Trabalhar é, costumeiramente, uma atividade estressante. Envolve muitas particularidades, como salário ou rendimento, tarefas, perspectivas e uma série de fatores que faz com que haja um acirramento natural no dia-a-dia das pessoas. Algumas profissões ou carreiras, no entanto, têm um tempero a mais que garantem um quadro ainda mais árduo.
As carreiras que se envolvem com a morte já carregam uma condição maior de dificuldade. Por mais preparados que estejam tais profissionais, cada caso é um caso e nunca se trabalha com a total frieza que se espera, por exemplo, quando um auxiliar de necrópsia ou um médico legista atuam. Por mais que se tentem colocar de forma profissional, não é fácil apagar que aquele objeto em que estão trabalhando foi um dia um ser humano, com história, sentimentos e relacionamentos.
Quando a coisa envolve crianças, é ainda mais complicado. Certa vez, entrevistando vários auxiliares de necrópsia para uma matéria, todos foram unânimes em dizer que realizar os trabalhos em uma criança é sempre uma situação difícil. Um deles participou da apuração das causas que levaram um menino à morte e, graças aos exames, conclui-se que aquele pequeno corpo teria perdido a vida por conta das agressões sofridas de familiares.
Outra profissão estigmatizada e árdua é a de coletor de lixo. Correm o dia todo atrás do caminhão recolhendo os dejetos das casas. Muitas vezes pessoas irresponsavelmente despreocupadas causam-lhe acidentes, ao não acondicionar bem vidros e outros objetos cortantes.
Também difícil é a vida do carteiro. Além de ter que carregar muitos quilos em mochilas, caminha sob sol ou sob chuva, em alguns casos sendo mal recebido por moradores ou até por animais de estimação quando vão entregar correspondências.
Igual sorte - ou azar - têm os cortadores de cana-de-açúcar, carreira em vias de extinção. Nos áureos tempos, um bom cortador de cana fazia um bom salário, dependendo de sua capacidade de toneladas de corte diária. Mas fosse ele bom ou não cortador, os riscos eram sempre grandes. Trabalhar em um local enfestado de ratos e cobras, utilizando um podão, com riscos enormes de acidentes. Não são poucos os trabalhadores rurais com dedos decepados durante o trabalho realizado sob sol ou sob chuva.
Na área de saúde, trabalhar com pacientes terminais nunca é uma coisa fácil de se fazer. Médicos e enfermeiros se deparam com pessoas em situações extremas, no limite entre a vida e a morte. Muitas vezes acabam buscando forças não sabem onde para continuar trabalhando.
O grande problema de boa parte das carreiras que não atraem tanta gente, mas que acabam sendo opções para quem quer ganhar a vida honestamente é que, em determinadas carreiras, há um grande desrespeito por parte das pessoas. O chamado preconceito. Que desmotiva, desvaloriza o ser humano e torna ainda mais árdua a tarefa de trabalhar.
Melhor mesmo, nesses casos, é dar uma guinada, mudar os rumos da vida. Exatamente como fez um amigo meu, que era administrador de empresas em São Paulo. Trocou a vida maluca da grande metrópole por um pesqueiro, em Jundiaí. Hoje o Marcão é um cara zen, de bem com a vida. Trabalha bastante, é verdade, mas no seu Pesqueiro Lagoa dos Patos, o clima é muito diferente do que ele enfrentava em São Paulo.
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