terça-feira, 5 de junho de 2012

A chefe

Nunca tive problemas em ter uma mulher em cargo hierarquicamente superior ao meu. Mas sei que a vida das mulheres que exercem cargo de chefia não é fácil, até por conta do preconceito machista que impera, ainda nos dias atuais.
Hoje, com exceção de minha esposa, não tenho nenhuma mulher no comando de minhas ações. Mas vejo com bons olhos o trabalho que elas realizam e, por essa razão, faço esse reconhecimento. Tenho visto uma avalanche de críticas à prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera. Eu, particularmente, não votei nela, embora sejamos colegas de profissão - ambos somos radialistas. Mas com algumas ações, percebi que ela demonstra ter muito boas intenções.
Por mais que a política seja a arte dos ataques, da convivência turbulenta entre opostos, não estou aqui para discutir as fórmulas mirabolantes de planos de governo, apenas para fazer uma constatação. A cidade tem melhorado muito em alguns aspectos. É evidente que em outros ainda caminha a passos de tartaruga, mas nem sempre é possível sanear todas as questões e muitos ataques acontecem simplesmente porque ela é mulher.
No caso das obras anti-enchentes, ela aparentemente tem realizado um bom trabalho e revitalizou a região da baixada. Enfrenta problemas na saúde, é verdade. E isso é uma coisa muito séria. A falta de médicos é inconcebível, mas isso é um problema conjunto, entre governo federal, estadual e municipal, principalmente no que diz respeito ao repasse de verbas.
Mas o que me chamou muito a atenção foi a disseminação de equipamentos de ginástica em praças e parques, para que a população possa ter acesso a exercícios mais complexos, além de corridas e caminhadas. São as chamadas "academias ao ar livre". Volto a dizer, não estou aqui para fazer campanha, até porque não sei se votarei nela e nem se ela será candidata, apesar de estar aparentemente em campanha. Mas acho que deve-se também reconhecer o trabalho da mulher, por mais que isso incomode muitos homens.
Lembro que quando fui secretário de imprensa em Cajuru, na gestão da prefeita Margarida do Nascimento, me deparei com inúmeros ataques a ela, pelo simples fato de ser mulher e divorciada. Mas ela sempre se manteve firme e acredito que fez um bom governo. Conheci bem minha chefe e posso garantir que ela sempre foi bem intencionada.
Já tive várias mulheres que foram minhas chefes e de apenas uma não guardo boas recordações. No jornalismo, com mulheres no comando, pude aprender ainda mais e aprimorar meu texto. Foi assim com a Matilde Leone na Revide, com a Carmen Cagno no Enfim e com a Ana Maria Cicácio no Jornal da Manhã.
Atualmente, um dos jornais que edito é dirigido aos policiais civis. E este sindicato tem na presidência uma mulher, Maria Alzira. Ela, a exemplo de outros casos que aqui citei, encontra ainda muita resistência, que vem sendo superada ano após ano, ato após ato. Foi a primeira mulher a dirigir o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis). Reelegeu-se. Faz um ótimo trabalho, a meu ver. Mas, por ser mulher, acaba sofrendo alguns ataques. Quando as críticas são relativas ao trabalho, até acho uma situação aceitável. O problema é quando envolve sua condição de mulher no comando.
Isso tem que acabar. Estamos já há vários anos no Século XXI. Não podemos mais compactuar com situações de preconceito contra a mulher no comando. Nem contra a mulher, em geral. Pode até parecer lugar comum, mas homens e mulheres podem e devem andar lado a lado. Se um dos dois ocupar uma chefia, por méritos e competência, não há porque se questionar e há que se respeitar. Simples assim.

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