Cinema, teatro e televisão tem exemplos em profusão de atores e atrizes que sofreram grandes mutações em seus próprios corpos para compor um determinado personagem. Um exemplo clássico é o de Robert de Niro, que para viver o pugilista Jake La Motta no clássico Touro Indomável, de 1980, passou por uma verdadeira transformação. No longa dirigido por Martin Scorcese, De Niro treinou boxe com o próprio La Motta, assimilando seu estilo e ainda engordou 25 quilos para viver o pugista já aposentado.
John Travolta é outro camaleão das telas. Fez diversos personagens e um deles, em especial, mostra sua versatilidade. Em Hairspray, de 2007, adaptação de uma grande peça da Broadway, Travolta interpreta Edna Turnblad, a mãe da protagonista do filme. Impagável em sua atuação, convincente pelo envolvimento no papel.
Assistindo à televisão dia desses, deparei com Cássia Kiss de volta às novelas globais, com uma nova personagem. Recentemente ela havia feito a sofrida mãe do antagonista em novela também global. Foi então que percebi a versatilidade dessa grande atriz brasileira. Ela é o que se pode de chamar um verdadeiro camaleão fêmea ou, contrariando o meio acadêmico e parafraseando Caetano Veloso, simplesmente "camaleoa".
O primeiro papel da atriz que me chamou a atenção foi na novela Roque Santeiro, clássico televisivo dos anos 1980. Ela interpretava Lulu, a oprimida esposa do Zé das Medalhas, interpretado pelo saudoso Armando Bógus. Ao pesquisar sobre sua vida, todavia, descobri que Cássia Kiss, hoje com 54 anos, começou nas telinhas em 1979, com uma pequena participação na novela Cara a Cara, da TV Bandeirantes.
Com o passar dos anos, Cássia Kiss amadureceu e fez de tudo um pouco na TV, enriquecendo a teledramaturgia com sua enorme versatilidade.
Fez mulheres humildes, sofridas, vilãs, sofisticadas, ingênuas, puras, devassas. Também sempre foi engajada em movimentos sociais. Cássia Kiss teve a coragem de aparecer desnuda na TV em horário nobre, ensinando às mulheres a importância do autoexame das mamas, na primeira grande campanha do governo federal para combater uma das maiores causas de mortalidade feminina no final do século passado.
Há poucos meses, Cássia era a sofrida Dulce Maria, na novela Morde e Assopra. Usava uma prótese dentária para compor seu personagem: mulher guerreira, honesta, digna e batalhadora. Ela era enganada por seu filho, que dizia ser estudante de medicina e tentava dar golpes na alta sociedade da pacata cidade onde moravam. Pois agora vejo novamente Cássia Kiss, agora vivendo a invejosa Melissa na novela Amor Eterno Amor, mais uma vilã para seu currículo.
Em tão pouco tempo, Cássia demonstra estar à vontade, saindo da pele de uma lutadora para viver uma mulher fútil e malvada. Particularmente não assisto à novela, mas fiquei feliz por ver que nela está Cássia Kiss, uma atriz que talvez não frequente, para muitos, o Olimpo dos atores e atrizes brasileiros mas que, a meu ver, tem seu lugar cativo tamanha sua capacidade interpretativa, sua versatilidade e seu talento.
Verdade.....
ResponderExcluirAdoro a Cássia, mulher forte de fibra e verdadeira.
Ela simplesmente se entrega de corpo e alma em seus papéis!
Adorei o comentario a respeito da atriz.
Parabéns