terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cotas para tudo

Em recente viagem aos Estados Unidos, percebi que lá não tem cota nem privilégios para ninguém das aqui consideradas "minorias". É tudo uma questão cultural. O único senão fica por conta dos portadores de necessidades especiais, que têm as melhores vagas nos estacionamentos, seja nos parques da Disney, Universal e Sea World, seja nos shoppings e outlets, seja nos estacionamentos usuais e públicos por lá existentes.
Nada mais justo. A diferença, todavia, está na consciência das pessoas, que, ao contrário do que ocorre aqui, não estacionam nas vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais. No mais, é tudo questão de educação. Se um idoso ou uma gestante entram em um transporte, imediatamente cedem lugar a essa pessoa. No Brasil, o que vemos, como no caso de ônibus, são pessoas que ocupam os tais assentos e fingem dormir.
Nas universidades americanas, pelo que me disseram, não existe cota. Existe um sistema de ensino eficaz.
Aqui no Brasil, no entanto, isso não ocorre. É um festival de cotas no ensino superior. Principalmente nas universidades públicas, que sempre tiveram excelente qualidade de ensino. Aí alguns vão pensar que eu estou negando o acesso aos menos privilegiados a esse tipo de ensino.
Não se trata disso. Sou contra as cotas pois acho que elas não sanam o real problema brasileiro. Tomo por exemplo o que ocorre na universidade onde minha filha Mariana estuda, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Nos tempos de Lula, aquilo virou uma bagunça. Todos os cursos destinam, obrigatoriamente, uma vaga para indígenas. Portanto, em cada série de cada curso, tem um índio lá estudando. Nada seria mais nobre, não fosse a dificuldade que os índios têm em acompanhar os estudos e em se manter por lá. Afinal, o governo não pensa na forma precária como muitos se instalam no Campus ou nas repúblicas.
Com relação às cotas de negros e de oriundos de escola pública, a situação é parecida. Não pela dificuldade cultural de se relacionarem. Mas de se manterem lá e de acompanharem os estudos. Se o governo quisesse, de fato, facultar o acesso às universidades públicas a todas as camadas da sociedade, investiria, de verdade, na melhoria dos ensinos fundamental e médio. É lá que está o verdadeiro problema.
Só para citar o estado de São Paulo, são muitos os alunos que chegam ao ensino médio sem saber ler e escrever direito, graças à aprovação continuada. Não há investimentos nos próprios professores, que desmotivados e assustados pela violência nas próprias escolas públicas, muitas vezes não rendem o que poderiam render.
Se o governo quisesse que o negro ou o aluno que sempre cursou escola pública chegasse no vestibular em condições de igualdade, sem necessitar de cotas para ingressar em uma universidade pública, deveria, sim, reformular o ensino público fundamental e médio. Aí os alunos conseguiriam acompanhar o que se propõe nas universidades públicas: o nível de excelência alcançado após décadas de tradição e sucesso. Caso contrário, a universidade pública irá padecer do mesmo mal que defenestrou a qualidade do ensino público fundamental e médio a partir da década de 1970. Pelo fim das cotas e pelo ensino realmente de qualidade.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mais sobre sacolas plásticas

O mais incrível nessa situação do fim da distribuição de sacolas plásticas pelos supermercados é a cara de pau de muitos em relação ao assunto. Primeiro, porque nem Lei é. Há um acordo verbal entre governo e o setor supermercadista para que elas deixassem de ser distribuídas gratuitamente a partir de 25 de janeiro. Portanto, se não é Lei, adere quem quer.
As grandes redes, obviamente, aderiram. Até porque foram as que orquestraram tal manobra. Se viram em condições de cortar um custo altíssimo da parte deles - embora fosse repassado no valor final da compra a todos os consumidores, indistintamente - em nome do "meio ambiente". Porque, então, não se propuseram a distribuir sacos de papel ou o tal fabricado com menos petróleo, o de amido de milho? Simples, porque a intenção era mesmo cortar gastos.
No primeiro final de semana da famigerada medida o que se viu foi que as caixas de papelão sumiram e os consumidores que se virassem para levar embora as compras feitas nos supermercados.
O pior disso é que os pequenos também são pressionados pelo setor que "defende" a categoria. Na verdade, o setor tem mostrado-se nivelado por cima, defendendo os interesses das grandes redes. Essa situação tem que mudar. A proposta é anunciar aqui ou via e-mail para nossos amigos eletrônicos, os locais que ainda distribuem gratuitamente as sacolas plásticas. Temos que pressionar.
Porque, se isso fosse pelo meio ambiente, não teríamos que usar sacos de lixo com um teor ainda maior de petróleo e que são vendidos há anos nos supermercados. Se a sacola plástica é de demorada absorção em sua deterioração, os sacos de lixo convencionais demoram muito mais. Mas pouco se falou a respeito. O que vale é posar de ecologicamente correto e economizar uma grana para as empresas ávidas por lucro fácil. Também não falaram em deduzir dos preços dos produtos o que eles economizam com sacolas plásticas.
Deve-se, sim, sugerir o uso consciente das sacolas plásticas, não jogando-as na rua como é feito atualmente. Mas para medidas mais eficientes, deve-se também pregar o fim das garrafas pet de refrigerantes. Um verdadeiro problema ecológico que enfrentamos. Nesta semana pretendo ir a um supermercado, encher o carrinho de produtos, passar no caixa e, na hora que pedir sacola e me for negado, deixar tudo lá, alegando que não vou pagar por não poder levar. Se não protestarmos, eles vão continuar com as "pesquisas" de satisfação da opinião pública, igualmente manipulável à mídia que não questiona essa situação. E segue o barco.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Rio não deveria ser de janeiro

Falando ontem com minha irmã Angelica, ouvi dela que janeiro é um mês que deveria ser apagado do calendário. Aí analisei a situação do Rio de Janeiro - o estado da Cidade Maravilhosa - e comecei a pensar que o Rio poderia ser de qualquer outro mês, menos de janeiro.
Há anos seguidos, o Estado é duramente castigado e conta seus mortos no mês de janeiro. Apenas para ficar nos casos mais recentes, houve o deslizamento de encostas em Angra dos Reis e Ilha Grande há cerca de dois anos; o deslizamento de encostas na região Serrana no ano passado e, neste ano, o desabamento de três prédios. As três tragédias mataram, juntas, centenas de pessoas. Mais de mil vidas tiradas assim, de uma hora para outra.
Mas não venham dizer que isso é pura fatalidade. Não é. Trata-se do reflexo de uma situação vivida em todo o País, mas que nas terras guanabaras se evidencia ainda mais. A ocupação de encostas, colocando vidas em risco, é um problema social visto por todo o Brasil, é verdade. Mas acentua-se no Rio de Janeiro. Como no primeiro mês do ano o índice pluviométrico é maior, a coisa fica mais complicada, suscetível a tragédias. E como os políticos lavam as mãos durante ocupação - quando não são os próprios que incentivam-nas visando obter vantagens políticas no futuro.
Na questão do desabamento dos três edifícios na Cinelândia, a coisa é um pouco mais complicada. Alia a ganância de pessoas que querem gastar pouco e obter grandes lucros - no caso dos causadores -, com a corrupção, descaso, omissão de quem deveria fiscalizar e primar pela vida das pessoas.
Em abril deste ano, fará exatamente um ano que estive no Rio de Janeiro com minha família. Lembro que na quinta-feira, véspera do dia da Paixão de Cristo, estive no Amarelinho, tradicional bar na Cinelândia. E num raio de menos de 500 metros de onde estive, três pontos seriam protagonista de tragédias com morte. Isso não faz nem um ano.
O primeiro deles foi o Bondinho de Santa Tereza. A estação de embarque fica a poucos passos dos prédios que desabaram, em frente à sede da Petrobrás, um portentoso prédio cravado no centro carioca. Por conta de manutenção inexistente, vidas foram ceifadas após um dos bondes perder o controle e sair, literalmente, dos trilhos.
Pouco tempo depois, também a poucos passos de onde estive, no Amarelinho, e a menos de uma quadra dos prédios que desabaram, foi a vez do Filé Carioca explodir, matando, inclusive, quem passava na calçada em frente. Agora foram os prédios. Isso para ficar apenas nesse cenário. E o que tem em comum essas três tragédias? Como já disse, descaso, omissão, corrupção. No caso do trem, as peças eram, certamente, cobradas do erário público. Os pagadores de impostos pagavam para que tais peças fossem utilizadas na manutenção. Mas o que se viu foi um bonde destruído e, no sistema de freio, apenas clipes e arames improvisando as tais peças.
No Filé Carioca, o problema foi a fiscalização. O prédio não podia armazenar botijões de gás, mas o proprietário do estabelecimento o fazia, independente da ação de fiscais, o que, certamente, se ocorreu, foi apenas para "coletar" a caixinha e não para autuar. Já no caso dos prédios, ao que tudo indica, obras sem autorização, clandestinas e sem o mínimo conhecimento estrutural, foram executadas, comprometendo a estrutura do prédio mais alto, o Edifício Liberdade, pondo abaixo outros dois e a vida de muitas famílias.
E o que poderia se fazer para evitar as tragédias? Simples: fazer valer a Lei. Apenas isso. Fazer com que a manutenção dos bondes fosse feita. Fazer com que os botijões de gás não estivessem no Filé Carioca. Fazer com que a obra tivesse cumprido todos os trâmites e fosse aprovada por setores competentes.
No Rio de Janeiro, essa situação é mais evidente que no restante do País, embora ocorra indistintamente. Justamente no local onde, em pouco tempo, será uma das sedes da famigerada Copa do Mundo da FIFA e das Olimpíadas de 2016. Mas, fazer o quê? Afinal, o Rio de Janeiro continua lindo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ainda sobre sacolas plásticas

Acho incrível como a mídia - da qual eu próprio faço parte - é manipulável. É claro, há grandes interesses por trás de tudo. Por exemplo, se condenarem tal atitude de um Carrefour, de um Extra, de um Savegnago (rede de mercados na região de Ribeirão Preto), os comerciais nas emissoras de TV e nos jornais e revistas vão minguar. Mas daí a dizer que a população é plenamente favorável, é um pouco demais.
O blog está apenas começando e alguns problemas vão ocorrer, o que pretendemos sanar com o passar do tempo e adquirindo experiência. Numa das postagens, minha irmã Angelica não conseguiu efetivar seu comentário e mandou o que pensa por e-mail: "E a grande sugestão deles é que utilizemos caixas de papelão e sacolas retornáveis.Quem me garantirá que as caixas oferecidas pelos supermercados não contaminarão minhas compras?Outro dia só tinha caixa de sabão em pó e mega perfumada,coloquei garrafas e elas ficaram cheirosinhas.E se coloco carnes,frutas e verduras?Querem reduzir o lixo?Acabem com as garrafas PET,acho que vai ser mais inteligente". Pois é... Caixas de papelão não garantem segurança no transporte de nossas compras.
Meu amigo Eduardo Pincerno também foi oportuno ao citar os milhões de lucratividade que os supermercadistas terão.
Ontem, escutando a Band FM de Ribeirão Preto, ouvi a entrevista que a repórter fez com o presidente da APAS (Associação Paulista de Supermercados), regional Ribeirão Preto. Não me recordo o primeiro nome do elemento, mas o sobrenome do mesmo é Mialich, "coincidentemente" o mesmo nome de uma pequena rede de supermercados instalados na periferia da cidade.
O cara foi, no mínimo, sonso. Disse que ainda não dispunham de dados sobre a questão da sacolinha por ser o primeiro dia, mas que todos os que viam que parou-se com a distribuição ficavam contentes com a medida. Contentes com tal medida? Mesmo sem ter como carregar as próprias compras? Mas a coisa não parou por aí. A repórter perguntou porque, então, não se distribuiam sacolas ou sacos de papel pardo - como também lembrou o Eduardo em seu comentário no Blog - a exemplo do que era feito nas décadas de 70 e 80. O tal Mialich desconversou e disse que nessa época, as sacolas eram vendidas e feitas de napa, uma espécie de couro. A repórter insistiu: "Mas nas compras, os supermercados davam sacos de papel". O Mialich, novamente, se fez de desentendido e afirmou: "Quem dava sacolas de papel eram lojas de departamento". A repórter, indignada, não se conteve: "O senhor vai me desculpar, mas eu afirmo que eram os supermercados. Porque, então, não voltam a distribuir as sacolas e sacos de papel, ou as de amigo de milho gratuitamente?". O Mialich não respondeu o que ela perguntou, voltou a afirmar que a grande maioria absoluta da população apoia a medida.
Pelo que estou vendo, o apoio é só jogo de manobra para justificar a sacanagem que estão praticando contra todos nós. Por isso é preciso que nos mobilizemos. Já havia citado o fato de levarmos sacolas de concorrentes para trazer nossas compras. Mas acho que podemos ser mais contundentes. Poderíamos organizar um dia para irmos às compras, lotarmos o carrinho e colocar tudo na esteira do caixa. Quando as compras começarem a ser registradas, pediríamos sacolinha, o que seria negado. Então, simplesmente, deixaríamos tudo lá e, pela falta de local para acondicionar as compras, desistiríamos de levar e iríamos embora, deixando a coitada do caixa - que não tem culpa pela ganância dos patrões - às voltas com o gerente para cancelar tudo e levar de volta às gôndolas. Quem tiver outra ideia, é só lançar. Mas não podemos aceitar essa situação. É isso.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A cascata das sacolas plásticas nos supermercados

Hoje, 25 de janeiro, as grandes redes de supermercados conseguiram uma importante vitória. Não para o meio ambiente, como tanto propagam, mas para seus próprios bolsos. Graças a um acordo entre as grandes redes e o governo de São Paulo, numa atutide, a meu ver, de falácia, conseguiram se livrar de fornecerem sacolas plásticas para acondicionar as compras dos consumidores que recorrem a essas redes.
Muito cômodo usarem o politicamente correto para isso. Porém, as tais sacolas, que tanto "poluem" o meio ambiente, serão substituídas pelos sacos de lixo, feitos de material igualmente ou ainda mais resistente que as sacolas.
Em resumo, não há benefício algum para o meio ambiente. Trocaremos seis por meia dúzia. Com a diferença que estaremos assumindo a conta dos supermercados. Sim, pois em momento algum eles cogitaram reduzir ganhos por conta da desobrigação de fornecerem sacolas plásticas para os consumidores.
Usam os pseudodefensores do meio ambiente como massa de manobra para mascarar o real interesse da classe, que é aumentar os lucros.
Isso, em detrimento de milhares de postos de trabalho que serão extintos por conta do final do fornecimento gratuito de sacolas plásticas. Sem contar as empresas, que têm obrigação de serem contribuintes, pagando seus altíssimos impostos, mas que foram descartadas por conta do acordo entre o setor supermercadista e o governo paulista.
Um verdadeiro retrocesso. O que tenho a propor é, inicialmente, ao irmos ao supermercado, levar sacolas dos concorrentes. Sim, pois ainda temos alguma coisa em estoque, acredito eu. Se você tiver sacola do Carrefour, leve-a ao Savegnago. Se tiver do Savegnago, leve-a ao Pão de Açúcar ou ao Extra. E assim por diante. Agora, se obter sacolas e estabelecimentos menores, leve-as nas grandes redes. E, sempre que possível, boicote as grandes redes ou manifeste seu descontentamento. Essa situação é paliativa, não resolve a questão do meio ambiente. Essa questão se resolveria com o investimento adequado em aterros sanitários e, sobretudo, em usinas de lixo reciclável. Pense nisso.

Parabéns, Sampa pelos 458 anos!!!

Como já cantou Gal Costa, "vivemos na maior cidade da América do Sul". Sampa, 458 anos, a quinta maior metrópole do mundo, que me abrigou por 25 anos e que me recebe várias vezes no ano. Apesar de toda muvuca, confusão, caos urbano, Sampa é e sempre será SAMPA!!!
"Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga, com a avenida São João"...
Avenida São João, dos grandes tempos dos cinemas de rua. Os cines Metro 1, 2, 3, o cine Espacial, Comodoro, Regina e tantos outros. Nas imediações, os cines Paissandu 1 e 2, cine Ipiranga, Windsor. Bons tempos em que os grandes filmes eram exibidos no centro paulistano, quando não existiam as muitas salas de exibição os shoppings.
Também bons tempos do valente cine Valparaíso, no Tucuruvi, com suas matinês aos domingos, quando a galera ía de busão do Edu Chaves até lá, pegando carona no radinho de pilha do cobrador com memoráveis narrações de Osmar Santos e seu bordão famoso: chiruliruli, chilurilula.... eeeee qqquuuueeeeeeeee gggooooooolllllllllllllllllllllll!!! Inesquecível. Principalmente se fosse gol do meu São Paulo.
Sampa dos bons tempos nos campinhos feitos em terrenos baldios na zona norte, quando uma rua enfrentava a outra, cada jogo na "casa" (ou território) de um dos times.
Também bons tempos do trânsito caótico, mas infinitamente melhor do que nos dias atuais.
Isso, sem falar dos agitos culturais dos anos 1980. Centro Cultural, Sesc Pompéia, shows nas ruas (avenida Paulista, Praça da Sé). Tempos de rock, de Brock, de MPB, de música independente. Ouvíamos de tudo, de Beatles a Led, de Paralamas a Legião, de Caetano e Gil a Milton, de Premê a Língua de Trapo...
Sampa que nos recebia no terminal Jabaquara ou na estação Arthur Alvin, para começarmos nossas aventuras no litoral. De Arthur Alvin, íamos até Mogi das Cruzes de trem, para tomar o busão que descia para Bertioga. Acampávamos no lugar onde hoje é a Riviera de São Lourenço!!! Do Jabaquara, para "desbravar" as praias do litoral sul. Praia Grande, no apê dos pais do Éder, primo do Hélcio, com direito ao Sílvio e ao Edson matando baratas a chineladas. Íamos também para Itanhaém, Peruíbe, onde rolasse um canto para a galera.
Hoje estou a mais de 300 km de distância, mas não deixo de reverenciar essa cidade que foi o princípio de minha vida. Parabéns, Sampa de tantas lembranças, de tantas histórias vividas.