terça-feira, 12 de junho de 2012

10 mil partos e grandes acolhidas

Dr. Nilo e dona Dalva abrem mão de qualquer programa para ficar com a família. E por família entenda-se filhos, netos, amigos e agregados. Sempre que possível, principalmente nos feriados, chegam de todos os rincões e se acomodam na residência dos Navarro, em Caxambu.
Dr. Nilo é médico. Formou-se na USP (Universidade de São Paulo) e é contemporâneo de Adib Jatene. Mas ao contrário do ex-ministro, dedicou-se integralmente à medicina.
Dona Dalva é professora, formada em francês, mas que abdicou de sua carreira para cuidar dos filhos e dos netos. Costuma dizer que uma casa sem movimento não é uma casa viva. E fica feliz quando lota a casa com filhos e netos.
Casados logo após a conclusão da faculdade de medicina, os dois vieram morar no interior de São Paulo. Receberam o convite de um dos brasileiros mais influentes do século XX, o Conde Francisco Matarazzo e foram instalar-se na cidade de Santa Rosa de Viterbo, onde dr. Nilo trabalhou atendendo funcionários da Usina Amália. Tamanha a dedicação do jovem médico que a filha do Conde Matarazzo, Maria Pia, convidava-o, ao lado de dona Dalva, para alguns jantares na sede da fazenda, ocasiões bastante concorridas pela sociedade paulista.
Depois mudou-se para Orlândia, onde também atuava como cirurgião geral. Ficou por lá alguns anos e decidiu mudar-se com a esposa e os filhos para Caxambu, no sul de Minas Gerais, região onde o médico tinha vários parentes. Chegou e acabou instalando-se para não mais sair da cidade. E foi morando em Caxambu que voltou a estudar e especializou-se em ginecologia e obstetrícia.
Entre tantas histórias de vidas salvas, o médico orgulha-se em dizer que fez o parto de todos os cinco filhos, dos netos e de boa parte dos moradores de Caxambu, hoje com cerca de 21 mil habitantes. E sua dedicação à medicina foi tamanha que tornou-se um cidadão bastante respeitado. Ele admite que pode ter trabalhado no nascimento de aproximadamente 5 mil pessoas, entre moradores de Caxambu e da vizinha Baependi. Mas corre a boca pequena que este número ultrapassa os 10 mil partos.
Aposentado há pouco tempo, hoje com 78 anos dr. Nilo ainda procura se atualizar sobre a medicina e faz questão de participar das conversas com as várias gerações que com ele convivem em sua casa. Vascaíno convicto, está um tanto animado com o início de campeonato brasileiro, onde o time cruzmaltino venceu todos os jogos disputados até agora.
Dona Dalva, por sua vez, faz questão de proporcionar sempre o melhor da culinária para sua família. E ninguém pensa duas vezes se surge uma viagem para outro lugar. Acabam mesmo indo parar em Caxambu. Mãe e avó dedicada, dona Dalva faz questão de dizer que hoje deixa seus netos bastante à vontade em casa e que até fez reformas no imóvel para deixá-los ainda mais confortáveis. Nos encontros da família, mesmo com problemas na coluna, faz questão de preparar os deliciosos pratos saboreados por todos em torno da mesa farta.
Isso tem funcionado muito bem. Os filhos, junto com alguns amigos, têm um grupo musical chamado Caroço de Banana e se apresentam na cidade e na região. Adotaram um estilo bastante curioso: transformam qualquer tipo de música, inclusive rock clássico, em samba. E são tão bons no que fazem que tornaram-se sinônimo na animação do carnaval de Caxambu. No feriado de Corpus Christi, por exemplo, lotaram uma área para apresentar sua música e animaram a platéia por horas a fio.
E os netos de dr. Nilo e dona Dalva já começam a trilhar o caminho dos tios. Esse ciclo de união familiar tem dado bastante certo e só em casos extremos é que os filhos e netos do casal não rumam para a bela e hospitaleira Caxambu. Uma prova de que uma casa só tem vida se é movimentada, como faz questão de afirmar dona Dalva. E com um ingrediente fundamental: amor.

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