quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sabendo usar...

Que a internet é parte integrante da vida do ser humano do século XXI, ninguém duvida. O grande problema é a forma como a internet vem sendo utilizada. Importante ferramenta, acaba sendo pouco aproveitada numa era onde, pelo menos no Brasil, a sensação de impunidade impera.
Já há alguns anos o consumidor, mesmo amparado por toda sorte de leis e órgãos para sua defesa, se vê às voltas com a péssima qualidade de atendimento prestada. E isso não se aplica somente nas relações cotidianas, aquela onde o consumidor se vê frente à frente com o prestador de serviço, com o comerciante ou com o profissional liberal.
A grande questão é: para quem reclamar? O Procon, sinceramente, nem sempre se mostra eficaz. Mas é claro que tenta fazer a parte dele. Porém, ainda falta muito para garantir as relações comerciais entre quem vende um produto ou serviço e quem o compra. Por exemplo, dia desses pesquisei a questão do e-comerce. Verifiquei preço de um produto e prazo de entrega. E vi que estavam cobrando pela entrega do produto, caso ela fosse agendada. Em texto do jornalista Josué Rios, na coluna Advogado de Defesa, dos Blogs do Estadão,  a respeito da chamada Lei de Entrega (Lei estadual 13.747), que obriga as empresas a informar ao consumidor “a data e o turno” da entrega da mercadoria, ele é contundente. "Só que o Procon, que tem o dever de exigir a aplicação da Lei tem se mostrado ineficaz. Além de ser notório que as empresas ignoram a legislação, é o próprio Procon que emite o atestado de sua ineficácia ao informar ao JT, conforme matéria publicada em 27 de novembro de 2011, que a metade dos fornecedores descumprem a Lei de Entrega. Mas se tudo isso é pouco, vamos à última: as empresas não só rasgaram e picotaram a Lei de Entrega, como a utilizaram em seu favor. Como? Em lugar de informarem a “data e o turno” para entrega do produto, cobram valores que chegam a R$ 85 para a entrega da mercadoria com hora marcada (o ilícito virou lucro fácil)", concluiu o jornalista.
Pois bem, esse é apenas um exemplo. Já citei, anteriormente, a relação entre os teleatendimentos, os famigerados telemarketing, que deixam o consumidor esgotado física e emocionalmente, quando necessário se faz uma reclamação. Aconteceu recentemente comigo em relação a uma das maiores empresas que vendem passagens aéreas, quando cancelei uma compra, submetendo-me às multas impostas e eles ainda lançaram valores indevidos em meu cartão de crédito.
O banco, por sua vez, se exime de qualquer responsabilidade e vale o que é contra o cliente. Contrariando nossa Constituição, o banco nos condena: todo cliente é culpado, até que se prove inocente. É por aí. Então pensei na internet. Fui ao site do Reclame Aqui. Fiz minha reclamação. E fiquei feliz porque, horas após ter sido publicada, fui contatado pela empresa que vendeu as passagens aéreas. Tive, então, a certeza de que devemos otimizar a forma como utilizamos a internet. Quando iniciei este blog, minha intenção era justamente essa. Dar voz ao ser humano comum. Aos humildes (ou pobres, como minha amiga Ariane fez questão de ressaltar, pois ela avalia que os ricos também têm humildade). A todos os que não têm um órgão que consiga garantir nossos direitos antes de iniciar verdadeiras batalhas jurídicas. No caso da internet, sabendo usar, teremos uma ferramenta importantíssima que não irá faltar. E pressionar os maus prestadores de serviço, aqueles que tratam o consumidor com descaso. Pense nisso.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fobia de Fórum

Quando estava prestes a concluir a faculdade de jornalismo, comecei a flertar com o curso de direito. Sempre nutri uma certa vontade de tentar, também, a vida na carreira jurídica. Mas sou obrigado a admitir que, após algumas experiências, não consegui me enxergar como um bom advogado, um bom juiz ou um bom promotor. Simplesmente por conta de minha fobia ao ambiente no Fórum. Acho um local extremamente carregado e não me sinto à vontade em nenhuma circunstância, seja como réu, como testemunha ou como o responsável por mover uma ação.
Tenho amigos jornalistas que se orgulham de serem processados por reportagens que fizeram. Alegam que isso demonstra que incomodaram com denúncias. Eu, porém, evito problemas e me cerco de todas as garantias possíveis para não dar motivos e ver meu nome citado como réu em algum suposto crime de imprensa. Tive apenas dois problemas em toda a minha carreira, com mais de 25 anos de estrada. Nos dois, fui absolvido, mas não foram situações agradáveis.
Assim como não foram agradáveis as ocasiões em que promovi alguma ação, principalmente na área de defesa do consumidor. Chegar ao Fórum, para um leigo no assunto como eu, não é nada agradável. Em uma ocasião, em especial, a coisa foi ainda pior.
Era uma noite de final de verão, em 2004. Estava estirado no chão da sala - adoro assistir tv no chão, recostado ao sofá - esperando o futebol começar, quando toca o interfone. Atendo e uma voz educada me solicita comparecer à portaria do prédio para receber uma intimação. Minhas vísceras, literalmente, deram um nó, as pernas tremeram. "O que eu fiz?", pensei. Conversando com o Oficial de Justiça, ele me disse que era um caso onde eu figurava como testemunha e deveria comparecer no dia marcado na intimação ao Fórum de Ribeirão Preto, sob pena de condução coercitiva. Pelo nome da ação, vi que não era coisa boa. Tentei ligar para o advogado de defesa da vítima e nada.
Foram duas semanas de angústia até que eu chegasse à sala onde ficavam as testemunhas. Lá também havia um casal conversando baixinho, além de outras pessoas. Mas o casal me chamou a atenção, tamanha a simplicidade e cumplicidade de ambos. Depois de mais de uma hora de agonia, entra um funcionário do Fórum na sala e lê em voz alta o nome da vítima do meu processo, convocando-a para depoimento. Eis que levanta-se o casal que estava observando. Eles se beijam, o rapaz segue e a esposa fica. Então me enchi de coragem e perguntei do que se tratava. Quando ela contou, imediatamente veio à mente a história que, quando repórter, cobri em 1996.
Tinha acabado de chegar à redação e já tinha um fotógrafo com o carro me esperando. "Vamos para Serrana", disse ele. Tinha havido um falso comunicado de estupro. No caminho, lembrei do caso. Um rapaz humilde, que morava no bairro Cohab 1, em Serrana, namorava uma garota. Ele estava tentando terminar o relacionamento e a menina não se conformava. Saíram na noite de um sábado, foram a uma festa. Horas depois ela foi à delegacia dizendo ter sido estuprada pelo rapaz. Foi feito exame de corpo de delito, constatado o estupro e o jovem foi detido em flagrante, enviado para a Cadeia de Vila Branca, então sob responsabilidade da Polícia Civil e que abrigava presos do sexo masculino - atualmente é uma unidade prisional feminina.
Na cadeia, o rapaz acabou sendo violentado por outros presos - é uma espécie de código de honra entre os presos: estuprador acaba sendo estuprado na cadeia. Naquela manhã de 1996, eu estava ouvindo a triste história do rapaz, em sua casa modesta na periferia de Serrana, que não tinha sequer forro. Ele contava os detalhes com lágrimas aos olhos, olhando diretamente para o telhado imundo acima de nós. A garota havia se arrependido e contou o que fez. Inconformada com o final do relacionamento, praticou sexo anal com outros rapazes, foi à delegacia e prestou queixa contra o jovem. Quando contou o que fez, já era tarde. A vítima havia contraído aids na cadeia.
Na ação onde figurava como testemunha, ele responsabilizava o estado. A atual companheira dizia que o valor seria utilizado para deixar a família em situação pouco mais confortável. A história pululava em minha mente, quando fui chamado. Entrei na sala, o juiz formulou perguntas em nome dos dois advogados - de defesa e de acusação. Mantive o que havia relatado quase uma década antes. Foram cerca de dois minutos de depoimento e outros cinco entre coleta de dados de identificação e impressão do termo para que eu assinasse.
Tempo de menos para a angústia pela qual passei. Tempo demais para se fazer justiça a um inocente, vítima de um sistema prisional ineficaz e desumano, que não recupera ninguém e que, na verdade, funciona como uma espécie de pós graduação do crime. Por este e por outros tantos motivos, é que tenho fobia a Fórum e não me vejo um brilhante advogado.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Memórias de office boy

Tenho muitos amigos que, assim como eu, orgulham-se de terem começado no mercado de trabalho atuando como office boy. Profissão quase extinta nos dias atuais, diante da possibilidade de pagar contas pela internet ou pelo fone bank. E os poucos que atuam, na verdade, deveriam chamar-se office old, pois algumas empresas contratam idosos para pagar contas, diante do benefício que têm em atendimento prioritário nas agências bancárias.
Mas ter sido office boy, ou simplesmente boy, ensinou-me muita coisa na vida. E lembrei muito da "carreira", quando deparei com uma foto de João Bittar, ou simplesmente "Mestre" Bittar, um dos grandes fotógrafos da imprensa paulistana. Ele posava sobre um viaduto, tendo ao fundo a avenida 23 de maio. Vendo aquela foto, lembrei-me dos bons tempos de boy em São Paulo.
Estudava pela manhã e trabalhava apenas das 14h00 às 16h00, de segunda a sexta-feira. Minha rotina era sempre a mesma: pagar contas, fazer depósitos, reconhecer firma, lavrar documentos em cartórios. Enfim, esmiuçar o centro velho da Capital Bandeirante. Trabalhava para um advogado, hoje criminalista famoso que atua em programas de televisão. Seu reduto era na Rua Tabatinguera, uma ladeira que sai atrás da Praça da Sé e vai até o Parque Dom Pedro.
Quando o boy começava a se enturmar com seus pares, a vida ficava sempre mais fácil. Nas enormes filas do BaCen (Banco Central), só mesmo sendo amigo de outro boy para não ficar a tarde toda na fila. Se isso ocorresse, o boy teria vida curta no emprego. Então, uma mão lavava a outra e as duas se enxugavam juntas. Era chegar lá, sempre tinha um boy para ajudar, pegar o serviço e ficar na fila. Em contrapartida, o que chegava depois pegava o "trampo" dele em cartórios, juntava com o que tinha e seguia. Depois, se encontravam por volta das 17h00 - sim, no BaCen ou na agência anexa do Banco do Brasil, que ficava na esquina das rua São Bento com Av. São João, não se saía antes desse horário. Trocavam os serviços feitos e seguia cada um rumo ao seu escritório, entregar o que foi feito ao patrão.
Nos cartórios, a história era diferente. Não tinha esse negócio de senha, como é hoje. Tampouco fila única. Ou era na base da cotovelada, ou na base do carisma, da simpatia. Descobri isso rápido e, sempre que entrava nos cartórios da Rua Líbero Badaró, era atendido rapidamente. Tinha um prédio abarrotado de cartórios. Cartório de Títulos e Protestos, de Registro de Imóveis, de Registro de Pessoas Físicas e por aí vai. Ele ficava na esquina da Rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá.
Falando no Viaduto do Chá, muitas vezes passando por lá sempre tinha alguém tentando suicídio. Aí era aquela aglomeração e a pessoa não pulava. Quando os boys se reuniam e viam que não ía dar em nada, em grupo, gritavam: "Pula, pula, pula". Aí os bombeiros retiravam o candidato a suicida, ouviam algumas vaias - na verdade, ninguém queria ver alguém pulando, mas as vaias compunham o repertório dos boys - e tudo voltava ao normal.
Sempre valia a pena, quando cruzava o Viaduto do Chá rumo à rua 7 de Abril, dar uma parada na cafeteria das Lojas Mappim, que ficava, se não me engano, no terceiro andar. Tinha salgados deliciosos. O que me desmotivou a continuar lá foi que, numa dessas tardes, naqueles elevadores talvez da época da fundação de São Paulo de Piratininga, despenquei do segundo andar, num tóininhoinioim que ficou em minha cabeça por uns dois ou três dias.
Quando o assunto era Detran, eu adorava. Geralmente o patrão pagava um táxi até lá. No trajeto, ia deslumbrado com os prédios no entorno da 23 de Maio. Lembro de quando começaram a construir o Centro Cultural, ao lado da estação Vergueiro, do Metrô. Lá foi um point de minha turma, no colegial (também conhecido por segundo grau ou, atualmente, ensino médio). Ele passava sob o início - ou final - da Avenida Paulista e já avistava o Obelisco. Na descida até lá, à direita, tinha uma construção em forma de navio. Era a Casa de Portugal, restaurante chique, que nunca tive como ir com meu próprio salário.
Falando em salário, o meu primeiro foi gasto com uma lata de doce sírio. Comprado na Galeria Pajé, região da rua 25 de Março, hoje dominada por chineses e coreanos. Naquela época, quem mandava lá eram libaneses, sírios e vários decendentes de países do Oriente Médio. Na própria Galeria Pajé, não tinha essa febre de eletrônicos. Eram roupas. Tinha sempre alguém com um cartão na mão gritando: "É Lee, Levi's, Staroup, US Top. Vai aí, patrão?". Bons tempos aqueles da sempre mágica cidade de São Paulo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

BBB, "o programa da família brasileira"

Na década de 1970, as famílias se reuniam em frente ao aparelho de televisão para ver séries como Bonanza, James West, Mash, A Feiticeira, Jeanny é um Gênio, entre outras. Ou novelas na ascendente TV Globo, como Irmãos Coragem, o Bem Amado, Pecado Capital, Estúpido Cupido e por aí vai. A década foi um divisor de águas. Apoiando o regime ditatorial que regia o Brasil com a mão de ferro dos militares das três Forças Armadas, a TV Globo expandia seus domínios para além do eixo Rio-São Paulo, iniciado nos anos 1960.
Eram concessões atrás de concessões para aliados políticos da Globo e dos militares, o que proporcionou o crescimento da emissora em todos os rincões do País, através de retransmissoras, fortalecendo seu sinal e criando-se aí a primeira e maior rede de TV do Brasil.
Mas os tempos eram outros e existia qualidade nos programas televisivos. Amparada neste crescimento vertiginoso, a Globo instituiu o "Padrão Globo", que criava normas para manter a qualidade em todas as suas produções, fosse no jornalismo, na dramaturgia, no entretenimento como um todo. E isso solidificou a maciça audiência daquela que, nos anos 1980, ficou conhecida como "Vênus Platinada", numa alusão à sua logomarca.
Os tempos passaram e chegamos à segunda década do novo milênio com uma grande constatação: o programa da "família brasileira" é hoje o BBB. Afinal, fala-se disso em todos os cantos, em todos os meios de comunicação. Abre o jornal e estão lá as "pérolas" das celebridades instantâneas. Entra-se na internet e, antes mesmo das principais notícias nos portais, estão lá os lances "disputadíssimos" dos participantes do programa. Portanto, fica praticamente impossível não acompanhar.
Mas o quê, de tão bom, tem o BBB? Bem, a contar pelas manchetes, muita coisa. Por exemplo, quando a audiência estava em baixa, houve uma denúncia de estupro, onde uma "donzela" totalmente bêbada teria dormido na cama ao lado de um colega, que, de acordo com denúncias, tratou de aproveitar-se da situação. "Estupro de incapaz", divulgaram na época, criando uma nova interpretação para a Lei brasileira. Ficou o dito pelo não dito, a moça negou à autoridade policial e aos produtores, mas o rapaz, mesmo assim, foi expulso. Seria talvez por se tratar de um negro? Não, imagine, discriminação jamais. Pode até ser que não, mas que o fato alavancou a audiência trôpega, não há como negar. Se houve ou não manipulação, aí é outra coisa. Mas caiu feito uma luva.
Depois, a tida como estuprada partiu para o ataque a outros concorrentes, parece que ficou com mais um ou dois. E a coisa engrenou para a emissora, com o patético Bial desfilando pérolas da filosofia, da cultura mundial, utilizando palavras que jamais foram ouvidas pelos tais "brothers" e "sisters", muito menos entendidas. Aliás, também não surtem qualquer efeito em grande parcela da população, a não ser os suspiros das fãs pela declamação poética do jornalista galã.
Na última semana, novos acontecimentos para a "família brasileira": um novo casal (quer dizer, apenas o homem, pois a mulher já havia "engatado ficadas" com outros dois ou três participantes na casa) foi formado. E adivinhem o que fizeram embaixo do edredom? Isso só Deus sabe, mas especula-se que tenha havido masturbação. No mínimo. Que maravilha, tudo disponível para crianças que tem os pais assinantes em PPP (pay per view).
A sogra do cara que nem casado é promete brigar na justiça, processar o rapaz, espertalhão, que teria pego a menina tida como "surfistinha", numa alusão à ex-prostituta Bruna Surfistinha, após o ocorrido, em grande repercussão no twitter e no facebook. Isso sem dizer as mentiras, as brigas, a baixaria, a falta de cultura e vocabulário, a falta de cérebro dos presentes.
BBB forma celebridades instantâneas, dignas de serem esquecidas antes mesmo dos 15 minutos de fama. Em sua quase centena de participantes, o programa, quando muito, apresentou apenas um que se salva. O deputado federal Jean, que se envergonha de ter sido ex-BBB. No mais, fornece "arroz de festa" para todos os provincianos municípios brasileiros, que animam de festa de formatura a quentes reuniões de executivos. Gente que coloca no currículo: "ex-BBB" e que ganha mais que muito médico, policial, cientista, bombeiro, gari, cozinheiro, enfim, que a grande maioria dos trabalhadores brasileiros. E viva o BBB, "o programa da família brasileira", que, mesmo sem assistir, não é possível ignorar sua existência.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À nossa saúde

O tema da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica para este ano é bastante interessante. Lançada pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), a campanha tem como lema "Fraternidade e a Saúde Pública" e nos leva a uma reflexão bem maior do que a vivenciada em nosso cotidiano.
A Campanha da Fraternidade 2012 abrange, logicamente, os questionamentos feitos com relação à saúde pública no Brasil. A falta de médicos, os desvios de medicamentos, o péssimo atendimento prestado à população que não têm acesso a planos de saúde privados, o mal uso de ambulâncias, o desvio de verbas destinadas à saúde pública, entre tantas outras questões.
Também retrata a ganância dos planos de saúde privada que se preocupam única e exclusivamente com a arrecadação. Não há contrapartida. No Brasil dos tempos atuais, em muitos casos, tanto faz para o doente ter plano de saúde privado ou depender da saúde pública, o SUS (Sistema Único de Saúde). A espera é a mesma, a consulta rápida e despretensiosa que muitas vezes não detecta o problema do paciente.
Mas a Campanha da Fraternidade vai muito mais além. Traz à baila a necessidade que nós próprios devemos ter em relação à nossa saúde. Sim, pois nós mesmos somos os responsáveis, em grande parte das vezes à qual recorremos a um atendimento médico, pelas enfermidades apresentadas.
O homem tem, cada vez mais, levado uma vida sedentária e estressante. Fatores que, isoladamente ou combinados, podem levar a doenças como hipertensão, diabetes e outras mais, causando danos muitas vezes irreparáveis ao nosso organismo. Causando sérios problemas cardiovasculares, que podem levar à morte.
Associando isso ao consumo de bebidas alcoólicas, consumo de tabaco e até mesmo de drogas ilícitas, a situação fica ainda mais preocupante.
Alimentação inadequada também ajuda a causar problemas com nossa saúde. E mesmo para aqueles da chamada "geração saúde", os que frequentam as academias, a negligência com o próprio corpo é gritante. Muitos dos praticantes de exercícios diários acabam recorrendo a substâncias para "incrementar" a forma física, praticamente esculpindo o próprio corpo com anabolizantes e coisas do gênero.
Diante disso, é inevitável que teremos nossa saúde afetada, em alguma fase de nossas vidas. Cabe, portanto, a cada um de nós, resistir às tentações, ao vício, ao ócio, ao que parece fácil, para cuidar de nossa própria saúde. Meu avô, já falecido, sempre dizia que o que somos hoje é fruto do que fomos ontem. Quanto mais velhos ficamos, mais problemas aparecem por conta de uma vida desregrada. Sei que é difícil e quem me conhece sabe muito bem quanto sou suscetível a algumas das coisas que aqui mencionei. Mas nunca é tarde para tentar recomeçar, tentar reeducar hábitos com o objetivo de melhorar nossa qualidade de vida. A Igreja já deu um passo. Cabe a cada um seguir ou não esse caminho.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Lamentável carnaval

A bandidagem anda à solta e muita coisa que deveria servir para trazer alegria ao povo virou meio de vida para alguns. O maior exemplo disso pode ser visto na tarde da terça-feira gorda, ainda carnaval, mas já com a apuração das notas do carnaval paulistano, por imposição da Rede Globo, que como de costume dita as normas em tudo o que se mete, de futebol a carnaval, de show a missa. Sim, pois até a Santa Missa em Seu Lar e a missa do Padre Marcelo Rossi são realizadas de acordo com interesses da emissora.
Pois bem, já de muito tempo o Carnaval deixou de ser algo meramente cultural para tornar-se meio de vida para alguns. Muito dinheiro público em jogo, despertando cobiça de grupos paulistanos que, a exemplo do Rio de Janeiro com seus bicheiros, dominam os bastidores das escolas de samba. A coisa piorou com a chegada da Gaviões da Fiel. Desde que subiram, há mais de uma década, ao grupo especial, o Carnaval vive momentos de tensão. O grupo de torcedores violentos acha que, por conta de agradarem à sua própria torcida, única e exclusivamente, já é motivo para torna-los favoritos ao título do carnaval. E sempre há confusão, brigas, protestos, atos de vandalismo explícito.
Com a chegada da Mancha Verde e agora da Dragões da Real - e talvez no próximo ano da Torcida Jovem, o carnaval paulistano vê agremiações tradicionais perderem espaço para as torcidas organizadas, algumas das quais que agem como bandidos da mais alta periculosidade no entorno dos estádios. Seus dirigentes, não raras exceções, têm voz ativa nos clubes e ameaçam jogadores que não se identificam com as uniformizadas. A Mancha, por exemplo, esteve envolvida em diversas situações, inclusive em agressão a jogadores. Depois minimizam dizendo ser ato isolado de alguns torcedores com as camisas das torcidas.
Agora chegam ao carnaval. O que o bando de torcedores animalescos da Gaviões fez, ontem, no sambódromo, durante a apuração, mostra esse ânimo. E faltou muito pouco para haver um enfrentamento entre as outras torcidas. A Mancha, que não acompanhou a apuração por acordo prévio, estava nas imediações e, não fosse a ação das Polícias Militar e Civil, haveria uma tragédia sem precedentes.
O carnaval, que já vinha sendo manchado, perdeu o mínimo de notoriedade que buscava junto ao cidadão comum. Pior foi ver que policiais militares e civis tiveram que sair às ruas com viaturas, helicópteros, carros especiais para gerenciamento de grandes crises e muita estratégia tentando evitar um mau maior. Mas essa ação foi ela própria um absurdo, pago com imposto de cada um dos leitores. Afinal, manter helicópteros, viaturas e efetivo nas ruas para conter um bando de animais irracionais custa muito. Sem dizer que houve um risco iminente de onda de roubos em outras regiões da cidade, que ficaram desguarnecidas graças ao carnaval paulistano.
E o que se viu ao final? Nada. Nem sequer falaram até agora em banir definitivamente a Gaviões da Fiel do carnaval paulistano. Nem as outras agremiações ligadas a torcidas de futebol. Ao contrário, ficou o dito pelo não dito. Bons tempos aqueles dos desfiles na Avenida São João e na Avenida Tiradentes. E nem mesmo Oscar Niemeyer assumiu a autoria do sambódromo paulistano, tão propagada pelas autoridades políticas. Primeiro porque ele não fez. Segundo, porque certamente não concordaria com o que se passou ontem em sua pseudo-obra. Chega de torcedores de times no carnaval. Chega de dirigentes gananciosos. Que se resgate o carnaval de outros tempos ou, simplesmente, que se acabe com a mania já arcaica de esperar o carnaval acabar para o ano começar. O Brasil precisa é de trabalho, pois de meio de vida muita gente sobrevive muito bem.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

PT saudações

O PT (Partido dos Trabalhadores) despertava o interesse de muitos jovens nos anos 1980, recém saídos da ditadura - embora ainda houvesse resquícios. Era um partido que despertava paixões, despertava o sentimento cívico. Lembro que muita gente fazia questão de tirar o título de eleitor para, ao lado de seus pais, votar pela primeira vez para prefeito de São Paulo, para governador de São Paulo, isso após quase duas décadas de hiato.
Antes as eleições eram indiretas e estávamos reconquistando o direito do voto majoritário. Nas cidades que não eram capitais, o voto para prefeito já existia. Mas em São Paulo, onde morava, e em outras capitais, não tínhamos esse direito.
Lembro que em 1982, o PT não obteve vitória nas urnas para o governo. Esse cargo ficou com Franco Montoro, então do PMDB - um partido que também reunia agremiações de esquerda, ao lado de políticos convencionais. Mas o PT fez uma boa bancada legislativa e tornou-se um partido que cobrava ética na política.
Os anos passaram-se. Lula tentou várias vezes, seja para governador, seja para presidente. Até então só havia sido eleito deputado federal - à sua época, o mais votado, hoje superado por Tiririca...
Pois bem, o PT de Lula conquistou a presidência, depois de dois mandatos, a meu ver, espetaculares de FHC. Lula até que criou algumas coisas boas, mas seu governo ficou marcado por ser tão igual àqueles que o PT combatia. Escândalos, corrupção, tudo sem que Lula "soubesse". Não saber, tudo bem, mas não tomar providências é um pouco demais.
Pois bem, o tempo passou e eis o PT nos dias atuais. Em véspera de Copa do Mundo, o partido tem feito coisas antes inimagináveis. Lendo uma pequena nota no jornal, vi que um deputado do PT de São Paulo, que não vale nem a pena citar seu nome, está tentando uma alteração no texto da Lei Geral da Copa. Uma mudança que iria extinguir o direito do estudante de pagar meia entrada. Quem viveu os anos 1980 sabe que essa luta, pelo pagamento de meio ingresso para estudantes foi uma das grandes bandeiras do partido. Porém hoje, para se "adequar" aos interesses de FIFA e CBF, tenta reverter um direito constituído. Um direito digno.
E vamos além. O PT tem se empenhado para mudar outra situação: a questão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol. Particularmente, fui contra tal proibição. Não acho que isso seja o fator causador de brigas de torcidas. E, como frequentador de estádios, via como uma tradição. Mas já que tornou-se lei estadual e hoje a bebida alcoólica foi abolida em todos os estados, que se mantenha nossa soberania.
Mas não é isso que pensa o PT. Servindo os interesses da FIFA e seu grande patrocinador, uma marca de cerveja de fama mundial, membros do partido tentam criar um estado de exceção para garantir as negociatas da Copa do Mundo. Tentam abrir brechas para que a FIFA possa legislar sobre nossas leis e normas. Isso, para ficar apenas nessa questão da Copa do Mundo, sem falar nos escândalos.
O então presidente Lula protagonizou uma das maiores manobras já vistas. Conseguiu vetar o Morumbi como palco da Copa na maior cidade brasileira, defendendo interesses do presidente da CBF, Ricardo Teixeira - desafeto do São Paulo Futebol Clube, dono do Morumbi. Defendeu também os interesses do então presidente do Corinthians, Andrés Sanches, outro desafeto, que durante a Copa do Mundo de 2010, chefiou a delegação brasileira. De quebra, ainda conseguiu um estádio para o Corinthians, sabe-se lá construído com que dinheiro. Esse é o PT dos dias atuais. Quem te viu, quem te vê. PT, saudações.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quem disse que o vilão não tem final feliz?

Já vai longe o tempo em que o vilão sempre acabava mal na história. Poucas eram as exceções onde o vilão acabava bem. Nas novelas, principalmente, é regra quase inconteste. Em sua grande maioria absoluta, o vilão acaba louco, preso, humilhado ou morre. Puxe pela memória, amigo leitor, você há de concordar.
A coisa muda vez ou outra. Lembro de uma grande guinada do vilão. Ocorreu na novela Vale Tudo. O Brasil inteiro parou para ver seu desfecho. E digo isso porque vi que a coisa foi realmente assim. Era o ano de 1988, tinha acabado de ser contratado pela TV Ribeirão, hoje EPTV, filiada da Rede Globo. Naquela época, tínhamos três edições de telejornais regionais. As duas mantidas até hoje e a terceira edição, que ía ao ar antes ou depois do Jornal da Globo.
Pois bem, naquele dia, do último capítulo da novela Vale Tudo, lembro que havia uma única equipe de reportagem percorrendo a cidade para ver se alguém trabalhava naquele momento. Até motoristas e cobradores de ônibus, pressionados por passageiros, paravam onde havia um aparelho ligado na Globo.
Nós mesmos, do jornalismo, tão logo acabou a segunda edição, enquanto o Jornal Nacional era transmitido, corremos feito loucos para preparar o material para a terceira edição, que iria ao ar algumas horas depois. Adiantamos tudo e paramos, também, para ver o último capítulo de Vale Tudo.
Ver o personagem de Reginaldo Faria fugindo num jatinho rumo ao exterior. A cena emblemática ainda deve povoar a memória de muitos: ele dando um sinal de "banana" para o Brasil, enquanto sobrevoava a baia de Guanabara, recém-saído do aeroporto Santos Dumont. Pão de Açúcar na janela e ele dando bananas incessantes, rumo ao exterior.
Mas, como já disse, foi exceção. Não na vida real. Li no jornal hoje que o presidente de uma confederação nacional, envolvido no planejamento da Copa do Mundo e das Olimpíadas, ambas a serem realizadas no Brasil, já prepara o terreno para sua aposentadoria. Ele, que não encontra mais amparo nem no governo federal, nem em seus pares da federação internacional, vai encerrar sua carreira de cartola, independente das muitas denúncias em torno de sua pessoa. Denúncias essas, algumas das quais, que já estão em fase de conclusão de inquérito e devem ser encaminhadas à esfera do judiciário. Outras que merecem, ao menos, resposta por parte dele.
Pois bem, ele vai se aposentar. Já enviou a esposa e a filha para o exterior e vai com elas ter em breve. Se ele de fato é o vilão que tanto apregoam, que tanto afirmam, não vai pagar por suas supostas falhas e vai desfrutar o seu descanso num local inimaginável para a grande maioria absoluta da população brasileira, que trabalha duro e ganha muito pouco, sequer para sonhar com uma viagenzinha para trazer "muambas" de lá. Isso é que podemos chamar de um grande final feliz para o vilão. Digno dos melhores folhetins.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Para o bem e para o mal

A internet é uma realidade inquestionável. Chegou para trazer informações a uma velocidade assustadora e em quantidade inimaginável. E é justamente aí que reside o grande problema. Nos tempos em que era viciado em orkut, nas comunidades, quando havia um tópico "bombando" e alguém dava uma bola fora, era comum postarem: "saia da internet e leia um livro, vai te fazer bem".
Aí é que está. Livro é sempre algo agradável, interessante, enriquecedor. Além de transmitir cultura, informação, conhecimento, ajuda a enriquecer o vocabulário, estimula a criatividade e por aí vai. Mas essa tal de internet, com seus vastos caminhos a serem seguidos, oferecem opções até mesmo obscuras. No caso dos livros, quem está em fase de vestibular, por exemplo, não precisa ler tudo o que se pede. Até porque, se não leu até se inscrever, não é do momento da inscrição até a realização da prova que a pessoa vai conseguir colocar a lista de títulos exigidos em dia.
Então a internet, sorrateiramente, oferece a opção. Quer ler só o resumo: clique em http://vestibular.brasilescola.com/resumos-de-livros/o-auto-compadecida.htm . Aí a pessoa vai direto ao assunto, no mínimo, dando o jeitinho brasileiro, para não falar de outros problemas. Bom, foi tudo muito fácil. Então vou aplicar um golpe, como por exemplo pedir um cartão de crédito ou usar o número de um cpf para alguma operação. Pôxa, mas usar o meu número de CPF é complicado, teria implicações legais. A internet tem a solução. O CPF tem uma combinação matemática, não é uma união de 11 números aleatórios. Então algum "gênio", sabendo da fórmula utilizada, criou um site para gerar cpfs falsos: http://www.gerardocumentos.com.br/ . E você gostou do que fez. Então resolveu "criar" uma empresa. Descobriu que pode gerar o CNPJ também pela internet: http://www.geradorcnpj.com/ .
Bacana. A essa altura você burlou o vestibular, conseguiu um CPF "da hora", tem um CNPJ, mas precisa sair dirigindo depois de tomar umas. Sem problemas. Na internet é só saber como driblar a Lei Seca. Para isso, basta apenas um celular um pouco mais sofisticado. Antes de sair do boteco, acesse o seu twitter e veja no @leisecarj onde estão as blitzes. E isso foi documentado na mídia: http://www.diariodorio.com/driblando-a-lei-seca-no-rio-de-janeiro-via-twitter/ .
Pois é, seguindo esses passos você vai descobrir que a internet tem muita coisa boa. E tem muita porcaria, como esses sites que se proliferam, pedofilia, venda de drogas e armas e por aí vai. É só dar uma conferida num site de pesquisa, como o google. E a coisa vai continuar, enquanto o Brasil não acordar e perceber que nossa legislação, nosso código penal, remonta ao tempo do primeiro governo de Getúlio Vargas, quando mal se usava máquina de escrever, quanto mais computador. Está na hora de se criar uma legislação e um código penal abrangentes aos crimes na internet, urgentemente. Falando nisso, você já viu se tem algum vírus trojan instalado em seu computador antes de realizar alguma compra on line, digitando seu cartão, código de segurança, senha e outras informações?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Meus heróis morreram de overdose

O grande poeta Cazuza, que viveu a vida louca vida, descreveu bem em sua música uma situação cotidiana aos ídolos, principalmente os do rock. Num dos trechos de Ideologia, ele conta e canta: "Meus heróis morreram de overdose". Pois é. Foram tantos. Há até quem veja mais do que coincidências, por exemplo, nos ídolos da letra J. O vocalista do The Doors, Jim Morrisom, o guitarrista Jimi Hendrix e a cantora Janes Joplin morreram todos de overdose aos 27 anos de idade.
No Brasil, tivemos a nossa querida Pimentinha, Elis Regina, morta aos 37 anos por overdose. Tivemos também Cássia Eller, morta aos 39 anos, por um infarto repentino. Apesar de não ser oficialmente causadora da morte, a cocaína era presença constante na vida de Cássia.
Há ainda casos extremos onde a droga provocou a morte. Como exemplos, Bob Marley, que consumia muita maconha e lutou contra um câncer por dez anos, sendo vencido. E o mais emblemático, o líder do Nirvana, Kurt Kobain, que foi assolado pelo vício em heroína e acabou cometendo o suicídio com uma espingarda. O próprio Cazuza, morreu vítima da Aids agravada por sua vida desregrada e com ingestão de muita droga. Isso para ficarmos apenas em alguns poucos exemplos.
O fato é que as drogas têm exercido fascínio durante gerações e levando muita gente boa ou não à morte. Tem degradado famílias, sociedades inteiras. Às vezes me pergunto se não seria o caso da descriminalização, mas ainda reluto em relação a isso. Para falar a verdade, não tenho uma opinião concretamente formada sobre o assunto.
Mas outro tipo de morte de ídolos - que também é comum entre os seres humanos "comuns" - é motivo de preocupação. Há alguns anos, tivemos a morte do rei da pop music internacional, Michael Jackson, aos 50 anos. Agora foi a vez da diva Whitney Houston, aos 48 anos. Em ambos os casos, houve o consumo excessivo de medicamentos. Mas medicamento não é droga? Então porque não combatê-lo, perguntaria um incauto. Simples: porque isso é uma afronta à poderosíssima indústria movimentada pelos grandes e multinacionais laboratórios.
O fato é que as autoridades precisam rever essa questão. Há um número incalculável de pessoas que tornaram-se dependentes das drogas lícitas, aquelas produzidas pelos laboratórios. São drogas de todos os tipos que usadas com frequência e associadas ao uso de outras drogas igualmente lícitas - como tabaco e álcool - acabam levando à morte.
Aí é que a coisa emperra. Os interesses envolvidos são grandes. Os laboratórios, as indústrias de bebidas alcóolicas, a indústria do cigarro. E, cá entre nós, alguém em sã consciência acredita que nosso governo iria deflagrar uma guerra contra tais indústrias que são responsáveis por boa parte da arrecadação de impostos? Continuando a música do poeta, "meus heróis morreram de overdose. Os meus inimigos ESTÃO NO PODER. Ideologia, eu quero uma pra viver".

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ser (á?) humano

A cada final de semana, mais e mais barbaridades são cometidas. Apenas para ficar em duas delas que chocaram o País. No ABC, um feirante - sim, ele estava com a carteira de motorista vencida e dirigia para ganhar seu sustento, mas não fez nada de errado - vinha com sua perua Kombi prestes a entrar no Ceasa, quando foi surpreendido por dois veículos em altíssima velocidade.
As imagens são impressionantes. O primeiro invade a pista contrária para tentar desviar da Kombi, enquanto praticava, possivelmente, um racha. Não consegue e atinge o carro em cheio, do lado da porta do motorista, dividindo-a em dois. No instante seguinte, o outro veículo acerta a Kombi, que rodava na pista, na lateral traseira, tornando-a a dividi-la. O carro ficou partido em três pedaços.
Os dois rapazes até ficaram chocados com a situação, mas um perito avaliou, informalmente - o laudo oficial sairá nos próximos dias - que um dos carros estava a 160 km por hora, numa via pública. O motorista morreu pouco depois com politraumatismo.
No Rio de Janeiro, ensaio da Portela, tradicional escola de samba carioca, rua com trânsito impedido para dar espaço aos foliões, que ensaiavam os últimos detalhes para o desfile na próxima semana. Em dado momento, um Mercedes Benz, roubado horas antes, invade a rua e começa a atropelar pessoas, aleatoriamente. Sem ter para onde fugir, voltou de ré, tornando a atropelar as pessoas na rua. Sem o menor pudor, sem qualquer preocupação.
Não bastasse o cenário desolador, onde uma pessoa morreu por conta dos ferimentos sofridos durante a ação do veículo que avançou sobre o povo na rua, pouco depois uma explosão no mesmo local, onde feridos ainda eram atendidos, aumentou o pânico e causou novas vítimas.
Uma situação que atingiu seres humanos, provocada por um ser humano. Será humano?

Em tempo: os estoques de sangue nos bancos e hemocentros, por todo o País, atingiram níveis baixíssimos. Antes de aproveitar o feriado do Carnaval, que tal dar uma passada num posto de coleta de fazer sua doação de sangue? Convide os amigos e faça a sua parte.

Aproveito também para me desculpar por não ter postado um artigo na sexta-feira. Acabei me atrapalhando em viagem e não consegui.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bancos, sempre eles...

De acordo com a Constituição Federal, todos são inocentes até que se prove o contrário. Com base no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição da República, “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Para o consumidor, todavia, a situação não é bem essa, principalmente quando o "prestador de serviços" é um banco.
Ávidos por grandes lucros, as instituições bancárias estão se notabilizando em não só causar transtornos aos correntistas, como também em dificultar o justo direito de não ter suas economias usurpadas. Os bancos, a bem da verdade, tornaram-se grandes shoppings. É possível tudo, menos operar sua conta corrente. Desde o momento em que o cliente entra na agência, até a sua saída, ele é abordado ostensivamente por atendentes e caixas oferecendo produtos "sensacionais", como títulos de capitalização, seguros e outros produtos.
O bancário passou a ser vendedor e ganha por produtividade. E o cliente acaba sendo atacado por todos os lados. Pedir um empréstimo, solicitar um financiamento de imóvel ou automóvel, só complica ainda mais. Tem que aderir a conta corrente com cheque especial, seguro, cartão de crédito e outros produtos mais.
A contrapartida, todavia, não existe. Não raramente, as empresas de cartão de crédito fazem lançamentos irregulares. No meu caso, por exemplo, tive cobranças irregulares de uma empresa de locação de vídeos, Blockbuster on line, de um hotel na Polinésia (e pensar que nunca estive lá) e da Americanasviagens.com, apenas nestes últimos meses. Nos três casos, eu tive que me estressar para tentar reverter a situação. Consegui em dois, aguardo apenas o desfecho da Americanasviagens. Mas foram problemas arrastados por meses e tive que pagar antes, para não ter crédito interrompido - se bem que seria uma espécie de poupança, pois poderia render indenização.
Em casos de débito em conta, a situação não é diferente. Fui debitado - sem ser sequer cliente - pelo Sem Parar (pedágios), pela CPFL por contas de energia elétrica que não eram de minha responsabilidade, pela assinatura já vencida e encerrada de um jornal em minha cidade. E em todos os casos, cabe à empresa que faz o débito cancelá-lo. Quer dizer, se eles quiserem continuar detonando minha conta corrente, tudo bem, eles têm esse direito facultado pelos bancos. A mim, cabe o direito de ter um bom plano de saúde para me consultar com um ótimo cardiologista, por conta do estresse gerado nessa situação.
Até quando? Vale um alô: teremos eleições municipais neste ano. Que tal começarmos a mudar alguma coisa?

Em tempo: 

Esse blog tem por objetivo discutir, denunciar, debater, opinar. E para que isso tenha efeito, é preciso contar com sua ajuda, participando, opinando e, sobretudo, divulgando. É uma pequena semente que foi plantada mas que, para germinar e dar bons frutos, conto com a ajuda de cada um. Participem. Deixem sua mensagem, isso é muito importante.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ISO 9000 - Qualidade total

Conversando com minha esposa, partilhamos a indignidade com relação aos dias atuais. Em nosso tempo, que não faz lá tanto tempo assim, apesar das campanhas em contrário, começávamos a trabalhar cedo. Eu comecei por volta dos 14 anos. Nós dois concordamos que, independente de qual emprego fosse, dávamos o melhor que podíamos oferecer, para a manutenção no cargo.
E havia recíproca, até algum tempo atrás. Lembro de ir ao McDonalds, por exemplo, e receber um atendimento impecável por parte dos atendentes. Quando o assunto era roupa, os vendedores de diversas lojas tratavam-nos com atenção - embora a prática de empurrar sempre algo mais já existisse.
Quando nos mudamos de São Paulo para Ribeirão Preto, em 1988, comprar no Carrefour era uma maravilha. Atendimento sempre nota 10. Se faltasse alguma coisa, era só ver com qualquer funcionário que tudo estaria resolvido.
Hoje os tempos são outros. Vivemos numa época onde a qualidade total é buscada pelas empresas. E, ao que parece, por qualidade total entenda-se falta de qualidade no trato ao cliente. Lembra do que disse a respeito do McDonalds? Esquece. Quer ser mal atendido, vai lá. Erros inadmissíveis, falta de vontade, mal atendimento. E quanto ao Carrefour? Ontem estivemos na loja do RibeirãoShopping e vimos um conjunto de mesa e cadeira em vime, embutida, para varanda. Achamos um conjunto bonito, mas nada de aparecer alguém para dar indicação. Não havia preço no produto, nem sequer descrição do material, se ferro ou alumínio.
Após uns 10 minutos, apareceu um senhor com camiseta Carrefour. Meio que fugindo de nós, acabou interpelado e foi ao estoque para ver se descobria alguma coisa. Voltou e disse que só tinha aquela peça.
Indagamos qual seria seu preço, já que ele não saberia me dizer a composição da mesa. "Eu não trabalho com esses produtos, o rapaz que cuida não veio hoje e estou quebrando um galho", disse cinicamente.
Fiquei insatisfeito e fui à frente da loja procurar o gerente. Encontrei-o às turras com outra cliente, que avançou sobre ele quando ele lhe arrancou uma guia por ela assinada para devolver a diferença cobrada a maior. A mulher queria uma cópia e ele negou-a.
Aí pensei que seria improdutivo, mas na hora ele entrou na loja me chamando, enquanto a cliente chamava a Polícia para registrar ocorrência. Fui com ele ao local, expliquei o que aconteceu e, acreditem, ele chamou o mesmo funcionário e foi embora. Dias antes, minha esposa, no mesmo local, queria comprar um item de material escolar sem preço, que na máquina de leitor de preços dava como produto não cadastrado. Contatou uma funcionária que sequer ouviu sua explicação, consultou o preço e lhe disse: "O produto não está cadastrado, senhora". Feito isso, deu as costas e foi embora do local.
Reclamar para quem? Essa é a Qualidade Total Carrefour.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Efeito dominó

Quando em 1972 e em 1974 cerca de 200 pessoas morreram nos incêndios, respectivamente, dos edifícios Andraus e Joelma, imediatamente determinou-se que a questão da segurança nos grandes prédios fosse revista. Lembro-me que a maioria dos edifícios que não dispunha de escada de emergência foram obrigados a improvisar alternativas. Foi o caso do Edifício Zarzur, que fica bem em frente ao Viaduto Santa Efigênia foi um dos primeiros a instalar escadas tipo caracol do lado de fora do prédio.
É bem verdade que tais escadas não impediriam mortes no caso de grandes tragédias, mas certamente diminuiriam o número de vítimas, uma vez que, então, criou-se condições de fuga em emergências. Além disso, fiscalizaram também instalações, determinou-se criação de laudos para que os prédios tivessem condições de funcionar. O resultado é que nenhuma tragédia nas proporções dos edifícios Andraus (com 16 mortes) e Joelma (com 187 mortes) foi novamente registrado. Houve novos incêndios em grandes prédios, como o Conjunto Nacional, no final da década de 1970 e o Center 3, da CESP, em 1987, mas nada comparado aos anteriores.
Pois bem, em 1998, o Brasil via, estarrecido, em pleno carnaval, uma nova modalidade de tragédia: o desabamento do recém-inaugurado edifício Palace II, obra a cargo da construtora do ex-deputado Sérgio Naya. Nos laudos, constatou-se que ele usava areia de praia, inclusive com restos de conchas, para "economizar" na obra. Depois vieram desabamentos de prédios no Recife e em Salvador. E a coisa não parou mais. No início de 2012, foi a vez do Rio de Janeiro ficar atordoado com o edifício Liberdade, que veio abaixo, destruindo outros dois prédios menores e levando mais de uma dezena de vidas.
Agora foi a vez de São Bernardo do Campo. Inexplicavelmente (?) um buraco foi aberto em um grande edifício no centro da cidade, do topo ao térreo do prédio, fazendo novas vítimas. Até quando vamos deparar com esse tipo de situação? Culpa dos engenheiros? Culpa de quem efetua reforma? Culpa, sim, dos órgãos responsáveis que não fazem a devida fiscalização.
Horas antes desse incidente, o prefeito Gilberto Kassab, mais de olho na campanha eleitoral que em outra coisa, tentava revogar um veto de sua autoria exigindo a fiscalização ostensiva em novas edificações e exigindo laudos a cada cinco anos. Ele havia vetado em 2009 e resolveu capitular. Mesmo sendo uma atitude com vistas às eleições, é bem vinda, afinal, horas depois do fato outra tragédia aconteceu. E é preciso que isso tenha um basta e que se façam valer o direito das pessoas que, diariamente, se arriscam em prédios, muitos dos quais, verdadeiras bombas relógio ocultadas da vista do cidadão comum, mas prestes a explodir, num verdadeiro efeito dominó.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Absurdo

Polícia Militar entra em greve na Bahia e Salvador vira terra de ninguém. O que se passa com uma parcela da população? Sim, sei que não dá para generalizar, mas em um único final de semana, dezenas de pessoas foram mortas, diversos estabelecimentos comerciais, principalmente pequenos mercados foram saqueados. Onde está a dignidade de um povo diante de uma situação como essa?
Será que em Salvador a coisa só funciona se a Polícia Militar estiver na ativa? Será que a educação dos soteropolitanos é algo questionável? Claro, não é a maioria, como já disse. E generalização é algo perigoso. Mas trata-se de um grande número de pessoas a se aproveitar da situação.
Bem, inspiração não falta para quem pratica atos de vandalismo, assassinatos, aproveitando-se da greve da PM baiana. Maior inspiração vem dos políticos, é verdade. Mas são coisas triviais, mostradas pela mídia que dão conta de que a Lei não é para todos.
É só ver a chegada do rei Roberto Carlos ao navio onde embarcou para o seu já tradicional cruzeiro marítimo. Ele chegou dirigindo um conversível em alta velocidade, pelo porto de Santos. Primeiro: é proibido o trânsito de pessoas não autorizadas, quanto mais pilotando uma máquina em alta velocidade. Segundo, a mídia mostra isso como a coisa mais natural do mundo. Enquanto isso, os "felizardos" para o tal cruzeiro, esperaram horas para embarcar no Terminal de Concais, no Porto de Santos. A Lei, ao que parece, não é para todos...
Em tempo: parabéns ao Palmeiras por uma virada digna de filmes de hollywood no campeonato paulista, diante do Santos de Neymar. Foi um resultado daqueles de abalar cardíacos e não cardíacos. E parabéns ao meu tricolor paulista, que está reencontrando seu bom futebol depois de um hiato de poucos anos. Há quem diga que a lesão de Rogério Ceni tem sido justamente por conta disso. O cara estava acostumado a levantar troféu todo ano e já faz três que não levanta nenhum... Mas ele vai se recuperar a tempo de levantar mais troféus.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Que beleza!!!

Particularmente, considero o ex-jogador de vôlei e narrador Milton Leite um chato. Mas tenho que admitir: ele tem bordões muito fortes. Um dos mais fortes bordões do Milton Leite é justamente o "que beleeeezzzzaaaaa!!!", utilizado quando algum jogador faz uma jogada bizarra.
Pois bem, hoje estou no clima "que beleza"... Logo que abri o jornal pela manhã (sim, sou antiquado, não leio jornais em tablets...) passei a me sentir assim. Estava lá: "Negromonte deixa Ministério das Cidades". Pôxa, finalmente a Dilma teve momento de sanidade nesta questão envolvendo mais um de seus ministros "peraltas". E ainda fiquei feliz com a manchete do box: "sucessor vem de família com tradição política". Pensei ser alguém da linhagem de grandes políticos - é verdade, artigo meio em falta. Continuei lendo e estava lá no texto: "Vem de tradicional família de políticos da Paraíba. Em Brasília, herdou a vaga do pai, Enivaldo Ribeiro. O patriarca do clã é o avô do ministro, ex-deputado e usineiro Aguinaldo Veloso, ligado oficialmente ao assassinato de líderes camponeses. O pai do ministro foi suspeito de participação no esquema dos sanguessugas, que cobrava comissão de emendas na área da saúde e em 2008, o novo ministro foi condenado, em primeira instância, a pagar multa de R$ 15 mil por irregularidades na pasta da Secretaria da Agricultura da Paraíba, durante sua passagem por lá". Que beleza!
Dia desses, Dilma Rousseff foi a Cuba e criticou a base militar de Guantânamo. Ora, nada mais cômodo. Porque razão ela não fez a crítica quando de suas passagens pelos Estados Unidos? Afinal, o "patrocinador" da base de Guantânamo é a nação estadunidense. Que beleza!
Leio outra manchete no jornal de hoje e estava lá: paciente é furtado enquanto aguardava consulta em posto de saúde em Ribeirão Preto. Que beleza!
Fox Sports inaugura estúdio de operações no Brasil. Entre os presentes está o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que está contando com os serviços especializados de uma empresa de assessoria de imagem. Ele esteve lá, falou pouco, não polemizou, bebeu pouco e foi embora cedo. Que beleza!
Como diria o colunista da Folha, José Simão, o Brasil é o País da piada pronta. E o jornal de hoje confirmou isso. A principal piada pronta é a nossa excelentíssima Dilma Rousseff. Tinha tudo para fazer um governo brilhante. Sei que ninguém governa sem alianças, mas precisa fazer alianças tão, digamos assim, radicais? Seu ministério, constantemente, é achincalhado pelas ações pregressas de seus ministros. E todos eles, invariavelmente, desafiam a presidenta, tentando perpetuarem-se no poder. E ela leva a coisa até onde dá. Infelizmente ela está perdendo a chance de se desvincular de Lula e fazer um bom governo, com sua marca pessoal. Mas não o faz. A única diferença entre ela e Lula é que o ex-presidente dizia que não sabia de nada e ficava o dito pelo não dito. Dilma acaba trocando os ministros. No mais, tudo igual.
Que beleza!
Bom final de semana a todos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Até quando ficaremos de braços cruzados?

Recentemente, lendo o blog de Vitor Birner, deparei com um texto onde ele falava sobre a estupenda campanha via Twitter contra o mandatário da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, perpetuado no poder do órgão, com plenos poderes. Ele dizia que, para que tivesse algum efeito prático, a campanha deveria sair do virtual para o mundo real, pois todos são valentes no anonimato, por trás de um monitor. Mas é somente com o povo nas ruas que será possível destituir o tal cartola, com inúmeras acusações a seu respeito, mas que dá de ombros por acreditar que, do jeito que está, não haverá punibilidade, caso seja provada alguma coisa contra ele.
Pois bem. Vivemos o mundo dos direitos do consumidor. Principalmente por parte do Procon, órgão de Proteção ao Consumidor. Que maravilha ver que temos nossos direitos garantidos, preservados. No papel. Na realidade, a coisa é bem diferente. Tenho visto o meu sócio, diariamente, brigando com companhias telefônicas. Ora com a Nextel, ora com a Claro (principalmente a segunda opção). Ele grita, esbraveja, soca a mesa, ameaça aos atendentes, que impassíveis, limitam-se a dizer o óbvio. Isso, após nos deixarem esperando muito tempo, inquirirem a conformação de todos os dados possíveis e imaginários (se bobear, vão lhe perguntar até mesmo o que você jantou domingo à noite, o telefone da sua diarista e por aí vai).
Nada resolve. Eu próprio, tive problemas com a empresa que instalou armários em meu apartamento. Gastei muito pelos armários e o pessoal atrasou, instalou mal instalado e postergava solucionar o caso. Ir ao Procon? Eles orientam-nos a tentar resolver. Assim foi quando meu cartão de crédito foi usurpado com a anuência do Santander, por um hotel em que não estive, na Polinésia. Em suma, nada resolvem.
Criaram o tal do teleatendimento, onde teríamos garantido o atendimento telefônico em call centers em até um minuto. Que piada. Veja o tempo em que a Net, operadora de TV a cabo, te deixa na linha de espera. A coisa só é diferente se o prestador de serviço resolver, ele próprio, lhe surpreender. Foi o que me ocorreu com a Telefônica, após meu cancelamento de linha telefônica e speedy após portabilidade. Eles haviam cobrado a mais e, antes mesmo que eu percebesse, mandaram uma correspondência com um ofício para que eu comparecesse a qualquer agência do BB para receber a diferença paga a mais. Quase infartei, diante de tão grata surpresa.
A realidade é que temos de deixar os teclados, o monitor e nos organizar, para fazer valer nossos direitos. Não só em Procons da vida, em Anatéis da vida. Mas em toda e qualquer situação. Vamos nos unir, protestar, de verdade. Como fazíamos (alguns nem tem idade para isso) nas décadas de 70 e 80. Caso contrário, continuaremos valentões de internet. E só.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Lei seca

Muito se fala em endurecer ainda mais o cerco aos motoristas que dirigem alcoolizados. Fala-se em tolerância zero. Mas será preciso? Será que o correto seria fazer cumprir as Leis? O maior engodo da Lei Seca é a questão do bafômetro. Graças a um "genial" advogado, definiu-se que nenhum motorista é obrigado a produzir provas contra si próprio. Mas que maravilha.
Então me expliquem: como Edson Arantes do Nascimento, o nosso rei Pelé, cedeu provas para realização de um exame de DNA que comprovasse a paternidade de uma filha de um relacionamento extraconjugal? Eu pergunto e eu mesmo respondo: cumprindo ordem judicial. Pois que se criem instrumentos que obriguem os motoristas a se submeterem, sim, ao teste do bafômetro, para detectar a quantidade de álcool no sangue do indivíduo.
E digo ainda mais: deve-se incluir o teste do bafômetro para todo e qualquer acidente de trânsito, mesmo aqueles onde houve somente danos materiais. Chega dessa história de não produzir provas contra si mesmo. Já que muitos "juristas" trabalham para buscar lacunas na Lei que permitam a criminosos escaparem de punições por crimes cometidos, que se empenhem também para criar instrumentos que obriguem o cumprimento da Lei.
Longe de querer ser um baluarte da moral e dos bons costumes, até porque já dirigi depois de beber. Mas quem, assim como eu, o faz, assume o risco e deve responder por tal fato com o rigor da Lei. Simples assim: provocou acidente, submeta-se ao bafômetro.
E que se criem, de fato, blitzes. Se fizerem como na cidade do Rio de Janeiro, criarem um quartel general de operações anti-blitzes, que se criem as operações anti-anti blitzes. Que se detectem as pessoas que passam informações evitando que outros motoristas caiam em blitzes. E não precisa aumentar a pontuação, afinal, quem é pego dirigindo embriagado DEVE TER IMEDIATAMENTE a carteira de motorista apreendida. É como já citei antes: basta cumprir a Lei.