sexta-feira, 6 de julho de 2012

Muito obrigado

Aproveitando as férias escolares de julho, vou tirar alguns dias para recarregar a alma, ao lado da esposa e dos filhos. E gostaria de agradecer a todos os amigos que diariamente ou eventualmente passam por aqui para ler minhas opiniões, para pontuar o que pensam, enfim, para nos comunicarmos através dessa ferramenta maravilhosa que é a internet.
Quando voltar, o Blog do Adal deixa de ser diário e passa a ser eventual. A razão é que pretendo falar quando tiver o que falar, para não cansar ninguém com informações sem conteúdo. A princípio, o único dia fixo do Blog na semana será a sexta-feira. Nos demais dias, quando houver assunto e oportunidade, estarei presente. E vou me comunicar com as ferramentas que uso atualmente, o que não impede que você dê uma passada por aqui e releia os textos. Eles estarão sempre aqui.
Conto com a participação, sugestão, crítica e apoio de cada um dos amigos - dos que conheço há anos e dos que conquistei com este Blog. Cada um de vocês é ,por demais, importante em minha vida e me faz renovar, a cada dia, minha missão de informar, objetivo que tracei lá atrás e que pretendo manter até o meu último dia de vida. Até o próximo texto e tenham um ótimo final de semana.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Faroeste urbano

Ele cresceu na periferia de Guarulhos. Sua mãe casou-se cedo com seu pai, aos 14 anos. Era 10 anos mais nova que o marido, vindo do sertão da Bahia. Os dois tiveram mais de 10 filhos, mas apenas quatro deles sobreviveram ao parto, aos primeiros dias ou à infância.
Quando se mudaram para o bairro, bem distante e isolado do resto de Guarulhos, ele tinha nove anos. Cresceu como se vivesse em cidade do interior. Logo que chegaram ao conjunto habitacional, um vendaval destelhou várias casas e eles foram alojados, temporariamente, num conjunto de prédios que estava sendo construído na zona norte, no Jaçanã, perto do Clube de Campo Guapira.
Mas foi no Veloso que ele se divertiu à valar. Como todo moleque naquela época, vivia na rua. Soltava pipa, rodava pião, jogava bolinha de gude e adorava brincadeiras coletivas, como pega-pega, queimada e outras do gênero. Em pouco tempo, tornou-se uma espécie de ídolo dos mais novos. Cuidava dos menores sempre com muito carinho. Inclusive de uma sobrinha seis anos mais nova que foi morar com ele por um tempo após ter perdido o pai.
A vida foi passando e o menino virou homem. Ainda assim, era muito popular e com muitas iniciativas. Foi procurar emprego e conheceu as más companhias. Junto com as más companhias, conheceu a maconha. Tal qual a música "Faroeste Caboclo", do Legião Urbana, "já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi pela primeira vez".
Assaltou um ônibus e acabou baleado e preso. Ficou um tempo atrás das grades até que a família conseguiu soltá-lo. A essa altura, estava prestes a ser pai. Tomou jeito na vida e tratou de se dedicar à família. Mas tinha outros vícios: o cigarro e a bebida. Mas continuou tocando sua vida.
Nasceram dois meninos, com intervalo de um ano entre ambos. Inconformado com a relação patronal, ele sempre tentou se virar e, em algumas ocasiões, se deu bem em seu improviso. Aprendeu a misturar massa, assentar pisos e azulejos e fez as vezes de ajudante de pedreiro. Achou que podia e passou a pedreiro.
Foi mais além e envolveu-se com políticos. Sempre popular, tornou-se uma espécie de cabo eleitoral naquela periferia de Guarulhos, esquecida pelos homens. Ajeitou as imediações de onde morava. Com sua habilidade, construiu em cimento armado uma grande mesa. Lá a garotada se dividia para desafiá-lo em partidas de pingue-pongue e futebol de botão. Os filhos cresceram vendo o pai ser aquele herói da longínqua periferia.
Reunia a molecada e passavam a madrugada nos brejos das imediações capturando rãs. O banquete no almoço do dia seguinte era farto. Ele mesmo limpava os saborosos anuros, tirando a pele e temperando. Depois fritava, divertindo-se com os espectadores, que viam a rã tento espasmos musculares na frigideira, como se viva ainda estivesse.
Algumas tubaínas para a molecada e a festa estava completa: rã com tubaína. No pedaço era autoridade. Fazia pipas como ninguém. Passou a misturar componentes químicos que comprava em casas de produtos agrícolas e passou a fabricar veneno para combater insetos em residências. O produto era bom e a procura cresceu a ponto de juntar algum dinheiro e comprar um pulverizador, fazendo dedetização nas casas do bairro e região.
A essa altura, ele tinha mais dois filhos e as imediações de seu bairro, finalmente, chegaram por linhas tortas até a última área habitável de Guarulhos. Houve invasões dos sem teto e o bairro acabou integrado à cidade. O que muitos não sabia é que, mesmo durante todo esse período de popularidade, dedicação e bons exemplos como pai, ele manteve seu lado oculto e continuou consumindo drogas.
A coisa só ficou escancarada quando ele já estava viciado no crack. Sua aparência o denunciou. Sua debilidade o sentenciou. A família se desestruturou. A mulher, que sempre trabalhou como doméstica em casas de família, passou a sofrer com a diabetes e ter dificuldade para trabalhar. A filha foi mãe solteira com menos de 16 anos. Os dois filhos mais velhos tiveram problemas com a justiça. Todos foram se separando. Hoje os dois filhos se recuperaram e tocam a vida. A mulher, a filha, o outro filho e o neto também sobrevivem com dificuldade.
Ele perdeu o pai - talvez a maior perda de sua vida - quando tinha 16 anos e há alguns anos a mãe. Ficou com a casa, velha, com impostos atrasados e que mais parece um castelo mal feito, tantos os "puxadinhos" lá existentes. Vive como zumbi. Seu tempo se divide entre consumir crack e se recuperar no que pode para acender um novo cachimbo. Ele até tentou se tratar, parentes chegaram a interná-lo, mas a fissura é maior que qualquer remédio ou vontade própria.
Antes silenciosa, a droga hoje escancara para o mundo mais um da enorme legião de zumbis. Quem não o conhece jamais imagina que atrás daquela figura mal ajambrada existe um homem que foi um moleque feliz, que foi exemplo para seus filhos e que foi admirado. Ali está apenas e simplesmente para a maioria das pessoas, mais um viciado, uma pessoa que muitos querem simplesmente apagar de sua visão. Esse é o resultado do crack e das drogas em geral.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Metrô Norte-Sul


Lembro bem da inauguração da primeira linha de Metrô em São Paulo, antes conhecida por Norte-Sul. Morávamos no Jaçanã e minha mãe aproveitou para marcar um retorno ao médico no dia seguinte à inauguração. O consultório funcionava numa antiga unidade dos Bombeiros, na Vila Mariana.
No segundo dia de operação do Metrô em São Paulo, fomos eu, minha irmã e minha mãe à consulta. Foi um passeio inesquecível. Naquela época, a estação Tietê não tinha nem vestígio de que ali seria construído um terminal rodoviário.
Durante muitos anos em minha vida, esse foi meu principal meio de transporte e cada uma das estações - do trecho inicial - me trazem alguma recordação.
Santana: a estação inicial na zona norte era mágica. Lá estava o terminal de ônibus para vários bairros da ZN. Eu apanhava o Pq. Edu Chaves, que me deixava na porta de casa. Nos arredores de Santana, muito lugar interessante: fliperamas, galerias de lojas, o rodízio de pizzas mais famoso do Brasil, o Grupo Sérgio. Tinha também a discoteca Zoom.
Carandiru: estação sombria, por conta da Penitenciária. Sempre que tinha rebelião, era um transtorno ir para casa.
Tietê: estação da minha galera. Tinha o terminal Tietê, com gente chegando e partindo a todo instante, mas tinha também nas imediações o colégio onde estudei. Nos encontrávamos todos os dias nas escadas da Tietê.
Ponte Pequena (Armênia): lá tinha o Senac onde fiz, pasmem, datilografia. Aos finais de semana, ia ao clube da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), onde era disputado o “Desafio ao Galo”, torneio do futebol de várzea paulistano. Eu era fanático pelo Parque da Moóca, time do bairro onde nasci.
Tiradentes: nas imediações, tinha o Teatro Cultura. Assisti lá, certa vez, um show com vários artistas, o “Tirem as Mãos da Nicarágua”. Por perto tinha também a Fatec e os grandes cursinhos de Sampa, principalmente na área de tecnologia e exatas. Se tinha cursinhos, tinha também muitos bares.
Luz: Parque da Luz, Estação de Trem da Luz (onde hoje funciona o Museu da Língua Portuguesa), Pinacoteca. Tantos são os atrativos desta estação. E para quem gosta de compras de roupas, tem a região do Bom Retiro e Rua José Paulino.
São Bento: em frente ao Correio. Lançamento de selos era ponto de encontro. Saída dos ônibus com destino ao Morumbi também. Na parte alta, era possível ir para a Rua 25 de Março através da saída da Ladeira Porto Geral, para a Rua São Bento e passear pelo Centro Velho de São Paulo.
Sé: estação do Marco Zero da cidade. Na Catedral da Sé, muita beleza. Não sei se ainda é possível, mas um passeio às catacumbas da Catedral sempre foi interessante.
Liberdade: a porta de entrada para o bairro mais oriental de São Paulo.
São Joaquim: era a estação dos cursinhos para os mais abastados, principalmente o Anglo.
Vergueiro: quantas lembranças. Lá funciona o Centro Cultural Vergueiro. Foram muitas as vezes em que nos reuníamos lá para ouvir músicas, fazer trabalhos escolares, assistir shows ou simplesmente conversar. Lembro de um show, que fui com minha irmã, do Premeditando o Breque. Era lançamento de um disco e foi uma apresentação inesquecível.
Paraíso: estação localizada no final da Avenida Paulista, de lá seguíamos à pé (ainda não tinha o outro trecho do Metrô que segue pela avenida) aos cinemas e galerias. Lá perto, na Av. 13 de Maio, tinha uma das lojas mais charmosas que já vi, a Sears. Bem ao estilo do também saudoso Mappim.
Ana Rosa: era a mais próxima do Parque do Ibirapuera. De ônibus ou à pé, era o acesso mais comum ao principal parque paulistano.
Vila Mariana: havia alguns hospitais próximos. Também era uma estação cercada de bares e com uma relativa vida noturna agitada.
Santa Cruz: descia nessa estação para ir ao Detran. Mas também era muito usada para quem recorria à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente)  e o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Assisti a muitas competições por lá. Era só descer a rua Pedro de Toledo e, num instante, estávamos lá. Era o ponto de encontro dos esportes olímpicos de várias modalidades.
Praça da Árvore: era uma das estações mais tímidas na linha Norte-Sul. Estava no meio da Av. Jabaquara. Era mais uma área residencial, quadro bem diferente do que o bairro vive hoje em dia.
Saúde: tinha ônibus para o Zoológico e Simba Safari.
São Judas: apesar de ser uma estação de pouco movimento nos dias atuais, por estar próxima à igreja de São Judas Tadeu, em dias de festa e celebração religiosa acaba sendo bastante utilizada. São Judas Tadeu é o patrono das causas desesperadas e padroeiro das causas perdidas. A quermesse da São Judas Tadeu é uma das melhores da zona sul de São Paulo.
Conceição: a penúltima estação desta linha, tem várias saídas e é servida por ônibus que ligam diversos bairros das zonas sul e oeste.
Jabaquara: a porta de saída para o litoral. É o terminal rodoviário que oferece linhas regulares para o litoral sul. Hoje também há muitas vans clandestinas que operam nas proximidades. Jabaquara era sinônimo de praia para os paulistanos.
Hoje o Metrô tem muitas outras linhas, mas a sua pioneira é ainda muito utilizada e não deixa de ser um importante meio de transporte, contando inclusive com novas estações. Um dos melhores e mais eficientes metrôs do mundo, apesar dos problemas de super lotação que enfrenta diariamente. Linha 1, linha azul, com ou sem prolongamento, em minha memória, será sempre a linha Norte-Sul do Metrô, aquela que andei pouco mais de 24 horas depois de sua inauguração e que com o passar dos seus 38 anos de existência, viu a paisagem mudar consideravelmente ao seu redor, mas continua firme e cada vez mais útil.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Semana longa

Sim, admito que, como sãopaulino apaixonado, tenho secado de todas as formas o Corinthians. Principalmente nos últimos dois ou três anos. Mas minha mandinga não é das melhores, como todos obviamente podem ter notado. Mas isso acontece justamente no momento em que está havendo uma inversão de valores.
O São Paulo sempre foi considerado um time à frente de seu tempo. Sempre se destacou pelo arrojo nas negociações, pelas grandes conquistas internacionais, pelos exemplos dentro e fora dos gramados. Enquanto o Corinthians, principalmente na década de 1960, era conhecido como o "faz-me rir". Um time sem conquistas, mas representado por uma crescente e apaixonada torcida.
Não sei bem quando a coisa se inverteu, mas sei os motivo. O Corinthians rompeu com o ranço dos cartolas que comandavam o clube, com Duailib sendo se maior expoente. Assumiu um nada simpático ex-chefe de torcida organizada, Andrés Sanchez. Ele trouxe um ex-jogador em atividade, Ronaldo, numa jamais visa jogada de marketing, que deu certo.
O clube recuperou-se financeiramente e passou a ocupar seu merecido espaço na mídia, principalmente a internacional, que passava a conhecer o Corinthians, antes limitados a alguns brasileiros e campeonatos paulistas, sem qualquer tradição fora do Brasil.
Mais que isso, Sanchez conseguiu iniciar a construção do tão sonhado estádio do clube. Não que concorde como isso tem sido feito, afinal, vamos pagar a conta muito cara. Mas não é essa a finalidade deste texto. Então o Corinthians fez 100 anos e passou a focar o tão cobiçado troféu da Libertadores, torneio americano de grande expressão, jamais vencido pelo time alvinegro. Passou por uma eliminação vexatória ano passado, mas continuou mantendo o foco.
Nesse meio tempo, Sanchez deixou a presidência em sequer tentar a reeleição.Enquanto isso, o São Paulo viu um cartola, Juvenal Juvêncio, querer se eterniza no pode. E trocou de papéis com o Corinthians. Passou a não ter mais conquistas, a não vencer mais nada em mata-mata e acabou sendo ridicularizado, ano após ano. A última grande conquista, com todos os méritos, foi o tri-campeonato brasileiro, conseguido entre 2006 e 2008. De lá para cá, seca total. Nem Libertadores tem disputado. Tornou-se um time comum.
E o Corinthians chega à final da Libertadores com todos os méritos. Tem jogado um futebol eficiente e inteligente, comandado por Tite, que antes eu o considerava um técnico limitado, até medíocre e hoje tem calado minha boca e de tantos outros críticos.
Não tem uma única estrela que se sobressai aos demais. Tem um time aguerrido, com técnica, uma defesa intransponível e um ataque que dá para o gasto. Diriam os mais ufanistas que esse ou aquele jogador se encaixaria como uma luva nesse time do Corinthians. Qual nada. O time está aí, funcionando perfeitamente.
O maior exemplo disso foi ver o Corinthians desbancando o todo festejado time do Santos, de Neymar. Tite deu um nó tático em Muricy Ramalho e eliminou os santistas, que já sonhavam com a quarta Libertadores de sua história e com uma final de mundial em dezembro contra o Chelsea.
O gigante foi abatido. Primeiro na Vila Belmiro e depois no Pacaembu. Neymar, a grande estrela santista, até agora não se recuperou do baque. Mas continuamos a secar o alvinegro do Parque São Jorge. E eles foram a Buenos Aires e calaram o La Bombonera, da fanática torcida do Boca Juniors, tão acostumada às conquistas continentais.
Agora a semana tem demorado a passar. Sei como os Corinthianos se sentem. Uma semana longa. Mas uma semana onde mais que tudo, está evidenciado que o antes "faz-me rir" é hoje, sem dúvidas, o melhor time brasileiro e totalmente credenciado para sua primeira conquista nas Américas. E por esse time e pelos meus grandes amigos corinthianos, eu me rendo e faço essa homenagem. Antes da partida - onde certamente estarei tentando secar o time brasileiro mais uma vez. Mas de reconhecimento verdadeiro ao seu time, Sandrinha, Cláudio, ET, Marcelão, Dagmar, Hilsão, Canadá, Masson, Aloísio, Nilzinha, Mainá, Mayara, Diego, Ismael, Marcus, Maria, Renatão, Renatinho e a tantos outros corinthianos do bem. E, claro, à memória do meu pai, também corinthiano.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Brilho nos olhos

Eles moravam ao lado de um dos pontos mais movimentados do estado de São Paulo: o Aeroporto Internacional André Franco Montoro, ou simplesmente Aeroporto de Cumbica ou de Guarulhos. Por lá passam diariamente milhares de pessoas e é também o local de mais intenso tráfego aéreo na América do Sul.
Mas bem ao lado de todo aquele movimento, de todo aquele luxo, há bairros bem humildes. Num desses bairros, o Haroldo Veloso, moravam os dois irmãos. Naquele tempo ainda não havia ocorrido a invasão dos sem-teto nos terrenos próximos do aeroporto. O que tinha nas imediações era o bairro e muito mato. Rios, lagos e brejos completavam a paisagem bucólica do local.
Os dois irmãos, na faixa dos 10 anos, cresceram por ali. Pouco iam para São Paulo ou até mesmo para o centro de Guarulhos. Aliás, essa era uma tendência de boa parte dos moradores do Haroldo Veloso. O bairro, um conjunto habitacional inaugurado no final dos anos 1960, era bastante distante, o caminho era longo e quem não trabalhava fora acabava vivendo muito tempo por lá.
O ônibus era uma aventura. Pegava-se um que contornava o Aeroporto Internacional e a Base Aérea de Cumbica. O outro fazia o caminho oposto. Para ir até o ponto final, na Estação Ponte Pequena do Metrô (hoje Armênia), levava-se pelo menos duas horas e meia.
E foi naquele local que os dois cresceram. Mas brincavam muito. E brincadeiras que a molecada de bairros bem próximos dali não conheciam mais. Haviam caído no esquecimento. Soltar pipa era regra por lá. Nadar em lagos e rios também. A molecada adorava pescar e capturar rãs. Cabe aqui um parenteses: esse anuro é delicioso, principalmente quando era preparado pelos "nativos" do Haroldo Veloso.
Mas um dia veio a ideia: levar os dois para ver o mar. Se andar de carro já era uma aventura para os irmãos, que dirá descer a serra? Depois de tudo combinado e da noite passada em claro tamanha ansiedade dos dois. Lá fomos rumo a São Vicente. Saímos do Haroldo Veloso, pegamos a Rodovia Dutra, voltamos para São Paulo, passando pela Vila Prudente até pegar a Anchieta, bem no comecinho. Quando mais avançávamos, mais os dois ficavam eufóricos.
Tinham a companhia de um sobrinho, este já "experiente", com muito "tempo de praia". Mas a alegria tomava conta do banco de trás do Passat. Até que antes de chegar ao pedágio, um susto: o escapamento estourou. A viagem prosseguiu com um som ensurdecedor, mas nada que abalasse os ânimos da molecada.
Havia operação e da Anchieta nos mandaram para Imigrantes.Descemos por lá, ainda não era a pista dupla, o tapete de hoje em dia.
Passamos pela represa Billings. Aquele mar de água doce dos dois lados da pista. Os dois estavam em transe. Mas ainda não era a praia. Fomos nos aproximamos e ao longe, na estrada, avistamos aquela imensidão de oceano Atlântico. Quanto mais o carro seguia em frente, maior era o brilho ofuscante vindo da parte traseira do veículo. Até que chegamos. O brilho nos olhos dos dois podia talvez cegar todos que estavam por lá, tamanha sua intensidade. Saíram com roupa e calçado e mergulharam na areia. Até o menino que já tinha muito tempo de praia se contagiou e foi junto com os dois. Pois é, ver a alegria de quem conhece o mar pela primeira vez é algo ímpar. Essa alegria contagiante não tem preço.