Como já cantou Gal Costa, "vivemos na maior cidade da América do Sul". Sampa, 458 anos, a quinta maior metrópole do mundo, que me abrigou por 25 anos e que me recebe várias vezes no ano. Apesar de toda muvuca, confusão, caos urbano, Sampa é e sempre será SAMPA!!!
"Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga, com a avenida São João"...
Avenida São João, dos grandes tempos dos cinemas de rua. Os cines Metro 1, 2, 3, o cine Espacial, Comodoro, Regina e tantos outros. Nas imediações, os cines Paissandu 1 e 2, cine Ipiranga, Windsor. Bons tempos em que os grandes filmes eram exibidos no centro paulistano, quando não existiam as muitas salas de exibição os shoppings.
Também bons tempos do valente cine Valparaíso, no Tucuruvi, com suas matinês aos domingos, quando a galera ía de busão do Edu Chaves até lá, pegando carona no radinho de pilha do cobrador com memoráveis narrações de Osmar Santos e seu bordão famoso: chiruliruli, chilurilula.... eeeee qqquuuueeeeeeeee gggooooooolllllllllllllllllllllll!!! Inesquecível. Principalmente se fosse gol do meu São Paulo.
Sampa dos bons tempos nos campinhos feitos em terrenos baldios na zona norte, quando uma rua enfrentava a outra, cada jogo na "casa" (ou território) de um dos times.
Também bons tempos do trânsito caótico, mas infinitamente melhor do que nos dias atuais.
Isso, sem falar dos agitos culturais dos anos 1980. Centro Cultural, Sesc Pompéia, shows nas ruas (avenida Paulista, Praça da Sé). Tempos de rock, de Brock, de MPB, de música independente. Ouvíamos de tudo, de Beatles a Led, de Paralamas a Legião, de Caetano e Gil a Milton, de Premê a Língua de Trapo...
Sampa que nos recebia no terminal Jabaquara ou na estação Arthur Alvin, para começarmos nossas aventuras no litoral. De Arthur Alvin, íamos até Mogi das Cruzes de trem, para tomar o busão que descia para Bertioga. Acampávamos no lugar onde hoje é a Riviera de São Lourenço!!! Do Jabaquara, para "desbravar" as praias do litoral sul. Praia Grande, no apê dos pais do Éder, primo do Hélcio, com direito ao Sílvio e ao Edson matando baratas a chineladas. Íamos também para Itanhaém, Peruíbe, onde rolasse um canto para a galera.
Hoje estou a mais de 300 km de distância, mas não deixo de reverenciar essa cidade que foi o princípio de minha vida. Parabéns, Sampa de tantas lembranças, de tantas histórias vividas.
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