sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entrei de gaiato no navio - Parte final

Apesar de ser um passeio temido por muitos, pouquíssimos são os que de fato enjoam num navio. E o melhor mesmo é manter-se sempre bem fisicamente. Evitar consumir bebidas alcoólicas em excesso, comer em demasia são receitas básicas para um bom cruzeiro. Fazer refeições leves e a cada três ou quatro horas também ajuda. No mais, é só aproveitar.
Quem se prepara para ficar à base de medicamentos, dificilmente vai aproveitar a viagem. Até porque tais medicamentos dão sono e dormir é o que menos se quer fazer no navio. Na questão das cabines, tirando o fato de que quanto mais alto o andar (ou deque), mais prioritário será o desembarque do passageiro, o lugar onde se passa menos tempo num cruzeiro marítimo é a cabine.
Quem não se preocupa com status, quer aproveitar para economizar e ainda ficar pouco exposto aos balanços do navio, o melhor mesmo é ir de cabine interna nos deques mais baixos. Tudo bem que o passageiro terá que andar um pouco mais em relação aos outros dos deques mais altos, mas a economia vale a pena. E as cabines apresentam as mesmas acomodações, com exceção daquelas que têm varanda. Portanto, seja cabine interna ou externa, o que vale é só ter um local para retomar as energias.
Dormir, como já citei, é o que menos se faz num cruzeiro. Para os adeptos de exercícios, há muitas atividades. Dependendo do navio, como o Soberano, por exemplo, tem até quadra de basquete e parede de escalada. Academias completas estão à disposição do passageiro, com uma vista incrível do mar.
As refeições do dia são informais. O café da manhã e o almoço, geralmente, são servidos no sistema self service no restaurante do deque da piscina. Há uma grande variedade de pratos. Mas se preferir, é possível comer pratos a La Carte no restaurante dos deques 3 ou 4, que são utilizados para os jantares mais formais. Eles também funcionam durante o dia, nas refeições.
Além disso, há diversos bares e lanchonetes espalhados. Para a turma que gosta de competições, os monitores promovem bingos e gincanas durante todo o dia. E a jogatina, à noite - quando o navio não está aportado ou ancorado -, fica por conta do cassino.
A moeda no navio é o dólar. E o cassino só funciona em alto mar por estar em águas internacionais, portanto, não sujeitando-se às leis brasileiras. Há vários deques onde é possível fazer uma boa caminhada, sentar-se ou deitar-se em uma espreguiçadeira e aproveitar a paisagem, com a pele acariciada pela brisa do mar.
Protetor solar é ferramenta básica e prioritária pois, apesar da brisa constante, o sol pode provocar estragos na pele das pessoas que não se protegem adequadamente. No período noturno, há bares com músicas variadas e boates. Geralmente duas. Também há locais reservados para casais. Em alguns navios, há sessões de cinema. O teatro é a grande atração do início da noite. O navio tem vida 24 horas por dia.
Nos portos onde aporta ou atraca, o navio pode servir de ponto de apoio. Em Montevidéu, por exemplo, é possível fazer os passeios e voltar ao navio para a refeição. Mas se o passageiro quiser conhecer um pouco mais do país ou do porto em que está visitando, aí é preciso se aventurar. Por exemplo, na capital uruguaia, é possível provar a famosa parrillada, um churrasco com vários tipos de carnes e miúdos de boi. Um dos pontos para essa consumação é o Mercado Municipal, que fica bem próximo ao porto.
Em Buenos Aires, a opção é provar o bife de chourizo e o bife de ancho, que podem ser consumados, por exemplo, num dos vários restaurantes de Puerto Madero, a antiga zona portuária portenha, devidamente revitalizada e que tem o apelido de Manhattan argentina.
Mas, além das culinárias, é possível conhecer importantes pontos turísticos. Na escala de Ilhéus, por exemplo, até o famoso Bataclan, o cabaré imortalizado por Jorge Amado no livro Gabriela. Em Salvador, o porto fica bastante próximo do Pelourinho, Mercado Modelo de Salvador e o famoso Elevador Lacerda. Em cada cidade, uma história diferente, um passeio novo e encantador. Mas o melhor de tudo isso é que, ao término da jornada diária, você estará de volta ao navio, para continuar sua viagem. Cruzeiro marítimo é algo que não se tem como fugir do lugar comum. Quem não foi, deve ir e quem já foi certamente voltará. Quem sabe não nos encontramos no próximo cruzeiro? Mas, mesmo que isso não aconteça, boa viagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário