É cada dia maior o número de casais vivendo em união estável que se separam. E com isso, aumenta a possibilidade de casais bem próximos tomarem a mesma decisão. Um divórcio ou uma simples separação envolve muita coisa, principalmente os filhos e os bens do casal. Em alguns casos, a disputa beira a guerra.
Constantemente temos notícias de que um dos conjuges, em atitude extrema, some com os filhos. Uma guerra que nos deixa entre o drama e a comédia.
Foi o que aconteceu num bairro onde morei há mais de 10 anos. Havia um casal bem ao lado de minha casa. Eles pareciam que se davam muito bem. Nunca desconfiei que tivessem algum problema. Até que um dia o marido chegou em casa, depois de um dia de trabalho e encontrou tudo vazio. Percebeu que a mulher havia ido embora, levado tudo, inclusive os filhos. Mas antes de partir, ela ainda deixou recado pelas vizinhas, dizendo que não a procurasse, pois ele sabia que não era o pai biológico das crianças. Esse estava preso e, quando ganhou liberdade, a mulher se juntou a ele e deixou o ex-companheiro.
O homem ficou indignado, afinal, garantia ter sido ele quem comprou os móveis. Mas acabou sumindo do bairro, por conta da vergonha que alegava estar passando. Também deixou o trabalho e mudou de cidade. A última vez que soube dele estava morando no nordeste. Coincidentemente, a ex-mulher e os filhos - não se sabe de quem - também estavam por lá, mas em outro estado.
O problema é que as separações aumentam e chegam a nosso círculo de pessoas que consideramos realmente amigas. Aí nos vemos como os filhos do casal. Uma coisa inimaginável. E vem a fatídica questão da partilha: quem vai ficar com os amigos?
Em casa, procuramos manter a amizade com os dois lados, por mais difícil que isso possa ser. Afinal, são pessoas com as quais criamos laços estreitos de amizade, carinho, admiração. Mas dos três casais que conhecemos, apenas um ainda tem sido possível manter esse vínculo.
E a cada encontro com os dois, seja em festa, seja em velório, vem aquela dor da saudade. Há sempre a esperança de que tudo pode mudar, de que a partilha não seja feita e tudo seja unido novamente. Os filhos sofrem, a família sofrem. Mas será que alguém parou para pensar que os amigos também sofrem?
É inevitável a lembrança de almoços dominicais dos bons tempos. Todos alegres à mesa. Ou num descontraído bate-papo em volta da churrasqueira. Isso sem falar nas saídas aos sábados, nas pizzarias, nos botecos.
As lembranças também surgem quando lembramos das viagens. Quantos lugares visitamos juntos. E olha que alguns não eram nem tão bons, mas a companhia ajudava a melhorar o passeio. Muitas risadas, algumas lágrimas. Agora um de cada lado. Tentando juntar os cacos. Longe de querer julgar este ou aquele. Entre quatro paredes, todos têm suas razões em um relacionamento. Mas ficamos sempre pisando em ovos, tentando manter o clima entre os dois e entre os demais amigos. É como os filhos pensam - pelo menos a maioria: pai e mãe não poderiam se separar. Pois amigos íntimos também não.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Entrei de gaiato no navio - Parte 2
Finalmente chega o momento tão esperado de embarcar no navio para o sonhado cruzeiro marítimo. Para quem embarca em Santos, o Terminal de Concais é muito bem construído, mas diante do grande movimento de navios na temporada de cruzeiros - que vai de novembro a março -, sempre é bom tomar alguns cuidados para não ser surpreendido com grandes demoras.
Há estacionamento no próprio porto. Mas também há vários estacionamentos que podem ser acessados pela internet, que oferecem transporte até o terminal, evitando desta forma a ação de manobristas, para quem não gosta, como no meu caso.
O embarque obedece alguns critérios. O mais básico é que idosos, gestantes e famílias com crianças de colo têm prioridade. Os demais seguem a ordem de chegada. Ao chegar em Concais, vá direto até a área de embarque de seu navio, que é bem sinalizada. Entre na fila com toda a documentação. Vale lembrar que identidades profissionais, como carteira de advogado, médico, militar ou jornalista, por exemplo, não são aceitas. Apenas RG ou passaporte válido. O RG deve ter menos de 10 anos da data de expedição. Documentos dos filhos também devem estar todos organizados, para evitar dissabores.
Ao apresentar os documentos, os passageiros recebem uma senha e devem aguardar, no saguão de pré-embarque, a chamada de sua senha, que pode demorar algumas horas. São grupos de senha para cada navio que, de tempos em tempos, são anunciados. Vale lembrar que os preços de alimentos e bebidas são muito caros no terminal e não há outras opções se você não for preparado para a espera. Quando chegar sua vez, basta dirigir-se à alfândega, apresentar documentos, entrar no ônibus e seguir até o navio.
Os ônibus evitam que as pessoas circulem perigosamente pelos cais do porto e deixam o grupo de turistas na porta do navio, onde são recepcionados pelo fotógrafo de bordo. As fotos custam entre US$ 15 e US$ 20 e você terá muitas para comprar, se optar. A entrada no navio é feita pelo andar mais baixo e há recepcionistas que vão encaminhá-lo ao andar (ou deque) onde está sua cabine. A mala, que é despachada antes, será colocada na porta da cabine até a saída do navio.
Já a bordo, pode começar a aproveitar. Os bares já estarão servindo bebidas e canapés a todo vapor. Se o seu cruzeiro tem inclusão total, até das bebidas, basta relaxar. No andar mais alto, a piscina, restaurante e a vista deslumbrante. Pouco antes do navio zarpar, todos os passageiros são chamados às suas cabines e apanham boias e equipamentos de salvamento, dirigindo-se para o setor designado pela tripulação para receber orientação.
A saída é sempre festiva, com direito a queima de fogos no final do canal do porto. Os passeios para o sul, rumo a Buenos Aires e Montevidéu, são mais turbulentos, que os do nordeste, mas nada que seja preocupante. Poucos são os que se enjoam nos navios. Para evitar enjoos, o melhor é comer pouco e beber com moderação. Fazer refeições a cada três ou quatro horas, moderadamente, ajuda. Os andares mais altos balançam mais do que os mais baixos. E as cabines internas quase não balançam, mas não têm vista alguma.
A piscina do navio usa água do mar que é trocada e limpa toda noite. Isso impede que se fique submerso muito tempo, pois o sal sempre empurra a pessoa para a superfície. No navio, não faltam atrações para todos os gostos. Há bingos, aulas de ginástica, shows variados, gincanas, além dos clubes para crianças e adolescentes.
No período da noite, o cassino passa a funcionar - se o navio não estiver aportado ou ancorado. Também há espetáculos teatrais todas as noites e, numa delas, é o próprio turista quem se apresenta. Tem ainda a noite do comandante, onde os passageiros, normalmente com trajes sociais, são recebidos pelo comandante da embarcação.
Mas este é o único momento onde normalmente se vê alguém de terno. No mais, roupas confortáveis são sempre a melhor sugestão. Nas paradas, a equipe de recreação oferece passeios a pontos turísticos, que geralmente são mais caros do que os oferecidos no porto. Cabe ao passageiro escolher o que prefere. A ordem de desembarque é sempre a mesma: a prioridade é dos passageiros instalados nos andares mais alto, descendo até chegar ao deque mais baixo. Isso também ocorre no desembarque do navio, no porto de chegada.
Um passeio inesquecível que deve ser feito por todos, na medida do possível. O cruzeiro marítimo já deixou de ser um luxo para poucos e tornou-se acessível. A cada ano que passa, mais navios integram a temporada brasileira de cruzeiros. Escolha seu melhor roteiro e boa viagem. E não percam a última parte desta trilogia.
Há estacionamento no próprio porto. Mas também há vários estacionamentos que podem ser acessados pela internet, que oferecem transporte até o terminal, evitando desta forma a ação de manobristas, para quem não gosta, como no meu caso.
O embarque obedece alguns critérios. O mais básico é que idosos, gestantes e famílias com crianças de colo têm prioridade. Os demais seguem a ordem de chegada. Ao chegar em Concais, vá direto até a área de embarque de seu navio, que é bem sinalizada. Entre na fila com toda a documentação. Vale lembrar que identidades profissionais, como carteira de advogado, médico, militar ou jornalista, por exemplo, não são aceitas. Apenas RG ou passaporte válido. O RG deve ter menos de 10 anos da data de expedição. Documentos dos filhos também devem estar todos organizados, para evitar dissabores.
Ao apresentar os documentos, os passageiros recebem uma senha e devem aguardar, no saguão de pré-embarque, a chamada de sua senha, que pode demorar algumas horas. São grupos de senha para cada navio que, de tempos em tempos, são anunciados. Vale lembrar que os preços de alimentos e bebidas são muito caros no terminal e não há outras opções se você não for preparado para a espera. Quando chegar sua vez, basta dirigir-se à alfândega, apresentar documentos, entrar no ônibus e seguir até o navio.
Os ônibus evitam que as pessoas circulem perigosamente pelos cais do porto e deixam o grupo de turistas na porta do navio, onde são recepcionados pelo fotógrafo de bordo. As fotos custam entre US$ 15 e US$ 20 e você terá muitas para comprar, se optar. A entrada no navio é feita pelo andar mais baixo e há recepcionistas que vão encaminhá-lo ao andar (ou deque) onde está sua cabine. A mala, que é despachada antes, será colocada na porta da cabine até a saída do navio.
Já a bordo, pode começar a aproveitar. Os bares já estarão servindo bebidas e canapés a todo vapor. Se o seu cruzeiro tem inclusão total, até das bebidas, basta relaxar. No andar mais alto, a piscina, restaurante e a vista deslumbrante. Pouco antes do navio zarpar, todos os passageiros são chamados às suas cabines e apanham boias e equipamentos de salvamento, dirigindo-se para o setor designado pela tripulação para receber orientação.
A saída é sempre festiva, com direito a queima de fogos no final do canal do porto. Os passeios para o sul, rumo a Buenos Aires e Montevidéu, são mais turbulentos, que os do nordeste, mas nada que seja preocupante. Poucos são os que se enjoam nos navios. Para evitar enjoos, o melhor é comer pouco e beber com moderação. Fazer refeições a cada três ou quatro horas, moderadamente, ajuda. Os andares mais altos balançam mais do que os mais baixos. E as cabines internas quase não balançam, mas não têm vista alguma.
A piscina do navio usa água do mar que é trocada e limpa toda noite. Isso impede que se fique submerso muito tempo, pois o sal sempre empurra a pessoa para a superfície. No navio, não faltam atrações para todos os gostos. Há bingos, aulas de ginástica, shows variados, gincanas, além dos clubes para crianças e adolescentes.
No período da noite, o cassino passa a funcionar - se o navio não estiver aportado ou ancorado. Também há espetáculos teatrais todas as noites e, numa delas, é o próprio turista quem se apresenta. Tem ainda a noite do comandante, onde os passageiros, normalmente com trajes sociais, são recebidos pelo comandante da embarcação.
Mas este é o único momento onde normalmente se vê alguém de terno. No mais, roupas confortáveis são sempre a melhor sugestão. Nas paradas, a equipe de recreação oferece passeios a pontos turísticos, que geralmente são mais caros do que os oferecidos no porto. Cabe ao passageiro escolher o que prefere. A ordem de desembarque é sempre a mesma: a prioridade é dos passageiros instalados nos andares mais alto, descendo até chegar ao deque mais baixo. Isso também ocorre no desembarque do navio, no porto de chegada.
Um passeio inesquecível que deve ser feito por todos, na medida do possível. O cruzeiro marítimo já deixou de ser um luxo para poucos e tornou-se acessível. A cada ano que passa, mais navios integram a temporada brasileira de cruzeiros. Escolha seu melhor roteiro e boa viagem. E não percam a última parte desta trilogia.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Mulheres Vermelhas
No último final de semana estive no Teatro Ribcena, em Ribeirão Preto, para assistir à peça Mulheres Vermelhas, dirigida por Gilson Filho. Apesar de já conhecer o brilhante trabalho realizado pelo grupo Ribeirão Em Cena, confesso que me surpreendi com a qualidade do texto encenado e com todos os detalhes apresentados durante o espetáculo.
Mulheres Vermelhas é uma obra que conta a história de coragem e determinação daquelas que ousaram enfrentar, no Brasil, as ditaduras do Governo Vargas e do governo militar. O primeiro iniciado em meados de 1930 e que durou até a II Guerra Mundial e o segundo que se instalou no Brasil nos chamados "Anos de Chumbo", entre 1964 e 1985.
A peça foi inspirada em diversas obras que abordaram dos dois períodos cíclicos na história brasileira, como Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf de Carvalho; A resistência da mulher à Ditadura Militar no Brasil, de Ana Maria Collins; Olga, de Fernando Morais; Luta: substantivo feminino, da Secretaria Especial de Direitos Humanos; "Batismo de Sangue”, de Frei Betto; e 1968 O ano que não terminou de Zuenir Ventura.
Mas também valoriza a história das mulheres de Ribeirão Preto que, durante a ditadura militar, foram violentamente torturadas e, prisões por agentes que demonstravam sadismo, impiedade e total falta de respeito para com o ser humano.
Entre tantas histórias de mulheres que sofreram e até morreram pelas mãos dos agentes das ditaduras, duas se destacam: a da mulher de Luiz Carlos Prestes, a alemã judia Olga Benário Prestes e a da estilista de moda Zuzu Angel.
Olga era militante comunista e veio para o Brasil lutar ao lado do marido, Luiz Carlos Prestes, considerado um dos maiores inimigos do getulismo, que se instalara no Brasil. Perseguida, foi presa e torturada. Mesmo grávida, foi enviada para a Alemanha nazista, onde morreu em um campo de concentração, executada numa câmera de gás.
Zuzu havia sido casada com um norte-americano com quem teve um filho, Stuart Angel. Ele e sua esposa se engajaram na luta contra a ditadura e os dois acabaram mortos. A mulher numa unidade do exército, em 1973. Stuart em 1971, numa base da marinha. A estilista, então, passou a denunciar a tortura e as execuções praticadas pelos militares e exigia o corpo de seu filho para que pudesse sepultá-lo com dignidade. Um "acidente" de trânsito acabou matando-a sem conseguir enterrar o corpo de seu filho.
A história conta ainda a saga das ribeirão-pretanas Aurea Moretti, Maria Aparecida dos Santos e de Madre Maurina Borges. Todas foram barbaramente torturadas nos porões da ditadura. Tema forte, com interpretações excelente, direção impecável, trilha sonora sob medida, iluminação que impressiona. Tudo muito bem apresentado num teatro perfeito para o espetáculo. Gilson Filho e sua equipe estão de parabéns pela qualidade.
O Ribeirão Em Cena é um instituto cultural criado em 2001 com o objetivo de promover o ensino e a difusão do teatro, proporcionando inclusão sociocultural e educacional. Já revelou grandes talentos para o palco e mantém uma produção teatral em alto nível. O Teatro Ribcena fica na Rua Lafaiete, 1084, em Ribeirão Preto. A atual temporada foi iniciada em 11 de maio de 2012 e o grupo deve percorrer várias cidades, como Curitiba, Londrina, Maringá, São Paulo, Recife, Pinhal, Votuporanga, Catanduva, Sertãozinho, Batatais e São Simão.
A agenda pode ser acionada através do site www.ribeiraoemcena.org.br
Mulheres Vermelhas é uma obra que conta a história de coragem e determinação daquelas que ousaram enfrentar, no Brasil, as ditaduras do Governo Vargas e do governo militar. O primeiro iniciado em meados de 1930 e que durou até a II Guerra Mundial e o segundo que se instalou no Brasil nos chamados "Anos de Chumbo", entre 1964 e 1985.
A peça foi inspirada em diversas obras que abordaram dos dois períodos cíclicos na história brasileira, como Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf de Carvalho; A resistência da mulher à Ditadura Militar no Brasil, de Ana Maria Collins; Olga, de Fernando Morais; Luta: substantivo feminino, da Secretaria Especial de Direitos Humanos; "Batismo de Sangue”, de Frei Betto; e 1968 O ano que não terminou de Zuenir Ventura.
Mas também valoriza a história das mulheres de Ribeirão Preto que, durante a ditadura militar, foram violentamente torturadas e, prisões por agentes que demonstravam sadismo, impiedade e total falta de respeito para com o ser humano.
Entre tantas histórias de mulheres que sofreram e até morreram pelas mãos dos agentes das ditaduras, duas se destacam: a da mulher de Luiz Carlos Prestes, a alemã judia Olga Benário Prestes e a da estilista de moda Zuzu Angel.
Olga era militante comunista e veio para o Brasil lutar ao lado do marido, Luiz Carlos Prestes, considerado um dos maiores inimigos do getulismo, que se instalara no Brasil. Perseguida, foi presa e torturada. Mesmo grávida, foi enviada para a Alemanha nazista, onde morreu em um campo de concentração, executada numa câmera de gás.
Zuzu havia sido casada com um norte-americano com quem teve um filho, Stuart Angel. Ele e sua esposa se engajaram na luta contra a ditadura e os dois acabaram mortos. A mulher numa unidade do exército, em 1973. Stuart em 1971, numa base da marinha. A estilista, então, passou a denunciar a tortura e as execuções praticadas pelos militares e exigia o corpo de seu filho para que pudesse sepultá-lo com dignidade. Um "acidente" de trânsito acabou matando-a sem conseguir enterrar o corpo de seu filho.
A história conta ainda a saga das ribeirão-pretanas Aurea Moretti, Maria Aparecida dos Santos e de Madre Maurina Borges. Todas foram barbaramente torturadas nos porões da ditadura. Tema forte, com interpretações excelente, direção impecável, trilha sonora sob medida, iluminação que impressiona. Tudo muito bem apresentado num teatro perfeito para o espetáculo. Gilson Filho e sua equipe estão de parabéns pela qualidade.
O Ribeirão Em Cena é um instituto cultural criado em 2001 com o objetivo de promover o ensino e a difusão do teatro, proporcionando inclusão sociocultural e educacional. Já revelou grandes talentos para o palco e mantém uma produção teatral em alto nível. O Teatro Ribcena fica na Rua Lafaiete, 1084, em Ribeirão Preto. A atual temporada foi iniciada em 11 de maio de 2012 e o grupo deve percorrer várias cidades, como Curitiba, Londrina, Maringá, São Paulo, Recife, Pinhal, Votuporanga, Catanduva, Sertãozinho, Batatais e São Simão.
A agenda pode ser acionada através do site www.ribeiraoemcena.org.br
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Entrei de gaiato no navio - Parte 1
Quando se fala em cruzeiro marítimo, muitos imaginam um mundo de extremo glamour, luxo excessivo e trajes elegantes o tempo todo. Isso pode até continuar ocorrendo em outras paragens, como na Europa por exemplo, em determinados tipos de cruzeiro. Mas no Brasil, o cruzeiro marítimo já caiu no gosto - e no bolso - popular e tem feito, a cada ano, cada vez mais sucesso.
Com preços bastante convidativos, é possível fazer uma viagem dos sonhos pelo nosso Oceano Atlântico sem desembolsar muito, pagando em módicas prestações. Mas para isso, é preciso planejar com bastante antecedência. O primeiro - e mais importante passo - é a compra. Para se conseguir bons preços, o ideal é comprar o pacote tão logo seja lançado pela operadora. Geralmente isso ocorre quando os navios que singram a costa brasileira entre novembro e março, começam a nos deixar rumo à Europa, em abril.
Até junho, os preços são mais atraentes, principalmente para quem compra nos andares mais baixos. Os andares, ou deques, tem pouca diferença nas acomodações, exceção àqueles mais altos, com as suítes com varanda.
O que difere na maioria dos casos são as cabines com vista interna, vista obstruída e vista externa. E quanto mais alto o andar, mais caro. Mas é como se fosse a venda de passagens aéreas. As companhias de aviação destinam uma cota com preços atraentes para um número reduzido de assentos e, quanto mais próximo do voo, mais caras ficam as passagens. No navio é a mesma coisa.
A cabine é bem apertada, mas tem camas - algumas embutidas na parede -, armários, banheiro privativo com direito a chuveiro e secador de cabelo e até um aparelho de tv. A cabine interna fica na parte central da embarcação. A com vista obstruída fica no deque onde estão os botes salva-vidas. Já as cabines externas têm vista para o mar.
Quanto mais alto os andares, maiores as comodidades. Os restaurantes geralmente ficam nos terceiro e quarto deques. O cassino fica acima do sétimo andar. Há teatro, bares, lojas, academias de ginástica, centros de beleza, até elevadores que levam os passageiros aos andares desejados. No deque mais alto está a piscina e o restaurante popular. Vários bares estão dispostos nos diversos deques, sempre proporcionando comodidade ao passageiro.
No cruzeiro, são servidas cinco refeições por dia, mas durante as 24 horas há opções para se comer. As refeições estão incluídas no pacote, assim como as gorjetas e as taxas portuárias. Mas nunca é demais deixar algumas gorjetas chaves aos funcionários, principalmente à camareira que arruma sua cabine ou ao garçom que o atende no jantar.
O café da manhã e almoço são servidos nos restaurantes mais populares, geralmente os mais altos. Os lanches - ou snacks, como costumam chamar - são servidos em bares menores. O jantar é servido no restaurante principal e, nestes casos, o traje é menos informal, porém não há necessidade de se usar terno ou vestidos longos. Isso costuma ocorrer na "noite do comandante", ocasião em que os passageiros são recebidos pelo comandante do navio, em traje de gala, para assistir com ele um show após um drinque. Nesta ocasião é comum os homens irem de terno e as mulheres com vestidos de festa. Mas hoje em dia não é mais uma regra e fica a critério de cada passageiro.
Na madrugada, há refeições rápidas, como pizzas, hamburgueres e cachorros quentes. As bebidas, se não incluídas no pacote, acabam tendo um custo adicional que, se não houver planejamento, pode comprometer o bolso do passageiro. Mas a opções de "all inclusive", com tudo já embutido no preço pago pelo pacote.
Outra opção para conseguir bons preços - neste caso em deques mais altos - é esperar dias antes do embarque. Geralmente há uma "queima" de cabines e consegue-se bons preços. Nos próximos dias, mais dicas sobre cruzeiro marítimo. Boa semana a todos.
Devidamente corrigido após a observação do Rodolfo.
Com preços bastante convidativos, é possível fazer uma viagem dos sonhos pelo nosso Oceano Atlântico sem desembolsar muito, pagando em módicas prestações. Mas para isso, é preciso planejar com bastante antecedência. O primeiro - e mais importante passo - é a compra. Para se conseguir bons preços, o ideal é comprar o pacote tão logo seja lançado pela operadora. Geralmente isso ocorre quando os navios que singram a costa brasileira entre novembro e março, começam a nos deixar rumo à Europa, em abril.
Até junho, os preços são mais atraentes, principalmente para quem compra nos andares mais baixos. Os andares, ou deques, tem pouca diferença nas acomodações, exceção àqueles mais altos, com as suítes com varanda.
O que difere na maioria dos casos são as cabines com vista interna, vista obstruída e vista externa. E quanto mais alto o andar, mais caro. Mas é como se fosse a venda de passagens aéreas. As companhias de aviação destinam uma cota com preços atraentes para um número reduzido de assentos e, quanto mais próximo do voo, mais caras ficam as passagens. No navio é a mesma coisa.
A cabine é bem apertada, mas tem camas - algumas embutidas na parede -, armários, banheiro privativo com direito a chuveiro e secador de cabelo e até um aparelho de tv. A cabine interna fica na parte central da embarcação. A com vista obstruída fica no deque onde estão os botes salva-vidas. Já as cabines externas têm vista para o mar.
Quanto mais alto os andares, maiores as comodidades. Os restaurantes geralmente ficam nos terceiro e quarto deques. O cassino fica acima do sétimo andar. Há teatro, bares, lojas, academias de ginástica, centros de beleza, até elevadores que levam os passageiros aos andares desejados. No deque mais alto está a piscina e o restaurante popular. Vários bares estão dispostos nos diversos deques, sempre proporcionando comodidade ao passageiro.
No cruzeiro, são servidas cinco refeições por dia, mas durante as 24 horas há opções para se comer. As refeições estão incluídas no pacote, assim como as gorjetas e as taxas portuárias. Mas nunca é demais deixar algumas gorjetas chaves aos funcionários, principalmente à camareira que arruma sua cabine ou ao garçom que o atende no jantar.
O café da manhã e almoço são servidos nos restaurantes mais populares, geralmente os mais altos. Os lanches - ou snacks, como costumam chamar - são servidos em bares menores. O jantar é servido no restaurante principal e, nestes casos, o traje é menos informal, porém não há necessidade de se usar terno ou vestidos longos. Isso costuma ocorrer na "noite do comandante", ocasião em que os passageiros são recebidos pelo comandante do navio, em traje de gala, para assistir com ele um show após um drinque. Nesta ocasião é comum os homens irem de terno e as mulheres com vestidos de festa. Mas hoje em dia não é mais uma regra e fica a critério de cada passageiro.
Na madrugada, há refeições rápidas, como pizzas, hamburgueres e cachorros quentes. As bebidas, se não incluídas no pacote, acabam tendo um custo adicional que, se não houver planejamento, pode comprometer o bolso do passageiro. Mas a opções de "all inclusive", com tudo já embutido no preço pago pelo pacote.
Outra opção para conseguir bons preços - neste caso em deques mais altos - é esperar dias antes do embarque. Geralmente há uma "queima" de cabines e consegue-se bons preços. Nos próximos dias, mais dicas sobre cruzeiro marítimo. Boa semana a todos.
Devidamente corrigido após a observação do Rodolfo.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O preço da cultura
Foi a maior expectativa. A turma toda estava ansiosa para assistir ao inédito show Uns, de Caetano Veloso. O palco não podia ser melhor: o Palácio das Convenções do Anhembi. Era considerada uma das grandes casas para shows e espetáculo com acústica perfeita. Corria o ano de 1983. Naquela época, boa parte da turma trabalhava, mas ninguém ganhava bem.
Só que não foi preciso parcelar o ingresso com cartão de crédito. Apertamos daqui e dali e, quem não teve grana para comprar o ingresso pediu emprestado. Lembro que o Hélcio - hoje doutor em reprodução de peixes pela Unesp de Jaboticabal e professor universitário em Franca e Barretos -, que era dado a trabalhos artesanais, preparou uns vitrais com a imagem de Caetano Veloso. Vendendo apenas três peças foi suficiente para pagar o empréstimo que havia feito para comprar o ingresso.
Na fila do show, uma das abordadas foi a atriz Irene Ravache, que mostrou ser narcisista: "compraria se fosse um com a minha imagem". Entramos. O Sílvio em transe, principalmente porque, além de ser um fã ardoroso do baiano Caetano, acabou sendo chamado por ele para subir ao palco, quando tentava entregar-lhe um dos vitrais do Hélcio.
Mas estávamos todos lá. O Sílvio ainda tem o ingresso, prometeu escanear para eu postar aqui, mas não cumpriu com a palavra. Que feio, Sílvio...
Bom, toda essa história é só para contar que o preço da cultura na década de 80 era muito mais acessível que nos dias atuais. Não cansamos de ir a shows. Fomos aos shows de Legião, Blitz, Paralamas, Titãs, Ultraje - esses dois, últimos eram frequentes. Também fomos a grandes eventos com bandas e cantores internacionais. Queen, Paul McCartney e tantos outros.
Fomos por uma única razão: dava para pagar o ingresso, além do que era muito mais fácil comprar naquela época do que em tempos de internet. Hoje os shows são absurdamente caros. Recentemente esteve em Ribeirão Preto o grupo The Platers, que fez sucesso na década de 50 e 60. Totalmente repaginado, é verdade, mas ainda com um integrante dos áureos tempos. Um ingresso na plateia do Theatro Pedro II custava R$ 100. Se você for acompanhado, vai morrer com R$ 200 só de ingresso. Se for de carro, tem o estacionamento, a pelo menos R$ 10 o mais barato. Aí resolve sair para comer uma pizza. A conta já ultrapassou facilmente os R$ 300. Se pensarmos que o salário mínimo é pouco mais que isso, vamos chegar à concreta conclusão de que cultura é, sim, coisa de elite.
Mas vamos fugir dos shows. Quando morava em Sampa, na década de 80, tinham várias companhias teatrais. Lembro da CER (Companhia Estável de Repertório), comandada por Antonio Fagundes. Você pagava uma mensalidade e tinha direito a assistir à peça em cartaz e aos revivais esporádicos. Assistimos grandes peças com o Fafá, como Nostradamus, O Homem Elefante e Cyrano de Bergerac. E havia outras companhias, assim como grandes peças exibidas no Teatro do Sesi, na Avenida Paulista. No bairro do Bexiga, fazíamos a festa. E olha que ninguém da minha turma ganhava bem naquela época. Todos assalariados.
Hoje, quando uma peça vem a Ribeirão Preto no Pedro II, não tem ingressos por menos de R$ 100, isso nas frisas, onde mal se enxerga alguma coisa. Em Sampa, os custos não são diferentes. Felizmente existe atualmente, como existia nos anos 1980, movimentos paralelos à cultura de elite, que começam a ganhar espaço. Projetos como o Ribeirão Em Cena, que não só revelam talentos, como trazem ao público grandes espetáculos por preço que deve ser praticado pela cultura em geral. Assim como espaços para uma boa música, como o bom e velho rock'n roll no Easy Rider Bar. Ainda resta esperança de não termos de raspar o cofre para assistir, muito esporadicamente a um ou outro espetáculo dos sonhos.
Só que não foi preciso parcelar o ingresso com cartão de crédito. Apertamos daqui e dali e, quem não teve grana para comprar o ingresso pediu emprestado. Lembro que o Hélcio - hoje doutor em reprodução de peixes pela Unesp de Jaboticabal e professor universitário em Franca e Barretos -, que era dado a trabalhos artesanais, preparou uns vitrais com a imagem de Caetano Veloso. Vendendo apenas três peças foi suficiente para pagar o empréstimo que havia feito para comprar o ingresso.
Na fila do show, uma das abordadas foi a atriz Irene Ravache, que mostrou ser narcisista: "compraria se fosse um com a minha imagem". Entramos. O Sílvio em transe, principalmente porque, além de ser um fã ardoroso do baiano Caetano, acabou sendo chamado por ele para subir ao palco, quando tentava entregar-lhe um dos vitrais do Hélcio.
Mas estávamos todos lá. O Sílvio ainda tem o ingresso, prometeu escanear para eu postar aqui, mas não cumpriu com a palavra. Que feio, Sílvio...
Bom, toda essa história é só para contar que o preço da cultura na década de 80 era muito mais acessível que nos dias atuais. Não cansamos de ir a shows. Fomos aos shows de Legião, Blitz, Paralamas, Titãs, Ultraje - esses dois, últimos eram frequentes. Também fomos a grandes eventos com bandas e cantores internacionais. Queen, Paul McCartney e tantos outros.
Fomos por uma única razão: dava para pagar o ingresso, além do que era muito mais fácil comprar naquela época do que em tempos de internet. Hoje os shows são absurdamente caros. Recentemente esteve em Ribeirão Preto o grupo The Platers, que fez sucesso na década de 50 e 60. Totalmente repaginado, é verdade, mas ainda com um integrante dos áureos tempos. Um ingresso na plateia do Theatro Pedro II custava R$ 100. Se você for acompanhado, vai morrer com R$ 200 só de ingresso. Se for de carro, tem o estacionamento, a pelo menos R$ 10 o mais barato. Aí resolve sair para comer uma pizza. A conta já ultrapassou facilmente os R$ 300. Se pensarmos que o salário mínimo é pouco mais que isso, vamos chegar à concreta conclusão de que cultura é, sim, coisa de elite.
Mas vamos fugir dos shows. Quando morava em Sampa, na década de 80, tinham várias companhias teatrais. Lembro da CER (Companhia Estável de Repertório), comandada por Antonio Fagundes. Você pagava uma mensalidade e tinha direito a assistir à peça em cartaz e aos revivais esporádicos. Assistimos grandes peças com o Fafá, como Nostradamus, O Homem Elefante e Cyrano de Bergerac. E havia outras companhias, assim como grandes peças exibidas no Teatro do Sesi, na Avenida Paulista. No bairro do Bexiga, fazíamos a festa. E olha que ninguém da minha turma ganhava bem naquela época. Todos assalariados.
Hoje, quando uma peça vem a Ribeirão Preto no Pedro II, não tem ingressos por menos de R$ 100, isso nas frisas, onde mal se enxerga alguma coisa. Em Sampa, os custos não são diferentes. Felizmente existe atualmente, como existia nos anos 1980, movimentos paralelos à cultura de elite, que começam a ganhar espaço. Projetos como o Ribeirão Em Cena, que não só revelam talentos, como trazem ao público grandes espetáculos por preço que deve ser praticado pela cultura em geral. Assim como espaços para uma boa música, como o bom e velho rock'n roll no Easy Rider Bar. Ainda resta esperança de não termos de raspar o cofre para assistir, muito esporadicamente a um ou outro espetáculo dos sonhos.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Direito de greve
É inegável que as relações de trabalho no Brasil estão longe de serem aceitáveis. Também é inegável que é justo e legítimo ao trabalhador exercer seu direito de se organizar para pressionar através da greve. Mas o assunto já rendeu o que poderia ter rendido. Não há santos ou ingênuos nos dois lados de uma negociação por melhores salários e condições de trabalho. Ao contrário. Hoje a máquina sindical é voraz, bem aparelhada, rica.
Por outro lado, os patrões insistem em propostas irrisórias, arcaicas, bem ao estilo dos senhores feudais da idade média. Isso, deixe-se bem claro, não é algo generalizado, mas algo que atinge à maioria das grandes greves deflagradas pelo País afora.
Ontem, na greve do Metrô paulistano, o governador Geraldo Alckmin veio a público acusando o movimento de ser político. Ele não deixa de ter razão. Foi um movimento vergonhosamente político, aproveitando-se de um momento pré-eleitoral. Por outro lado, o senhor governador, como de costume, mesmo sabendo da concreta possibilidade de sua realização, não fez nada para impedir. E depois vai à mídia posar de coitadinho, de que estão explorando politicamente a questão. Da mesma forma como ele o fez ontem.
Hipocrisias à parte, que se deixe claro uma coisa: os trabalhadores do Metrô foram usados como massa de manobra. De um lado, o governo e seus pares. De outro, os sindicalistas e suas centrais sindicais. Hoje o dia do trabalho, comemorado em 1º de maio, por conta do crescimento das centrais sindicais, é um megaevento. Multidões se reúnem para megashows em palcos gigantescos, com todo aparato e pompa possíveis, onde além de grandes nomes da música de apelo popular, os milhares de presentes também concorrem a sorteios de que vão de automóveis zero quilômetro a apartamentos ou casas.
Para que haja esse sorteio, essa despesa, é preciso haver receita. E as centrais souberam muito bem, ao longo dos anos, captar tais receitas. Bem diferente de outros tempos. Lembro de um distante 1º de maio, em 1984, quando Mário Covas era prefeito. Interditaram a avenida Paulista, montaram um palco e houve uma série de shows patrocinados pela prefeitura. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) ainda dava seus primeiros passos. Os shows eram de bandas independentes, que frequentavam o universo underground paulistano, que gravavam seus discos pela saudosa Lira Paulistana, um selo fonográfico igualmente independente, ligado ao Teatro Lira Paulistana.
Naquele 1º de Maio, apresentaram-se nomes como Premeditando o Breque, Grupo Rumo, Língua de Trapo, entre outros. Agora são megashows com nomes que frequentam a lista de shows mais caros do Brasil. Pago pelas centrais sindicais, invariavelmente.
Existe o sindicalismo sério, é bem verdade. Aliás, é praticado pela maioria dos sindicatos. Mas existem muitos oportunistas que, diante dos descontos compulsórios no contracheque dos trabalhadores, mantêm máquinas em atividade. Longe, como já disse, de querer questionar o legítimo direito de greve. Mas essa situação precisa ser urgentemente revista, quando o principal prejudicado é o povo.
O que se viu ontem, em São Paulo, não é algo único. Tem ocorrido sistematicamente. Durante boa parte do ano passado, por exemplo, os residentes do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto exerceram seu justo direito de greve. Em contrapartida, pessoas de centenas de cidades da região e até distantes, que mandam seus doentes em ônibus diariamente, se viram prejudicadas pelo cancelamento de consultas, cirurgias e tratamentos.
O jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, divulgou que, da média anual de 80 cirurgias bariátricas - para a redução do estômago em pessoas que sofrem de obesidade mórbida - feitas anualmente, apenas três foram feitas em um ano no HC.
E ontem o povo novamente sofreu. Congestionamento histórico, batendo na casa dos 300 quilômetros em uma cidade cotidianamente caótica, onde metroviários e ferroviários deixaram boa parte da população sem transporte e com muitos transtornos. De um lado, os trabalhadores e seus sindicatos não quiseram evitar o caos e avisaram horas antes do início do movimento grevista. De outro o governo que está acostumado a dar de ombros aos direitos e reivindicações dos trabalhadores que costuma vir a público quando se vê encurralado dizendo ser vítima de movimento político para desestabilizá-lo às vésperas de eleição. Não deixa de ter razão, pois as greves quase não ocorreram em 2011 e começam a se multiplicar em 2012. Mas também têm razão os trabalhadores. O que ninguém pode esquecer é que no centro dessa briga está o maior prejudicado: o povo brasileiro.
Por outro lado, os patrões insistem em propostas irrisórias, arcaicas, bem ao estilo dos senhores feudais da idade média. Isso, deixe-se bem claro, não é algo generalizado, mas algo que atinge à maioria das grandes greves deflagradas pelo País afora.
Ontem, na greve do Metrô paulistano, o governador Geraldo Alckmin veio a público acusando o movimento de ser político. Ele não deixa de ter razão. Foi um movimento vergonhosamente político, aproveitando-se de um momento pré-eleitoral. Por outro lado, o senhor governador, como de costume, mesmo sabendo da concreta possibilidade de sua realização, não fez nada para impedir. E depois vai à mídia posar de coitadinho, de que estão explorando politicamente a questão. Da mesma forma como ele o fez ontem.
Hipocrisias à parte, que se deixe claro uma coisa: os trabalhadores do Metrô foram usados como massa de manobra. De um lado, o governo e seus pares. De outro, os sindicalistas e suas centrais sindicais. Hoje o dia do trabalho, comemorado em 1º de maio, por conta do crescimento das centrais sindicais, é um megaevento. Multidões se reúnem para megashows em palcos gigantescos, com todo aparato e pompa possíveis, onde além de grandes nomes da música de apelo popular, os milhares de presentes também concorrem a sorteios de que vão de automóveis zero quilômetro a apartamentos ou casas.
Para que haja esse sorteio, essa despesa, é preciso haver receita. E as centrais souberam muito bem, ao longo dos anos, captar tais receitas. Bem diferente de outros tempos. Lembro de um distante 1º de maio, em 1984, quando Mário Covas era prefeito. Interditaram a avenida Paulista, montaram um palco e houve uma série de shows patrocinados pela prefeitura. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) ainda dava seus primeiros passos. Os shows eram de bandas independentes, que frequentavam o universo underground paulistano, que gravavam seus discos pela saudosa Lira Paulistana, um selo fonográfico igualmente independente, ligado ao Teatro Lira Paulistana.
Naquele 1º de Maio, apresentaram-se nomes como Premeditando o Breque, Grupo Rumo, Língua de Trapo, entre outros. Agora são megashows com nomes que frequentam a lista de shows mais caros do Brasil. Pago pelas centrais sindicais, invariavelmente.
Existe o sindicalismo sério, é bem verdade. Aliás, é praticado pela maioria dos sindicatos. Mas existem muitos oportunistas que, diante dos descontos compulsórios no contracheque dos trabalhadores, mantêm máquinas em atividade. Longe, como já disse, de querer questionar o legítimo direito de greve. Mas essa situação precisa ser urgentemente revista, quando o principal prejudicado é o povo.
O que se viu ontem, em São Paulo, não é algo único. Tem ocorrido sistematicamente. Durante boa parte do ano passado, por exemplo, os residentes do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto exerceram seu justo direito de greve. Em contrapartida, pessoas de centenas de cidades da região e até distantes, que mandam seus doentes em ônibus diariamente, se viram prejudicadas pelo cancelamento de consultas, cirurgias e tratamentos.
O jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, divulgou que, da média anual de 80 cirurgias bariátricas - para a redução do estômago em pessoas que sofrem de obesidade mórbida - feitas anualmente, apenas três foram feitas em um ano no HC.
E ontem o povo novamente sofreu. Congestionamento histórico, batendo na casa dos 300 quilômetros em uma cidade cotidianamente caótica, onde metroviários e ferroviários deixaram boa parte da população sem transporte e com muitos transtornos. De um lado, os trabalhadores e seus sindicatos não quiseram evitar o caos e avisaram horas antes do início do movimento grevista. De outro o governo que está acostumado a dar de ombros aos direitos e reivindicações dos trabalhadores que costuma vir a público quando se vê encurralado dizendo ser vítima de movimento político para desestabilizá-lo às vésperas de eleição. Não deixa de ter razão, pois as greves quase não ocorreram em 2011 e começam a se multiplicar em 2012. Mas também têm razão os trabalhadores. O que ninguém pode esquecer é que no centro dessa briga está o maior prejudicado: o povo brasileiro.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Fora Dilma
Fora Dilma, a América do Sul tem outro presidente que lutou contra a ditadura militar em seu país. O presidente uruguaio, José Mujica, integrava na guerrilha uruguaia o grupo dos Tupumaros e participou de assaltos a bancos, sequestros e até da tomada de uma delegacia de polícia. Foi preso, torturado e ficou 14 anos na cadeia acusado de crimes políticos. Hoje é presidente do Uruguai. Dilma também foi militante política de esquerda, lutou contra a ditadura militar, foi presa, torturada e cumpriu três anos de prisão.
Fora Dilma, a América tem outra mãe considerada a mais poderosa do mundo. Trata-se da ex-primeira dama e atual secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. Ela é a primeira mãe mais importante do mundo, tendo como segunda mais poderosa a presidente Dilma Rousseff.
Fora Dilma, o mundo já presenciou várias mulheres que exerceram o poder mostrando sua força. Uma delas foi a ex-primeira ministra britânica, Margaret Thatcher, que comandou a Inglaterra entre 1979 e 1990. Ela é, até hoje, considerada uma das mulheres mais influentes da política. Assim como Dilma, atualmente.
Fora Dilma, a América do Sul tem outra mulher na presidência de seu país. Trata-se de Cristina Elisabet Fernández de Kirchner, a primeira mulher a ser eleita pelo voto direto para governar a Argentina. Cristina Kirchner acabou reeleita ano passado. Dilma também foi a primeira mulher eleita pelo voto popular no Brasil.
Fora Dilma, o Brasil teve outro presidente que enfrentou problemas com a ditadura militar. Foi Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, que acabou exilado no Chile e na França. Dilma também lutou contra o poder dos militares.
Fora Dilma, o PT tem outras mulheres que exerceram cargos no executivo. Mulheres como Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro e de Marta Suplicy e Luíza Erundina - não mais no partido -, ambas ex-prefeitas de São Paulo.
Fora Dilma, outro presidente brasileiro teve problemas que levaram à saída do ministro Antonio Palocci Filho. Foi no governo Lula. Palocci assumiu o Ministério da Fazenda no primeiro mandato de Lula, deixando de cumprir todo o seu mandato de prefeito de Ribeirão Preto a pedido do presidente eleito. Ficou ministro até 2006, quando após uma série de denúncias, viu-se em situação insustentável a partir da quebra ilegal do sigilo bancário de um caseiro que era testemunha de acusação contra Palocci. O tempo passou, não houve nenhuma condenação específica contra Palocci e ele voltou a integrar um ministério. Com a posse de Dilma, Palocci, que coordenou a equipe de transição, assumiu como ministro chefe da Casa Civil e, pouco mais de seis meses de sua posse, deixou a pasta após denúncias de enriquecimento ilícito.
Fora Dilma, o Brasil teve outro presidente que valeu-se de medidas populares que beiram o populismo para se perpetuar no poder. Durante quase 20 anos, em dois governos, foi um ditador rigoroso contra seus opositores. Principalmente em seu primeiro governo, onde após muitos anos no poder, instituiu o "Estado Novo" e manteve-se no cargo por mais tempo. Era conhecido como o "pai dos pobres", por ser autor de várias leis sociais e trabalhistas, com extremo apelo popular. Dilma não foi propriamente a criadora de muitos dos projetos atuais. Mas ela tem explorado demais os vales e auxílios. É bastante criticada, principalmente pela classe média, que é quem mais sofre por conta da pesadíssima carga tributária que ajuda a financiar tais projetos. Costumam dizer que ela prefere dar o peixe em vez de dar a vara e ensinar a pescar.
Fora Dilma, o Brasil já teve outra mulher a apresentar propostas que modificam a remuneração da caderneta de poupança, a forma mais popular de investimento no Brasil. Foi Zélia Cardoso de Mello, então ministra da Fazenda no governo Fernando Collor de Melo. Ela criou um plano que congelou os investimentos dos brasileiros em poupança, conhecido por "confisco das poupanças". Dilma anunciou, recentemente, um plano para mudar a remuneração que causou grande preocupação nos brasileiros.
Fora Dilma, outra mulher concorreu e foi muito bem votada nas últimas eleições presidenciais. Trata-se de Marina Silva, que obteve quase 20% dos votos válidos.
Fora Dilma, quem será candidato a presidente nas próximas eleições?
Fora Dilma, nenhum outro presidente teve a oportunidade de barrar um código florestal com tantos riscos para nossas matas, florestas e vegetação nativa.
VETA, DILMA!
Fora Dilma, a América tem outra mãe considerada a mais poderosa do mundo. Trata-se da ex-primeira dama e atual secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. Ela é a primeira mãe mais importante do mundo, tendo como segunda mais poderosa a presidente Dilma Rousseff.
Fora Dilma, o mundo já presenciou várias mulheres que exerceram o poder mostrando sua força. Uma delas foi a ex-primeira ministra britânica, Margaret Thatcher, que comandou a Inglaterra entre 1979 e 1990. Ela é, até hoje, considerada uma das mulheres mais influentes da política. Assim como Dilma, atualmente.
Fora Dilma, a América do Sul tem outra mulher na presidência de seu país. Trata-se de Cristina Elisabet Fernández de Kirchner, a primeira mulher a ser eleita pelo voto direto para governar a Argentina. Cristina Kirchner acabou reeleita ano passado. Dilma também foi a primeira mulher eleita pelo voto popular no Brasil.
Fora Dilma, o Brasil teve outro presidente que enfrentou problemas com a ditadura militar. Foi Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, que acabou exilado no Chile e na França. Dilma também lutou contra o poder dos militares.
Fora Dilma, o PT tem outras mulheres que exerceram cargos no executivo. Mulheres como Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro e de Marta Suplicy e Luíza Erundina - não mais no partido -, ambas ex-prefeitas de São Paulo.
Fora Dilma, outro presidente brasileiro teve problemas que levaram à saída do ministro Antonio Palocci Filho. Foi no governo Lula. Palocci assumiu o Ministério da Fazenda no primeiro mandato de Lula, deixando de cumprir todo o seu mandato de prefeito de Ribeirão Preto a pedido do presidente eleito. Ficou ministro até 2006, quando após uma série de denúncias, viu-se em situação insustentável a partir da quebra ilegal do sigilo bancário de um caseiro que era testemunha de acusação contra Palocci. O tempo passou, não houve nenhuma condenação específica contra Palocci e ele voltou a integrar um ministério. Com a posse de Dilma, Palocci, que coordenou a equipe de transição, assumiu como ministro chefe da Casa Civil e, pouco mais de seis meses de sua posse, deixou a pasta após denúncias de enriquecimento ilícito.
Fora Dilma, o Brasil teve outro presidente que valeu-se de medidas populares que beiram o populismo para se perpetuar no poder. Durante quase 20 anos, em dois governos, foi um ditador rigoroso contra seus opositores. Principalmente em seu primeiro governo, onde após muitos anos no poder, instituiu o "Estado Novo" e manteve-se no cargo por mais tempo. Era conhecido como o "pai dos pobres", por ser autor de várias leis sociais e trabalhistas, com extremo apelo popular. Dilma não foi propriamente a criadora de muitos dos projetos atuais. Mas ela tem explorado demais os vales e auxílios. É bastante criticada, principalmente pela classe média, que é quem mais sofre por conta da pesadíssima carga tributária que ajuda a financiar tais projetos. Costumam dizer que ela prefere dar o peixe em vez de dar a vara e ensinar a pescar.
Fora Dilma, o Brasil já teve outra mulher a apresentar propostas que modificam a remuneração da caderneta de poupança, a forma mais popular de investimento no Brasil. Foi Zélia Cardoso de Mello, então ministra da Fazenda no governo Fernando Collor de Melo. Ela criou um plano que congelou os investimentos dos brasileiros em poupança, conhecido por "confisco das poupanças". Dilma anunciou, recentemente, um plano para mudar a remuneração que causou grande preocupação nos brasileiros.
Fora Dilma, outra mulher concorreu e foi muito bem votada nas últimas eleições presidenciais. Trata-se de Marina Silva, que obteve quase 20% dos votos válidos.
Fora Dilma, quem será candidato a presidente nas próximas eleições?
Fora Dilma, nenhum outro presidente teve a oportunidade de barrar um código florestal com tantos riscos para nossas matas, florestas e vegetação nativa.
VETA, DILMA!
terça-feira, 22 de maio de 2012
A virada na virada
Ribeirão Preto não fez parte, neste ano, do movimento de Virada Cultural do interior paulista, como vinha integrando em anos anteriores. Vários motivos foram elencados como possíveis responsáveis pela não realização do evento: falta de força política da atual prefeita, falta de interesse do governador em Ribeirão Preto - não só no setor de cultura -, falta de um local compatível para a sua realização, entre outros.
Cada argumento tem lá suas razões para indicar a não realização do movimento em Ribeirão Preto, inclusive o local: o Teatro de Arena, um marco na cultura da cidade, está se deteriorando e precisa urgente ser reformado. Mas ainda assim, teríamos outros locais para a realização da virada.
O que os políticos não esperavam, todavia, é que várias pessoas ligadas direta ou indiretamente à cultura se mobilizaram através de redes sociais, principalmente do facebook, para organizar um movimento marginal, paralelo, bem ao exemplo do que se fazia nas décadas de 60, 70 e 80. Um movimento que surgiu independente dos poderes, ganhou corpo e ganhou as ruas.
As manchetes dos jornais de segunda-feira davam conta de que pelo menos 10 mil pessoas participaram da virada cultural denominada "Se Vira Ribeirão", que aconteceu nos dias 19 e 20 de maio, em vários locais da cidade. A tônica do movimento foi que ele ocorreu sem a necessidade do apoio dos poderes públicos constituídos. E focaram, sobretudo, o artista local. Não foi preciso "importar" shows que chegam como "esmolas" às cidades do interior, bancados com o dinheiro público, de grupos famosos e com qualidade cultural duvidosa. Sim, pois ao contrário de São Paulo, o interior se contenta com shows enlatados de artistas que percorrem durante o período da realização da Virada Cultural do Interior várias cidades que participam do projeto.
O exemplo de Ribeirão Preto deve ser melhor estudado pelas nossas autoridades. A cultura da cidade que também tem o epiteto de "Capital da Cultura" voltou a aflorar. Uma nova geração de ótimos artistas está surgindo, seja na música, nas artes, na dança ou em outras formas variadas de expressão. E o melhor de tudo isso é que a população aderiu ao movimento.
Ribeirão Preto tem dado bons exemplos ao país nos últimos tempos de que o povo pode e deve se organizar independente de lideranças políticas. Assim foi no caso da campanha que exigiu e conseguiu reduzir o número de vereadores. A cidade tem 20 e passaria a 27 cadeiras na próxima legislatura. O movimento "20 vereadores bastam para Ribeirão" ganhou as ruas e os edis acabaram revendo o assunto e o aumento será de apenas duas cadeiras, embora muitos ainda pretendam continuar até que se consiga manter em 20. De qualquer forma, foi uma importante vitória.
Outro movimento importante foi o panelaço. Estudantes e trabalhadores indignados com o aumento dos vereadores saíram às ruas e protestaram contra os mais de 39% aplicados aos salários dos edis na próxima legislatura. O índice também foi revisto.
Agora vem a virada cultural. Se os políticos no poder querem continuar acertando, que tomem por base esse movimento e, nas próximas viradas, em vez de gastar rios de dinheiro com cultura de massa, podem prestigiar os artistas locais, investindo muito menos e movimentando a indústria cultural regional. Parabéns a todos os que, mesmo diante das dificuldades, levaram adiante o "Se Vira Ribeirão".
Cada argumento tem lá suas razões para indicar a não realização do movimento em Ribeirão Preto, inclusive o local: o Teatro de Arena, um marco na cultura da cidade, está se deteriorando e precisa urgente ser reformado. Mas ainda assim, teríamos outros locais para a realização da virada.
O que os políticos não esperavam, todavia, é que várias pessoas ligadas direta ou indiretamente à cultura se mobilizaram através de redes sociais, principalmente do facebook, para organizar um movimento marginal, paralelo, bem ao exemplo do que se fazia nas décadas de 60, 70 e 80. Um movimento que surgiu independente dos poderes, ganhou corpo e ganhou as ruas.
As manchetes dos jornais de segunda-feira davam conta de que pelo menos 10 mil pessoas participaram da virada cultural denominada "Se Vira Ribeirão", que aconteceu nos dias 19 e 20 de maio, em vários locais da cidade. A tônica do movimento foi que ele ocorreu sem a necessidade do apoio dos poderes públicos constituídos. E focaram, sobretudo, o artista local. Não foi preciso "importar" shows que chegam como "esmolas" às cidades do interior, bancados com o dinheiro público, de grupos famosos e com qualidade cultural duvidosa. Sim, pois ao contrário de São Paulo, o interior se contenta com shows enlatados de artistas que percorrem durante o período da realização da Virada Cultural do Interior várias cidades que participam do projeto.
O exemplo de Ribeirão Preto deve ser melhor estudado pelas nossas autoridades. A cultura da cidade que também tem o epiteto de "Capital da Cultura" voltou a aflorar. Uma nova geração de ótimos artistas está surgindo, seja na música, nas artes, na dança ou em outras formas variadas de expressão. E o melhor de tudo isso é que a população aderiu ao movimento.
Ribeirão Preto tem dado bons exemplos ao país nos últimos tempos de que o povo pode e deve se organizar independente de lideranças políticas. Assim foi no caso da campanha que exigiu e conseguiu reduzir o número de vereadores. A cidade tem 20 e passaria a 27 cadeiras na próxima legislatura. O movimento "20 vereadores bastam para Ribeirão" ganhou as ruas e os edis acabaram revendo o assunto e o aumento será de apenas duas cadeiras, embora muitos ainda pretendam continuar até que se consiga manter em 20. De qualquer forma, foi uma importante vitória.
Outro movimento importante foi o panelaço. Estudantes e trabalhadores indignados com o aumento dos vereadores saíram às ruas e protestaram contra os mais de 39% aplicados aos salários dos edis na próxima legislatura. O índice também foi revisto.
Agora vem a virada cultural. Se os políticos no poder querem continuar acertando, que tomem por base esse movimento e, nas próximas viradas, em vez de gastar rios de dinheiro com cultura de massa, podem prestigiar os artistas locais, investindo muito menos e movimentando a indústria cultural regional. Parabéns a todos os que, mesmo diante das dificuldades, levaram adiante o "Se Vira Ribeirão".
segunda-feira, 21 de maio de 2012
A lavadora e o quibe
Já discorri sobre o assunto mais de uma vez, mas a cada "novidade", fico mais indignado e perplexo como tal situação pode ocorrer. Não precise de prestador de serviço, se quiser levar uma vida tranquila. Aliás, não só prestador de serviço, como também o pós-venda. Estamos vivendo tempos muito difíceis na posição de consumidor.
Fiz bastante sacrifício para comprar aquilo que é sonho de consumo para quem mora, como eu, em apartamento. Há pouco mais de um ano, comprei uma máquina de lavar/secar roupas da marca Brastemp. O começo da relação foi bastante tumultuado. A tal máquina é extremamente eletrônica, quase nada mecânica. E o manual não é tão simples assim. Acabamos necessitando da presença de um técnico para a instalação - o que, em momento algum da venda, consta como premissa para que o eletrodoméstico passe a funcionar.
Em Ribeirão Preto, são duas as assistências técnicas autorizadas Brastemp. Nas duas, o mal atendimento é marca registrada. Funcionários mal educados, desinteressados, dizendo que cobram a taxa de visita - também não informado no ato da compra. Negociei com ambas e fechei com a de menor valor, que cobraria a "bagatela" de R$ 90 para instalar a tal máquina. Mas o problema é que só viriam instalar após uma semana de nosso contato. Achei absurdo e voltei para a outra, aceitando pagar os R$ 150. Novo problema: também só em uma semana.
Acabei recorrendo a uma empresa paralela, que presta serviços para minha seguradora. Vieram em dois dias e tudo funcionando. Acontece que, como todo eletrodoméstico de hoje em dia - principalmente aqueles em que não compramos a imoral garantia ampliada -, a nossa querida máquina de lavar, ao usarmos na função secar, "pifou". Tal qual um cidadão que acaba de morrer, ela não tinha mais nenhuma função vital.
Recorri à assistência técnica do meu seguro residencial, a Porto Seguro. Que nada. Veio um técnico, olhou e ficou espantado, dizendo à minha esposa: "Nossa, dona, esse troço é complicado e não tenho curso. Liguei para dois colegas na empresa e ninguém sabe mexer nessa máquina. O jeito é chamar a assistência técnica", informou.
Fizemos isso. Novamente o atendimento "classe A" das autorizadas Brastemp. E, para piorar, além da má vontade dos atendentes, uma agravante: eles informaram que cobram R$ 25 SÓ DE TAXA DE VISITA!!! Sem ter para onde fugir, aceitei, apenas endossando que quero nota fiscal de tudo, inclusive da tal taxa de visita. Quem sabe o Procon não faz alguma coisa no meu caso, não é mesmo?
Foram duas semanas ligando para o responsável. O funcionário que me atendeu sempre dizia que o dono não estava. Fugiram da responsabilidade de 50 salgados, jogando a culpa para nosso lado. O funcionário chegou a indagar: "colocamos outros salgados no lugar, vocês comeram e não perceberam. Deviam ter contado", disse.
Primeiro, se a empresa fosse séria, teria comunicado que não havia quibe e sugerido outra solução. Segundo, não fugiria da responsabilidade por uma conta inferior a R$ 10. Terceiro, negociaria com o cliente. Mas é melhor dar de ombros, acreditando na impunidade. Por isso mesmo é que faço aqui minha queixa. Nada melhor do que uma propaganda boca-a-boca. Nestes casos, negativas, claro.
Fiz bastante sacrifício para comprar aquilo que é sonho de consumo para quem mora, como eu, em apartamento. Há pouco mais de um ano, comprei uma máquina de lavar/secar roupas da marca Brastemp. O começo da relação foi bastante tumultuado. A tal máquina é extremamente eletrônica, quase nada mecânica. E o manual não é tão simples assim. Acabamos necessitando da presença de um técnico para a instalação - o que, em momento algum da venda, consta como premissa para que o eletrodoméstico passe a funcionar.
Em Ribeirão Preto, são duas as assistências técnicas autorizadas Brastemp. Nas duas, o mal atendimento é marca registrada. Funcionários mal educados, desinteressados, dizendo que cobram a taxa de visita - também não informado no ato da compra. Negociei com ambas e fechei com a de menor valor, que cobraria a "bagatela" de R$ 90 para instalar a tal máquina. Mas o problema é que só viriam instalar após uma semana de nosso contato. Achei absurdo e voltei para a outra, aceitando pagar os R$ 150. Novo problema: também só em uma semana.
Acabei recorrendo a uma empresa paralela, que presta serviços para minha seguradora. Vieram em dois dias e tudo funcionando. Acontece que, como todo eletrodoméstico de hoje em dia - principalmente aqueles em que não compramos a imoral garantia ampliada -, a nossa querida máquina de lavar, ao usarmos na função secar, "pifou". Tal qual um cidadão que acaba de morrer, ela não tinha mais nenhuma função vital.
Recorri à assistência técnica do meu seguro residencial, a Porto Seguro. Que nada. Veio um técnico, olhou e ficou espantado, dizendo à minha esposa: "Nossa, dona, esse troço é complicado e não tenho curso. Liguei para dois colegas na empresa e ninguém sabe mexer nessa máquina. O jeito é chamar a assistência técnica", informou.
Fizemos isso. Novamente o atendimento "classe A" das autorizadas Brastemp. E, para piorar, além da má vontade dos atendentes, uma agravante: eles informaram que cobram R$ 25 SÓ DE TAXA DE VISITA!!! Sem ter para onde fugir, aceitei, apenas endossando que quero nota fiscal de tudo, inclusive da tal taxa de visita. Quem sabe o Procon não faz alguma coisa no meu caso, não é mesmo?
Salgadinho
Mas a coisa não fica por aí. Dia desses fiz uma reunião em casa e pedi alguns salgadinhos. A empresa, anotou o pedido, confirmou e, na hora marcada, ligou dizendo que ia atrasar. Mas cumpriu o novo prazo e peguei tudo lá, direitinho. Quando fomos servir, surpresa: onde está o quibe? Não tinha quibe. Então resolvemos contar. Foram 350 salgados, devidamente contados, quando chegamos à conclusão de que, além de não haver quibe, faltaram 50 salgados.Foram duas semanas ligando para o responsável. O funcionário que me atendeu sempre dizia que o dono não estava. Fugiram da responsabilidade de 50 salgados, jogando a culpa para nosso lado. O funcionário chegou a indagar: "colocamos outros salgados no lugar, vocês comeram e não perceberam. Deviam ter contado", disse.
Primeiro, se a empresa fosse séria, teria comunicado que não havia quibe e sugerido outra solução. Segundo, não fugiria da responsabilidade por uma conta inferior a R$ 10. Terceiro, negociaria com o cliente. Mas é melhor dar de ombros, acreditando na impunidade. Por isso mesmo é que faço aqui minha queixa. Nada melhor do que uma propaganda boca-a-boca. Nestes casos, negativas, claro.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Subindo a serra
Nada melhor para uma sexta-feira do que falar sobre viagem. Mesmo quando nada sai como o planejado, sempre é bom viajar. A história que vou contar se passou no carnaval de 1987. Naquele ano, fazia faculdade em Mogi das Cruzes, morando em São Paulo e trabalhando em Guarulhos. Uma verdadeira maratona. Para ir de Guarulhos até a faculdade, seguia de ônibus fretado. E foi o motorista desse ônibus o contratado para levar uma turma até São Tomé das Letras, no sudeste de Minas Gerais.
Quem organizou a excursão foi meu amigo Eduardo Theodoro. Na sexta-feira, véspera de carnaval, a galera toda estava reunida em frente à Filizola, fábrica de balanças, onde e o Eduardo trabalhávamos. Quem tinha carro, deixaria o veículo estacionado na frente da empresa e seguiria de ônibus.
Deu a hora e nada do motorista chegar. Naquele tempo não tinha celular e ninguém sabia o que podia ter acontecido. Já se passaram duas horas quando alguém, não lembro quem, conseguiu contato com a sogra do motorista. A mulher dele fazia faculdade conosco e também trabalhava na Filizola de Guarulhos. Veio então a notícia: o motorista descobriu que sua mulher estava saindo com o chefe e o tempo fechou. Viagem cancelada, cada um para o seu canto.
Foi quando o Jorginho, que tinha acabado de comprar um legítimo fusca azul veio conversar comigo e com minha esposa, na época namorada. "Eu tenho o carro, mas não sei dirigir e não tenho carta. Você topa rachar combustível e irmos acampar na praia?" Opa, topei na hora.
Fomos de ônibus, com as malas e mochilas até a casa do Jorginho pegar o carro. Sua irmã também se animou e fomos os quatro. Dormimos lá e saímos por volta de 5h00, com destino ao litoral sul. Resolvemos ousar e ir até o extremo sul do litoral paulista. Ilha Comprida era nosso destino. E lá fomos nós, pela Regis Bittencourt, a famigerada estrada da morte.
Passando a entrada de Peruíbe, rodamos mais um pouco e logo chega a estradinha que dava acesso a Iguape, Cananeia e Ilha Comprida. Tudo deserto. Já estávamos com fome, o dinheiro era raro, tanto naquela época quanto hoje em dia. E era bananeira carregada para todos os lados. Ninguém vendo. Veio a ideia coletiva: comer bananas na beira da estrada. Paramos o carro, desligamos o motor, abrimos a porta e, surpresa: quando olhamos, dezenas de trabalhadores rurais nos olhando, para ver se iríamos roubar algum cacho de banana.
Disfarçamos, fingindo que descemos para esticar as canelas, beber água e seguimos até Ilha Comprida, sem paradas. Passamos lá uma noite e veio nova ideia. Vir parando pelas praias do litoral, durante o carnaval. Foi o que fizemos. Levantamos acampamento, passamos o dia conhecendo Iguape e Cananeia. Chegamos a Peruíbe e encontramos uma área para armar a barraca.
Passamos a noite em Peruíbe. Naquele ano não pudemos ir até Jureia, pois estava proibida a visitação, não lembro se só durante o carnaval ou por um período mais prolongado. Tudo bem, a estrada nos esperava. Levantamos acampamento, alojamos tudo no fusca azul do Jorginho e seguimos. Passamos o dia entre Itanhaém e Mongaguá. Então chegamos à Praia Grande. Mas lá não tinha lugar para acampar e a coisa complicou. Voltamos para Mongaguá e acampamos por lá mesmo. Naquele tempo, ainda dava.
Durante a noite, resolvemos que seria e última noite e voltaríamos na segunda de carnaval. Logo cedo, na estrada entre Mongaguá e Praia Grande, tiramos fotos com vários urubus, que fizeram belas poses. Passamos o dia parando um pouco em cada praia da nossa "Long Beach". Solemar, Balneário Tupy, Cidade Ocean, Aviação, Guilhermina e Boqueirão. Almoçamos por lá e ainda comi algumas ostras na calçada, em frente a um parque de diversão. Adoro fazer isso. Todos que têm nojo param para ver. Já chegaram a me pagar porções de ostra duvidando que eu comesse. Uma delícia.
Mas terminou ali nossa aventura no carnaval de 1987. Subimos a serra pela Imigrantes, que naquela época não era duplicada. Final de tarde, já anoitecendo e o trânsito tranquilo. Chegamos a São Paulo ainda a tempo de pular carnaval no clube à noite. Dia desses estive analisando como seria esse passeio hoje. O cenário mudou completamente. Mongaguá, por exemplo, tem construções dos dois lados da estrada, parece uma selva de pedras. Na área onde existe hoje a plataforma de pesca, que é totalmente tomada por casas no entorno, em 1987 tinha até dunas de areia. De uma coisa tenho certeza: o trânsito jamais será o mesmo. Quem não viu, não vai ver nunca mais, em pleno carnaval, o litoral daquele jeito tão tranquilo. Um detalhe: no fusca azul do Jorginho, tinha tape (sim, o toca-fitas, algo hoje pré-histórico). E andamos boa parte do tempo ouvindo Premeditando o Breque, principalmente a música Fim de Semana. Conhece? Bom final de semana a todos.
Quem organizou a excursão foi meu amigo Eduardo Theodoro. Na sexta-feira, véspera de carnaval, a galera toda estava reunida em frente à Filizola, fábrica de balanças, onde e o Eduardo trabalhávamos. Quem tinha carro, deixaria o veículo estacionado na frente da empresa e seguiria de ônibus.
Deu a hora e nada do motorista chegar. Naquele tempo não tinha celular e ninguém sabia o que podia ter acontecido. Já se passaram duas horas quando alguém, não lembro quem, conseguiu contato com a sogra do motorista. A mulher dele fazia faculdade conosco e também trabalhava na Filizola de Guarulhos. Veio então a notícia: o motorista descobriu que sua mulher estava saindo com o chefe e o tempo fechou. Viagem cancelada, cada um para o seu canto.
Foi quando o Jorginho, que tinha acabado de comprar um legítimo fusca azul veio conversar comigo e com minha esposa, na época namorada. "Eu tenho o carro, mas não sei dirigir e não tenho carta. Você topa rachar combustível e irmos acampar na praia?" Opa, topei na hora.
Fomos de ônibus, com as malas e mochilas até a casa do Jorginho pegar o carro. Sua irmã também se animou e fomos os quatro. Dormimos lá e saímos por volta de 5h00, com destino ao litoral sul. Resolvemos ousar e ir até o extremo sul do litoral paulista. Ilha Comprida era nosso destino. E lá fomos nós, pela Regis Bittencourt, a famigerada estrada da morte.
Passando a entrada de Peruíbe, rodamos mais um pouco e logo chega a estradinha que dava acesso a Iguape, Cananeia e Ilha Comprida. Tudo deserto. Já estávamos com fome, o dinheiro era raro, tanto naquela época quanto hoje em dia. E era bananeira carregada para todos os lados. Ninguém vendo. Veio a ideia coletiva: comer bananas na beira da estrada. Paramos o carro, desligamos o motor, abrimos a porta e, surpresa: quando olhamos, dezenas de trabalhadores rurais nos olhando, para ver se iríamos roubar algum cacho de banana.
Disfarçamos, fingindo que descemos para esticar as canelas, beber água e seguimos até Ilha Comprida, sem paradas. Passamos lá uma noite e veio nova ideia. Vir parando pelas praias do litoral, durante o carnaval. Foi o que fizemos. Levantamos acampamento, passamos o dia conhecendo Iguape e Cananeia. Chegamos a Peruíbe e encontramos uma área para armar a barraca.
Passamos a noite em Peruíbe. Naquele ano não pudemos ir até Jureia, pois estava proibida a visitação, não lembro se só durante o carnaval ou por um período mais prolongado. Tudo bem, a estrada nos esperava. Levantamos acampamento, alojamos tudo no fusca azul do Jorginho e seguimos. Passamos o dia entre Itanhaém e Mongaguá. Então chegamos à Praia Grande. Mas lá não tinha lugar para acampar e a coisa complicou. Voltamos para Mongaguá e acampamos por lá mesmo. Naquele tempo, ainda dava.
Durante a noite, resolvemos que seria e última noite e voltaríamos na segunda de carnaval. Logo cedo, na estrada entre Mongaguá e Praia Grande, tiramos fotos com vários urubus, que fizeram belas poses. Passamos o dia parando um pouco em cada praia da nossa "Long Beach". Solemar, Balneário Tupy, Cidade Ocean, Aviação, Guilhermina e Boqueirão. Almoçamos por lá e ainda comi algumas ostras na calçada, em frente a um parque de diversão. Adoro fazer isso. Todos que têm nojo param para ver. Já chegaram a me pagar porções de ostra duvidando que eu comesse. Uma delícia.
Mas terminou ali nossa aventura no carnaval de 1987. Subimos a serra pela Imigrantes, que naquela época não era duplicada. Final de tarde, já anoitecendo e o trânsito tranquilo. Chegamos a São Paulo ainda a tempo de pular carnaval no clube à noite. Dia desses estive analisando como seria esse passeio hoje. O cenário mudou completamente. Mongaguá, por exemplo, tem construções dos dois lados da estrada, parece uma selva de pedras. Na área onde existe hoje a plataforma de pesca, que é totalmente tomada por casas no entorno, em 1987 tinha até dunas de areia. De uma coisa tenho certeza: o trânsito jamais será o mesmo. Quem não viu, não vai ver nunca mais, em pleno carnaval, o litoral daquele jeito tão tranquilo. Um detalhe: no fusca azul do Jorginho, tinha tape (sim, o toca-fitas, algo hoje pré-histórico). E andamos boa parte do tempo ouvindo Premeditando o Breque, principalmente a música Fim de Semana. Conhece? Bom final de semana a todos.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Caminhada da velocidade
A distância entre minha casa e o local onde trabalho é de exatos um quilômetro e trezentos metros. Invariavelmente, como todo bom sedentário, faço esse percurso de carro, duas vezes por dia ida e volta. Tudo bem, preciso do carro para desempenhar meu trabalho durante o dia, mas se houvesse um planejamento, confesso, daria para ficar um período sem ele.
Ontem, no entanto, acabei ficando sem carro por conta de problema mecânico - ou de informática, sei lá, esses troços modernos são muito eletrônicos para o meu gosto. Então não tive opção, senão fazer o "árduo" trajeto entre a redação e minha casa, no final do dia, pasmem, caminhando.
Aproveitei o percurso e parei na lotérica, em frente ao prédio onde trabalho para pagar um imposto. Como o nome mesmo já diz tudo, só paguei porque me impõem esse ônus. Por vontade própria não o faria, afinal, não vejo contrapartida. Basta ver a saúde pública, que de acordo com a nossa Constituição, é dever do Estado, mas mata por péssimas condições, falta de vagas, erro humano, falta de medicamento, entre outras razões. Bom, mas o assunto não é a alta tributação à qual somos submetidos.
Feito o pagamento, continuei a caminhada. Alguns metros à frente, passando em frente a um posto de combustíveis, vejo uma grande movimentação e um barulho ensurdecedor. O trânsito parcialmente parado, como costuma ocorrer na época em que saem os resultados dos vestibulares e os calouros fazem pedágios, atrapalhando o trânsito.
O motivo era outro. No próximo final de semana, Ribeirão Preto sedia mais uma etapa da Stock Car, a mais importante categoria de automobilismo nacional, pela terceira vez consecutiva. Carros dos pilotos e protótipos estão espalhados em todos os cantos da cidade. E no posto de combustíveis o assunto também era a corrida que acontecerá no final de semana. Um dos carros da categoria, que é patrocinado pela mesma marca de combustíveis da bandeira do posto, estava lá, bem ao alcance dos curiosos. Ao lado, o carro de uma emissora de rádio, com seus potentes auto-falantes rivalizava com as aceleradas esporádicas que os mecânicos faziam na máquina.
Continuem caminhando e a menos de 300 metros, outra novidade. Em frente a uma farmácia, no estacionamento para clientes disposto na calçada, estava outra máquina da Stock Car. Lá, os pilotos Marcos Gomes e Xandinho Negrão, bastante simpáticos, tiravam fotos com os curiosos, davam autógrafos e, claro, faziam o merchandising para o patrocinador.
A caminhada da velocidade corria bem, até que a poucos metros de minha casa alguém que não sabe seguir em velocidade estragou a diversão. Uma esquina antes de minha rua, uma senhora vinha pela direita, dando seta para entrar à direita, quando um motociclista, daqueles irresponsáveis que adoram costurar, seguir entre os carros numa faixa imaginária de fluxo para motociclistas, cortou-a também pela direita em alta velocidade, tentando seguir em frente.
O choque foi inevitável e o imprudente "motoqueiro" se estatelou no chão. Ao perceber que havia se dado mal, ainda tentou argumentar e deixar o local, enquanto a mulher, trêmula, tentava entender o que aconteceu com seu carro bem cuidado. O motivo para a tentativa de fuga do rapaz é que ele não tinha habilitação. Mas não teve jeito. Foi obrigado a esperar, pois estava com uma pequena fratura exposta no pé direito. Confesso que foi uma forma triste para encerrar minha caminhada da velocidade, mas foi muita atração num percurso tão curto. Será que caminhar é sempre assim? Se for, vou acabar aderindo à moda.
Ontem, no entanto, acabei ficando sem carro por conta de problema mecânico - ou de informática, sei lá, esses troços modernos são muito eletrônicos para o meu gosto. Então não tive opção, senão fazer o "árduo" trajeto entre a redação e minha casa, no final do dia, pasmem, caminhando.
Aproveitei o percurso e parei na lotérica, em frente ao prédio onde trabalho para pagar um imposto. Como o nome mesmo já diz tudo, só paguei porque me impõem esse ônus. Por vontade própria não o faria, afinal, não vejo contrapartida. Basta ver a saúde pública, que de acordo com a nossa Constituição, é dever do Estado, mas mata por péssimas condições, falta de vagas, erro humano, falta de medicamento, entre outras razões. Bom, mas o assunto não é a alta tributação à qual somos submetidos.
Feito o pagamento, continuei a caminhada. Alguns metros à frente, passando em frente a um posto de combustíveis, vejo uma grande movimentação e um barulho ensurdecedor. O trânsito parcialmente parado, como costuma ocorrer na época em que saem os resultados dos vestibulares e os calouros fazem pedágios, atrapalhando o trânsito.
O motivo era outro. No próximo final de semana, Ribeirão Preto sedia mais uma etapa da Stock Car, a mais importante categoria de automobilismo nacional, pela terceira vez consecutiva. Carros dos pilotos e protótipos estão espalhados em todos os cantos da cidade. E no posto de combustíveis o assunto também era a corrida que acontecerá no final de semana. Um dos carros da categoria, que é patrocinado pela mesma marca de combustíveis da bandeira do posto, estava lá, bem ao alcance dos curiosos. Ao lado, o carro de uma emissora de rádio, com seus potentes auto-falantes rivalizava com as aceleradas esporádicas que os mecânicos faziam na máquina.
Continuem caminhando e a menos de 300 metros, outra novidade. Em frente a uma farmácia, no estacionamento para clientes disposto na calçada, estava outra máquina da Stock Car. Lá, os pilotos Marcos Gomes e Xandinho Negrão, bastante simpáticos, tiravam fotos com os curiosos, davam autógrafos e, claro, faziam o merchandising para o patrocinador.
A caminhada da velocidade corria bem, até que a poucos metros de minha casa alguém que não sabe seguir em velocidade estragou a diversão. Uma esquina antes de minha rua, uma senhora vinha pela direita, dando seta para entrar à direita, quando um motociclista, daqueles irresponsáveis que adoram costurar, seguir entre os carros numa faixa imaginária de fluxo para motociclistas, cortou-a também pela direita em alta velocidade, tentando seguir em frente.
O choque foi inevitável e o imprudente "motoqueiro" se estatelou no chão. Ao perceber que havia se dado mal, ainda tentou argumentar e deixar o local, enquanto a mulher, trêmula, tentava entender o que aconteceu com seu carro bem cuidado. O motivo para a tentativa de fuga do rapaz é que ele não tinha habilitação. Mas não teve jeito. Foi obrigado a esperar, pois estava com uma pequena fratura exposta no pé direito. Confesso que foi uma forma triste para encerrar minha caminhada da velocidade, mas foi muita atração num percurso tão curto. Será que caminhar é sempre assim? Se for, vou acabar aderindo à moda.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Tempos modernos
Quando o genial Charles Chaplin veio às telas em seu Tempos Modernos, de 1936, fez uma crítica precisa à corrida pela industrialização do mundo, naqueles tempos. É claro que também aproveitou para criticar o capitalismo, o militarismo, o fascismo, o nazismo e outros "ismos" mais. Mas sobretudo, de uma forma genial, mostrou a relação do trabalho, as dificuldades que os homens enfrentavam naqueles Tempos Modernos.
Nos dias atuais, é bem verdade que existem dezenas de temas que poderiam ser abordados pelo magnífico Carlitos, se hoje vivesse e quisesse fazer uma sequência daquela produção que encantou e encanta gerações. Mas uma coisa merece a atenção especial. Em nossos tempos modernos, estamos sucumbindo às facilidades que nós mesmos buscamos, criamos e nos adaptamos.
Os maiores exemplos disso são as doenças crônicas, as doenças dos tempos modernos. Eu, particularmente, sou hipertenso. Esta é uma das enfermidades que mais mata brasileiros todos os anos. É resultado de uma vida sedentária, com hábitos nada saudáveis, sobretudo os alimentares. Demorei para admitir que era hipertenso. Até cheguei a desconfiar, mas não queria a confirmação da coisa. Sabia que isso iria me colocar em uma crise de consciência sem precedentes em minha vida, até porque alguns dos maus hábitos ainda mantenho - pior, conscientemente. Quando a pressão começou a aparecer alterada, passei a me preparar. Sempre que ia a algum lugar onde teria que medir a pressão, me "preparava" antes. Não sei se isso dava, de fato, resultados práticos, mas sempre tomava dipirona antes de tirar a pressão e o resultado era perto da estabilidade, pouca coisa alterada. Até que não houve mais como "controlar" e passei a tomar medicamentos.
Agora uma outra situação me assombra, pelo número de amigos que já estão nesse barco. A diabetes tem sido outro grande problema a ser combatido. Muitas vezes não se manifesta na pessoa, é uma doença silenciosa. Mas que pode causar grandes estragos. No dia 10 de maio, perdi um grande amigo por conta da diabetes. Ele tinha apenas 52 anos. Fiquei bastante baqueado com a morte desse amigo e parei para pensar nessa maldita enfermidade. E descobri que tenho um grande número de amigos, pessoas bastante próximas, que convivem com o problema. De imediato, listei 35 nomes, sem precisar puxar muito pela memória.
Também lembrei de outros tantos que se foram em consequência das complicações da diabetes. Isso tudo porque hoje temos as "facilidades" dos nossos tempos modernos. É sopa em pó, enlatado de tudo quanto é variedade, carne artificial ou tratada com anabolizantes para ter melhor aparência. Além disso, os congelados são os principais itens das compras de boa parte da população.
Juntando-se ao fato de que o sedentarismo aumenta a passos largos, a coisa fica complicada. O Brasil já é um dos maiores "produtores" de obesos do planeta, talvez só perdendo para a "terra do hamburguer com bacon", os Estados Unidos. Acho que consigo imaginar o roteiro para nosso saudoso Charles Chaplin interpretar na suposta sequência de Tempos Modernos.
Cena 1: o vagabundo Carlitos navega pela internet e faz a sua lista de compras: carne congelada pronta, feijão cozido em embalagem fechada à vácuo, com muitos conservantes, suco de laranja com essência artificial, arroz pronto com substâncias aromáticas, sobremesa de frutas artificiais com muito açúcar refinado e bastante congelado.
Cena 2: o vagabundo Carlitos e a menina comem um lanche congelado pre-pronto, preparado no micro-ondas.
Cena 3: Carlitos e a menina enormes, obesos, continuam desfrutando das "maravilhas" da tecnologia, como aparelhos que eliminam o esforço físico, deixando-os cada vez mais sedentários.
O problema é que não há cena 4 nesse filme. Nem outras mais.
Que tal buscarmos uma vida melhor?
Nos dias atuais, é bem verdade que existem dezenas de temas que poderiam ser abordados pelo magnífico Carlitos, se hoje vivesse e quisesse fazer uma sequência daquela produção que encantou e encanta gerações. Mas uma coisa merece a atenção especial. Em nossos tempos modernos, estamos sucumbindo às facilidades que nós mesmos buscamos, criamos e nos adaptamos.
Os maiores exemplos disso são as doenças crônicas, as doenças dos tempos modernos. Eu, particularmente, sou hipertenso. Esta é uma das enfermidades que mais mata brasileiros todos os anos. É resultado de uma vida sedentária, com hábitos nada saudáveis, sobretudo os alimentares. Demorei para admitir que era hipertenso. Até cheguei a desconfiar, mas não queria a confirmação da coisa. Sabia que isso iria me colocar em uma crise de consciência sem precedentes em minha vida, até porque alguns dos maus hábitos ainda mantenho - pior, conscientemente. Quando a pressão começou a aparecer alterada, passei a me preparar. Sempre que ia a algum lugar onde teria que medir a pressão, me "preparava" antes. Não sei se isso dava, de fato, resultados práticos, mas sempre tomava dipirona antes de tirar a pressão e o resultado era perto da estabilidade, pouca coisa alterada. Até que não houve mais como "controlar" e passei a tomar medicamentos.
Agora uma outra situação me assombra, pelo número de amigos que já estão nesse barco. A diabetes tem sido outro grande problema a ser combatido. Muitas vezes não se manifesta na pessoa, é uma doença silenciosa. Mas que pode causar grandes estragos. No dia 10 de maio, perdi um grande amigo por conta da diabetes. Ele tinha apenas 52 anos. Fiquei bastante baqueado com a morte desse amigo e parei para pensar nessa maldita enfermidade. E descobri que tenho um grande número de amigos, pessoas bastante próximas, que convivem com o problema. De imediato, listei 35 nomes, sem precisar puxar muito pela memória.
Também lembrei de outros tantos que se foram em consequência das complicações da diabetes. Isso tudo porque hoje temos as "facilidades" dos nossos tempos modernos. É sopa em pó, enlatado de tudo quanto é variedade, carne artificial ou tratada com anabolizantes para ter melhor aparência. Além disso, os congelados são os principais itens das compras de boa parte da população.
Juntando-se ao fato de que o sedentarismo aumenta a passos largos, a coisa fica complicada. O Brasil já é um dos maiores "produtores" de obesos do planeta, talvez só perdendo para a "terra do hamburguer com bacon", os Estados Unidos. Acho que consigo imaginar o roteiro para nosso saudoso Charles Chaplin interpretar na suposta sequência de Tempos Modernos.
Cena 1: o vagabundo Carlitos navega pela internet e faz a sua lista de compras: carne congelada pronta, feijão cozido em embalagem fechada à vácuo, com muitos conservantes, suco de laranja com essência artificial, arroz pronto com substâncias aromáticas, sobremesa de frutas artificiais com muito açúcar refinado e bastante congelado.
Cena 2: o vagabundo Carlitos e a menina comem um lanche congelado pre-pronto, preparado no micro-ondas.
Cena 3: Carlitos e a menina enormes, obesos, continuam desfrutando das "maravilhas" da tecnologia, como aparelhos que eliminam o esforço físico, deixando-os cada vez mais sedentários.
O problema é que não há cena 4 nesse filme. Nem outras mais.
Que tal buscarmos uma vida melhor?
terça-feira, 15 de maio de 2012
Santástico
O Santos tem apresentado o melhor no futebol brasileiro não é de hoje. Tudo bem, dirão os que não simpatizam com o time praiano, perdeu feio para o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes. Mas é indiscutível que na América, não há rivais à altura do Santos. Prova disso é o que aconteceu nas últimas partidas disputadas pelo time comandado por Neymar e Ganso. Goleadas indiscutíveis, apresentações acima da média.
É um paradoxo ao atual futebol brasileiro. Desde a última Copa do Mundo, o Brasil não tem mostrado mais o belo futebol que o fez cinco vezes campeão mundial. Nem justificado a fama de maior formador e "exportador" de jogadores do planeta, o mais procurado pelos europeus e agora por outras escolas da bola em crescimento, principalmente por conta da mudança do eixo econômico mundial.
O Brasil, por conta da Lei Pelé, que foi tradada como um verdadeiro Frankestein, dadas as ingerências ao texto inicial - que era excelente -, deixou de ser um centro da bola, que descobre e forma talentos que alegravam plateias. Hoje temos um futebol burocrático, feio e acabamos copiando outras escolas sisudas. Tudo por conta das aberrações da Lei Pelé. A Seleção Brasileira não empolga mais sua torcida. Tem um técnico mediano que não se impõe e acata as vontades de empresários e dirigentes, para promover jogadores.
Pois o Santos vem na contramão. Já há algum tempo tem revelado seus talentos. Fez o possível e o impossível para manter Neymar. Não sabemos a que preço, de verdade. Talvez nem venhamos a saber. Mas por enquanto está dando certo.
Se contra o Barcelona o Santos amarelou ou foi mal armado, não podemos afirmar. Talvez o Barcelona é quem seja superior. Mas jogou bonito naquela final e engoliu o Santos. O mesmo Santos que tem emocionado a plateia e me faz, intimamente, desejar ver um repeteco daquela final do ano passado. Não creio que o Barça seja um time anos-luz à frente do Santos. Mas gostaria de poder tirar essa dúvida.
De qualquer forma, é indiscutível a superioridade do time da Vila Belmiro pelos lados de cá do Oceano Atlântico. Que se cuidem os rivais na disputa da Libertadores, porque o Santos vem atropelando tudo e todos. A ponto de os mais saudosistas já se armarem de argumentos, principalmente contra os mais velhos. Já estou vendo as afirmativas, como disse Juca Kfouri ontem em seu blog: "Não vi o Santos de Pelé jogar, mas vi o Santos de Neymar". Se o novo ídolo santista vai ofuscar ou não o Rei Pelé, não sabemos. Isso só o tempo vai dizer. Mas que é bom para os olhos ver o futebol do Santos, não há dúvidas. Aliás, não há oftalmologista que receite o contrário. Parabéns, Santos, pelo título indiscutível.
É um paradoxo ao atual futebol brasileiro. Desde a última Copa do Mundo, o Brasil não tem mostrado mais o belo futebol que o fez cinco vezes campeão mundial. Nem justificado a fama de maior formador e "exportador" de jogadores do planeta, o mais procurado pelos europeus e agora por outras escolas da bola em crescimento, principalmente por conta da mudança do eixo econômico mundial.
O Brasil, por conta da Lei Pelé, que foi tradada como um verdadeiro Frankestein, dadas as ingerências ao texto inicial - que era excelente -, deixou de ser um centro da bola, que descobre e forma talentos que alegravam plateias. Hoje temos um futebol burocrático, feio e acabamos copiando outras escolas sisudas. Tudo por conta das aberrações da Lei Pelé. A Seleção Brasileira não empolga mais sua torcida. Tem um técnico mediano que não se impõe e acata as vontades de empresários e dirigentes, para promover jogadores.
Pois o Santos vem na contramão. Já há algum tempo tem revelado seus talentos. Fez o possível e o impossível para manter Neymar. Não sabemos a que preço, de verdade. Talvez nem venhamos a saber. Mas por enquanto está dando certo.
Se contra o Barcelona o Santos amarelou ou foi mal armado, não podemos afirmar. Talvez o Barcelona é quem seja superior. Mas jogou bonito naquela final e engoliu o Santos. O mesmo Santos que tem emocionado a plateia e me faz, intimamente, desejar ver um repeteco daquela final do ano passado. Não creio que o Barça seja um time anos-luz à frente do Santos. Mas gostaria de poder tirar essa dúvida.
De qualquer forma, é indiscutível a superioridade do time da Vila Belmiro pelos lados de cá do Oceano Atlântico. Que se cuidem os rivais na disputa da Libertadores, porque o Santos vem atropelando tudo e todos. A ponto de os mais saudosistas já se armarem de argumentos, principalmente contra os mais velhos. Já estou vendo as afirmativas, como disse Juca Kfouri ontem em seu blog: "Não vi o Santos de Pelé jogar, mas vi o Santos de Neymar". Se o novo ídolo santista vai ofuscar ou não o Rei Pelé, não sabemos. Isso só o tempo vai dizer. Mas que é bom para os olhos ver o futebol do Santos, não há dúvidas. Aliás, não há oftalmologista que receite o contrário. Parabéns, Santos, pelo título indiscutível.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
O Espanhol
Conheci José Carlos em 1995. Ele é daqueles tradicionais frequentadores da Única, um café em Ribeirão Preto famosa por ter sido palco de muitos negócios fechados nos tempos em que o fio de bigode valia muito mais que qualquer assinatura. Para quem não é de Ribeirão Preto se situar, a Única é um café que está localizado na esquina oposta, no mesmo quarteirão onde surgiu o Pinguim, a choperia tida como a mais famosa do Brasil.
José Carlos sempre foi vendedor de mão cheia. Também conhecido por Espanhol, dada a sua descendência, ele começou trabalhando em banco, mas tomou gosto mesmo pelo contato direto, olho no olho, com seus clientes. Tornou-se, então, representante comercial. Um dos melhores que conheci.
Com seu jeito tranquilo, acabava envolvendo o cliente com seu carisma. De riso fácil, otimista por natureza, vender era com ele. Quanto maior o desafio, melhor para o Espanhol. Corintiano fanático, adorava zombar com os torcedores dos times rivais, principalmente quando seu timão estava por cima. Gostava de viajar para vender os produtos que representava e, em suas viagens, não dispensava a boêmia. Saia, invariavelmente, todas as noites.
Nem mesmo quando viajava em companhia de outro representante comercial, deixava de aproveitar a noite. E foi por conta desses excessos que acabou desenvolvendo uma das doenças crônicas mais comuns nos dias de hoje, a diabetes. Isso, porém, não foi suficiente para tirá-lo da boa vida noturna. Apreciava os bares, as noitadas e as mulheres.
Casou-se duas vezes. Não sei se alguma delas foi no papel. E teve duas filhas. Nesse quesito, ele era bastante conservador. Ai de quem falasse de suas filhas. Virava uma onça para defender uma integridade jamais atacada ou sequer ameaçada. Mas tinha o protótipo de pai ciumento. Suas piadas sempre divertiram quem o conheceu. Mas não pela piada em si. O engraçado mesmo era ver sua risada debochada, divertida, rindo do que acabou de contar para o ouvinte.
Pois toda essa alegria cessou no último dia 10. Internado desde o dia 8 na UTI da Santa Casa de Ribeirão Preto por conta de um edema pulmonar, Espanhol ainda teve esperança de reverter a situação. Principalmente quando recebeu a notícia de que seria transferido para o quarto, para continuar o tratamento - talvez para liberar leito. Já planejava como seria seu final de semana, o primeiro dia das mães que passaria sem sua mãe, morta no final de 2011. Mas seus planos duraram exatos 20 minutos. Foi o tempo em que ele ficou no quarto, longe dos aparelhos de respiração mecânica. Acabou morrendo "afogado fora da água", pois seu pulmão voltou a encher-se de líquidos. Assim se foi o Espanhol, ao 52 anos, com muitos planos, mas que não conseguiu realizá-los. Deixa muita saudade.
José Carlos sempre foi vendedor de mão cheia. Também conhecido por Espanhol, dada a sua descendência, ele começou trabalhando em banco, mas tomou gosto mesmo pelo contato direto, olho no olho, com seus clientes. Tornou-se, então, representante comercial. Um dos melhores que conheci.
Com seu jeito tranquilo, acabava envolvendo o cliente com seu carisma. De riso fácil, otimista por natureza, vender era com ele. Quanto maior o desafio, melhor para o Espanhol. Corintiano fanático, adorava zombar com os torcedores dos times rivais, principalmente quando seu timão estava por cima. Gostava de viajar para vender os produtos que representava e, em suas viagens, não dispensava a boêmia. Saia, invariavelmente, todas as noites.
Nem mesmo quando viajava em companhia de outro representante comercial, deixava de aproveitar a noite. E foi por conta desses excessos que acabou desenvolvendo uma das doenças crônicas mais comuns nos dias de hoje, a diabetes. Isso, porém, não foi suficiente para tirá-lo da boa vida noturna. Apreciava os bares, as noitadas e as mulheres.
Casou-se duas vezes. Não sei se alguma delas foi no papel. E teve duas filhas. Nesse quesito, ele era bastante conservador. Ai de quem falasse de suas filhas. Virava uma onça para defender uma integridade jamais atacada ou sequer ameaçada. Mas tinha o protótipo de pai ciumento. Suas piadas sempre divertiram quem o conheceu. Mas não pela piada em si. O engraçado mesmo era ver sua risada debochada, divertida, rindo do que acabou de contar para o ouvinte.
Pois toda essa alegria cessou no último dia 10. Internado desde o dia 8 na UTI da Santa Casa de Ribeirão Preto por conta de um edema pulmonar, Espanhol ainda teve esperança de reverter a situação. Principalmente quando recebeu a notícia de que seria transferido para o quarto, para continuar o tratamento - talvez para liberar leito. Já planejava como seria seu final de semana, o primeiro dia das mães que passaria sem sua mãe, morta no final de 2011. Mas seus planos duraram exatos 20 minutos. Foi o tempo em que ele ficou no quarto, longe dos aparelhos de respiração mecânica. Acabou morrendo "afogado fora da água", pois seu pulmão voltou a encher-se de líquidos. Assim se foi o Espanhol, ao 52 anos, com muitos planos, mas que não conseguiu realizá-los. Deixa muita saudade.
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