Os católicos costumam definir sua principal data comemorativa, a Páscoa, como a renovação da fé. Pela primeira vez como "católico", participei de todas as atividades do chamado tríduo de Páscoa. E deparei com dois exemplos de fé que simplesmente me deixaram surpreso com a força que essas pessoas se engajam, mesmo diante de tantas adversidades.
Confesso que quando perdi minha mãe, em 2001, com apenas 59 anos de vida, de uma forma abrupta, cheguei a ficar revoltado com Deus. Isso certamente aconteceu porque minha fé não era inabalável ou verdadeira. Mas os exemplos que vi recentemente me levaram a entender o que é esse tipo de fé.
Ele é comerciante e tinha uma vida tranquila. Participava, com a esposa, de várias pastorais da igreja. Uma delas era a pastoral do ECC (Encontro de Casais com Cristo). Participaram da equipe de canto quando fiz o encontro. Uma animação só. Um casal sempre ligado, unido e feliz.
Tempos atrás, foram vítimas de dois assaltos, praticamente consecutivos. Em ambos, tiveram a casa invadida pelos assaltantes. Em ambos os casos, sofreram com a atitude extremamente violenta dos criminosos. Isso fez com que ela tivesse problemas psiquiátricos. Entrou em depressão profunda e já há quase dois anos é praticamente um zumbi. Anda, olha, come, vive como se tudo fosse a mesma coisa. Não é possível distinguir qualquer emoção ou sentimento em seu rosto. Apenas o olhar totalmente absorto.
Mas ele não a deixa em nenhum momento. Faz o que pode e o que não pode para cuidar dela. Afinal, são para mais de 30 anos de casados.
E mesmo enfrentando tamanha tragédia pessoal, ele não deixou abalar sua fé. Continua participando da igreja. Talvez não mais em tantas pastorais quanto antes, mas ainda sim, segue engajado. Aos domingos participa da equipe de canto de uma das missas e, quase sempre, é quem entoa o salmo. Diz que a vida não é fácil, mas aceita e continua firme em sua fé.
Ela tem o que para muitos é considerada a família ideal. Casada com um advogado renomado, foi mãe duas vezes. Dois varões, que seguiram os passos jurídicos do pai e foram além. Um é promotor e outro um renomado juiz. Há cerca de quatro anos, ela que é catequista há mais de uma década, enfrentou um câncer no seio. Fez a mastectomia e, a princípio, tudo corria bem. Eliminou o tumor na mama e lutava para não haver recidiva. Voltou a dar aula na catequese e seguiu participando de outras atividades na comunidade religiosa.
Mas seu temor se confirmou há cerca de um mês, quando descobriu que houve recidiva, desta vez na outra mama.
Vai fazer nova mastectomia e, novamente, sem a certeza de que vai eliminar o tumor. Tudo isso é um processo muito lento, sofrível para a pessoa e para a família. Mas não se abalou como muitos e seguiu firme em sua fé. Durante as solenidades da Semana Santa, numa das missas, no momento das intenções do ofertório, pegou o microfone e fez sua prece pessoal. Primeiro agradeceu à família que tem e aos cuidados deles a ela dispensados. Depois agradeceu a comunidade. Mas agradeceu sobretudo a Deus por dar-lhe força interior para lutar nesse momento tão duro. E pediu para que orassem por ela nesse instante delicado em que se encontra. Fará a mastectomia amanhã. E não sentiu abalar sua fé. Ao contrário. Continua firme em suas orações. Esses são apenas dois entre tantos exemplos da força na fé.
Lindos relatos de fé amigo Adal!!!! Com a fé inabalável nunca duvidamos de Deus e do caminho que Ele traçou em nossas vidas!!!! Minha fé me mantém viva e com esperança no futuro!!! Ana
ResponderExcluirAna, como já lhe disse, você é um capítulo à parte, que será devidamente abordado em nosso blog, com todo carinho que merece, diante da força e do brilho de seu gesto!
ResponderExcluirParabéns por este texto, que de maneira sutil nos mostra o que de mais forte existe num ser humano... a Fé em Deus, que nos fortalece nas angústias e sofrimentos.
ResponderExcluirMartha