sexta-feira, 29 de junho de 2012
Sexta-feira brava
Não sou muito fã da música sertaneja "moderna". Quando muito, gosto das raízes, com Pena Branca e Xavantinho, Tonico e Tinoco, entre outros nomes sagrados. Mas não tem como deixar de associar sexta-feira à tal da musiquinha da cerveja. Parece automático: "hoje é sexta-feira".
E tinha tudo para ser uma sexta melhor do que as convencionais, afinal os filhos estão começando as férias, apesar do "mundo selvagem", de ter que lhes proporcionar entretenimento boa parte do mês, é sempre bom tê-los mais tempo conosco.
Mas o dia começou tenso. Para começar, me deparo com um acéfalo no trânsito, cortando todo mundo, passando semáforo vermelho, não sem antes me dar uma fechada por conta de sua pressa. Mais adiante, quando o sinal fica verde, outro "motorista" ultrapassa seu sinal vermelho, bem na minha frente, e quase atropela um motociclista que estava saindo quando o semáforo lhe ficou verde.
Chego ao trabalho e meu vizinho de sala, o Tiãozinho, contador de primeira, vem todo pessimista: "pois é, vizinho. A coisa está complicada. Essa noite eu nem dormi direito. Vem coisa brava por aí. Essa turma da Dilma está aprontando. Além disso, aqui em Ribeirão Preto tem a tal da 'cidade limpa' que está inquietando os comerciantes. Muitos estão simplesmente destruindo seus cartazes nas fachadas porque falta informação".
Entro na redação meio preocupado, afinal não parece uma sexta-feira comum. E quando começa assim, tudo tende a ficar mais sério do que parece. São coisas minúsculas que, na somatória, ofuscam o brilho costumeiro da sexta.
Ao entrar na internet para ver as notícias do dia, essa sim encarei como um soco no estômago. Não entendo isso. Um prefeito que considero impopular, às vésperas de um pleito eleitoral, faz mais uma das suas para marcar definitivamente seu nome no panteão dos vilões. Muitas das medidas do tal Gilberto Kassab não me agradam. Uma delas, que não entendo até hoje, foi a proibição da venda de lanches tradicionais, como pernil e calabresa, no entorno dos estádios de futebol.
Isso é um absurdo. Primeiro que tanto no Morumbi, quanto no Pacaembu, não há nada fisicamente instalado, como um bar ou lanchonete, nas suas imediações. Nada que possa atender quem tem fome ou sede antes do jogo. Segundo e mais importante. Eu mesmo fui criado com essa cultura daqueles suculentos lanches preparados antes do jogo. E não venha o senhor Kassab dizer que é por conta de higiene, não. Afinal, por conta de sua proibição, ai sim surgiram os oportunistas e vendem produtos duvidosos.
Mas loucuras à parte, essa foi a principal em sua administração. Li que o Kassab está querendo proibir a distribuição do Sopão da Noite aos moradores de rua. Que absurdo. A instituição que faz a coleta de donativos, compra os ingredientes, prepara a sopa e a distribui nas noites de segunda a quinta-feira, não depende em nada da prefeitura de São Paulo. Tudo isso é feito há 23 anos, por conta própria.
A Ong da Sopa da Noite está na estrada há 23 anos, percorrendo um caminho que a prefeitura jamais se preocupou em trilhar. Ele veio com a velha história da questão de higiene. Lamentável. Vai tirar a única refeição de boa parte dos cerca de 300 moradores de rua beneficiados.
Como a repercussão do fato não foi positiva, tentou emendar a solução. Disse que a própria prefeitura faria a distribuição da sopa em tendas da prefeitura, os chamados centros de convivência social. De qualquer forma, ele imagina que os moradores de rua irão se locomover até as tais tendas para tomar uma sopa. Uma falácia. Já está mais do que provado que, para se atender de verdade os moradores de rua, não basta dar-lhes um endereço. É preciso ir até eles. Haja vista as kombis da Cetrem Central de Triagem e Encaminhamento do Migrante, Itinerante e Morador de Rua). Elas percorrem as ruas convidando os moradores para se dirigirem até seus abrigos e em boa parte das abordagens acabam tendo o convite feito recusado pelos moradores de rua.
Moradores de rua são pessoas desfavorecidas pela sorte, sem teto, sem emprego. Muitos são viciados em álcool ou drogas. Outros desesperançosos da vida. É preciso fazer um trabalho sério. Se a sopa não consegue reintegrá-los à sociedade, ao menos leva-lhes alento. Se a prefeitura de Kassab quiser mesmo cuidar do caso, é preciso deixar a burocracia, os gabinetes e a falácia. Ir a campo é o principal caminho. O bom de desabafar, é que renova-se a esperança de que esta sexta-feira cinzenta volte a ser uma sexta-feira iluminada. Bom final de semana a todos.
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Como diz seu cunhado: o problema desse dito prefeito, é muito simples de explicar, o que dá trabalho para resolver, P-R-O-Í-B-E. Como tantas outras coisas que ele fez, proibindo camelôs na rua 25 de Março, Voluntários da Pátria, descaracterizando-as,os famosos lanches dos estádios, a eliminação das placas com os nomes nos comércios visando a cidade limpa (vai procurar um comércio dirigindo, e vê se acha), ele acha mais bonito a sujeira dos prédios e das vias públicas....e muitas outras coisas.Vai entender.......
ResponderExcluirAngelica.
É a mais pura verdade, Angelica
ResponderExcluirTirou as palavras da minha boca tia. Essa história de colocar toda culpa na higiene é exatamente isto: é mais fácil proibir do que solucionar.
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