Sábado, 23 de junho de 2012. Estávamos eu e minha esposa caminhando pelo bairro Santa Cruz, em Ribeirão Preto, quando ao passar em frente uma casa cheia de entulhos e fechadas, ouvimos uma tétrica sinfonia. Diversos cães - calculo mais de cinco - uivando desesperadamente dentro da casa fechada. Era por volta de 18h50 e ficamos preocupados com o que ouvimos.
A rua é de pouco movimento e não havia nenhum vizinho que pudesse nos dar algum indício do que seria. Mas era fácil supor que os animais estavam sofrendo ou por falta de alimento ou por maus tratos. Possivelmente por ambos. Imediatamente peguei meu celular e disquei 190.
Atendeu um PM bem educado. Contei-lhe a história, achando que a pendenga estava resolvida. Que nada. Era um sábado. E sábado é sempre plantão de tudo. O PM me informou que essa denúncia deveria ser feita ao Departamento de Zoonoses, da prefeitura. Indaguei se não seria o caso de mandar uma viatura avaliar o local, afinal, a casa estava fechada. Ele manteve a orientação e me passou o número do telefone da Zoonoses.
O telefonema durou cerca de um minuto. Portanto por volta de 18h51 comecei a tentar ligar para o número que me foi passado, o (16) 3628-2668. Estava ocupado. Foram seis tentativas até que, por volta das 18h58, consegui encontrar a linha disponível. Atendeu uma mulher, que não se identificou. Contei o drama dos animais da casa fechada, a tal casa dos cães uivantes. Ela, impassível, apenas se limitou a dizer: "senhor, hoje é sábado e não estamos trabalhando. Além disso, o senhor deve dirigir-se à Delegacia de Defesa dos Animais para registrar uma ocorrência".
Bem, trabalho com jornalismo policial e sei que as delegacias especializadas não funcionam no final de semana. Disse-lhe que apenas o plantão estaria funcionando. "Pois vá então ao plantão". Indaguei se eles não tinham o menor interesse em averiguar possíveis maus tratos e ela deu por encerrada a ligação. Ainda perguntei sei nome e ela simplesmente desligou, popularmente falando, bateu o telefone na minha cara.
Indignado, liguei novamente e antes de qualquer coisa, perguntei-lhe o nome. Ela quis saber a razão. Eu disse que ela deveria se identificar e que denunciaria a falta de interesse. Se não era um procedimento do órgão, que ficasse tranquila, pois a denúncia recairia sobre o órgão. Ela se limitou a dizer que chamava-se Michela e desligou. Bem, duvido muito que esse seja seu verdadeiro nome.
Mas espero que a denúncia seja acatada e que a Prefeitura de Ribeirão Preto tome as devidas providências. Valei-me São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque, considerados respectivamente santo protetor dos animais, santo protetor dos cães e santo protetor dos pets. Afinal, num final de semana de plantão, só mesmo os santos para proteger os pobres animais. Imagino como se sentem vários amigos engajados na luta pela proteção aos animais ao ver situações como essa. A Ariane, a essa altura, está indignada e com razão.
Numa época em que tanto se defende a punição aos que atacam os animais, essa recusa por parte de órgãos, imaginamos, competentes, é absurda. Até porque quem está na rua passando, como é o meu caso, não vai querer ficar perdendo tempo com burocracias, indo a distritos para elaborar ocorrências. Quer é ver a questão resolvida com urgência. Isso desestimula as denúncias e os maus tratos continuarão ocorrendo.
Os cães estão lá uivando, demonstrando que algo não está nada bem. É uma quantidade considerável de animais. Mas ninguém se preocupa em solucionar o caso de imediato, antes de consequências mais graves. Ficam presos a burocracias ou despistes, quem sabe, para não ter trabalho.
E é exatamente assim que se sente o cidadão que trabalha arduamente e, se adoece num final de semana, estará fadado a um atendimento precário na saúde pública. Afinal estão funcionando em sistema de plantão. Ora, se o plantão foi criado, não é, a meu ver, para ser um atendimento figurativo. É para ser efetivo. Pois bem, denúncia feita. E enquanto medidas não forem tomadas para averiguar o que ocorreu naquela casa, só nos resta mesmo ter muita fé e rezar para que São Francisco de Assis, São Lázaro e São Roque protejam aqueles cães de eventuais maus tratos e descaso por quem teria competência para evitar que isso ocorresse.
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