Quem em sã consciência poderia esquecer sua primeira vez? A minha primeira vez aconteceu quando tinha 11 anos. Foi meu pai quem me levou àquela casa maravilhosa, luxuosa, suntuosa, em um dos bairros mais nobres de São Paulo. Era um domingo e fomos de ônibus. Morávamos no Jaçanã e apanhamos o circular Jardim Brasil-Hospital das Clínicas.
Descemos na Avenida Consolação e andamos algumas quadras até chegar. Quando entramos, fiquei maravilhado com o que vi. Foi uma verdadeira aventura a minha primeira vez num estádio de futebol. Meu pai, corintiano, atendeu aos meus apelos e me levou para assistir a primeira partida, ao vivo, do meu São Paulo. O jogo foi no Pacaembu, partida contra o Juventus, clube querido por todos os paulistanos e que tem o incômodo apelido de "Moleque Travesso", por aprontar justamente sobre os grandes clubes da cidade. Era o dia 15 de dezembro de 1974 e o São Paulo ganhou por 2 a 1, num jogo inesquecível.
Já a minha primeira vez no Morumbi foi um ano e pouco depois. Foi ainda mais mágico. Era um torneio amistoso envolvendo São Paulo, Corinthians, Flamengo e Internacional, realizado nos dias 30 de janeiro e 01 de fevereiro de 1976. Foi igualmente mágico. Fiquei ainda mais espantado, pela imensidão do Morumbi, em relação ao que já achava gigantesco Pacaembu.
Choveu torrencialmente, mas não o suficiente para impedir minha vibração com a vitória do São Paulo sobre o Flamengo, nos pênaltis, após empate no tempo regulamentar. O Corinthians perdeu para o Internacional e o São Paulo sagrou-se campeão no dia seguinte, vencendo por 1 a 0 o time de Porto Alegre, mas isso só acompanhei pelo rádio.
Para quem gosta de futebol, a primeira vez num estádio é algo para se recordar vida afora. E senti que foi assim com minha esposa, quando ela conheceu o Morumbi pela primeira vez. Foi em 1986, nas semifinais do Brasileiro - que terminou somente em 1987 com o título do São Paulo. A partida foi contra o Fluminense e ficamos até os 40 do segundo tempo. Fomos de ônibus e a jornada de volta era longa. Quando saímos, estava 1 a 1. Na subida da Padre Lebret, ouvimos a torcida comemorar os outros dois gols, selando o placar em 3 a 1. Pelo menos tomamos o ônibus e viajamos sentados na volta.
Minha filha estreou em Ribeirão Preto. Era o jogo entre São Paulo e Santos, em 1997, pelo campeonato paulista. Quando entramos pelo setor da imprensa, no estádio Santa Cruz, do Botafogo, percebi que era como se ela estivesse entrando em um brinquedo de parque de diversões dos mais esperados. Ao ter visão do gramado, seus olhos cintilaram de alegria. Ela lembra desses momentos até hoje.
No Morumbi, ela estreou se não me engano em 2000, quando o São Paulo venceu o América (RN) por 3 a 2, pela Copa do Brasil.
Já meu filho foi um caso à parte. Ele sempre gostou de futebol e, mal influenciado pela avó, com apenas dois anos de vida, assistindo a um jogo entre São Paulo x Criciúma, em Ribeirão Preto, começou a entoar "timão, timão" no meio da torcida Tricolor. Mas o garoto manteve-se firme no propósito e é são-paulino apaixonado.
No Morumbi, estreou pela Libertadores de 2006, na partida contra o Estudiantes, da Argentina. Quando chegamos à entrada do setor onde iríamos assistir o jogo, havia uma vidraça de onde era possível avistar o gramado. O moleque grudou naquela vidraça, como que enfeitiçado, balbuciando: "estou no Morumbi, estou no Morumbi". Sorveu cada segundo daquela finita emoção. Já nas cadeiras, devidamente instalado, não parou um instante sequer de torcer. Não tem nada que se traduza em preço ver uma criança assistindo no estádio uma partida de futebol pela primeira vez na vida.
Eu sou apaixonado por futebol e minha esposa costuma dizer que faço como num comercial de TV, onde o casal viajava e o marido colecionava visitas a estádios. Já fui ao Centenário de Montevidéu, ao La Bombonera em Buenos Aires, a estádios em diversas cidades brasileiras, como a Vila Belmiro. Mas no Maracanã vivi outra emoção indescritível. Não assisti nenhuma partida num dos mais emblemáticos estádios do Planeta. Mas tive a primeira vez em outra de minhas paixões: a música. Assisti o primeiro show de Paul McCartney no Brasil, o Paul in Rio. Simplesmente sublime e inesquecível a mistura de música e futebol naquela noite mágica. Mas confesse, você bem que pensou que o texto referia-se a outra primeira vez, não é?
Eu bem que imaginava que não seria sobre "aquela" primeira vez... Kkkkkkkkkkkkkkkk!
ResponderExcluirPAUL MC.CARTNEY!!!
BEATLES!!!
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O show do Paul também não deve ter sido nada mau, hein? rsrsr
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