quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ainda sobre sacolas plásticas

Acho incrível como a mídia - da qual eu próprio faço parte - é manipulável. É claro, há grandes interesses por trás de tudo. Por exemplo, se condenarem tal atitude de um Carrefour, de um Extra, de um Savegnago (rede de mercados na região de Ribeirão Preto), os comerciais nas emissoras de TV e nos jornais e revistas vão minguar. Mas daí a dizer que a população é plenamente favorável, é um pouco demais.
O blog está apenas começando e alguns problemas vão ocorrer, o que pretendemos sanar com o passar do tempo e adquirindo experiência. Numa das postagens, minha irmã Angelica não conseguiu efetivar seu comentário e mandou o que pensa por e-mail: "E a grande sugestão deles é que utilizemos caixas de papelão e sacolas retornáveis.Quem me garantirá que as caixas oferecidas pelos supermercados não contaminarão minhas compras?Outro dia só tinha caixa de sabão em pó e mega perfumada,coloquei garrafas e elas ficaram cheirosinhas.E se coloco carnes,frutas e verduras?Querem reduzir o lixo?Acabem com as garrafas PET,acho que vai ser mais inteligente". Pois é... Caixas de papelão não garantem segurança no transporte de nossas compras.
Meu amigo Eduardo Pincerno também foi oportuno ao citar os milhões de lucratividade que os supermercadistas terão.
Ontem, escutando a Band FM de Ribeirão Preto, ouvi a entrevista que a repórter fez com o presidente da APAS (Associação Paulista de Supermercados), regional Ribeirão Preto. Não me recordo o primeiro nome do elemento, mas o sobrenome do mesmo é Mialich, "coincidentemente" o mesmo nome de uma pequena rede de supermercados instalados na periferia da cidade.
O cara foi, no mínimo, sonso. Disse que ainda não dispunham de dados sobre a questão da sacolinha por ser o primeiro dia, mas que todos os que viam que parou-se com a distribuição ficavam contentes com a medida. Contentes com tal medida? Mesmo sem ter como carregar as próprias compras? Mas a coisa não parou por aí. A repórter perguntou porque, então, não se distribuiam sacolas ou sacos de papel pardo - como também lembrou o Eduardo em seu comentário no Blog - a exemplo do que era feito nas décadas de 70 e 80. O tal Mialich desconversou e disse que nessa época, as sacolas eram vendidas e feitas de napa, uma espécie de couro. A repórter insistiu: "Mas nas compras, os supermercados davam sacos de papel". O Mialich, novamente, se fez de desentendido e afirmou: "Quem dava sacolas de papel eram lojas de departamento". A repórter, indignada, não se conteve: "O senhor vai me desculpar, mas eu afirmo que eram os supermercados. Porque, então, não voltam a distribuir as sacolas e sacos de papel, ou as de amigo de milho gratuitamente?". O Mialich não respondeu o que ela perguntou, voltou a afirmar que a grande maioria absoluta da população apoia a medida.
Pelo que estou vendo, o apoio é só jogo de manobra para justificar a sacanagem que estão praticando contra todos nós. Por isso é preciso que nos mobilizemos. Já havia citado o fato de levarmos sacolas de concorrentes para trazer nossas compras. Mas acho que podemos ser mais contundentes. Poderíamos organizar um dia para irmos às compras, lotarmos o carrinho e colocar tudo na esteira do caixa. Quando as compras começarem a ser registradas, pediríamos sacolinha, o que seria negado. Então, simplesmente, deixaríamos tudo lá e, pela falta de local para acondicionar as compras, desistiríamos de levar e iríamos embora, deixando a coitada do caixa - que não tem culpa pela ganância dos patrões - às voltas com o gerente para cancelar tudo e levar de volta às gôndolas. Quem tiver outra ideia, é só lançar. Mas não podemos aceitar essa situação. É isso.

2 comentários:

  1. Sou uma pessoa que me preocupo com o meio ambiente, que reciclo, que procuro o que não agride e/ou prejudica, porém também vejo essa campanha contra as sacolas plásticas mais como um meio de favorecer os donos de supermercados do que contribuir com a natureza. De que adianta não ter sacolas no mercado se a população continuará colocando seus lixos em sacos plásticos? Onde está a campanha pela conscientização?

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  2. De Fato, Sandrinha. Não há campanha alguma, apenas a orquestrada para aumentar o lucro dos supermercados. Uma cara de pau dessa turma. Porque não fazem campanha pelo fim das garrafas pet, que também provocam tragédias, com inundações por elas causadas? Porque não promovem, de fato, a reciclagem do lixo?

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