terça-feira, 19 de junho de 2012

Simplesmente Ribeirão Preto

Ribeirão Preto começou a surgir no século XIX graças aos mineiros que, tendo esgotado suas terras com a mineração, já decadente naqueles tempos, partiram rumo ao oeste em busca de novas terras prósperas, encontrando a terra roxa da região, própria para o cultivo agrícola. Mas foi graças à estrada de ferro que Ribeirão, definitivamente, passou a crescer a passos largos.
A maior e mais antiga cidade da região era São Simão, hoje uma cidade com cerca de 15 mil habitantes. A chegada da Estrada de Ferro Mogiana alavancou o desenvolvimento e Ribeirão Preto foi, aos poucos, crescendo no cenário regional. Hoje é um dos maiores municípios paulistas e um dos centros regionais mais importantes do interior do Brasil.
A cultura cafeeira trouxe muita gente para Ribeirão Preto. Os barões do café, que marcaram época, foram bastante poderosos. Nomes como Francisco Schimidt e Henrique Dumont eram aclamados como os reis do café brasileiro. Henrique Dumont, aliás, era pai do inventor Alberto Santos Dumont, aquele mesmo que voou com seu 14 Bis em Paris, no início do século passado. E foi graças ao dinheiro do café que muitos monumentos na cidade foram erguidos.
Tudo mandavam vir de Paris. Desde azulejos, afrescos e outros produtos, até as mulheres que trabalhavam no cabaré e eram amantes dos barões do café. Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, a cultura cafeeira acabou levando muitos barões à falência. Mas a cidade já estava nos trilhos do desenvolvimento e continuou crescendo.
Outras culturas vieram, como a cana-de-açúcar, hoje predominante em todo o norte do Estado. Mas a cidade passou a se preocupar também com o comércio e o terceiro setor. Tornou-se centro regional. Hoje recebe diariamente mais de 100 mil pessoas, que vêm à trabalho ou a negócios.
O negócio tornou-se marca registrada de Ribeirão Preto. Considerada a capital nacional do agronegócio, sedia uma importante feira de máquinas agrícolas, o Agrishow, que durante seu período de realização traz tantos visitantes que não só todos os hotéis de Ribeirão Preto, mas hotéis num raio de 100 quilômetros são tomados pelos participantes da feira, rendendo divisas para toda a região.
Cidade universitária, também é um importante polo cultural. Por aqui militaram grandes artistas, como Bassano Vacarini, Francisco Amêndola, entre outros. Da região, surgiu Cândido Portinari, considerado um artista completo. Era de Brodowski, distante 20 quilômetros de Ribeirão. Hoje novos nomes começam a se articular e a arte volta a ganhar nomes exponenciais, como Cordeiro de Sá e outros agitadores culturais.
A ferrovia, que tanto alavancou Ribeirão, hoje definha. Em suas ruas não circulam mais trens. Apenas um único ramal ainda recebe algumas composições. Muitos trechos já não têm mais trilhos. Um aspecto a se lamentar, principalmente por ser o trem um meio de transporte limpo, não poluente.
Mas a cidade foi adiante. A gastronomia é excelente, oferece pratos para todos os gostos. No futebol, a tradição ainda mantém vivas as esperanças de torcedores botafoguenses e comercialinos, embora os tempos atuais não sejam tão profícuos como em décadas passadas. Já houve um tempo onde o Santos de Pelé simulou uma série de contusões para não ser ainda mais humilhado pelo Comercial. Já houve um tempo onde craques como Sócrates, Raí, Mário Sérgio entre tantos outros, desfilavam com o manto sagrado do Botafogo. E todos os times chamados grandes respeitavam a dupla ribeirão-pretana.
Enquanto esses bons tempos da bola não voltam, a cidade segue seu rumo. Crescendo, recebendo sempre novos investimentos. Dezenas de empreendimentos imobiliários estão sendo construídos. Entre eles, um novo shopping center, que vai se juntar aos três já existentes em Ribeirão Preto. A cidade continua com sua vocação de receber os "forasteiros" que vêm tentar a vida, sempre de braços abertos. Quando cheguei por aqui, em 1988, a população beirava 400 mil habitantes. Hoje ultrapassa os 600 mil. Boa parte dessa população, a exemplo do que eu fiz, veio de fora. São ribeirão-pretanos de todos os cantos do País e até do exterior. Gente que se juntou aos filhos da terra para seguir suas vidas. E nada melhor do que propor um brinde à cidade que bem recebe com um de seus melhores e mais famosos produtos: o chope. Um brinde a Ribeirão Preto. Parabéns pelos 156 anos de muita vida.

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