quinta-feira, 8 de março de 2012

Qual a razão em comemorar o Dia Internacional da Mulher?

Roseni Pereira de Miranda estava cansada de apanhar do marido. "Após seis tentativas de separação, fui vítima de cinco balas disparadas por meu ex-marido. Carrego todas essas marcas e a cicatriz na alma", conta a mulher, vítima de tentativa de homicídio no estacionamento de uma faculdade em Brasília, o IESB (Instituto de Ensino Superior de Brasília). O crime ocorreu em 2005.
Também em Brasília, a professora Josiene Azevedo de Carvalho aceitou, em 2008, um convite para jantar com o ex-namorado, cabo do Corpo de Bombeiros. Eles foram a um restaurante mexicano e, durante o jantar, conversaram bastante. A ideia do cabo era retomar o relacionamento terminado alguns meses antes. Depois do jantar, os dois seguiram no carro do bombeiro. O homem encostou o veículo e voltou a insistir para que reatassem. Ao ouvir a negativa, ele apanhou um revólver e atirou na cabeça da jovem. Josiene morreu na hora.
Osmarina Rocha da Silva apanhou do marido por 12 anos e não aguentava essa situação. Até que a relação do casal chegou ao limite. "Uma mulher que apanha do marido só vai à delegacia quando ela está no seu limite, depois de sofrer muito", disse, ao narrar que, após ser queimada com ferro de passar roupa por se negar a ter relações sexuais com o marido, ela foi à delegacia dar queixa e a delegada perguntou-lhe se ela tinha testemunhas do fato. "Ora, eu estava ali queimada", afirmou. As agressões só pararam quando ela empunhou um facão e foi para cima do ex-companheiro.
Maria Islaine de Morais tinha 31 anos e trabalhava duro em seu salão de beleza. Ela cortava cabelo, atuava como manicure, limpava o salão e fazia de tudo para manter a vida difícil, principalmente após ter se separado do marido, há cerca de um ano. Já havia registrado oito boletins de ocorrência por agressão e ameaça. Havia, inclusive, pedido proteção policial. Mas em 2010, o País viu estarrecido o ex-marido filmado pelas câmeras de segurança do salão. Ele entrou gritando e empunhando uma arma, espantou funcionárias e clientes e, sem dó, disparou sete vezes contra Islaine. Ela morreu na hora e todos puderam ver o bárbaro crime cometido em Minas Gerais, mesmo em tempos de Lei Maria da Penha.
Talvez seja por isso que se comemore o Dia Internacional da Mulher. A data, aliás, foi escolhida a dedo. No dia 8 de março de 1857, quando ocorreu a primeira greve nos Estados Unidos conduzida somente por mulheres que reivindicavam jornada de 10 horas diárias, patrões exigiram dos policiais uma repressão severa ao movimento. Na fábrica de tecidos Cotton, em Nova Iorque, as mulheres foram trancadas e o prédio foi incendiado, matando 129 tecelãs carbonizadas. Assim como as tecelãs, Roseni, Josiane, Osmarina, Islaine e tantas outras são vitimizadas pela violência contra a mulher por homens que se consideram fortes, soberanos, superiores. Mas há também o outro lado.
Stephanie Decker, de 37 anos, teve suas duas pernas amputadas durante a passagem de um tornado, nos Estados Unidos, no dia 2 de março de 2012. Ela utilizou o corpo como escudo para salvar seus dois filhos, quando a casa onde estavam foi sugada pelo vórtice do tornado. As crianças foram salvas graças à coragem da mulher.
Aurilemir Soares Martins não tem tempo para o descanso, não teme o trabalho e faz o que pode para colocar comida no prato do filho que cria sem marido e sem a ajuda de ninguém. Ela toca um carrinho de lanches, atendendo a centenas de pedidos todos os dias. Para complementar a renda, ainda faz faxina e mantém a casa paroquial na região onde mora, na periferia de Ribeirão Preto. Em entrevista ao jornal A Cidade, ela é contundente: "faço tudo para o meu filho. Passei fome e trabalho muito para que ele nunca sinta isso, porque fome dói".
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na Macedônia em 1910 e, na Índia, começou a trabalhar com crianças carentes após tornar-se freira católica. Enfrentou resistência com adeptos de outras religiões, como budistas, muçulmanos e hindus, mas venceu as barreiras ideológicas e tornou-se referência. Seu trabalho atravessou fronteiras chegando, através da Congregação Missionárias da Caridade, a países como Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Sri Lanka|Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China, entre outros.Agnes era respeitada tanto pela Santa Sé, que rege a Igreja Católica, como por líderes religiosos e políticos de todos os cantos do planeta. Também foi conhecida por Madre Teresa de Calcutá.
São por exemplos como esse, também, que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Alguns homens ainda sentem-se superiores às mulheres, pois não precisam enfrentar problemas "simples", como a menstruação, cólicas ou dar à luz a um ser humano que carregam no ventre por cerca de nove meses. Por pensamentos ridículos é que se comemora o Dia Internacional da Mulher. É como diz uma frase atribuída a tantos autores que fica impossível indicar seu verdadeiro, mas que valha o teor: "A mulher nasceu da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas do coração para ser amada, do lado para ser um igual". Parabéns a todas as mulheres, em especial às mulheres da minha vida: Martha, Mariana, Anna Maria, Antonia, Angelica, Dagmar, Carla, Kelly, Maria Roque, Vitória, Laura e tantas outras. Parabéns, mulheres, pelo seu dia e que as histórias do início deste texto mudem!

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