Em recente viagem aos Estados Unidos, percebi que lá não tem cota nem privilégios para ninguém das aqui consideradas "minorias". É tudo uma questão cultural. O único senão fica por conta dos portadores de necessidades especiais, que têm as melhores vagas nos estacionamentos, seja nos parques da Disney, Universal e Sea World, seja nos shoppings e outlets, seja nos estacionamentos usuais e públicos por lá existentes.
Nada mais justo. A diferença, todavia, está na consciência das pessoas, que, ao contrário do que ocorre aqui, não estacionam nas vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais. No mais, é tudo questão de educação. Se um idoso ou uma gestante entram em um transporte, imediatamente cedem lugar a essa pessoa. No Brasil, o que vemos, como no caso de ônibus, são pessoas que ocupam os tais assentos e fingem dormir.
Nas universidades americanas, pelo que me disseram, não existe cota. Existe um sistema de ensino eficaz.
Aqui no Brasil, no entanto, isso não ocorre. É um festival de cotas no ensino superior. Principalmente nas universidades públicas, que sempre tiveram excelente qualidade de ensino. Aí alguns vão pensar que eu estou negando o acesso aos menos privilegiados a esse tipo de ensino.
Não se trata disso. Sou contra as cotas pois acho que elas não sanam o real problema brasileiro. Tomo por exemplo o que ocorre na universidade onde minha filha Mariana estuda, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Nos tempos de Lula, aquilo virou uma bagunça. Todos os cursos destinam, obrigatoriamente, uma vaga para indígenas. Portanto, em cada série de cada curso, tem um índio lá estudando. Nada seria mais nobre, não fosse a dificuldade que os índios têm em acompanhar os estudos e em se manter por lá. Afinal, o governo não pensa na forma precária como muitos se instalam no Campus ou nas repúblicas.
Com relação às cotas de negros e de oriundos de escola pública, a situação é parecida. Não pela dificuldade cultural de se relacionarem. Mas de se manterem lá e de acompanharem os estudos. Se o governo quisesse, de fato, facultar o acesso às universidades públicas a todas as camadas da sociedade, investiria, de verdade, na melhoria dos ensinos fundamental e médio. É lá que está o verdadeiro problema.
Só para citar o estado de São Paulo, são muitos os alunos que chegam ao ensino médio sem saber ler e escrever direito, graças à aprovação continuada. Não há investimentos nos próprios professores, que desmotivados e assustados pela violência nas próprias escolas públicas, muitas vezes não rendem o que poderiam render.
Se o governo quisesse que o negro ou o aluno que sempre cursou escola pública chegasse no vestibular em condições de igualdade, sem necessitar de cotas para ingressar em uma universidade pública, deveria, sim, reformular o ensino público fundamental e médio. Aí os alunos conseguiriam acompanhar o que se propõe nas universidades públicas: o nível de excelência alcançado após décadas de tradição e sucesso. Caso contrário, a universidade pública irá padecer do mesmo mal que defenestrou a qualidade do ensino público fundamental e médio a partir da década de 1970. Pelo fim das cotas e pelo ensino realmente de qualidade.
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