É impressionante a capacidade das pessoas em encontrar as mais absurdas saídas para seus problemas, numa situação em que, momentaneamente, tudo ficará bem, mas no futuro a coisa poderá se complicar ainda mais. Nos últimos dias, a "criatividade" de alguns casos divulgados pela imprensa chegou até mesmo a surpreender.
Num dos casos, ocorrido em Curitiba, uma adolescente e algumas amigas foram internadas depois de provarem alguns bombons que receberam em casa. Ao investigar o caso, policiais descobriram que a autora do envenenamento foi a mulher contratada para organizar a festa de 15 anos da jovem.
Depois de identificada e indiciada, ela resolveu se "explicar". Disse que gastou todo o dinheiro recebido pela família da garota e, como estava endividada, não conseguiria honrar o compromisso. Mas não teve coragem de se retratar à família e deu a entender que tudo corria normalmente para a tão sonhada festa de debutante. Foi quando ela teve a ideia de fazer alguns brigadeiros, colocando veneno nos doces e enviou à garota. A mulher teria dito que a intenção era que a menina fosse internada após passar mal e que a festa fosse adiada tempo suficiente para que ela conseguisse dinheiro para honrar o compromisso. Quase matou sua cliente e acabou apontada pela autoria de um crime.
Outro caso surpreendente foi a de uma empresa especializada em organizar formaturas, na cidade de São Paulo. Cerca de 300 formandos tiveram uma desagradável surpresa na noite de 14 de abril. Alunos de 15 escolas da zona leste de São Paulo, eles chegaram a um salão de festas em Guarulhos, onde aconteceria o baile de formatura do grupo.
Chegando ao local, perceberam que não haveria festa alguma. A empresária que havia promovido e arrecadado o dinheiro para a formatura simplesmente tinha desaparecido e o salão estava fechado. Inconformados, os formandos foram em grupo para delegacias próximas às escolas onde estudavam e movimentaram os DPs (Distritos Policiais) de Guarulhos, São Miguel Paulista e Tatuapé.
Na última semana, a dona da empresa de formaturas disse que ela também era "vítima". Foi a um programa de televisão e justificou a situação dizendo que foi traída por parceiros comerciais em quem tanto confiou. Indagada sobre se ela pretendia executar judicialmente tais parceiros, ela disse que não o faria por não ter contrato. Também não declinou seus nomes, alegando que poderia ser processada pela situação.
Neste caso, restam dois caminhos: se a mulher estiver dizendo a verdade, é de uma imensa incompetência profissional. Se estiver mentindo, dificilmente vai conseguir escapar de punição, pois a estória que contou dificilmente convenceria uma inocente criancinha.
Outro caso que beira a comédia é o de um empresário de Mandaguaçu, no norte do Paraná. Dono de uma revenda de veículos usados, ele compareceu à delegacia da cidade com aproximadamente R$ 80 mil em dinheiro falso. Disse aos policiais civis que estava arrependido pela ideia que teve e executou. O homem, que alegou ter dívidas em torno de R$ 700 mil, contou que por desespero, foi ao Paraguai e comprou dinheiro falso que usaria para começar a saldar seus compromissos em atraso. Mas acabou arrependido e resolveu devolver o dinheiro ao delegado.
O problema é que o arrependimento pode, no máximo, ajudar numa redução de pena, não em sua extinção, afinal, o ato criminoso já foi cometido. Nos três casos, em comum saídas nada ortodoxas buscadas por pessoas que, em momentos de insanidade ou achando que o jeitinho resolveria a situação, se aventuraram em terrenos que não conhecem bem. Agora, possivelmente, terão bastante tempo para refletir sobre seus atos.
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