quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sabendo usar...

Que a internet é parte integrante da vida do ser humano do século XXI, ninguém duvida. O grande problema é a forma como a internet vem sendo utilizada. Importante ferramenta, acaba sendo pouco aproveitada numa era onde, pelo menos no Brasil, a sensação de impunidade impera.
Já há alguns anos o consumidor, mesmo amparado por toda sorte de leis e órgãos para sua defesa, se vê às voltas com a péssima qualidade de atendimento prestada. E isso não se aplica somente nas relações cotidianas, aquela onde o consumidor se vê frente à frente com o prestador de serviço, com o comerciante ou com o profissional liberal.
A grande questão é: para quem reclamar? O Procon, sinceramente, nem sempre se mostra eficaz. Mas é claro que tenta fazer a parte dele. Porém, ainda falta muito para garantir as relações comerciais entre quem vende um produto ou serviço e quem o compra. Por exemplo, dia desses pesquisei a questão do e-comerce. Verifiquei preço de um produto e prazo de entrega. E vi que estavam cobrando pela entrega do produto, caso ela fosse agendada. Em texto do jornalista Josué Rios, na coluna Advogado de Defesa, dos Blogs do Estadão,  a respeito da chamada Lei de Entrega (Lei estadual 13.747), que obriga as empresas a informar ao consumidor “a data e o turno” da entrega da mercadoria, ele é contundente. "Só que o Procon, que tem o dever de exigir a aplicação da Lei tem se mostrado ineficaz. Além de ser notório que as empresas ignoram a legislação, é o próprio Procon que emite o atestado de sua ineficácia ao informar ao JT, conforme matéria publicada em 27 de novembro de 2011, que a metade dos fornecedores descumprem a Lei de Entrega. Mas se tudo isso é pouco, vamos à última: as empresas não só rasgaram e picotaram a Lei de Entrega, como a utilizaram em seu favor. Como? Em lugar de informarem a “data e o turno” para entrega do produto, cobram valores que chegam a R$ 85 para a entrega da mercadoria com hora marcada (o ilícito virou lucro fácil)", concluiu o jornalista.
Pois bem, esse é apenas um exemplo. Já citei, anteriormente, a relação entre os teleatendimentos, os famigerados telemarketing, que deixam o consumidor esgotado física e emocionalmente, quando necessário se faz uma reclamação. Aconteceu recentemente comigo em relação a uma das maiores empresas que vendem passagens aéreas, quando cancelei uma compra, submetendo-me às multas impostas e eles ainda lançaram valores indevidos em meu cartão de crédito.
O banco, por sua vez, se exime de qualquer responsabilidade e vale o que é contra o cliente. Contrariando nossa Constituição, o banco nos condena: todo cliente é culpado, até que se prove inocente. É por aí. Então pensei na internet. Fui ao site do Reclame Aqui. Fiz minha reclamação. E fiquei feliz porque, horas após ter sido publicada, fui contatado pela empresa que vendeu as passagens aéreas. Tive, então, a certeza de que devemos otimizar a forma como utilizamos a internet. Quando iniciei este blog, minha intenção era justamente essa. Dar voz ao ser humano comum. Aos humildes (ou pobres, como minha amiga Ariane fez questão de ressaltar, pois ela avalia que os ricos também têm humildade). A todos os que não têm um órgão que consiga garantir nossos direitos antes de iniciar verdadeiras batalhas jurídicas. No caso da internet, sabendo usar, teremos uma ferramenta importantíssima que não irá faltar. E pressionar os maus prestadores de serviço, aqueles que tratam o consumidor com descaso. Pense nisso.

2 comentários:

  1. Realmente o Reclame Aqui é uma ferramenta muito eficiente, já fiz meus direitos valerem a partir desse site, após tentar e tentar com a loja virtual na qual comprei, mas não recebí as mercadorias. Ninguem gosta de entrar nas estatísticas do Reclame Aqui.
    Outra coisa que me importuna muito, é a falta dos preços nas vitrines. Me recuso a perguntar, simplesmente procuro outra loja.

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    1. Eduardo, bem lembrado. Se não me engano, é inclusive Lei constar o preço do produto nas próprias mercadorias. Nos mercados, isso te induz a pegar algo que custa mais caro, pensando estar pagando menos e muitos só vêem depois ao chegar em casa. Ótima lembrança.

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