segunda-feira, 23 de abril de 2012

Férias frustradas e inesquecíveis

Florianópolis sempre foi uma cidade fácil de se conseguir alugar um imóvel. Fui para lá várias vezes e nunca tive dificuldade para me instalar. A linda ilha, capital da bela Santa Catarina é um daqueles lugares acolhedores que existem Brasil afora.
Era a passagem de ano de 2002 para 2003. Passamos o Natal em São Paulo e seguimos para Floripa, com escala em Curitiba. Ah, a capital paranaense. Cidade excelente para se visitar. Programamos apenas dois dias em Curitiba, suficientes para realizar o passeio de trem entre Curitiba e Paranaguá e para rever o bairro Santa Felicidade, com sua gastronomia maravilhosa.
Fizemos o passeio juntos com o músico Nando Reis e sua então adolescente filha Sofia - hoje integrando a equipe de apresentadores do A Liga, na Band. Descemos em Morretes, uma cidade antes do destino final, para apreciar o famoso prato local, o barreado.
Voltamos para Curitiba e o hotel estava muito acolhedor. À noite fomos ao Santa Felicidade, fizemos alguns passeios e, quando retornamos, o porteiro disse que poderíamos ficar mais, pois uma reserva havia sido cancelada. Ficamos.
Quando entramos na estrada rumo a Floripa, um trânsito imenso. Parecia que estava na Imigrantes, descendo a serra num feriado prolongado. Comecei a ficar preocupado quando, em Joinville, não conseguimos parar num posto à beira da estrada para almoçar. Havia fila de carros até no acostamento. Seguimos até a cidade e almoçamos em Joinville, num pequeno shopping, bem no centro.
Resolvi perguntar e o dono de uma das lanchonetes da praça de alimentação disse que os argentinos haviam se recuperado da grave crise que assolou o país na virada do século e estavam invadindo as praias catarinenses. Seguimos viagem e resolvi parar em Camboriú. Um rápido passeio pelo local e percebemos que não havia nada disponível para locação. De volta à estrada, rumo a Floripa. Lá chegando, fomos direto à praia de Canasvieiras. Roda aqui, roda ali, pergunta para um, pergunta para outro. Nada disponível para locação. Seguimos para a praia dos Ingleses e até vimos alguma coisa, muito distante. Então decidimos procurar hotel.
Ligamos para vários e nenhum disponível. Começou a bater o desespero. Estávamos eu, minha esposa e meus dois filhos, na época crianças.
Paramos num shopping, próximo ao centro e à ponte Hercílio Luz, principal cartão postal da cidade. Já estava disposto a dormir no carro, no estacionamento do shopping, quando alguém na praça de alimentação me indicou um hotel simples, desses para vendedores, na área continental de Florianópolis. Atravessamos a ponte e voltamos ao continente rumo ao tal hotel. Chegamos e pegamos o último quarto. Nos alojamos e no dia seguinte deixei a família lá para tentar achar algum imóvel. Percorri novamente Ingleses e nem os que havia no dia anterior estavam disponíveis no dia seguinte. Fui para a Barra da Lagoa, um bairro de pescadores e não havia nenhuma cama sequer. Fui para a Lagoa da Conceição, Joaquina, nada.
Voltei para o hotel, conversamos e resolvemos tentar mais um dia no local, só para levar as crianças à praia. Já era 29 de dezembro de 2002, quase réveillon. Liguei para um agente de viagens de Ribeirão Preto, que costuma ter flats para alugar no Guarujá. Tinha um único. Ele me garantiu que tinha ar condicionado em todos os cômodos e acabei fechando. Mais tranquilos, fomos à praia. A essa altura, tinha uma família no estacionamento do hotel esperando nossa saída, o que só ocorreria dia seguinte. Eles dormiram aquela noite no carro. Fomos à praia, descansamos e, no dia 30, seguimos de Floripa rumo ao Guarujá.
Quando chegamos no Guarujá, por volta de 23h30, a criançada reclamava de fome. No elevador, deparamos com um entregador de pizza, que ia entregar encomenda para um cliente. Tentei negociar, pagando o triplo da pizza, mas ele foi íntegro e não teve conversa. Tivemos que encomendar e esperar mais de uma hora.
Isso, porém, não foi nada. Chegando ao apartamento, os três aparelhos de ar condicionado não funcionavam. A roupa de cama estava suja e com pelos púbicos. O banheiro não estava em condições de uso e a geladeira com alguma coisa estragada. Passamos uma noite "memorável". Decidimos pela manhã, regressar a Ribeirão Preto. Perto de Jundiaí, paramos num posto de abastecimento para comer alguma coisa e descansar. Meu filho foi passar por trás de um balanço no playground e um menino acertou-o. Machucou a boca. Depois de estancar o sangue, vimos que o problema felizmente não era tão grave e resolvemos seguir viagem.
Chegamos em Ribeirão Preto, deixei a família e corri para comprar algo para a ceia. Cheguei aos mercados e todos fechados. Fui ao 24 horas e ele estava fechando. Entrei correndo e comprei a única coisa disponível: frango defumado. Uma champanhe de segunda para celebrar e pronto. Feliz 2003. Curiosamente, mesmo depois de tudo o que passamos, meus filhos costumam dizer que aquele foi um dos réveillons mais divertidos que já passaram.

2 comentários:

  1. Você esqueceu de um detalhe: O réveillon do resto da família, que seria em Bertioga, também deu errado, e eles decidiram umas horas antes que viriam pra Ribeirão passar conosco. A virada de ano foi um rolo: gente tomando banho, gente na estrada e as crianças jogando video game.

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