Num de meus artigos aqui no Blog do Adal, minha amiga Fani comentou um caso ainda dos tempos em que trabalhamos juntos no BHU/Aymoré (Banco Holandês Unido), em Sampa. Eu não tenho certeza, mas já havia saído do banco quando ocorreu um acidente. Um funcionário caiu no fosso do elevador. Isso foi lá pelos anos 1980. A Fani foi uma das testemunhas e me contou que, quase 30 anos depois, o rapaz não recebeu indenização da seguradora.
A briga jurídica se arrasta por longos anos, num reflexo do que é hoje nosso sistema judiciário brasileiro. Em muitas vezes, é melhor tentar um acordo, mesmo que a reparação não seja 100% do que objetivamos, do que entrar na ciranda da Justiça. Isso se explica, em boa parte, pelo fato de termos uma legislação ultrapassada e com inúmeras lacunas, que possibilitam esse tipo de ação.
Os advogados cumprem sua parte. Se há brechas, é porque a Justiça assim permite. Se há como protelar um caso ou obter uma jurisprudência, é porque o cliente assim o quis. E, venhamos e convenhamos, a habilidade do advogado é fundamental nessas horas. Ele precisa estar sempre atualizado para poder dar o melhor de si num caso.
O problema é que, muitas vezes, essa situação atravanca ainda mais o nosso já complicado sistema judiciário. Além da avalanche de casos em todas as suas esferas - cível, criminal, família, trabalhista, pequenas causas, municipal, estadual, federal - os processos que se arrastam por muitos anos lotam os arquivos dos fóruns, causam muito transtornos às vítimas e testemunhas, além de hipotecar à Justiça um certo descrédito popular.
Como já disse anteriormente, se tivesse que viver frequentando os corredores de Fóruns, certamente seria um fracasso na profissão. Não me sinto à vontade naquele ambiente. E, em parte, esse ambiente que vejo pesado - creio que muitos compartilham de minha opinião - é causado por conta da morosidade da Justiça.
Não se trata apenas de contratar mais magistrados e servidores para dar conta da demanda. Claro que isso ajuda. Mas é preciso simplificar essa situação. Não digo que devamos reduzir o amplo direito de defesa. Mas é mesmo necessário tantas brechas, tantas possibilidades de recursos, liminares e afins? Digo isso como leigo que sou. Creio que podemos usar ferramentas como a informática para reduzir o tempo de um processo. Sem o cerceamento de quem quer que seja. E evitar problemas como o do rapaz que caiu no fosso do elevador há cerca de 30 anos e até hoje seu caso está em aberto, por conta dos recursos à que tem direito a seguradora. Legalmente, amparada. Já moralmente...
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