Quando em 1972 e em 1974 cerca de 200 pessoas morreram nos incêndios, respectivamente, dos edifícios Andraus e Joelma, imediatamente determinou-se que a questão da segurança nos grandes prédios fosse revista. Lembro-me que a maioria dos edifícios que não dispunha de escada de emergência foram obrigados a improvisar alternativas. Foi o caso do Edifício Zarzur, que fica bem em frente ao Viaduto Santa Efigênia foi um dos primeiros a instalar escadas tipo caracol do lado de fora do prédio.
É bem verdade que tais escadas não impediriam mortes no caso de grandes tragédias, mas certamente diminuiriam o número de vítimas, uma vez que, então, criou-se condições de fuga em emergências. Além disso, fiscalizaram também instalações, determinou-se criação de laudos para que os prédios tivessem condições de funcionar. O resultado é que nenhuma tragédia nas proporções dos edifícios Andraus (com 16 mortes) e Joelma (com 187 mortes) foi novamente registrado. Houve novos incêndios em grandes prédios, como o Conjunto Nacional, no final da década de 1970 e o Center 3, da CESP, em 1987, mas nada comparado aos anteriores.
Pois bem, em 1998, o Brasil via, estarrecido, em pleno carnaval, uma nova modalidade de tragédia: o desabamento do recém-inaugurado edifício Palace II, obra a cargo da construtora do ex-deputado Sérgio Naya. Nos laudos, constatou-se que ele usava areia de praia, inclusive com restos de conchas, para "economizar" na obra. Depois vieram desabamentos de prédios no Recife e em Salvador. E a coisa não parou mais. No início de 2012, foi a vez do Rio de Janeiro ficar atordoado com o edifício Liberdade, que veio abaixo, destruindo outros dois prédios menores e levando mais de uma dezena de vidas.
Agora foi a vez de São Bernardo do Campo. Inexplicavelmente (?) um buraco foi aberto em um grande edifício no centro da cidade, do topo ao térreo do prédio, fazendo novas vítimas. Até quando vamos deparar com esse tipo de situação? Culpa dos engenheiros? Culpa de quem efetua reforma? Culpa, sim, dos órgãos responsáveis que não fazem a devida fiscalização.
Horas antes desse incidente, o prefeito Gilberto Kassab, mais de olho na campanha eleitoral que em outra coisa, tentava revogar um veto de sua autoria exigindo a fiscalização ostensiva em novas edificações e exigindo laudos a cada cinco anos. Ele havia vetado em 2009 e resolveu capitular. Mesmo sendo uma atitude com vistas às eleições, é bem vinda, afinal, horas depois do fato outra tragédia aconteceu. E é preciso que isso tenha um basta e que se façam valer o direito das pessoas que, diariamente, se arriscam em prédios, muitos dos quais, verdadeiras bombas relógio ocultadas da vista do cidadão comum, mas prestes a explodir, num verdadeiro efeito dominó.
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