quinta-feira, 31 de maio de 2012

A partilha

É cada dia maior o número de casais vivendo em união estável que se separam. E com isso, aumenta a possibilidade de casais bem próximos tomarem a mesma decisão. Um divórcio ou uma simples separação envolve muita coisa, principalmente os filhos e os bens do casal. Em alguns casos, a disputa beira a guerra.
Constantemente temos notícias de que um dos conjuges, em atitude extrema, some com os filhos. Uma guerra que nos deixa entre o drama e a comédia.
Foi o que aconteceu num bairro onde morei há mais de 10 anos. Havia um casal bem ao lado de minha casa. Eles pareciam que se davam muito bem. Nunca desconfiei que tivessem algum problema. Até que um dia o marido chegou em casa, depois de um dia de trabalho e encontrou tudo vazio. Percebeu que a mulher havia ido embora, levado tudo, inclusive os filhos. Mas antes de partir, ela ainda deixou recado pelas vizinhas, dizendo que não a procurasse, pois ele sabia que não era o pai biológico das crianças. Esse estava preso e, quando ganhou liberdade, a mulher se juntou a ele e deixou o ex-companheiro.
O homem ficou indignado, afinal, garantia ter sido ele quem comprou os móveis. Mas acabou sumindo do bairro, por conta da vergonha que alegava estar passando. Também deixou o trabalho e mudou de cidade. A última vez que soube dele estava morando no nordeste. Coincidentemente, a ex-mulher e os filhos - não se sabe de quem - também estavam por lá, mas em outro estado.
O problema é que as separações aumentam e chegam a nosso círculo de pessoas que consideramos realmente amigas. Aí nos vemos como os filhos do casal. Uma coisa inimaginável. E vem a fatídica questão da partilha: quem vai ficar com os amigos?
Em casa, procuramos manter a amizade com os dois lados, por mais difícil que isso possa ser. Afinal, são pessoas com as quais criamos laços estreitos de amizade, carinho, admiração. Mas dos três casais que conhecemos, apenas um ainda tem sido possível manter esse vínculo.
E a cada encontro com os dois, seja em festa, seja em velório, vem aquela dor da saudade. Há sempre a esperança de que tudo pode mudar, de que a partilha não seja feita e tudo seja unido novamente. Os filhos sofrem, a família sofrem. Mas será que alguém parou para pensar que os amigos também sofrem?
É inevitável a lembrança de almoços dominicais dos bons tempos. Todos alegres à mesa. Ou num descontraído bate-papo em volta da churrasqueira. Isso sem falar nas saídas aos sábados, nas pizzarias, nos botecos.
As lembranças também surgem quando lembramos das viagens. Quantos lugares visitamos juntos. E olha que alguns não eram nem tão bons, mas a companhia ajudava a melhorar o passeio. Muitas risadas, algumas lágrimas. Agora um de cada lado. Tentando juntar os cacos. Longe de querer julgar este ou aquele. Entre quatro paredes, todos têm suas razões em um relacionamento. Mas ficamos sempre pisando em ovos, tentando manter o clima entre os dois e entre os demais amigos. É como os filhos pensam - pelo menos a maioria: pai e mãe não poderiam se separar. Pois amigos íntimos também não.

2 comentários:

  1. Estou passando por isso. Um amigo da época do colégio está se separando da mulher. Mas no meu caso tem um agravante, sou padrinho de casamento e da filhinha deles. A situação é horrível! Tendo a colocar-me do lado desse amigo devido a toda a situação que desencadeou essa separação, mas também sei que ele errou. Ouvir ele desabafando e tentar aconselhar é muito difícil pois preciso tomar cuidado para não dizer algo que pareça parcial e que possa sensibilizá-lo ainda mais e, como sou muito franco e direto, tenho medo de que ele fique magoado comigo! Quando sei que a pessoa está errada, falo na cara, curta e grossamente. Com ele tenho que me segurar para não ser tão direto!
    Isso tem sido um teste de polidez e tanto para mim!

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    1. É uma situação bastante complicada, Sidney. No meu caso, tento não julgar, mas dói ver pessoas que há pouco tempo conviviam bem agora em conflito constante. Continue com seu desafio de polidez, que é o melhor a fazer.

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