O rádio sempre fez parte da minha vida. Quando acordava para trabalhar, encontrava meu pai, desde as 4h30 da manhã, sentado ouvindo o rádio e lendo um livro. Era como um vício, não sei como, mas ele conseguia prestar atenção nas duas coisas ao mesmo tempo. Depois que meu pai saia para o trabalho ou para encontrar os amigos - ele aposentou-se com menos de 50 anos, era policial militar -, era a vez de minha mãe, que ouvia seus programas enquanto tocava os afazeres da casa.
Quantos nomes não vinham nesse universo!!! Paulo Barbosa, Gil Gomes, Atanásio Jazadji, Eli Correia (oooooiiiiiiiiiiiii ggggeeeeeeeeeennnnnnnnnnnnntttttttttttttiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeee). Independente da qualidade de seus programas, era divertido. Mas eu preferia mesmo era ouvir FM. Duas, em especial, naqueles tempos de poucas rádios -e a maioria tocando disco. Ouvia muito a Cidade FM e a Excelsior FM. Na primeira, ouvia-se músicas para todos os gostos, inclusive rock. Já na Excelsior, o negócio era ouvir depois da meia noite, madrugada afora. Tinha o Maurício Kubrusly com o programa Hora Maldita. Muita música de qualidade. Muitos nomes do BRock foram lançados lá. Na mesma Excelsior, o locutor Kid Vinil, que anos depois viria também a fazer sucesso com músicas de rock paródia como "Sou Boy", tinha um programa de punk-rock que nos apresentou nomes como AC/DC, Ozzy, o próprio Black Sabbath, entre outros.
No esporte, ouvir jogo pelo rádio era coisa para matar cardíaco. Particularmente era fã de Osmar Santos e do saudoso Fiori Gigliotti. Uma vez resolvi assistir a uma partida transmitida pela TV Clutura (sim, a Globo não tinha monopólio no futebol), ouvindo a transmissão pelo rádio. Desanimador. O jogo morto na TV e berrante no rádio. Desliguei a TV e segui com a transmissão do rádio.
Logo que entrei na faculdade para cursar jornalismo, a vontade era tanta que não esperei. Paralelamente fiz um curso no SENAC de Guarulhos, com habilitação para radialista, reconhecido por Lei. Neste curso, fui contemporâneo do William Bonner, naquela época já um tipo muito sério, de pouca conversa. Ele tinha se formado na USP, mas em jornalismo com habilitação para jornais e revistas. Só que, logo de cara, despontou na Rádio USP, passando, em seguida, para o telejornal regional da Globo, o SPTV. Para poder continuar apresentando, teve que fazer o curso numa outra turma, mas na mesma época.
Ainda tive mais dois anos na faculdade em que aproveitei ao máximo para fazer pontas em programas de rádio. Naquela época conheci Gilberto Garcia, um dos pioneiros da TV e que tinha um programa na Rádio Diário de Mogi das Cruzes. Para quem não sabe, ele é pai das eternas "Narizinhos" do Sítio do Pica Pau Amarelo, as atrizes globais Isabela e Rosana Garcia. Ele me deu muitas dicas e, em seu programa, eu lia horóscopo no ar. Era muito divertido. Na falta de previsão, pegava no jornal. Se não tivesse outro jornal no dia, lia do anterior, mudando os signos. E que me desculpe quem acredita em astrologia. Foi um período muito rico, apesar do pouco dinheiro. Sim, pois quem trabalha em rádio, exceto uma minoria, ganha pouco e o faz por amor ao veículo de comunicação.
E quis o destino que, ao terminar a faculdade, eu acabasse vindo morar e trabalhar em Ribeirão Preto. Não tinha qualquer noção do que era essa cidade maravilhosa, a não ser pela sua importância, um dos maiores centros urbanos do Estado e uma das maiores cidades do interior do Brasil. Mas Ribeirão Preto é uma região onde o rádio sempre teve grande importância, cedendo nomes importantes no contexto nacional, principalmente político. Mas isso é história para outro dia. Por hoje, caros ouvintes, agradeço a atenção recebida. A todos um ótimo final de semana e nos vemos na segunda-feira, no mesmo horário de sempre. Até lá!
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