A questão das sacolinhas gratuitas no supermercado me fez ver o quanto somos "preocupados" com o nosso ecossistema. Tão logo a medida foi anunciada, vi muitos depoimentos de pessoas favoráveis à medida, muitos alegando que precisamos cuidar melhor de nosso planeta.
Seria uma iniciativa louvável, não fosse tão inócua quanto o resultado da medida por parte dos supermercados. Mas quando a coisa começou a apertar e as pessoas se viram obrigadas a comprar sacolas retornáveis toda vez que iam às compras e percebiam que não teriam onde carregá-las, que grande parte dos defensores mudou de opinião.
Especificamente, neste caso, a medida só visava aumentar o lucro dos supermercados. Mas muita gente que se dizia tão favorável às medidas se mostra contraditória em seu cotidiano. No prédio onde moro, por exemplo, multiplicam-se casos assim. Ninguém me contou, eu mesmo vi. Tem um morador que conversou comigo e se mostrou totalmente favorável à medida da suspensão das sacolas gratuitas. Mas dia desses eu o vi, na rua, jogando uma garrafa de água pela janela de seu carro, na rua. Um belíssimo exemplo de como devemos tratar nosso planeta. É a velha história do "se não precisar fazer nada, tem meu apoio".
Mas os casos não param por aí. Numa reunião de condomínio, decidiu-se cimentar a única área verde do prédio, um campinho gramado que também funciona como drenagem de solo em dias de chuva. Numa região extremamente permeável, aquele pedacinho era uma ilha de terra e verde, que será cimentada apenas para não sujar a área comum do prédio. Porém, na reunião, falaram de exemplos de preservação e da reciclagem de lixo.
Reciclagem que existe no meu prédio, mas que constantemente encontro no lixo orgânico materiais que poderiam ser reciclados apenas porque as pessoas acham que não são elas quem deve lavar tais produtos para facilitar na reciclagem. Talvez pensem que é melhor jogar fora para não ter trabalho.
A questão, todavia, não se resume somente aos casos de preservação ambiental. Vai muito mais além. Dia desses li o comentário de um amigo, Gilberto Negro, bastante pertinente. Ele dizia - não necessariamente com essas palavras - que a educação dos filhos não é atribuição da escola, mas dos próprios pais. E é a mais pura verdade.
Mas o que ocorre nas escolas não é exatamente isso. Tomo por base a escola de meu filho, onde vejo os pais de seus colegas sempre comentando coisas que lhes seria atribuição própria. Cabe à escola instruir com conteúdo e passar noções que ajudem a formar o caráter. Mas a educação propriamente dita cabe aos pais.
Não adiante um pai que transgride regras, que fure filas, que dê sempre o tal famigerado "jeitinho brasileiro", querer que a escola ensine a seu filho exatamente o contrário do que ele faz. O exemplo deve partir de casa. Mas muita gente acha que, seja por que paga ou porque tem direito a escola pública, são os professores quem deve assumir o dever de educar as crianças.
Seria bem melhor que essas pessoas se policiassem. Que não furassem filas, que não tentassem sempre levar vantagem, que realmente se preocupe com o ecossistema. Assim ajudariam na formação do caráter de seus filhos bem como esperam que outros o façam. E a natureza, de fato, iria agradecer. Não adianta esperar os outros. Temos que fazer a nossa própria parte. Bom dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário