Já vai longe o tempo em que o vilão sempre acabava mal na história. Poucas eram as exceções onde o vilão acabava bem. Nas novelas, principalmente, é regra quase inconteste. Em sua grande maioria absoluta, o vilão acaba louco, preso, humilhado ou morre. Puxe pela memória, amigo leitor, você há de concordar.
A coisa muda vez ou outra. Lembro de uma grande guinada do vilão. Ocorreu na novela Vale Tudo. O Brasil inteiro parou para ver seu desfecho. E digo isso porque vi que a coisa foi realmente assim. Era o ano de 1988, tinha acabado de ser contratado pela TV Ribeirão, hoje EPTV, filiada da Rede Globo. Naquela época, tínhamos três edições de telejornais regionais. As duas mantidas até hoje e a terceira edição, que ía ao ar antes ou depois do Jornal da Globo.
Pois bem, naquele dia, do último capítulo da novela Vale Tudo, lembro que havia uma única equipe de reportagem percorrendo a cidade para ver se alguém trabalhava naquele momento. Até motoristas e cobradores de ônibus, pressionados por passageiros, paravam onde havia um aparelho ligado na Globo.
Nós mesmos, do jornalismo, tão logo acabou a segunda edição, enquanto o Jornal Nacional era transmitido, corremos feito loucos para preparar o material para a terceira edição, que iria ao ar algumas horas depois. Adiantamos tudo e paramos, também, para ver o último capítulo de Vale Tudo.
Ver o personagem de Reginaldo Faria fugindo num jatinho rumo ao exterior. A cena emblemática ainda deve povoar a memória de muitos: ele dando um sinal de "banana" para o Brasil, enquanto sobrevoava a baia de Guanabara, recém-saído do aeroporto Santos Dumont. Pão de Açúcar na janela e ele dando bananas incessantes, rumo ao exterior.
Mas, como já disse, foi exceção. Não na vida real. Li no jornal hoje que o presidente de uma confederação nacional, envolvido no planejamento da Copa do Mundo e das Olimpíadas, ambas a serem realizadas no Brasil, já prepara o terreno para sua aposentadoria. Ele, que não encontra mais amparo nem no governo federal, nem em seus pares da federação internacional, vai encerrar sua carreira de cartola, independente das muitas denúncias em torno de sua pessoa. Denúncias essas, algumas das quais, que já estão em fase de conclusão de inquérito e devem ser encaminhadas à esfera do judiciário. Outras que merecem, ao menos, resposta por parte dele.
Pois bem, ele vai se aposentar. Já enviou a esposa e a filha para o exterior e vai com elas ter em breve. Se ele de fato é o vilão que tanto apregoam, que tanto afirmam, não vai pagar por suas supostas falhas e vai desfrutar o seu descanso num local inimaginável para a grande maioria absoluta da população brasileira, que trabalha duro e ganha muito pouco, sequer para sonhar com uma viagenzinha para trazer "muambas" de lá. Isso é que podemos chamar de um grande final feliz para o vilão. Digno dos melhores folhetins.
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