O grande poeta Cazuza, que viveu a vida louca vida, descreveu bem em sua música uma situação cotidiana aos ídolos, principalmente os do rock. Num dos trechos de Ideologia, ele conta e canta: "Meus heróis morreram de overdose". Pois é. Foram tantos. Há até quem veja mais do que coincidências, por exemplo, nos ídolos da letra J. O vocalista do The Doors, Jim Morrisom, o guitarrista Jimi Hendrix e a cantora Janes Joplin morreram todos de overdose aos 27 anos de idade.
No Brasil, tivemos a nossa querida Pimentinha, Elis Regina, morta aos 37 anos por overdose. Tivemos também Cássia Eller, morta aos 39 anos, por um infarto repentino. Apesar de não ser oficialmente causadora da morte, a cocaína era presença constante na vida de Cássia.
Há ainda casos extremos onde a droga provocou a morte. Como exemplos, Bob Marley, que consumia muita maconha e lutou contra um câncer por dez anos, sendo vencido. E o mais emblemático, o líder do Nirvana, Kurt Kobain, que foi assolado pelo vício em heroína e acabou cometendo o suicídio com uma espingarda. O próprio Cazuza, morreu vítima da Aids agravada por sua vida desregrada e com ingestão de muita droga. Isso para ficarmos apenas em alguns poucos exemplos.
O fato é que as drogas têm exercido fascínio durante gerações e levando muita gente boa ou não à morte. Tem degradado famílias, sociedades inteiras. Às vezes me pergunto se não seria o caso da descriminalização, mas ainda reluto em relação a isso. Para falar a verdade, não tenho uma opinião concretamente formada sobre o assunto.
Mas outro tipo de morte de ídolos - que também é comum entre os seres humanos "comuns" - é motivo de preocupação. Há alguns anos, tivemos a morte do rei da pop music internacional, Michael Jackson, aos 50 anos. Agora foi a vez da diva Whitney Houston, aos 48 anos. Em ambos os casos, houve o consumo excessivo de medicamentos. Mas medicamento não é droga? Então porque não combatê-lo, perguntaria um incauto. Simples: porque isso é uma afronta à poderosíssima indústria movimentada pelos grandes e multinacionais laboratórios.
O fato é que as autoridades precisam rever essa questão. Há um número incalculável de pessoas que tornaram-se dependentes das drogas lícitas, aquelas produzidas pelos laboratórios. São drogas de todos os tipos que usadas com frequência e associadas ao uso de outras drogas igualmente lícitas - como tabaco e álcool - acabam levando à morte.
Aí é que a coisa emperra. Os interesses envolvidos são grandes. Os laboratórios, as indústrias de bebidas alcóolicas, a indústria do cigarro. E, cá entre nós, alguém em sã consciência acredita que nosso governo iria deflagrar uma guerra contra tais indústrias que são responsáveis por boa parte da arrecadação de impostos? Continuando a música do poeta, "meus heróis morreram de overdose. Os meus inimigos ESTÃO NO PODER. Ideologia, eu quero uma pra viver".
Essa reamente é uma discussão muito complicada, um problema que atinge a sociedade por completo e não somente quem usufrui disso. E mesmo assim, é assegurado pelo governo e pelos furos na lei desse país.
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