Conheci o sujeito ainda no século passado, por volta de 1997. Havia uma grande coincidência: ele era cunhado de minha ex-empregada doméstica. Mas o conheci por outros meios. Sempre foi uma pessoa determinada, um grande vendedor. Verdade que, às vezes, um tanto quanto soberbo. Não tinha concluído o então segundo grau, hoje ensino médio.
Mas sempre teve grande força de vontade. Carioca de nascimento, ribeirão-pretano de criação. Já tinha vendido vários produtos. Foi representante comercial de empresa de bebidas, de abatedouro de aves. Também já tinha morado no exterior, a trabalho. Porém alguns problemas pessoais o impediam de acertar a mão.
O curioso foi que ele nunca desanimou. Gradativamente foi evoluindo. Para complementar o orçamento, normalmente atuava como chefe de cozinha ou banqueteiro aos finais de semana. Sua fama espalhou-se e agenda ficava sempre repleta de trabalho. Com o prazer que sempre teve em cozinhar, de churrasco a feijoada, passando por suculenta bacalhoada, arrebatou uma verdadeira legião de fãs de seus temperos.
Quando possível, concluiu em curso supletivo o segundo grau e passou a nutrir o desejo de dar vôos maiores. Tentou por duas vezes a faculdade de jornalismo, em instituições particulares, mas o dinheiro curto, família para ajudar a manter, filhas para criar e o projeto acabou adiado. Apesar da idade já na casa dos quarenta, conseguiu uma bolsa no Pró-Uni e ingressou novamente na faculdade, desta feita em publicidade, curso que concluiu. Também conseguiu registro como jornalista.
Antenado, viu em sua cidade natal uma nova possibilidade: com a proximidade da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, passou a fazer cursos na área de culinária, pensando em se aventurar por lá. A chance é concreta, porém ele, que já havia se separado da esposa, tinha um grande obstáculo para fazer as malas e se mudar para o Rio de Janeiro: as filhas.
Conviveu com a dúvida até não ter mais jeito. No começo deste ano foi aprovado, aos 47 anos de idade, no vestibular para Direito com ênfase em Segurança Pública pela UFF (Universidade Federal Fluminense) . Uma prova de que nunca é tarde para recomeçar. E o mais importante foi o seu ingresso numa universidade pública, respeitada, estudando apenas de forma autodidata. Um grande exemplo de um grande batalhador e que será, certamente, um grande vencedor. Exatamente hoje ele está começando uma nova etapa de sua vida no Rio de Janeiro, mesmo tendo que conviver com a saudade das filhas e as visitas mais espaçadas. Parabéns, Israel!
Valeu Adal, deixou-me emocionado, muito obrigado pela homenagem. Continuarei tentando, espero um dia ser beneficiado pelos esforços e a determinação que faço e sinto e, ditas por você aqui. Obrigado mesmo amigão.
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