terça-feira, 13 de março de 2012

Parabéns, brasileiros! (isso é ironia)

Nunca nós, brasileiros, fomos tão privilegiados. Não bastasse nosso dinheiro ser empregado em estádios que se tornarão verdadeiros elefantes brancos ou que serão doados para clubes particulares após a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, a "farra do boi" continua, regada pelos cofres públicos, ou seja, novamente com nosso dinheiro.
É inconcebível ver o dinheiro do brasileiro, por exemplo, ser empregado na construção de estádios de clubes. Corinthianos com o mínimo de bom senso sabem disso e não aprovam a forma como vem sendo conduzida a obra do clube de maior torcida no estado, o segundo no Brasil. Mas, graças à politicagem, o time vai herdar um estádio feito sim, com verba pública, o que é um absurdo.
O que dizer então do Flamengo, que durante anos recebeu um farto patrocínio dos cofres da Petrobrás, uma empresa pública de economia mista? Pior ainda é ver a construção de megaestádios no Amazonas ou no Rio Grande do Norte que, a exemplo do ocorrido na África do Sul pós Copa 2010 e na China pós Olimpíada 2008, fatalmente vai ocorrer por aqui: elefantes brancos, estádios construídos sem perspectiva de uso na proporção como foram projetados.
Também é inconcebível ver o que fizeram no Rio de Janeiro, com o Engenhão - para não citar a homenagem feita por lá a alguém que levou o nome do estádio, João Havelange. Também conhecido a partir de 2010 por Stadium Rio, o Engenhão é tido como uma obra prima da engenharia contemporânea. Mas especialistas garantem que foi construído num local totalmente irregular, facilitando, por exemplo, o enfrentamento de torcidas uniformizadas rivais. Contudo, se é tão bom, então porque mexer e investir milhões no Maracanã? Pior foi ver que, ao cabo dos jogos Panamericanos do Rio, em 2007, o estádio construído com dinheiro público e suspeita de superfaturamento, foi entregue a um clube de futebol particular, o Botafogo.
Mas as benesses com o dinheiro público extrapolam as fronteiras futebolísticas e se instalam em outros esportes minoritariamente destinados à classe mais abastada: o automobilismo. Em informações publicadas pelo jornalista José Cruz, o Ministério do Esporte patrocina, entre outros tantos "projetos sociais", a escola de automobilismo do jornalista e narrador Galvão Bueno. São milhares, de reais destinados à escola que pretende formar talentos para ingressar no seleto mundo de pilotos de corrida e, quiçá, chegar à Fórmula-1 ou Fórmula Indy, consideradas a elite do automobilismo mundial.
Outro famoso também está listado pelo Ministério do Esporte, segundo o jornalista, para receber verba pública para alavancar uma carreira. Emerson Fittipaldi, bi-campeão mundial de Fórmula-1, vencedor das 500 milhas de Indianápolis - a corrida mais famosa do planeta -, deve receber mais de R$ 1 milhão para, através da Lei de Incentivo ao Esporte, com dinheiro já captado, financiar o início de carreira do neto de Emerson, o futuro piloto Pietro Fittipaldi, de apenas 15 anos, com vistas à Fórmula Nascar, categoria dos Estados Unidos em carros de passeio.
Nada contra Corinthians, Flamengo, Botafogo, Galvão Bueno ou Emerson Fittipaldi. Mas em todos esses casos, é justo investir dinheiro público? Ou usar poder de influência política para se obter objetivos? Esse dinheiro, uma vez de propriedade do Ministério do Esporte, seria muito melhor aplicado se investido em projetos que atuam em regiões carentes do País não só objetivando revelar campeões, mas sobretudo, tirar crianças das ruas e dar-lhes uma condição saudável de vida e perspectivas de futuro. Se o governo quiser, qualquer um dos leitores pode indicar ao menos um desses projetos. Como o União Marabá. Fica na Rua Pedro Álvares Cabral, 519, Jardim Vila Galvão, Guarulhos. Recado dado.

4 comentários:

  1. Um bonito trabalho feito com as crianças da região.Parabéns Eduardo Theodoro.
    Angelica

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  2. Verdade, Angelica anônima. O Eduardo faz um grande trabalho com o União Marabá e não tem verba pública para essa finalidade. Trabalha com crianças de baixo poder aquisitivo. Tem também aquelas que têm uma condição melhor e que frequentam. O foco é tirar a garotada da rua, dar noções de cidadania e encaminhá-las à prática esportiva. E, apesar de não ser o principal objetivo, já andou revelando talentos em peneiras não só na Grande São Paulo, mas em várias regiões, inclusive em Ribeirão Preto, no Olé Brasil, time que tem por objetivo descobrir talentos e exportá-los.

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  3. E a situação não se limita ao universo esportivo. É só pensar na Maria Bethânia, que conseguiu um patrocínio de 1 milhão em um blog. A lei Rouanet deveria incentivar os novos artistas, não quem não precisa, ainda mais pra fazer um blog, que é gratuito. Sinto como se tivesse sido pessoalmente roubada.
    Quanto aos esportes, se pelo menos incentivassem de verdade a prática do futebol no Amazonas... mas os times de lá continuarão pequenos e os estádios ficarão de enfeite. Uma pena...

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