quinta-feira, 17 de maio de 2012

Caminhada da velocidade

A distância entre minha casa e o local onde trabalho é de exatos um quilômetro e trezentos metros. Invariavelmente, como todo bom sedentário, faço esse percurso de carro, duas vezes por dia ida e volta. Tudo bem, preciso do carro para desempenhar meu trabalho durante o dia, mas se houvesse um planejamento, confesso, daria para ficar um período sem ele.
Ontem, no entanto, acabei ficando sem carro por conta de problema mecânico - ou de informática, sei lá, esses troços modernos são muito eletrônicos para o meu gosto. Então não tive opção, senão fazer o "árduo" trajeto entre a redação e minha casa, no final do dia, pasmem, caminhando.
Aproveitei o percurso e parei na lotérica, em frente ao prédio onde trabalho para pagar um imposto. Como o nome mesmo já diz tudo, só paguei porque me impõem esse ônus. Por vontade própria não o faria, afinal, não vejo contrapartida. Basta ver a saúde pública, que de acordo com a nossa Constituição, é dever do Estado, mas mata por péssimas condições, falta de vagas, erro humano, falta de medicamento, entre outras razões. Bom, mas o assunto não é a alta tributação à qual somos submetidos.
Feito o pagamento, continuei a caminhada. Alguns metros à frente, passando em frente a um posto de combustíveis, vejo uma grande movimentação e um barulho ensurdecedor. O trânsito parcialmente parado, como costuma ocorrer na época em que saem os resultados dos vestibulares e os calouros fazem pedágios, atrapalhando o trânsito.
O motivo era outro. No próximo final de semana, Ribeirão Preto sedia mais uma etapa da Stock Car, a mais importante categoria de automobilismo nacional, pela terceira vez consecutiva. Carros dos pilotos e protótipos estão espalhados em todos os cantos da cidade. E no posto de combustíveis o assunto também era a corrida que acontecerá no final de semana. Um dos carros da categoria, que é patrocinado pela mesma marca de combustíveis da bandeira do posto, estava lá, bem ao alcance dos curiosos. Ao lado, o carro de uma emissora de rádio, com seus potentes auto-falantes rivalizava com as aceleradas esporádicas que os mecânicos faziam na máquina.
Continuem caminhando e a menos de 300 metros, outra novidade. Em frente a uma farmácia, no estacionamento para clientes disposto na calçada, estava outra máquina da Stock Car. Lá, os pilotos Marcos Gomes e Xandinho Negrão, bastante simpáticos, tiravam fotos com os curiosos, davam autógrafos e, claro, faziam o merchandising para o patrocinador.
A caminhada da velocidade corria bem, até que a poucos metros de minha casa alguém que não sabe seguir em velocidade estragou a diversão. Uma esquina antes de minha rua, uma senhora vinha pela direita, dando seta para entrar à direita, quando um motociclista, daqueles irresponsáveis que adoram costurar, seguir entre os carros numa faixa imaginária de fluxo para motociclistas, cortou-a também pela direita em alta velocidade, tentando seguir em frente.
O choque foi inevitável e o imprudente "motoqueiro" se estatelou no chão. Ao perceber que havia se dado mal, ainda tentou argumentar e deixar o local, enquanto a mulher, trêmula, tentava entender o que aconteceu com seu carro bem cuidado. O motivo para a tentativa de fuga do rapaz é que ele não tinha habilitação. Mas não teve jeito. Foi obrigado a esperar, pois estava com uma pequena fratura exposta no pé direito. Confesso que foi uma forma triste para encerrar minha caminhada da velocidade, mas foi muita atração num percurso tão curto. Será que caminhar é sempre assim? Se for, vou acabar aderindo à moda.

2 comentários:

  1. Luque sugiro que vc volte a velha brasília pelo menos ela só dava problema mecânico ja que de eletrônica ela não tinha nada.

    Gilberto

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    1. Verdade, Gil... A boa e velha Brasília se deixava consertar até com um pedaço de barbante!!!

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