O governo do Estado de São Paulo tem acenado para novas contratações na área de Segurança Pública, porém num patamar muito abaixo do desejado. Mas tem anunciado mudanças que podem representar uma grande mexida nos rumos da Polícia Civil, principalmente. Há nos corredores da cúpula das Polícias Civil e Militar quem acredite que a ideia é unificar as duas forças estaduais de segurança. Diante do número bem maior de contingente, a tendência, nesse caso, é que a Polícia Militar absorva a Polícia Civil.
Longe de querer debater a militarização, a intenção é trazer à superfície propostas que podem influir direta e decisivamente na vida de cada contribuinte, de cada cidadão. Lançado em fase experimental na região do Deinter-9 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior-9), com sede em Piracicaba, a "reengenharia" da Polícia Civil propõe aglutinar distritos e especializadas em um único lugar. Uma proposta que funciona muito bem, por exemplo, nos Estados Unidos, com as super delegacias. Mas ainda há dúvidas sobre a forma como esse processo pode ser conduzido.
Com a reengenharia proposta e já iniciada em cidades como Rio Claro, Araras, Pirassununga e Mococa, o que se viu foi a extinção de Distritos Policiais, que acabaram unificados em um único local. Na teoria, isso representaria uma economia com o custeio e manutenção de imóveis. Na prática, serve para aglutinar policiais civis numa única unidade, não aumentando o efetivo, mantendo o mesmo trabalho prestado e dificultando o acesso da população a uma unidade policial, mas com a falsa sensação de que há mais efetivo à disposição.
Segundo a presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto), Maria Alzira da Silva Corrêa, a ideia é dar a sensação de que a unidade criada sob o status de super delegacia tem mais policiais do que o distrito policial anteriormente tinha. Porém sem contratar mão-de-obra, contando com um efetivo cada vez mais reduzido e com um grande risco de sofrer uma redução ainda mais drástica. "O governo alterou, há alguns anos, o critério para a aposentadoria e hoje não é vantagem para o policial civil requerer sua aposentadoria. Convém esperar um pouco mais até que essa Lei sofra mudanças, o que talvez aconteça ainda neste ano, pois a matéria já está em instâncias superiores e apenas São Paulo utiliza-se desse critério. Quando isso ocorrer, haverá uma grande procura para aposentadoria. Estimamos que de 30 a 40% dos policiais civis da ativa possam se aposentar, o que representaria uma enorme lacuna a ser preenchida", avalia Maria Alzira.
Na região de Ribeirão Preto, a "reengenharia" começa a ser implementada. Distritos com menos ocorrências serão aglutinados por outros de maior movimento. Uma possibilidade tida como certa é o fechamento do 7º DP (Distrito Policial) de Bonfim Paulista, um distrito de Ribeirão Preto que, além de sua população tradicional, cresceu por receber muitos condomínios horizontais de médio e alto padrão financeiro. Isso significa que o morador de Bonfim Paulista, por exemplo, para relatar uma simples ocorrência de furto de celular, teria que se dirigir para o 4º DP, no Jardim América, num trajeto superior a seis quilômetros. Hoje ele percorre apenas alguns quarteirões, dependendo de onde morar.
Essa prática pode representar, no papel, um avanço para o governo do Estado, principalmente em termos estatísticos. Muitos cidadãos vítimas de furtos e crimes ou ocorrências de pequena monta, deixariam de registrar suas queixas e contribuiriam para o número final apurado pelo governo. É inegável que a PM, hoje em dia, esteja melhor aparelhada que anos atrás, até com o apoio de tablets nas viaturas. Mas ainda é necessário recorrer ao serviço de Polícia Judiciária, prestado pela Polícia Civil. E com a dificuldade que o cidadão pode encontrar, sem a contratação de mais policiais civis, sem investimentos, a única certeza é que a estatística de criminalidade terá redução. Mascarada, mas terá.
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