segunda-feira, 11 de junho de 2012

Perder e perder

Começar a semana analisando o verbo perder pode ser, para alguns, algo preocupante. Mas não deixa de ser interessante, ao notar as várias nuances de uma mesma palavra. 
O mais pessimista encara a palavra perder com certo temor. É comum, quando morre alguém muito especial, dizermos que perdemos tal pessoa. De fato, não deixa de ser uma enorme perda, uma lacuna irreparável, que traz junto a dor da saudade. 
Outro temor de grande parte das pessoas é perder algo. Raras são as exceções que gostam, por exemplo, de perder um emprego. Ser demitido dá uma sensação de impotência, mexe com a auto-estima e nos deixa com a ideia de que somos incompetentes. Por mais desculpas que seu ex-empregador dê, como corte de funcionários, retenção de gastos. Justificativas não tiram a dura indagação: justo eu, por quê?
Perder objetos também é preocupante. Ninguém gosta de perder seu celular. Dói no bolso e no ouvido. Sim, porque você certamente passará horas, primeiro tentando com a operadora, bloquear o chip. Depois porque vai novamente perder tempo tentando bloquear o aparelho. E, se optar pelo Boletim de Ocorrência Eletrônico, corre o risco de não conseguir fazê-lo, pois é um pouco confuso no quesito celular. E perder documentos também é algo que gera muito aborrecimento. 
Outro emprego do verbo perder que causa muito desgosto se dá no esporte. Torcedor nenhum quer ver seu time perder a partida. Principalmente em se tratando de clássico e disputado no final de semana. Neste caso, a segunda-feira fica especialmente mais chata do que de costume, diante da gozação dos torcedores do time que se sagrou vitorioso no embate. Que o diga meu cunhado Luiz e meus sobrinhos Renato e Marcelo, todos santistas de carteirinha. Saudações Tricolores!
Perder é uma palavra que costumeiramente está associada a prejuízo. Além do caso do celular, dos documentos e outros itens "perdíveis", há ainda algumas perdas forçadas que lhe prejudicam diretamente. É o caso da greve dos metroviários em São Paulo ou dos motoristas de ônibus em Ribeirão Preto. Muitas pessoas perderam o dia de trabalho e, fatalmente, terão descontados preciosos reais de seu próximo holerite. 
Mas nem sempre perder é perder. Quer dizer, há quem comemore uma perda. Foi o caso de minha cunhada Carla. Ela é executiva e viaja semanalmente para Belo Horizonte e Porto Alegre. Pois ela estava na capital gaúcha há alguns anos e, por conta de uma reunião de trabalho, acabou perdendo o vôo que normalmente pegava de volta para São Paulo. Para infelicidade de muita gente, aquele foi o vôo que, ao chegar em Congonhas, teve problemas no reverso, não conseguiu diminuir, atravessou uma avenida e explodiu em um prédio, próximo ao aeroporto, matando todos os passageiros e tripulantes, além de várias pessoas em solo. 
Entre tantas formas de aplicar o verbo perder, a que mais causa alegria é quando diz respeito à estética. Afinal de contas, quem é que não gosta de perder uns quilinhos, seja por conta de um regime alimentar ou graças a exercícios físicos? Essa é, sem dúvida, a perda mais comemorada por todos. Aproveitando o espaço, peço desculpas pelo atraso nesta postagem e aguardo todos aqui, amanhã. Não perca meu próximo texto. Até lá. 

Um comentário:

  1. Acredito que o verbo perder precede o verbo ganhar, como: perder noites de sono para ganhar a alegria de ver nossos filhos crescerem; perder baladas e ganhar o ingresso na faculdade dos sonhos; perder o campeonato paulista, mas acumular alguns títulos da Libertadores...hahaha
    Martha

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