Na década de 1970, as famílias se reuniam em frente ao aparelho de televisão para ver séries como Bonanza, James West, Mash, A Feiticeira, Jeanny é um Gênio, entre outras. Ou novelas na ascendente TV Globo, como Irmãos Coragem, o Bem Amado, Pecado Capital, Estúpido Cupido e por aí vai. A década foi um divisor de águas. Apoiando o regime ditatorial que regia o Brasil com a mão de ferro dos militares das três Forças Armadas, a TV Globo expandia seus domínios para além do eixo Rio-São Paulo, iniciado nos anos 1960.
Eram concessões atrás de concessões para aliados políticos da Globo e dos militares, o que proporcionou o crescimento da emissora em todos os rincões do País, através de retransmissoras, fortalecendo seu sinal e criando-se aí a primeira e maior rede de TV do Brasil.
Mas os tempos eram outros e existia qualidade nos programas televisivos. Amparada neste crescimento vertiginoso, a Globo instituiu o "Padrão Globo", que criava normas para manter a qualidade em todas as suas produções, fosse no jornalismo, na dramaturgia, no entretenimento como um todo. E isso solidificou a maciça audiência daquela que, nos anos 1980, ficou conhecida como "Vênus Platinada", numa alusão à sua logomarca.
Os tempos passaram e chegamos à segunda década do novo milênio com uma grande constatação: o programa da "família brasileira" é hoje o BBB. Afinal, fala-se disso em todos os cantos, em todos os meios de comunicação. Abre o jornal e estão lá as "pérolas" das celebridades instantâneas. Entra-se na internet e, antes mesmo das principais notícias nos portais, estão lá os lances "disputadíssimos" dos participantes do programa. Portanto, fica praticamente impossível não acompanhar.
Mas o quê, de tão bom, tem o BBB? Bem, a contar pelas manchetes, muita coisa. Por exemplo, quando a audiência estava em baixa, houve uma denúncia de estupro, onde uma "donzela" totalmente bêbada teria dormido na cama ao lado de um colega, que, de acordo com denúncias, tratou de aproveitar-se da situação. "Estupro de incapaz", divulgaram na época, criando uma nova interpretação para a Lei brasileira. Ficou o dito pelo não dito, a moça negou à autoridade policial e aos produtores, mas o rapaz, mesmo assim, foi expulso. Seria talvez por se tratar de um negro? Não, imagine, discriminação jamais. Pode até ser que não, mas que o fato alavancou a audiência trôpega, não há como negar. Se houve ou não manipulação, aí é outra coisa. Mas caiu feito uma luva.
Depois, a tida como estuprada partiu para o ataque a outros concorrentes, parece que ficou com mais um ou dois. E a coisa engrenou para a emissora, com o patético Bial desfilando pérolas da filosofia, da cultura mundial, utilizando palavras que jamais foram ouvidas pelos tais "brothers" e "sisters", muito menos entendidas. Aliás, também não surtem qualquer efeito em grande parcela da população, a não ser os suspiros das fãs pela declamação poética do jornalista galã.
Na última semana, novos acontecimentos para a "família brasileira": um novo casal (quer dizer, apenas o homem, pois a mulher já havia "engatado ficadas" com outros dois ou três participantes na casa) foi formado. E adivinhem o que fizeram embaixo do edredom? Isso só Deus sabe, mas especula-se que tenha havido masturbação. No mínimo. Que maravilha, tudo disponível para crianças que tem os pais assinantes em PPP (pay per view).
A sogra do cara que nem casado é promete brigar na justiça, processar o rapaz, espertalhão, que teria pego a menina tida como "surfistinha", numa alusão à ex-prostituta Bruna Surfistinha, após o ocorrido, em grande repercussão no twitter e no facebook. Isso sem dizer as mentiras, as brigas, a baixaria, a falta de cultura e vocabulário, a falta de cérebro dos presentes.
BBB forma celebridades instantâneas, dignas de serem esquecidas antes mesmo dos 15 minutos de fama. Em sua quase centena de participantes, o programa, quando muito, apresentou apenas um que se salva. O deputado federal Jean, que se envergonha de ter sido ex-BBB. No mais, fornece "arroz de festa" para todos os provincianos municípios brasileiros, que animam de festa de formatura a quentes reuniões de executivos. Gente que coloca no currículo: "ex-BBB" e que ganha mais que muito médico, policial, cientista, bombeiro, gari, cozinheiro, enfim, que a grande maioria dos trabalhadores brasileiros. E viva o BBB, "o programa da família brasileira", que, mesmo sem assistir, não é possível ignorar sua existência.
Pois é meu caro amigo, mas não esqueça-se que o professor Jean só se tornou "nobre" deputado devido a própria fama do pobre programa televisivo.
ResponderExcluirAcho que é uma decadência moral: professor > BBB > Deputado, entretanto, uma ascensão financeira.
hihihiihhi