Santos de Pelé simulou uma série de contusões para não ser ainda mais humilhado pelo Comercial. Já houve um tempo onde craques como Sócrates, Raí, Mário Sérgio entre tantos outros, desfilavam com o manto sagrado do Botafogo. E todos os times chamados grandes respeitavam a dupla ribeirão-pretana.
Enquanto esses bons tempos da bola não voltam, a cidade segue seu rumo. Crescendo, recebendo sempre novos investimentos. Dezenas de empreendimentos imobiliários estão sendo construídos. Entre eles, um novo shopping center, que vai se juntar aos três já existentes em Ribeirão Preto. A cidade continua com sua vocação de receber os "forasteiros" que vêm tentar a vida, sempre de braços abertos. Quando cheguei por aqui, em 1988, a população beirava 400 mil habitantes. Hoje ultrapassa os 600 mil. Boa parte dessa população, a exemplo do que eu fiz, veio de fora. São ribeirão-pretanos de todos os cantos do País e até do exterior. Gente que se juntou aos filhos da terra para seguir suas vidas. E nada melhor do que propor um brinde à cidade que bem recebe com um de seus melhores e mais famosos produtos: o chope. Um brinde a Ribeirão Preto. Parabéns pelos 156 anos de muita vida.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Aniversário de Ribeirão Preto
A cidade de Ribeirão Preto está completando, em 19 de junho, 156 anos. Quando cheguei aqui, em 1988, tinha acabado de comemorar seu 132º aniversário. Parece que foi ontem. Desembarquei na Rodoviária, fui até um telefone público - o tradicional orelhão, ainda no tempo da ficha - e pedi informação através do número 102.
A telefonista me informou o número da TV Ribeirão, hoje EPTV, retransmissora da Globo. Liguei, falei com o João Garcia, que me chamou para um teste e acabei ficando pela cidade até hoje. É engraçado, mas já tenho mais tempo vivendo em Ribeirão Preto do que o tempo que vivi em São Paulo, cidade onde nasci e morei até minha vinda para cá.
Por incrível que pareça, demorei quase dois meses para conhecer um dos "pontos turísticos" da cidade: a choperia Pinguim. É que tudo aconteceu muito rapidamente: emprego, procura de uma casa para alugar - a TV pagava hotel, onde fiquei por três meses -, e os preparativos para meu casamento.
Aos poucos passei a conhecer e a gostar de Ribeirão. O calor é constante na cidade, mas isso tem lá o seu charme. E via a cidade crescer diante de meus olhos. Hoje, quando me recordo do que era quando cheguei e do que está hoje, vejo como tudo mudou.
Por exemplo, o centro ainda não tinha calçadão. O Bosque Fábio Barreto era muito mais visitado que que atualmente -e mais bem cuidado. O Theatro Pedro II estava fechado, havia sido destruído por um incêndio anos antes de minha chegada por aqui. Hoje totalmente restaurado, é um dos principais palcos do interior do Estado. Na TV, passei a conhecer a história da cidade e, depois em outros veículos de comunicação, me aprofundei, tendo o prazer de conhecer e conviver com grandes conhecedores de nossa história, como o professor Rubem Cione e o analista econômico e professor universitário Antonio Vicente Golfeto.
Foi aqui que nasceram meus dois filhos, motivo de orgulho. Sou paulistano, mas sempre que chego em Sampa, não vejo a hora de voltar para Ribeirão. Afinal, o ritmo em São Paulo é por demais alucinante, principalmente por conta do trânsito. Passear em São Paulo é sempre muito bom. Morar é bem diferente.
Ribeirão Preto sempre foi hospitaleira e posso dizer que boa parte dos moradores veio de outras cidades, próximas ou distantes desta região. Antes de minha chegada e durante um bom tempo em que aqui vivi, o rádio era poderoso. Sempre fez grandes nomes na política e na própria imprensa. O apresentador da TV Band, José Luiz Datena, é um exemplo disso. Trabalhei com ele na TV Ribeirão, mas ele cresceu e se formou no rádio local. Hoje é um dos maiores salários da TV brasileira.
E em que outro lugar alguém famoso poderia viver sem ser importunado? Que o diga o saudoso Magrão. Sócrates andava à vontade pelas ruas e bares da cidade, sem ser assediado. Se relacionava com os amigos sem problemas de ser importunado. Por isso é que, após deixar os gramados, acabou tendo a cidade como seu porto seguro.
Hoje Ribeirão se divide em áreas bem específicas: os mais abastados na zona sul. A classe média na zona leste e oeste. E a classe menos favorecida financeiramente na zona norte. Não é uma regra absoluta, é bom destacar. Isso impera em boa parte da cidade, que enfrenta lá seus problemas. Mas que oferece qualidade de vida para seus moradores.
Sempre costumo dizer que, de onde moro até onde trabalho, ida e volta de carro, não é possível ouvir uma única música inteira no cd player do veículo. Chego em casa relativamente cedo, mesmo saindo às 18h00. E dá tempo para as compras do jantar, para uma caminhada em um dos três parques próximos de casa. Aliás, Ribeirão é uma cidade muito bem servida por áreas públicas.
É sempre muito bom morar em Ribeirão Preto. Comércio bom, três shoppings centers, boa gastronomia, cultura em crescimento e polo universitário. Alguns dos atributos na próspera Ribeirão Preto, que um dia foi conhecida por Califórnia Brasileira, mas que hoje faz questão de se firmar com sua própria identidade. Parabéns, Ribeirão Preto.
A telefonista me informou o número da TV Ribeirão, hoje EPTV, retransmissora da Globo. Liguei, falei com o João Garcia, que me chamou para um teste e acabei ficando pela cidade até hoje. É engraçado, mas já tenho mais tempo vivendo em Ribeirão Preto do que o tempo que vivi em São Paulo, cidade onde nasci e morei até minha vinda para cá.
Por incrível que pareça, demorei quase dois meses para conhecer um dos "pontos turísticos" da cidade: a choperia Pinguim. É que tudo aconteceu muito rapidamente: emprego, procura de uma casa para alugar - a TV pagava hotel, onde fiquei por três meses -, e os preparativos para meu casamento.
Aos poucos passei a conhecer e a gostar de Ribeirão. O calor é constante na cidade, mas isso tem lá o seu charme. E via a cidade crescer diante de meus olhos. Hoje, quando me recordo do que era quando cheguei e do que está hoje, vejo como tudo mudou.
Por exemplo, o centro ainda não tinha calçadão. O Bosque Fábio Barreto era muito mais visitado que que atualmente -e mais bem cuidado. O Theatro Pedro II estava fechado, havia sido destruído por um incêndio anos antes de minha chegada por aqui. Hoje totalmente restaurado, é um dos principais palcos do interior do Estado. Na TV, passei a conhecer a história da cidade e, depois em outros veículos de comunicação, me aprofundei, tendo o prazer de conhecer e conviver com grandes conhecedores de nossa história, como o professor Rubem Cione e o analista econômico e professor universitário Antonio Vicente Golfeto.
Foi aqui que nasceram meus dois filhos, motivo de orgulho. Sou paulistano, mas sempre que chego em Sampa, não vejo a hora de voltar para Ribeirão. Afinal, o ritmo em São Paulo é por demais alucinante, principalmente por conta do trânsito. Passear em São Paulo é sempre muito bom. Morar é bem diferente.
Ribeirão Preto sempre foi hospitaleira e posso dizer que boa parte dos moradores veio de outras cidades, próximas ou distantes desta região. Antes de minha chegada e durante um bom tempo em que aqui vivi, o rádio era poderoso. Sempre fez grandes nomes na política e na própria imprensa. O apresentador da TV Band, José Luiz Datena, é um exemplo disso. Trabalhei com ele na TV Ribeirão, mas ele cresceu e se formou no rádio local. Hoje é um dos maiores salários da TV brasileira.
E em que outro lugar alguém famoso poderia viver sem ser importunado? Que o diga o saudoso Magrão. Sócrates andava à vontade pelas ruas e bares da cidade, sem ser assediado. Se relacionava com os amigos sem problemas de ser importunado. Por isso é que, após deixar os gramados, acabou tendo a cidade como seu porto seguro.
Hoje Ribeirão se divide em áreas bem específicas: os mais abastados na zona sul. A classe média na zona leste e oeste. E a classe menos favorecida financeiramente na zona norte. Não é uma regra absoluta, é bom destacar. Isso impera em boa parte da cidade, que enfrenta lá seus problemas. Mas que oferece qualidade de vida para seus moradores.
Sempre costumo dizer que, de onde moro até onde trabalho, ida e volta de carro, não é possível ouvir uma única música inteira no cd player do veículo. Chego em casa relativamente cedo, mesmo saindo às 18h00. E dá tempo para as compras do jantar, para uma caminhada em um dos três parques próximos de casa. Aliás, Ribeirão é uma cidade muito bem servida por áreas públicas.
É sempre muito bom morar em Ribeirão Preto. Comércio bom, três shoppings centers, boa gastronomia, cultura em crescimento e polo universitário. Alguns dos atributos na próspera Ribeirão Preto, que um dia foi conhecida por Califórnia Brasileira, mas que hoje faz questão de se firmar com sua própria identidade. Parabéns, Ribeirão Preto.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
A velha ridícula
Que o continente europeu é belo, ninguém tem dúvida alguma. Tem uma história riquíssima, é o berço da civilização ocidental, responsável pela forma de sociedade em que vivemos. Tem também paisagens e monumentos incríveis e viajar pelos países do "velho mundo" é uma experiência que quem tem jamais esquece.
Mas a princesa da mitologia grega por quem Zeus se apaixonou e sequestrou-a para viver em Creta como mortal, aquela mesma que deu nome ao continente europeu, deve estar se remoendo. A bela Europa deve ter se arrependido de emprestar seu nome para batizar um continente tão belo e ao mesmo tempo tão retrógrado.
O que se viu na Europa do pós-2ª Guerra foi um continente semi-destruído, lutando para se reerguer e, em meio a esta luta, acabou fortemente dividido em dois blocos, com um símbolo supremo dessa divisão: o muro de Berlin, que cortava a Alemanha, literalmente, ao meio. Capitalismo e comunismo, numa guerra fria, se desafiavam e se enfrentavam secretamente e escancaradamente, dependendo da situação.
O mundo foi adiante, o muro caiu, alguns países seguiram mais à esquerda, outros radicalmente à direita. A Europa unificou sua moeda, criando o Euro e boa parte dos países aderiram a ela. Mas não acompanharam a evolução mundial.
Enquanto o mundo seguia adiante, práticas preconceituosas, discriminatórias e anti-semitas continuaram arraigadas na cultura europeia. Além, obviamente, da tradicional soberba dos povos do berço ocidental em relação aos habitantes de outras regiões. Sempre com ares de superioridade, os europeus seguiram ditando as regras mundiais em vários aspectos. No máximo, seguiam aos Estados Unidos, mas jamais se curvaram aos países do hemisfério sul do planeta.
Hoje o tempo prova que é senhor da razão. O continente impingiu ao mundo uma crise sem precedentes. Os países mais tradicionais e até os menos tradicionais, estão quebrados. Grécia, Espanha, Portugal, Itália e até a poderosa Alemanha de outros tempos vivem o temor da falência. Para piorar, a população desses países é velha, não se renova. Muitos acabam se obrigando a "importar" jovens de outros mundos para assumir postos de trabalho onde não há mão-de-obra qualificada para tanto.
Mas esse não é o principal problema do continente europeu. O mais grave é que, mesmo diante de tamanha crise, a mentalidade arcaica continua em alta. Basta perder uma tarde para acompanhar ao torneio de futebol que já foi um dos mais badalados do planeta, a Eurocopa. Além do péssimo futebol apresentado por grande parte das seleções - incluindo-se nesse grupo as grandes escolas mundiais -, o péssimo exemplo é visto nas arquibancadas e nos entornos dos estádios.
Grupos de hooligans - torcedores que praticam a violência gratuita - se enfrentam antes, durante e após as partidas das seleções de seus países. E o coro racista é crescente. A Polônia, que tanto sofreu durante a 2º Guerra Mundial, aniquilada pelos nazistas e depois que cresceu sob um rigoroso regime comunista e que, por conta disso deveria ser um bom exemplo, tem sido um dos maiores problemas para os organizadores do torneio.
Torcedores racistas - muitos dos quais cultuadores do nazismo que, ao contrário do que se imagina, está cada vez mais forte no velho mundo. Promovem espetáculos lamentáveis em enfrentamentos com torcedores de outros países e com a polícia que procura garantir a segurança na Polônia e na Croácia, onde os jogos são realizados.
E foi em um jogo entre a seleção croata que o racismo ficou ainda mais evidenciado, embora já fosse o terceiro caso registrado durante o torneio. Toda vez que o atacante italiano Mario Balotelli, que é negro, tocava na bola, vaias e sons imitando macacos vinham das arquibancadas. Balotelli havia dito antes do início da Eurocopa que não toleraria racismo, mas foi advertido pelo presidente da UEFA, o francês e ex-jogador Michel Platiny, que criticou sua postura acusando-o de tentar denegrir o torneio.
Pois bem, Balotelli fez sua parte e jogou bem, mesmo tendo sido ofendido pela torcida. Agora cabe ao senhor Platiny uma resposta aos animalescos atos racistas praticados no estádio. Mas a dúvida é se podemos esperar alguma atitude contra o racismo.
Estão à beira da falência, como no caso da Espanha, que ainda insiste em mal tratar turistas brasileiros que chegam ao seu enfadonho Aeroporto Internacional de Barajas, em Madri. Como os italianos - vítimas do preconceito na Eurocopa - tratam os turistas em Roma ou Milão com tremendo desprezo. Ou ainda como alguns portugueses que são estúpidos no trato com turistas brasileiros. Isso para ficar somente nos três países que mais descendentes têm no Brasil. Ou a Europa muda, ou afunda de vez, porque o resto do mundo já não quer mais esperar sua evolução. Chega de intransigência europeia.
Mas a princesa da mitologia grega por quem Zeus se apaixonou e sequestrou-a para viver em Creta como mortal, aquela mesma que deu nome ao continente europeu, deve estar se remoendo. A bela Europa deve ter se arrependido de emprestar seu nome para batizar um continente tão belo e ao mesmo tempo tão retrógrado.
O que se viu na Europa do pós-2ª Guerra foi um continente semi-destruído, lutando para se reerguer e, em meio a esta luta, acabou fortemente dividido em dois blocos, com um símbolo supremo dessa divisão: o muro de Berlin, que cortava a Alemanha, literalmente, ao meio. Capitalismo e comunismo, numa guerra fria, se desafiavam e se enfrentavam secretamente e escancaradamente, dependendo da situação.
O mundo foi adiante, o muro caiu, alguns países seguiram mais à esquerda, outros radicalmente à direita. A Europa unificou sua moeda, criando o Euro e boa parte dos países aderiram a ela. Mas não acompanharam a evolução mundial.
Enquanto o mundo seguia adiante, práticas preconceituosas, discriminatórias e anti-semitas continuaram arraigadas na cultura europeia. Além, obviamente, da tradicional soberba dos povos do berço ocidental em relação aos habitantes de outras regiões. Sempre com ares de superioridade, os europeus seguiram ditando as regras mundiais em vários aspectos. No máximo, seguiam aos Estados Unidos, mas jamais se curvaram aos países do hemisfério sul do planeta.
Hoje o tempo prova que é senhor da razão. O continente impingiu ao mundo uma crise sem precedentes. Os países mais tradicionais e até os menos tradicionais, estão quebrados. Grécia, Espanha, Portugal, Itália e até a poderosa Alemanha de outros tempos vivem o temor da falência. Para piorar, a população desses países é velha, não se renova. Muitos acabam se obrigando a "importar" jovens de outros mundos para assumir postos de trabalho onde não há mão-de-obra qualificada para tanto.
Mas esse não é o principal problema do continente europeu. O mais grave é que, mesmo diante de tamanha crise, a mentalidade arcaica continua em alta. Basta perder uma tarde para acompanhar ao torneio de futebol que já foi um dos mais badalados do planeta, a Eurocopa. Além do péssimo futebol apresentado por grande parte das seleções - incluindo-se nesse grupo as grandes escolas mundiais -, o péssimo exemplo é visto nas arquibancadas e nos entornos dos estádios.
Grupos de hooligans - torcedores que praticam a violência gratuita - se enfrentam antes, durante e após as partidas das seleções de seus países. E o coro racista é crescente. A Polônia, que tanto sofreu durante a 2º Guerra Mundial, aniquilada pelos nazistas e depois que cresceu sob um rigoroso regime comunista e que, por conta disso deveria ser um bom exemplo, tem sido um dos maiores problemas para os organizadores do torneio.
Torcedores racistas - muitos dos quais cultuadores do nazismo que, ao contrário do que se imagina, está cada vez mais forte no velho mundo. Promovem espetáculos lamentáveis em enfrentamentos com torcedores de outros países e com a polícia que procura garantir a segurança na Polônia e na Croácia, onde os jogos são realizados.
E foi em um jogo entre a seleção croata que o racismo ficou ainda mais evidenciado, embora já fosse o terceiro caso registrado durante o torneio. Toda vez que o atacante italiano Mario Balotelli, que é negro, tocava na bola, vaias e sons imitando macacos vinham das arquibancadas. Balotelli havia dito antes do início da Eurocopa que não toleraria racismo, mas foi advertido pelo presidente da UEFA, o francês e ex-jogador Michel Platiny, que criticou sua postura acusando-o de tentar denegrir o torneio.
Pois bem, Balotelli fez sua parte e jogou bem, mesmo tendo sido ofendido pela torcida. Agora cabe ao senhor Platiny uma resposta aos animalescos atos racistas praticados no estádio. Mas a dúvida é se podemos esperar alguma atitude contra o racismo.
Estão à beira da falência, como no caso da Espanha, que ainda insiste em mal tratar turistas brasileiros que chegam ao seu enfadonho Aeroporto Internacional de Barajas, em Madri. Como os italianos - vítimas do preconceito na Eurocopa - tratam os turistas em Roma ou Milão com tremendo desprezo. Ou ainda como alguns portugueses que são estúpidos no trato com turistas brasileiros. Isso para ficar somente nos três países que mais descendentes têm no Brasil. Ou a Europa muda, ou afunda de vez, porque o resto do mundo já não quer mais esperar sua evolução. Chega de intransigência europeia.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A saga dos planos de saúde
Há cerca de um mês, quando estava na casa de minha sogra, em São Paulo, conversávamos sobre a questão da saúde. E minha sogra me deixou surpreso ao dizer que havia cancelado seu plano de saúde. A princípio, achei um absurdo, mas depois vi que a coisa não é assim tão absurda.
Durante muitas décadas, depender da saúde pública era algo muito arriscado. Falta de médicos, de leitos, de hospitais, enfim, faltava de tudo para a saúde pública. E os convênios foram ganhando corpo e oferecendo o que o governo tinha obrigação de dar à população sem custo extra, mas não o fazia.
Há coisa de duas semanas, minha esposa tentou marcar uma consulta com minha cardiologista, pela Unimed Ribeirão Preto, mas não obteve sucesso. A consulta não poderia ser realizada antes de três meses. Tentou, então, outro cardiologista, que já havia me atendido, mas que não gostei muito da forma como trabalha. Novamente três meses de prazo. Depois de várias tentativas, conseguiu uma consulta para um mês a partir da data que marcou. No dia da consulta, chegou no horário ao consultório, mas foi atendida com mais de uma hora de atraso. Meu amigo Cesar que me perdoe, mas ela estava mais empenhada em atender pacientes particulares e propagandistas de laboratório do que os pobres usuários de convênio médico.
Durante a consulta, a médica parecia que estava querendo tirar o pai da forca. Primeiro não foi nada simpática - particularmente acho que os médicos têm a obrigação de serem minimamente simpáticos com seus pacientes, pois não é confortável estar no lugar de quem procura atendimento médico. Depois correu com a consulta e se limitou a responder apenas aos questionamentos de minha esposa. Não ia sequer pedir exames de rotina para avaliar taxas de glicemia, triglicérides, colesterol entre outras, mas minha esposa exigiu. Preencheu o formulário e, menos de cinco minutos após entrar no consultório, a porta se abria para a saída de minha esposa.
O problema com os convênios está cada vez mais agravado. Há algumas semanas, um amigo meu, o Marcão - que é um dos donos do Pesqueiro Lagoa dos Patos, em Jundiaí e leva uma vida profissional que é o sonho de todos os que trabalham sob pressão -, já me falava dos problemas que enfrentou com a mesma Unimed em sua cidade.
E vários outros relatos, de amigos ou através da imprensa, dão conta de que os convênios precisam ser urgentemente enquadrados e duramente fiscalizados. Não culpo aos médicos pela forma como a coisa foi conduzida, afinal eles recebem muito pouco dos convênios para consultas. Os convênios médicos - não só a Unimed, mas a grande maioria deles - está enriquecendo, construindo hospitais e continua pagando pouco aos médicos.
Mas o problema não diz respeito ao usuário, àquele que paga mensalmente para ter atendimento de qualidade. Nos últimos meses, para conseguir consultar um pediatra para nosso filho, acabamos recorrendo aos hospitais da rede do plano de saúde. Lá sempre conseguimos algum pediatra. O problema é que acaba sendo algo variável, quase nunca é o mesmo.
Enquanto isso, na saúde pública, mesmo com todo caos enfrentado, a situação acaba sendo igual aos convênios, com a vantagem de que não pagamos nada por isso. Se a consulta for particular, no entanto, aí as datas pululam para o paciente escolher. O mesmo médico que não tem data próxima para o paciente do convênio, certamente terá data talvez até para o mesmo dia, se a consulta for particular.
Isso se não ocorrer o que foi divulgado ontem sobre um médico da Unimed Ribeirão Preto, que estaria cobrando "por fora" para realizar um procedimento cirúrgico. A reportagem da EPTV Ribeirão apurou que o valor seria utilizado para pagar o médico e o anestesista, mas o profissional negou, dizendo que seria utilizado para a compra de material de maior qualidade do que o oferecido pelo convênio.
A questão tem se agravado e já passou da hora de Ministério da Saúde, da agência que regulamenta os planos de saúde, do Ministério Público e das autoridades fiscalizarem e exigirem dos operadores de convênio médico o mínimo de qualidade em seus atendimentos. Não quero mais pagar a conta mensalmente e ter que me conformar. Quero ser bem atendido. Senão, já que convênio e saúde pública caminham lado a lado, para que continuar pagando um plano de saúde? Se meu bolso não permitir consulta particular, melhor mesmo esperar na fila do postinho de saúde.
Durante muitas décadas, depender da saúde pública era algo muito arriscado. Falta de médicos, de leitos, de hospitais, enfim, faltava de tudo para a saúde pública. E os convênios foram ganhando corpo e oferecendo o que o governo tinha obrigação de dar à população sem custo extra, mas não o fazia.
Há coisa de duas semanas, minha esposa tentou marcar uma consulta com minha cardiologista, pela Unimed Ribeirão Preto, mas não obteve sucesso. A consulta não poderia ser realizada antes de três meses. Tentou, então, outro cardiologista, que já havia me atendido, mas que não gostei muito da forma como trabalha. Novamente três meses de prazo. Depois de várias tentativas, conseguiu uma consulta para um mês a partir da data que marcou. No dia da consulta, chegou no horário ao consultório, mas foi atendida com mais de uma hora de atraso. Meu amigo Cesar que me perdoe, mas ela estava mais empenhada em atender pacientes particulares e propagandistas de laboratório do que os pobres usuários de convênio médico.
Durante a consulta, a médica parecia que estava querendo tirar o pai da forca. Primeiro não foi nada simpática - particularmente acho que os médicos têm a obrigação de serem minimamente simpáticos com seus pacientes, pois não é confortável estar no lugar de quem procura atendimento médico. Depois correu com a consulta e se limitou a responder apenas aos questionamentos de minha esposa. Não ia sequer pedir exames de rotina para avaliar taxas de glicemia, triglicérides, colesterol entre outras, mas minha esposa exigiu. Preencheu o formulário e, menos de cinco minutos após entrar no consultório, a porta se abria para a saída de minha esposa.
O problema com os convênios está cada vez mais agravado. Há algumas semanas, um amigo meu, o Marcão - que é um dos donos do Pesqueiro Lagoa dos Patos, em Jundiaí e leva uma vida profissional que é o sonho de todos os que trabalham sob pressão -, já me falava dos problemas que enfrentou com a mesma Unimed em sua cidade.
E vários outros relatos, de amigos ou através da imprensa, dão conta de que os convênios precisam ser urgentemente enquadrados e duramente fiscalizados. Não culpo aos médicos pela forma como a coisa foi conduzida, afinal eles recebem muito pouco dos convênios para consultas. Os convênios médicos - não só a Unimed, mas a grande maioria deles - está enriquecendo, construindo hospitais e continua pagando pouco aos médicos.
Mas o problema não diz respeito ao usuário, àquele que paga mensalmente para ter atendimento de qualidade. Nos últimos meses, para conseguir consultar um pediatra para nosso filho, acabamos recorrendo aos hospitais da rede do plano de saúde. Lá sempre conseguimos algum pediatra. O problema é que acaba sendo algo variável, quase nunca é o mesmo.
Enquanto isso, na saúde pública, mesmo com todo caos enfrentado, a situação acaba sendo igual aos convênios, com a vantagem de que não pagamos nada por isso. Se a consulta for particular, no entanto, aí as datas pululam para o paciente escolher. O mesmo médico que não tem data próxima para o paciente do convênio, certamente terá data talvez até para o mesmo dia, se a consulta for particular.
Isso se não ocorrer o que foi divulgado ontem sobre um médico da Unimed Ribeirão Preto, que estaria cobrando "por fora" para realizar um procedimento cirúrgico. A reportagem da EPTV Ribeirão apurou que o valor seria utilizado para pagar o médico e o anestesista, mas o profissional negou, dizendo que seria utilizado para a compra de material de maior qualidade do que o oferecido pelo convênio.
A questão tem se agravado e já passou da hora de Ministério da Saúde, da agência que regulamenta os planos de saúde, do Ministério Público e das autoridades fiscalizarem e exigirem dos operadores de convênio médico o mínimo de qualidade em seus atendimentos. Não quero mais pagar a conta mensalmente e ter que me conformar. Quero ser bem atendido. Senão, já que convênio e saúde pública caminham lado a lado, para que continuar pagando um plano de saúde? Se meu bolso não permitir consulta particular, melhor mesmo esperar na fila do postinho de saúde.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Passeio em Caxambu
A dupla Sá & Guarabyra já cantava, há mais de 20 anos: "difícil é viver longe desse teu cheiro mineiro de flor". Pois a letra se encaixa como uma luva à hospitaleira e bela Caxambu. Localizada no sul de Minas Gerais, a cidade tem atualmente cerca de 21 mil habitantes e é um dos destinos turísticos do chamado Circuito das Águas.
O acesso dos paulistas a Caxambu é feito através da Estrada Real, uma rota construída pelos escravos desde Diamantina e Ouro Preto, até Rio de Janeiro ou Paraty, para escoar o ouro extraído em Minas Gerais para Portugal. Também foi um caminho percorrido pela família real, em suas andanças pelo País.
A cidade está localizada em um vale ladeado por morros e tem muitas ladeiras íngremes, o que lhe confere um charme ainda mais especial. É considerada a cidade de maior potencial hidromineral do planeta. Apesar de não contar com tantas atrações, o que Caxambu oferece ao turista é suficiente para entretê-lo.
Entre os passeios na cidade, há a emocionante subida ao Cristo Redentor, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade e de outros municípios, como a vizinha Baependi - que conta com uma igreja fundada em 1752 e com detalhes de ouro em seu interior remontando aos tempos do pós-barroco mineiro. Além do trajeto de automóvel ou à pé, outra forma de chegar ao Cristo Redentor é de teleférico, um passeio com uma vista incrível que dura cerca de sete minutos para subir e outros sete para descer.
Já estive em vários Cristos Redentores, como por exemplo no Rio de Janeiro, em Poços de Caldas e em Águas de Lindoia. Também já subi morros bastante íngremes, como em Caraguatatuba. Mas nada tão emocionalmente radical quanto esta subida em Caxambu.
O turista também pode fazer passeios de charrete ou alugar cavalos. Há muito o que se ver em termos de lojas de queijos, doces de leite, artesanato, entre outros produtos.
Mas o grande passeio a ser feito em Caxambu é ao Parque das Águas. Ocupando uma área bastante preservada e bem cuidada com aproximadamente 210 mil metros quadrados, o local oferece ao turista 12 fontes de água mineral gasosa, com propriedades medicinais variadas. Em todas, o turista pode encher suas garrafas de acordo com o que lhe interessar. Há água que é bom para lavar os olhos, outras que regulam o funcionamento gastrointestinal. Há uma fonte, inclusive, que Princesa Isabel garante ser estimulante de fertilidade. Consta que ela teria bebido daquela água e engravidado de seu esposo, o Conde D'Eu. Por via das dúvidas, não deixei minha filha beber daquela fonte.
E foi graças a essa fonte que a Princesa Isabel mandou erguer uma igreja na cidade de Caxambu, com um belo conjunto arquitetônico e uma grande escadaria. Trata-se da Igreja Santa Isabel de Hungria. Um trecho da ata da solenidade dá a ideia de como foi o ato proposto pela Princesa Isabel: "Aos vinte e dois dias do mês de novembro do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e oito (1868) na Povoação das Águas de Caxambu, Cidade de Baependy, Bispado de Mariana Provícia de Minas Gerais do Império do Brasil, no reinado de Muito Alto e Poderoso Senhor Dom Pedro Segundo e no Bispado do Excelentíssimo Senhor Conde da Conceição Dom Antônio Ferreira Viçoso, na presença da Câmara Municipal da mesma cidade de Baependy, sua Alteza Imperial, a Sereníssima Senhora Princesa D. Isabel Condessa d'Eu acompanhada de seu Augusto Esposo, o Sereníssimo Senhor Príncipe Dom Luiz Filipe Gastão de Orleans Conde d'Eu, e outros dignou-se lançar solenemente a pedra fundamental para a edificação de uma Igreja com a invocação de Santa Isabel de Hungria".
A partir de então, Caxambu ganhou notoriedade pelo alto valor medicinal de suas águas. No século passado, ganhou também um imponente cassino, que movimentava a alta sociedade do eixo Rio-São Paulo. O cassino foi fechado durante o governo do presidente Dutra, mas a cidade estava, definitivamente, no roteiro do turismo brasileiro.
No Parque das Águas, além das fontes, está localizada uma fábrica de engarrafamento de água mineral. Além disso, há quadras de tênis, poliesportivas e um lindo lago com pedalinhos, sobre o qual passa o teleférico em seu trajeto morro acima rumo ao Cristo. Mas a grande atração está no Balneário de Hidroterapia, que funciona em um suntuoso prédio construído com requintados materiais vindos da Europa. Lá é possível utilizar a piscina de água mineral e usufruir de banhos diversos.
Fora do parque, a gastronomia de Caxambu também é bastante interessante. E o que é melhor, a preços acessíveis. Hotéis e imóveis locados por temporada são opções para quem deseja passar alguns dias na cidade. Boa comida, muita água, numa paisagem exuberante. Dizem que quem já foi, volta. E quem não foi, deve conhecer. Concordo.
O acesso dos paulistas a Caxambu é feito através da Estrada Real, uma rota construída pelos escravos desde Diamantina e Ouro Preto, até Rio de Janeiro ou Paraty, para escoar o ouro extraído em Minas Gerais para Portugal. Também foi um caminho percorrido pela família real, em suas andanças pelo País.
A cidade está localizada em um vale ladeado por morros e tem muitas ladeiras íngremes, o que lhe confere um charme ainda mais especial. É considerada a cidade de maior potencial hidromineral do planeta. Apesar de não contar com tantas atrações, o que Caxambu oferece ao turista é suficiente para entretê-lo.
Entre os passeios na cidade, há a emocionante subida ao Cristo Redentor, de onde se tem uma vista privilegiada da cidade e de outros municípios, como a vizinha Baependi - que conta com uma igreja fundada em 1752 e com detalhes de ouro em seu interior remontando aos tempos do pós-barroco mineiro. Além do trajeto de automóvel ou à pé, outra forma de chegar ao Cristo Redentor é de teleférico, um passeio com uma vista incrível que dura cerca de sete minutos para subir e outros sete para descer.
Já estive em vários Cristos Redentores, como por exemplo no Rio de Janeiro, em Poços de Caldas e em Águas de Lindoia. Também já subi morros bastante íngremes, como em Caraguatatuba. Mas nada tão emocionalmente radical quanto esta subida em Caxambu.
O turista também pode fazer passeios de charrete ou alugar cavalos. Há muito o que se ver em termos de lojas de queijos, doces de leite, artesanato, entre outros produtos.
Mas o grande passeio a ser feito em Caxambu é ao Parque das Águas. Ocupando uma área bastante preservada e bem cuidada com aproximadamente 210 mil metros quadrados, o local oferece ao turista 12 fontes de água mineral gasosa, com propriedades medicinais variadas. Em todas, o turista pode encher suas garrafas de acordo com o que lhe interessar. Há água que é bom para lavar os olhos, outras que regulam o funcionamento gastrointestinal. Há uma fonte, inclusive, que Princesa Isabel garante ser estimulante de fertilidade. Consta que ela teria bebido daquela água e engravidado de seu esposo, o Conde D'Eu. Por via das dúvidas, não deixei minha filha beber daquela fonte.
E foi graças a essa fonte que a Princesa Isabel mandou erguer uma igreja na cidade de Caxambu, com um belo conjunto arquitetônico e uma grande escadaria. Trata-se da Igreja Santa Isabel de Hungria. Um trecho da ata da solenidade dá a ideia de como foi o ato proposto pela Princesa Isabel: "Aos vinte e dois dias do mês de novembro do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e sessenta e oito (1868) na Povoação das Águas de Caxambu, Cidade de Baependy, Bispado de Mariana Provícia de Minas Gerais do Império do Brasil, no reinado de Muito Alto e Poderoso Senhor Dom Pedro Segundo e no Bispado do Excelentíssimo Senhor Conde da Conceição Dom Antônio Ferreira Viçoso, na presença da Câmara Municipal da mesma cidade de Baependy, sua Alteza Imperial, a Sereníssima Senhora Princesa D. Isabel Condessa d'Eu acompanhada de seu Augusto Esposo, o Sereníssimo Senhor Príncipe Dom Luiz Filipe Gastão de Orleans Conde d'Eu, e outros dignou-se lançar solenemente a pedra fundamental para a edificação de uma Igreja com a invocação de Santa Isabel de Hungria".
A partir de então, Caxambu ganhou notoriedade pelo alto valor medicinal de suas águas. No século passado, ganhou também um imponente cassino, que movimentava a alta sociedade do eixo Rio-São Paulo. O cassino foi fechado durante o governo do presidente Dutra, mas a cidade estava, definitivamente, no roteiro do turismo brasileiro.
No Parque das Águas, além das fontes, está localizada uma fábrica de engarrafamento de água mineral. Além disso, há quadras de tênis, poliesportivas e um lindo lago com pedalinhos, sobre o qual passa o teleférico em seu trajeto morro acima rumo ao Cristo. Mas a grande atração está no Balneário de Hidroterapia, que funciona em um suntuoso prédio construído com requintados materiais vindos da Europa. Lá é possível utilizar a piscina de água mineral e usufruir de banhos diversos.
Fora do parque, a gastronomia de Caxambu também é bastante interessante. E o que é melhor, a preços acessíveis. Hotéis e imóveis locados por temporada são opções para quem deseja passar alguns dias na cidade. Boa comida, muita água, numa paisagem exuberante. Dizem que quem já foi, volta. E quem não foi, deve conhecer. Concordo.
terça-feira, 12 de junho de 2012
10 mil partos e grandes acolhidas
Dr. Nilo e dona Dalva abrem mão de qualquer programa para ficar com a família. E por família entenda-se filhos, netos, amigos e agregados. Sempre que possível, principalmente nos feriados, chegam de todos os rincões e se acomodam na residência dos Navarro, em Caxambu.
Dr. Nilo é médico. Formou-se na USP (Universidade de São Paulo) e é contemporâneo de Adib Jatene. Mas ao contrário do ex-ministro, dedicou-se integralmente à medicina.
Dona Dalva é professora, formada em francês, mas que abdicou de sua carreira para cuidar dos filhos e dos netos. Costuma dizer que uma casa sem movimento não é uma casa viva. E fica feliz quando lota a casa com filhos e netos.
Casados logo após a conclusão da faculdade de medicina, os dois vieram morar no interior de São Paulo. Receberam o convite de um dos brasileiros mais influentes do século XX, o Conde Francisco Matarazzo e foram instalar-se na cidade de Santa Rosa de Viterbo, onde dr. Nilo trabalhou atendendo funcionários da Usina Amália. Tamanha a dedicação do jovem médico que a filha do Conde Matarazzo, Maria Pia, convidava-o, ao lado de dona Dalva, para alguns jantares na sede da fazenda, ocasiões bastante concorridas pela sociedade paulista.
Depois mudou-se para Orlândia, onde também atuava como cirurgião geral. Ficou por lá alguns anos e decidiu mudar-se com a esposa e os filhos para Caxambu, no sul de Minas Gerais, região onde o médico tinha vários parentes. Chegou e acabou instalando-se para não mais sair da cidade. E foi morando em Caxambu que voltou a estudar e especializou-se em ginecologia e obstetrícia.
Entre tantas histórias de vidas salvas, o médico orgulha-se em dizer que fez o parto de todos os cinco filhos, dos netos e de boa parte dos moradores de Caxambu, hoje com cerca de 21 mil habitantes. E sua dedicação à medicina foi tamanha que tornou-se um cidadão bastante respeitado. Ele admite que pode ter trabalhado no nascimento de aproximadamente 5 mil pessoas, entre moradores de Caxambu e da vizinha Baependi. Mas corre a boca pequena que este número ultrapassa os 10 mil partos.
Aposentado há pouco tempo, hoje com 78 anos dr. Nilo ainda procura se atualizar sobre a medicina e faz questão de participar das conversas com as várias gerações que com ele convivem em sua casa. Vascaíno convicto, está um tanto animado com o início de campeonato brasileiro, onde o time cruzmaltino venceu todos os jogos disputados até agora.
Dona Dalva, por sua vez, faz questão de proporcionar sempre o melhor da culinária para sua família. E ninguém pensa duas vezes se surge uma viagem para outro lugar. Acabam mesmo indo parar em Caxambu. Mãe e avó dedicada, dona Dalva faz questão de dizer que hoje deixa seus netos bastante à vontade em casa e que até fez reformas no imóvel para deixá-los ainda mais confortáveis. Nos encontros da família, mesmo com problemas na coluna, faz questão de preparar os deliciosos pratos saboreados por todos em torno da mesa farta.
Isso tem funcionado muito bem. Os filhos, junto com alguns amigos, têm um grupo musical chamado Caroço de Banana e se apresentam na cidade e na região. Adotaram um estilo bastante curioso: transformam qualquer tipo de música, inclusive rock clássico, em samba. E são tão bons no que fazem que tornaram-se sinônimo na animação do carnaval de Caxambu. No feriado de Corpus Christi, por exemplo, lotaram uma área para apresentar sua música e animaram a platéia por horas a fio.
E os netos de dr. Nilo e dona Dalva já começam a trilhar o caminho dos tios. Esse ciclo de união familiar tem dado bastante certo e só em casos extremos é que os filhos e netos do casal não rumam para a bela e hospitaleira Caxambu. Uma prova de que uma casa só tem vida se é movimentada, como faz questão de afirmar dona Dalva. E com um ingrediente fundamental: amor.
Dr. Nilo é médico. Formou-se na USP (Universidade de São Paulo) e é contemporâneo de Adib Jatene. Mas ao contrário do ex-ministro, dedicou-se integralmente à medicina.
Dona Dalva é professora, formada em francês, mas que abdicou de sua carreira para cuidar dos filhos e dos netos. Costuma dizer que uma casa sem movimento não é uma casa viva. E fica feliz quando lota a casa com filhos e netos.
Casados logo após a conclusão da faculdade de medicina, os dois vieram morar no interior de São Paulo. Receberam o convite de um dos brasileiros mais influentes do século XX, o Conde Francisco Matarazzo e foram instalar-se na cidade de Santa Rosa de Viterbo, onde dr. Nilo trabalhou atendendo funcionários da Usina Amália. Tamanha a dedicação do jovem médico que a filha do Conde Matarazzo, Maria Pia, convidava-o, ao lado de dona Dalva, para alguns jantares na sede da fazenda, ocasiões bastante concorridas pela sociedade paulista.
Depois mudou-se para Orlândia, onde também atuava como cirurgião geral. Ficou por lá alguns anos e decidiu mudar-se com a esposa e os filhos para Caxambu, no sul de Minas Gerais, região onde o médico tinha vários parentes. Chegou e acabou instalando-se para não mais sair da cidade. E foi morando em Caxambu que voltou a estudar e especializou-se em ginecologia e obstetrícia.
Entre tantas histórias de vidas salvas, o médico orgulha-se em dizer que fez o parto de todos os cinco filhos, dos netos e de boa parte dos moradores de Caxambu, hoje com cerca de 21 mil habitantes. E sua dedicação à medicina foi tamanha que tornou-se um cidadão bastante respeitado. Ele admite que pode ter trabalhado no nascimento de aproximadamente 5 mil pessoas, entre moradores de Caxambu e da vizinha Baependi. Mas corre a boca pequena que este número ultrapassa os 10 mil partos.
Aposentado há pouco tempo, hoje com 78 anos dr. Nilo ainda procura se atualizar sobre a medicina e faz questão de participar das conversas com as várias gerações que com ele convivem em sua casa. Vascaíno convicto, está um tanto animado com o início de campeonato brasileiro, onde o time cruzmaltino venceu todos os jogos disputados até agora.
Dona Dalva, por sua vez, faz questão de proporcionar sempre o melhor da culinária para sua família. E ninguém pensa duas vezes se surge uma viagem para outro lugar. Acabam mesmo indo parar em Caxambu. Mãe e avó dedicada, dona Dalva faz questão de dizer que hoje deixa seus netos bastante à vontade em casa e que até fez reformas no imóvel para deixá-los ainda mais confortáveis. Nos encontros da família, mesmo com problemas na coluna, faz questão de preparar os deliciosos pratos saboreados por todos em torno da mesa farta.
Isso tem funcionado muito bem. Os filhos, junto com alguns amigos, têm um grupo musical chamado Caroço de Banana e se apresentam na cidade e na região. Adotaram um estilo bastante curioso: transformam qualquer tipo de música, inclusive rock clássico, em samba. E são tão bons no que fazem que tornaram-se sinônimo na animação do carnaval de Caxambu. No feriado de Corpus Christi, por exemplo, lotaram uma área para apresentar sua música e animaram a platéia por horas a fio.
E os netos de dr. Nilo e dona Dalva já começam a trilhar o caminho dos tios. Esse ciclo de união familiar tem dado bastante certo e só em casos extremos é que os filhos e netos do casal não rumam para a bela e hospitaleira Caxambu. Uma prova de que uma casa só tem vida se é movimentada, como faz questão de afirmar dona Dalva. E com um ingrediente fundamental: amor.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Perder e perder
Começar a semana analisando o verbo perder pode ser, para alguns, algo preocupante. Mas não deixa de ser interessante, ao notar as várias nuances de uma mesma palavra.
O mais pessimista encara a palavra perder com certo temor. É comum, quando morre alguém muito especial, dizermos que perdemos tal pessoa. De fato, não deixa de ser uma enorme perda, uma lacuna irreparável, que traz junto a dor da saudade.
Outro temor de grande parte das pessoas é perder algo. Raras são as exceções que gostam, por exemplo, de perder um emprego. Ser demitido dá uma sensação de impotência, mexe com a auto-estima e nos deixa com a ideia de que somos incompetentes. Por mais desculpas que seu ex-empregador dê, como corte de funcionários, retenção de gastos. Justificativas não tiram a dura indagação: justo eu, por quê?
Perder objetos também é preocupante. Ninguém gosta de perder seu celular. Dói no bolso e no ouvido. Sim, porque você certamente passará horas, primeiro tentando com a operadora, bloquear o chip. Depois porque vai novamente perder tempo tentando bloquear o aparelho. E, se optar pelo Boletim de Ocorrência Eletrônico, corre o risco de não conseguir fazê-lo, pois é um pouco confuso no quesito celular. E perder documentos também é algo que gera muito aborrecimento.
Outro emprego do verbo perder que causa muito desgosto se dá no esporte. Torcedor nenhum quer ver seu time perder a partida. Principalmente em se tratando de clássico e disputado no final de semana. Neste caso, a segunda-feira fica especialmente mais chata do que de costume, diante da gozação dos torcedores do time que se sagrou vitorioso no embate. Que o diga meu cunhado Luiz e meus sobrinhos Renato e Marcelo, todos santistas de carteirinha. Saudações Tricolores!
Perder é uma palavra que costumeiramente está associada a prejuízo. Além do caso do celular, dos documentos e outros itens "perdíveis", há ainda algumas perdas forçadas que lhe prejudicam diretamente. É o caso da greve dos metroviários em São Paulo ou dos motoristas de ônibus em Ribeirão Preto. Muitas pessoas perderam o dia de trabalho e, fatalmente, terão descontados preciosos reais de seu próximo holerite.
Mas nem sempre perder é perder. Quer dizer, há quem comemore uma perda. Foi o caso de minha cunhada Carla. Ela é executiva e viaja semanalmente para Belo Horizonte e Porto Alegre. Pois ela estava na capital gaúcha há alguns anos e, por conta de uma reunião de trabalho, acabou perdendo o vôo que normalmente pegava de volta para São Paulo. Para infelicidade de muita gente, aquele foi o vôo que, ao chegar em Congonhas, teve problemas no reverso, não conseguiu diminuir, atravessou uma avenida e explodiu em um prédio, próximo ao aeroporto, matando todos os passageiros e tripulantes, além de várias pessoas em solo.
Entre tantas formas de aplicar o verbo perder, a que mais causa alegria é quando diz respeito à estética. Afinal de contas, quem é que não gosta de perder uns quilinhos, seja por conta de um regime alimentar ou graças a exercícios físicos? Essa é, sem dúvida, a perda mais comemorada por todos. Aproveitando o espaço, peço desculpas pelo atraso nesta postagem e aguardo todos aqui, amanhã. Não perca meu próximo texto. Até lá.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Passeios alternativos
Vem chegando mais um feriado. Aliás, 2012 está sendo um ano repleto deles e é preciso ter muito fôlego na carteira para poder continuar viajando. Enquanto o País para, deixa de produzir e se aprofunda mais na crise - ou pelo menos nas reclamações de empresários -, as estradas continuam lotadas de gente que programa um novo passeio, uma nova viagem para o feriado.
Para quem, como eu, está com a carteira gemendo, talvez até berrando de dor, a saída é passeios alternativos. Na grande São Paulo, há uma infinidade de bons programas que podem ser feitos sem a necessidade de se hospedar num único lugar, o que, invariavelmente, acaba onerando demais a viagem. Uma dessas opções baratas é conhecer a cidade de Paranapiacaba, bem no alto da muralha natural que delimita a Serra do Mar. Na verdade, Paranapiacaba é um distrito de Santo André, cidade do ABC Paulista. Entre as opções de passeio, museu, igreja, prédios históricos e várias trilhas, com lagos e cachoeiras para todos os gostos.
Outra opção é conhecer a acolhedora estância turística de Embu das Artes. Localizada próximo a Itapecirica da Serra, na Grande São Paulo, Embu das Artes tem como atrações o Museu de Arte Sacra, o conjunto de igrejas Nossa Senhora do Rosário, um Centro Histórico e um Centro Cultural, além de ser uma cidade excelente para compras de artesanato e doces caseiros.
Se a ideia é conhecer locais para lá de alternativos, uma boa pedida é seguir de São Paulo para Mogi das Cruzes e iniciar a descida da estrada Mogi-Bertioga. Distante cerca de 15 quilômetros de Mogi, numa curva acentuada, está uma cachoeira onde é possível passar o dia. Lá há uma formação de lago antes da água seguir seu curso e o local transforma-se em uma verdadeira prainha de água doce.
Quem tiver disposição, pode passar em Salesópolis, quando estiver voltando de Mogi, para conhecer a nascente do Rio Tietê. Uma experiência bastante interessante, ver um rio tão imenso e importante surgir de um pequeno filete de água.
Na região de Ribeirão Preto, também existem ótimas opções de passeios. Uma delas é o parque aquático Thermas dos Laranjais, em Olímpia, região de Bebedouro. Distante pouco mais de uma hora de Ribeirão Preto, o parque tem águas termais e muitas atrações, como toboáguas, piscina com ondas e até um mini-kart.
Se a intenção é comer bem, vá sem pressa a Bueno de Andrada e conheça a verdadeira coxinha de galinha. Aos finais de semana, a procura pelo local é grande e a espera pela iguaria pode superar uma hora. Mas é um local bastante interessante. Um distrito da cidade de Araraquara, onde uma casa prepara e frita as coxinhas, que são servidas na calçada para os visitantes.
Em Brodowski, quem quiser pode unir cultura e gastronomia rústica. Na pequena cidade, distante 20 km de Ribeirão Preto, o visitante vai conhecer um pouco mais do genial Cândido Portinari. Além da Casa de Portinari, aberta para visitação e com diversas atrações do artista, há também muito de sua obra nas igrejas e outros locais da cidade. Inclusive em Batatais, vizinha de Brodowski, na Igreja Matriz. E quando a fome apertar, basta procurar o Açougue do Armando, em Brodowski. Lá, você escolhe a carne que vai comer, senta-se e toma uma cerveja gelada, enquanto o Armando e sua equipe preparam um delicioso churrasco.
Se a opção foi pela natureza, nada melhor do que ir para Cássia dos Coqueiros, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Distante cerca de 80 km de Ribeirão Preto, no local há duas cachoeiras muito visitadas. Uma urbana e não tão alta. A outra, de vista deslumbrante, com uma caminhada que deixa exausto os menos preparados, mas que enche os olhos pela vista maravilhosa.
Há também Altinópolis, para quem pensa em praticar algum esporte mais radical. O ponto de partida é o Hotel Vila das Palmeiras, um excelente local para hospedagem, mas que também pode ser frequentado por quem vai fazer os passeios e também para um delicioso almoço. Quem for para lá, manda um abraço para o Toni, o proprietário que é um anfitrião de primeira. Há o tradicional passeio à gruta de Altinópolis, um local muito interessante, com uma cachoeira onde é possível banhar-se. Mas os mais radicais terão a oportunidade de praticar rapel, ou melhor, cascading, descendo um morro ao lado de uma cachoeira sensacional. Se preferir, há ainda a opção do boia-cross, uma descida de rio feita em boias, tudo devidamente supervisionado.
Indo mais longe, há duas opções para almoço imperdíveis: a Cachoeira de Emas, em Pirassununga, com uma vista sensacional do Rio Mogi Guaçu. Outra opção serve tanto quem mora em São Paulo, quanto em Ribeirão Preto e região: a área gastronômica do Rio Piracicaba, em Piracicaba. A cidade fica a 170 km de São Paulo, pela Rodovia dos Bandeirantes, e a cerca de 200 km de Ribeirão Preto, indo para São Carlos e seguindo pela Washington Luiz.
Se você não se programou para o feriado, ainda há tempo. São passeios excelentes, que podem ser feitos num único dia, gastando-se o mínimo possível. Se ainda tiver disposição, pode também programar para conhecer Barra Bonita e fazer o passeio de barco pela eclusa do Tietê, numa área onde o rio é despoluído, recuperando-se depois de passar pela Grande São Paulo. Há passeios com ou sem almoço a bordo. O que vale é se divertir. Bom feriado a todos.
Para quem, como eu, está com a carteira gemendo, talvez até berrando de dor, a saída é passeios alternativos. Na grande São Paulo, há uma infinidade de bons programas que podem ser feitos sem a necessidade de se hospedar num único lugar, o que, invariavelmente, acaba onerando demais a viagem. Uma dessas opções baratas é conhecer a cidade de Paranapiacaba, bem no alto da muralha natural que delimita a Serra do Mar. Na verdade, Paranapiacaba é um distrito de Santo André, cidade do ABC Paulista. Entre as opções de passeio, museu, igreja, prédios históricos e várias trilhas, com lagos e cachoeiras para todos os gostos.
Outra opção é conhecer a acolhedora estância turística de Embu das Artes. Localizada próximo a Itapecirica da Serra, na Grande São Paulo, Embu das Artes tem como atrações o Museu de Arte Sacra, o conjunto de igrejas Nossa Senhora do Rosário, um Centro Histórico e um Centro Cultural, além de ser uma cidade excelente para compras de artesanato e doces caseiros.
Se a ideia é conhecer locais para lá de alternativos, uma boa pedida é seguir de São Paulo para Mogi das Cruzes e iniciar a descida da estrada Mogi-Bertioga. Distante cerca de 15 quilômetros de Mogi, numa curva acentuada, está uma cachoeira onde é possível passar o dia. Lá há uma formação de lago antes da água seguir seu curso e o local transforma-se em uma verdadeira prainha de água doce.
Quem tiver disposição, pode passar em Salesópolis, quando estiver voltando de Mogi, para conhecer a nascente do Rio Tietê. Uma experiência bastante interessante, ver um rio tão imenso e importante surgir de um pequeno filete de água.
Na região de Ribeirão Preto, também existem ótimas opções de passeios. Uma delas é o parque aquático Thermas dos Laranjais, em Olímpia, região de Bebedouro. Distante pouco mais de uma hora de Ribeirão Preto, o parque tem águas termais e muitas atrações, como toboáguas, piscina com ondas e até um mini-kart.
Se a intenção é comer bem, vá sem pressa a Bueno de Andrada e conheça a verdadeira coxinha de galinha. Aos finais de semana, a procura pelo local é grande e a espera pela iguaria pode superar uma hora. Mas é um local bastante interessante. Um distrito da cidade de Araraquara, onde uma casa prepara e frita as coxinhas, que são servidas na calçada para os visitantes.
Em Brodowski, quem quiser pode unir cultura e gastronomia rústica. Na pequena cidade, distante 20 km de Ribeirão Preto, o visitante vai conhecer um pouco mais do genial Cândido Portinari. Além da Casa de Portinari, aberta para visitação e com diversas atrações do artista, há também muito de sua obra nas igrejas e outros locais da cidade. Inclusive em Batatais, vizinha de Brodowski, na Igreja Matriz. E quando a fome apertar, basta procurar o Açougue do Armando, em Brodowski. Lá, você escolhe a carne que vai comer, senta-se e toma uma cerveja gelada, enquanto o Armando e sua equipe preparam um delicioso churrasco.
Se a opção foi pela natureza, nada melhor do que ir para Cássia dos Coqueiros, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Distante cerca de 80 km de Ribeirão Preto, no local há duas cachoeiras muito visitadas. Uma urbana e não tão alta. A outra, de vista deslumbrante, com uma caminhada que deixa exausto os menos preparados, mas que enche os olhos pela vista maravilhosa.
Há também Altinópolis, para quem pensa em praticar algum esporte mais radical. O ponto de partida é o Hotel Vila das Palmeiras, um excelente local para hospedagem, mas que também pode ser frequentado por quem vai fazer os passeios e também para um delicioso almoço. Quem for para lá, manda um abraço para o Toni, o proprietário que é um anfitrião de primeira. Há o tradicional passeio à gruta de Altinópolis, um local muito interessante, com uma cachoeira onde é possível banhar-se. Mas os mais radicais terão a oportunidade de praticar rapel, ou melhor, cascading, descendo um morro ao lado de uma cachoeira sensacional. Se preferir, há ainda a opção do boia-cross, uma descida de rio feita em boias, tudo devidamente supervisionado.
Indo mais longe, há duas opções para almoço imperdíveis: a Cachoeira de Emas, em Pirassununga, com uma vista sensacional do Rio Mogi Guaçu. Outra opção serve tanto quem mora em São Paulo, quanto em Ribeirão Preto e região: a área gastronômica do Rio Piracicaba, em Piracicaba. A cidade fica a 170 km de São Paulo, pela Rodovia dos Bandeirantes, e a cerca de 200 km de Ribeirão Preto, indo para São Carlos e seguindo pela Washington Luiz.
Se você não se programou para o feriado, ainda há tempo. São passeios excelentes, que podem ser feitos num único dia, gastando-se o mínimo possível. Se ainda tiver disposição, pode também programar para conhecer Barra Bonita e fazer o passeio de barco pela eclusa do Tietê, numa área onde o rio é despoluído, recuperando-se depois de passar pela Grande São Paulo. Há passeios com ou sem almoço a bordo. O que vale é se divertir. Bom feriado a todos.
terça-feira, 5 de junho de 2012
A chefe
Nunca tive problemas em ter uma mulher em cargo hierarquicamente superior ao meu. Mas sei que a vida das mulheres que exercem cargo de chefia não é fácil, até por conta do preconceito machista que impera, ainda nos dias atuais.
Hoje, com exceção de minha esposa, não tenho nenhuma mulher no comando de minhas ações. Mas vejo com bons olhos o trabalho que elas realizam e, por essa razão, faço esse reconhecimento. Tenho visto uma avalanche de críticas à prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera. Eu, particularmente, não votei nela, embora sejamos colegas de profissão - ambos somos radialistas. Mas com algumas ações, percebi que ela demonstra ter muito boas intenções.
Por mais que a política seja a arte dos ataques, da convivência turbulenta entre opostos, não estou aqui para discutir as fórmulas mirabolantes de planos de governo, apenas para fazer uma constatação. A cidade tem melhorado muito em alguns aspectos. É evidente que em outros ainda caminha a passos de tartaruga, mas nem sempre é possível sanear todas as questões e muitos ataques acontecem simplesmente porque ela é mulher.
No caso das obras anti-enchentes, ela aparentemente tem realizado um bom trabalho e revitalizou a região da baixada. Enfrenta problemas na saúde, é verdade. E isso é uma coisa muito séria. A falta de médicos é inconcebível, mas isso é um problema conjunto, entre governo federal, estadual e municipal, principalmente no que diz respeito ao repasse de verbas.
Mas o que me chamou muito a atenção foi a disseminação de equipamentos de ginástica em praças e parques, para que a população possa ter acesso a exercícios mais complexos, além de corridas e caminhadas. São as chamadas "academias ao ar livre". Volto a dizer, não estou aqui para fazer campanha, até porque não sei se votarei nela e nem se ela será candidata, apesar de estar aparentemente em campanha. Mas acho que deve-se também reconhecer o trabalho da mulher, por mais que isso incomode muitos homens.
Lembro que quando fui secretário de imprensa em Cajuru, na gestão da prefeita Margarida do Nascimento, me deparei com inúmeros ataques a ela, pelo simples fato de ser mulher e divorciada. Mas ela sempre se manteve firme e acredito que fez um bom governo. Conheci bem minha chefe e posso garantir que ela sempre foi bem intencionada.
Já tive várias mulheres que foram minhas chefes e de apenas uma não guardo boas recordações. No jornalismo, com mulheres no comando, pude aprender ainda mais e aprimorar meu texto. Foi assim com a Matilde Leone na Revide, com a Carmen Cagno no Enfim e com a Ana Maria Cicácio no Jornal da Manhã.
Atualmente, um dos jornais que edito é dirigido aos policiais civis. E este sindicato tem na presidência uma mulher, Maria Alzira. Ela, a exemplo de outros casos que aqui citei, encontra ainda muita resistência, que vem sendo superada ano após ano, ato após ato. Foi a primeira mulher a dirigir o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis). Reelegeu-se. Faz um ótimo trabalho, a meu ver. Mas, por ser mulher, acaba sofrendo alguns ataques. Quando as críticas são relativas ao trabalho, até acho uma situação aceitável. O problema é quando envolve sua condição de mulher no comando.
Isso tem que acabar. Estamos já há vários anos no Século XXI. Não podemos mais compactuar com situações de preconceito contra a mulher no comando. Nem contra a mulher, em geral. Pode até parecer lugar comum, mas homens e mulheres podem e devem andar lado a lado. Se um dos dois ocupar uma chefia, por méritos e competência, não há porque se questionar e há que se respeitar. Simples assim.
Hoje, com exceção de minha esposa, não tenho nenhuma mulher no comando de minhas ações. Mas vejo com bons olhos o trabalho que elas realizam e, por essa razão, faço esse reconhecimento. Tenho visto uma avalanche de críticas à prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera. Eu, particularmente, não votei nela, embora sejamos colegas de profissão - ambos somos radialistas. Mas com algumas ações, percebi que ela demonstra ter muito boas intenções.
Por mais que a política seja a arte dos ataques, da convivência turbulenta entre opostos, não estou aqui para discutir as fórmulas mirabolantes de planos de governo, apenas para fazer uma constatação. A cidade tem melhorado muito em alguns aspectos. É evidente que em outros ainda caminha a passos de tartaruga, mas nem sempre é possível sanear todas as questões e muitos ataques acontecem simplesmente porque ela é mulher.
No caso das obras anti-enchentes, ela aparentemente tem realizado um bom trabalho e revitalizou a região da baixada. Enfrenta problemas na saúde, é verdade. E isso é uma coisa muito séria. A falta de médicos é inconcebível, mas isso é um problema conjunto, entre governo federal, estadual e municipal, principalmente no que diz respeito ao repasse de verbas.
Mas o que me chamou muito a atenção foi a disseminação de equipamentos de ginástica em praças e parques, para que a população possa ter acesso a exercícios mais complexos, além de corridas e caminhadas. São as chamadas "academias ao ar livre". Volto a dizer, não estou aqui para fazer campanha, até porque não sei se votarei nela e nem se ela será candidata, apesar de estar aparentemente em campanha. Mas acho que deve-se também reconhecer o trabalho da mulher, por mais que isso incomode muitos homens.
Lembro que quando fui secretário de imprensa em Cajuru, na gestão da prefeita Margarida do Nascimento, me deparei com inúmeros ataques a ela, pelo simples fato de ser mulher e divorciada. Mas ela sempre se manteve firme e acredito que fez um bom governo. Conheci bem minha chefe e posso garantir que ela sempre foi bem intencionada.
Já tive várias mulheres que foram minhas chefes e de apenas uma não guardo boas recordações. No jornalismo, com mulheres no comando, pude aprender ainda mais e aprimorar meu texto. Foi assim com a Matilde Leone na Revide, com a Carmen Cagno no Enfim e com a Ana Maria Cicácio no Jornal da Manhã.
Atualmente, um dos jornais que edito é dirigido aos policiais civis. E este sindicato tem na presidência uma mulher, Maria Alzira. Ela, a exemplo de outros casos que aqui citei, encontra ainda muita resistência, que vem sendo superada ano após ano, ato após ato. Foi a primeira mulher a dirigir o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis). Reelegeu-se. Faz um ótimo trabalho, a meu ver. Mas, por ser mulher, acaba sofrendo alguns ataques. Quando as críticas são relativas ao trabalho, até acho uma situação aceitável. O problema é quando envolve sua condição de mulher no comando.
Isso tem que acabar. Estamos já há vários anos no Século XXI. Não podemos mais compactuar com situações de preconceito contra a mulher no comando. Nem contra a mulher, em geral. Pode até parecer lugar comum, mas homens e mulheres podem e devem andar lado a lado. Se um dos dois ocupar uma chefia, por méritos e competência, não há porque se questionar e há que se respeitar. Simples assim.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Geração gasolina
Foi o meu genro quem chamou a atenção para o assunto. Nada mais natural, afinal ele cresceu em Brasília, cidade de pouquíssimas esquinas. Mas o Guilherme observou bem o estranho hábito da moçada em Ribeirão Preto: passar as noites, principalmente nos finais de semana, em postos de combustíveis, em rodas de amigo regadas a bebidas alcoólicas, normalmente vendidas nas lojas de conveniência.
Renato Russo chamou minha geração em uma de suas obras primas de "Geração Coca Cola". Se vivo estivesse, o poeta do pós-punk certamente chamaria essa atual galera de "Geração Gasolina". E o problema ganhou tanto espaço que as autoridades passaram a fiscalizar os postos de combustíveis na tentativa de coibir a venda de bebidas alcoólicas, principalmente para os menores de idade, que consomem livremente.
A ação até que deu certo num primeiro momento, com a proibição do consumo nos próprios postos. Mas o problema, na verdade, acabou transferido. Hoje a moçada continua se reunindo nas imediações. Alguns para o "esquenta", antes de sair para outras "baladas". Os maiores de idade é quem fazem a "vaquinha" e compram a bebida que é partilhada com todos, inclusive os menores de idade.
Numa praça de um bairro nobre da Zona Sul de Ribeirão Preto, próximo à Avenida João Fiúsa, os jovens passaram a se reunir para passar a noite. O local fica a cerca de um quarteirão do posto de combustíveis. Lá, dividem-se entre vários bandos e consomem bebidas, algumas das quais com teor alcoólico tão alto que talvez seja possível até acender churrasqueira com ela. Alguns vão mais além e consomem outras substâncias proibidas. Um colega meu, policial militar e constantemente atuando nas rondas, disse que os PMs apelidaram aquele local de praça do "Você sabe com quem está falando?".
Ele conta que nas abordagens, vem sempre a frase intimidatória e que já presenciou a chegada de pais dos adolescentes que se apresentaram como autoridades, destratando os policiais militares e negando que houvesse qualquer irregularidade. Simplesmente passando a mão na cabeça dos filhos e ensinando-os como se deve fazer para não se tornar um cidadão digno.
A praça, que durante o dia e início da noite é frequentada por famílias, por pessoas que praticam caminhada, corrida, ou que se reúnem para jogar futebol, brincar de skate ou bicicleta, tem outro público na penumbra da noite. Quando amanhece, principalmente nas manhãs de sábados e domingos, a situação é deplorável. Geralmente aos domingos, pela manhã, levo minha cachorrinha Pandora para uma volta. Quer dizer, levava. Acaba sendo uma caminhada de risco.
Sim, a praça mais parece um cenário pós-guerra. Garrafas de cerveja, vodka, vinho e até de uísque espalhadas. Muitas quebradas, tudo jogado pelo chão da praça, pelo gramado. Até no meio da rua. Já cheguei a encontrar latas amassadas, que normalmente são utilizadas para o consumo de crack. A equipe de limpeza tem, de verdade, um grande trabalho para deixar a praça em ordem para aqueles que virão, ao longo do dia, fazer sua caminhada, sua corrida, seus exercícios nos equipamentos. Para que aqueles que vão praticar skate, andar de bicicleta ou jogar uma bola não sejam feridos por destroços deixados pela moçada do "agito". E assim segue a vida: durante o dia uma geração mais saudável. À noite, na penumbra e abastecidos de muita bebida e talvez de drogas, chegam os da Geração Gasolina, composta por gente de classe média e alta.
Renato Russo chamou minha geração em uma de suas obras primas de "Geração Coca Cola". Se vivo estivesse, o poeta do pós-punk certamente chamaria essa atual galera de "Geração Gasolina". E o problema ganhou tanto espaço que as autoridades passaram a fiscalizar os postos de combustíveis na tentativa de coibir a venda de bebidas alcoólicas, principalmente para os menores de idade, que consomem livremente.
A ação até que deu certo num primeiro momento, com a proibição do consumo nos próprios postos. Mas o problema, na verdade, acabou transferido. Hoje a moçada continua se reunindo nas imediações. Alguns para o "esquenta", antes de sair para outras "baladas". Os maiores de idade é quem fazem a "vaquinha" e compram a bebida que é partilhada com todos, inclusive os menores de idade.
Numa praça de um bairro nobre da Zona Sul de Ribeirão Preto, próximo à Avenida João Fiúsa, os jovens passaram a se reunir para passar a noite. O local fica a cerca de um quarteirão do posto de combustíveis. Lá, dividem-se entre vários bandos e consomem bebidas, algumas das quais com teor alcoólico tão alto que talvez seja possível até acender churrasqueira com ela. Alguns vão mais além e consomem outras substâncias proibidas. Um colega meu, policial militar e constantemente atuando nas rondas, disse que os PMs apelidaram aquele local de praça do "Você sabe com quem está falando?".
Ele conta que nas abordagens, vem sempre a frase intimidatória e que já presenciou a chegada de pais dos adolescentes que se apresentaram como autoridades, destratando os policiais militares e negando que houvesse qualquer irregularidade. Simplesmente passando a mão na cabeça dos filhos e ensinando-os como se deve fazer para não se tornar um cidadão digno.
A praça, que durante o dia e início da noite é frequentada por famílias, por pessoas que praticam caminhada, corrida, ou que se reúnem para jogar futebol, brincar de skate ou bicicleta, tem outro público na penumbra da noite. Quando amanhece, principalmente nas manhãs de sábados e domingos, a situação é deplorável. Geralmente aos domingos, pela manhã, levo minha cachorrinha Pandora para uma volta. Quer dizer, levava. Acaba sendo uma caminhada de risco.
Sim, a praça mais parece um cenário pós-guerra. Garrafas de cerveja, vodka, vinho e até de uísque espalhadas. Muitas quebradas, tudo jogado pelo chão da praça, pelo gramado. Até no meio da rua. Já cheguei a encontrar latas amassadas, que normalmente são utilizadas para o consumo de crack. A equipe de limpeza tem, de verdade, um grande trabalho para deixar a praça em ordem para aqueles que virão, ao longo do dia, fazer sua caminhada, sua corrida, seus exercícios nos equipamentos. Para que aqueles que vão praticar skate, andar de bicicleta ou jogar uma bola não sejam feridos por destroços deixados pela moçada do "agito". E assim segue a vida: durante o dia uma geração mais saudável. À noite, na penumbra e abastecidos de muita bebida e talvez de drogas, chegam os da Geração Gasolina, composta por gente de classe média e alta.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Entrei de gaiato no navio - Parte final
Apesar de ser um passeio temido por muitos, pouquíssimos são os que de fato enjoam num navio. E o melhor mesmo é manter-se sempre bem fisicamente. Evitar consumir bebidas alcoólicas em excesso, comer em demasia são receitas básicas para um bom cruzeiro. Fazer refeições leves e a cada três ou quatro horas também ajuda. No mais, é só aproveitar.
Quem se prepara para ficar à base de medicamentos, dificilmente vai aproveitar a viagem. Até porque tais medicamentos dão sono e dormir é o que menos se quer fazer no navio. Na questão das cabines, tirando o fato de que quanto mais alto o andar (ou deque), mais prioritário será o desembarque do passageiro, o lugar onde se passa menos tempo num cruzeiro marítimo é a cabine.
Quem não se preocupa com status, quer aproveitar para economizar e ainda ficar pouco exposto aos balanços do navio, o melhor mesmo é ir de cabine interna nos deques mais baixos. Tudo bem que o passageiro terá que andar um pouco mais em relação aos outros dos deques mais altos, mas a economia vale a pena. E as cabines apresentam as mesmas acomodações, com exceção daquelas que têm varanda. Portanto, seja cabine interna ou externa, o que vale é só ter um local para retomar as energias.
Dormir, como já citei, é o que menos se faz num cruzeiro. Para os adeptos de exercícios, há muitas atividades. Dependendo do navio, como o Soberano, por exemplo, tem até quadra de basquete e parede de escalada. Academias completas estão à disposição do passageiro, com uma vista incrível do mar.
As refeições do dia são informais. O café da manhã e o almoço, geralmente, são servidos no sistema self service no restaurante do deque da piscina. Há uma grande variedade de pratos. Mas se preferir, é possível comer pratos a La Carte no restaurante dos deques 3 ou 4, que são utilizados para os jantares mais formais. Eles também funcionam durante o dia, nas refeições.
Além disso, há diversos bares e lanchonetes espalhados. Para a turma que gosta de competições, os monitores promovem bingos e gincanas durante todo o dia. E a jogatina, à noite - quando o navio não está aportado ou ancorado -, fica por conta do cassino.
A moeda no navio é o dólar. E o cassino só funciona em alto mar por estar em águas internacionais, portanto, não sujeitando-se às leis brasileiras. Há vários deques onde é possível fazer uma boa caminhada, sentar-se ou deitar-se em uma espreguiçadeira e aproveitar a paisagem, com a pele acariciada pela brisa do mar.
Protetor solar é ferramenta básica e prioritária pois, apesar da brisa constante, o sol pode provocar estragos na pele das pessoas que não se protegem adequadamente. No período noturno, há bares com músicas variadas e boates. Geralmente duas. Também há locais reservados para casais. Em alguns navios, há sessões de cinema. O teatro é a grande atração do início da noite. O navio tem vida 24 horas por dia.
Nos portos onde aporta ou atraca, o navio pode servir de ponto de apoio. Em Montevidéu, por exemplo, é possível fazer os passeios e voltar ao navio para a refeição. Mas se o passageiro quiser conhecer um pouco mais do país ou do porto em que está visitando, aí é preciso se aventurar. Por exemplo, na capital uruguaia, é possível provar a famosa parrillada, um churrasco com vários tipos de carnes e miúdos de boi. Um dos pontos para essa consumação é o Mercado Municipal, que fica bem próximo ao porto.
Em Buenos Aires, a opção é provar o bife de chourizo e o bife de ancho, que podem ser consumados, por exemplo, num dos vários restaurantes de Puerto Madero, a antiga zona portuária portenha, devidamente revitalizada e que tem o apelido de Manhattan argentina.
Mas, além das culinárias, é possível conhecer importantes pontos turísticos. Na escala de Ilhéus, por exemplo, até o famoso Bataclan, o cabaré imortalizado por Jorge Amado no livro Gabriela. Em Salvador, o porto fica bastante próximo do Pelourinho, Mercado Modelo de Salvador e o famoso Elevador Lacerda. Em cada cidade, uma história diferente, um passeio novo e encantador. Mas o melhor de tudo isso é que, ao término da jornada diária, você estará de volta ao navio, para continuar sua viagem. Cruzeiro marítimo é algo que não se tem como fugir do lugar comum. Quem não foi, deve ir e quem já foi certamente voltará. Quem sabe não nos encontramos no próximo cruzeiro? Mas, mesmo que isso não aconteça, boa viagem.
Quem se prepara para ficar à base de medicamentos, dificilmente vai aproveitar a viagem. Até porque tais medicamentos dão sono e dormir é o que menos se quer fazer no navio. Na questão das cabines, tirando o fato de que quanto mais alto o andar (ou deque), mais prioritário será o desembarque do passageiro, o lugar onde se passa menos tempo num cruzeiro marítimo é a cabine.
Quem não se preocupa com status, quer aproveitar para economizar e ainda ficar pouco exposto aos balanços do navio, o melhor mesmo é ir de cabine interna nos deques mais baixos. Tudo bem que o passageiro terá que andar um pouco mais em relação aos outros dos deques mais altos, mas a economia vale a pena. E as cabines apresentam as mesmas acomodações, com exceção daquelas que têm varanda. Portanto, seja cabine interna ou externa, o que vale é só ter um local para retomar as energias.
Dormir, como já citei, é o que menos se faz num cruzeiro. Para os adeptos de exercícios, há muitas atividades. Dependendo do navio, como o Soberano, por exemplo, tem até quadra de basquete e parede de escalada. Academias completas estão à disposição do passageiro, com uma vista incrível do mar.
As refeições do dia são informais. O café da manhã e o almoço, geralmente, são servidos no sistema self service no restaurante do deque da piscina. Há uma grande variedade de pratos. Mas se preferir, é possível comer pratos a La Carte no restaurante dos deques 3 ou 4, que são utilizados para os jantares mais formais. Eles também funcionam durante o dia, nas refeições.
Além disso, há diversos bares e lanchonetes espalhados. Para a turma que gosta de competições, os monitores promovem bingos e gincanas durante todo o dia. E a jogatina, à noite - quando o navio não está aportado ou ancorado -, fica por conta do cassino.
A moeda no navio é o dólar. E o cassino só funciona em alto mar por estar em águas internacionais, portanto, não sujeitando-se às leis brasileiras. Há vários deques onde é possível fazer uma boa caminhada, sentar-se ou deitar-se em uma espreguiçadeira e aproveitar a paisagem, com a pele acariciada pela brisa do mar.
Protetor solar é ferramenta básica e prioritária pois, apesar da brisa constante, o sol pode provocar estragos na pele das pessoas que não se protegem adequadamente. No período noturno, há bares com músicas variadas e boates. Geralmente duas. Também há locais reservados para casais. Em alguns navios, há sessões de cinema. O teatro é a grande atração do início da noite. O navio tem vida 24 horas por dia.
Nos portos onde aporta ou atraca, o navio pode servir de ponto de apoio. Em Montevidéu, por exemplo, é possível fazer os passeios e voltar ao navio para a refeição. Mas se o passageiro quiser conhecer um pouco mais do país ou do porto em que está visitando, aí é preciso se aventurar. Por exemplo, na capital uruguaia, é possível provar a famosa parrillada, um churrasco com vários tipos de carnes e miúdos de boi. Um dos pontos para essa consumação é o Mercado Municipal, que fica bem próximo ao porto.
Em Buenos Aires, a opção é provar o bife de chourizo e o bife de ancho, que podem ser consumados, por exemplo, num dos vários restaurantes de Puerto Madero, a antiga zona portuária portenha, devidamente revitalizada e que tem o apelido de Manhattan argentina.
Mas, além das culinárias, é possível conhecer importantes pontos turísticos. Na escala de Ilhéus, por exemplo, até o famoso Bataclan, o cabaré imortalizado por Jorge Amado no livro Gabriela. Em Salvador, o porto fica bastante próximo do Pelourinho, Mercado Modelo de Salvador e o famoso Elevador Lacerda. Em cada cidade, uma história diferente, um passeio novo e encantador. Mas o melhor de tudo isso é que, ao término da jornada diária, você estará de volta ao navio, para continuar sua viagem. Cruzeiro marítimo é algo que não se tem como fugir do lugar comum. Quem não foi, deve ir e quem já foi certamente voltará. Quem sabe não nos encontramos no próximo cruzeiro? Mas, mesmo que isso não aconteça, boa viagem.
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