quarta-feira, 4 de julho de 2012

Metrô Norte-Sul


Lembro bem da inauguração da primeira linha de Metrô em São Paulo, antes conhecida por Norte-Sul. Morávamos no Jaçanã e minha mãe aproveitou para marcar um retorno ao médico no dia seguinte à inauguração. O consultório funcionava numa antiga unidade dos Bombeiros, na Vila Mariana.
No segundo dia de operação do Metrô em São Paulo, fomos eu, minha irmã e minha mãe à consulta. Foi um passeio inesquecível. Naquela época, a estação Tietê não tinha nem vestígio de que ali seria construído um terminal rodoviário.
Durante muitos anos em minha vida, esse foi meu principal meio de transporte e cada uma das estações - do trecho inicial - me trazem alguma recordação.
Santana: a estação inicial na zona norte era mágica. Lá estava o terminal de ônibus para vários bairros da ZN. Eu apanhava o Pq. Edu Chaves, que me deixava na porta de casa. Nos arredores de Santana, muito lugar interessante: fliperamas, galerias de lojas, o rodízio de pizzas mais famoso do Brasil, o Grupo Sérgio. Tinha também a discoteca Zoom.
Carandiru: estação sombria, por conta da Penitenciária. Sempre que tinha rebelião, era um transtorno ir para casa.
Tietê: estação da minha galera. Tinha o terminal Tietê, com gente chegando e partindo a todo instante, mas tinha também nas imediações o colégio onde estudei. Nos encontrávamos todos os dias nas escadas da Tietê.
Ponte Pequena (Armênia): lá tinha o Senac onde fiz, pasmem, datilografia. Aos finais de semana, ia ao clube da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), onde era disputado o “Desafio ao Galo”, torneio do futebol de várzea paulistano. Eu era fanático pelo Parque da Moóca, time do bairro onde nasci.
Tiradentes: nas imediações, tinha o Teatro Cultura. Assisti lá, certa vez, um show com vários artistas, o “Tirem as Mãos da Nicarágua”. Por perto tinha também a Fatec e os grandes cursinhos de Sampa, principalmente na área de tecnologia e exatas. Se tinha cursinhos, tinha também muitos bares.
Luz: Parque da Luz, Estação de Trem da Luz (onde hoje funciona o Museu da Língua Portuguesa), Pinacoteca. Tantos são os atrativos desta estação. E para quem gosta de compras de roupas, tem a região do Bom Retiro e Rua José Paulino.
São Bento: em frente ao Correio. Lançamento de selos era ponto de encontro. Saída dos ônibus com destino ao Morumbi também. Na parte alta, era possível ir para a Rua 25 de Março através da saída da Ladeira Porto Geral, para a Rua São Bento e passear pelo Centro Velho de São Paulo.
Sé: estação do Marco Zero da cidade. Na Catedral da Sé, muita beleza. Não sei se ainda é possível, mas um passeio às catacumbas da Catedral sempre foi interessante.
Liberdade: a porta de entrada para o bairro mais oriental de São Paulo.
São Joaquim: era a estação dos cursinhos para os mais abastados, principalmente o Anglo.
Vergueiro: quantas lembranças. Lá funciona o Centro Cultural Vergueiro. Foram muitas as vezes em que nos reuníamos lá para ouvir músicas, fazer trabalhos escolares, assistir shows ou simplesmente conversar. Lembro de um show, que fui com minha irmã, do Premeditando o Breque. Era lançamento de um disco e foi uma apresentação inesquecível.
Paraíso: estação localizada no final da Avenida Paulista, de lá seguíamos à pé (ainda não tinha o outro trecho do Metrô que segue pela avenida) aos cinemas e galerias. Lá perto, na Av. 13 de Maio, tinha uma das lojas mais charmosas que já vi, a Sears. Bem ao estilo do também saudoso Mappim.
Ana Rosa: era a mais próxima do Parque do Ibirapuera. De ônibus ou à pé, era o acesso mais comum ao principal parque paulistano.
Vila Mariana: havia alguns hospitais próximos. Também era uma estação cercada de bares e com uma relativa vida noturna agitada.
Santa Cruz: descia nessa estação para ir ao Detran. Mas também era muito usada para quem recorria à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente)  e o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. Assisti a muitas competições por lá. Era só descer a rua Pedro de Toledo e, num instante, estávamos lá. Era o ponto de encontro dos esportes olímpicos de várias modalidades.
Praça da Árvore: era uma das estações mais tímidas na linha Norte-Sul. Estava no meio da Av. Jabaquara. Era mais uma área residencial, quadro bem diferente do que o bairro vive hoje em dia.
Saúde: tinha ônibus para o Zoológico e Simba Safari.
São Judas: apesar de ser uma estação de pouco movimento nos dias atuais, por estar próxima à igreja de São Judas Tadeu, em dias de festa e celebração religiosa acaba sendo bastante utilizada. São Judas Tadeu é o patrono das causas desesperadas e padroeiro das causas perdidas. A quermesse da São Judas Tadeu é uma das melhores da zona sul de São Paulo.
Conceição: a penúltima estação desta linha, tem várias saídas e é servida por ônibus que ligam diversos bairros das zonas sul e oeste.
Jabaquara: a porta de saída para o litoral. É o terminal rodoviário que oferece linhas regulares para o litoral sul. Hoje também há muitas vans clandestinas que operam nas proximidades. Jabaquara era sinônimo de praia para os paulistanos.
Hoje o Metrô tem muitas outras linhas, mas a sua pioneira é ainda muito utilizada e não deixa de ser um importante meio de transporte, contando inclusive com novas estações. Um dos melhores e mais eficientes metrôs do mundo, apesar dos problemas de super lotação que enfrenta diariamente. Linha 1, linha azul, com ou sem prolongamento, em minha memória, será sempre a linha Norte-Sul do Metrô, aquela que andei pouco mais de 24 horas depois de sua inauguração e que com o passar dos seus 38 anos de existência, viu a paisagem mudar consideravelmente ao seu redor, mas continua firme e cada vez mais útil.

4 comentários:

  1. De todas essas estações brilhantemente citadas por você, a que me traz mais recordações é a Tiradentes, onde todos os dias nos encontrávamos, antes de cada um seguir seu caminho. O nosso era o Derville...Bons tempos!

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    1. Sandrinha, é verdade. A Tiradentes entrou depois que parte da turma se formou e foi para cursinhos na Tiradentes. Ai mudamos o nosso local de encontro. Tinha esquecido esse detalhe. Da Tiradentes seguíamos para a Tietê!!!

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  2. Nossa,que coincidência!
    Ainda ontem (04/07/2012)dia do seu post, precisei ir até Santana de metrô (que agora inicia no Tucuruvi), com o Marcelo, e contei uma parte dessa história tb na minha memória para ele.Tinha que esperar minha carona na Av. Cruzeiro do Sul, sentido centro, ao lado das barracas dos camelôs.Pois bem, eis que ele me fala:-Mãe, vc está no lugar errado, aqui não tem camelô.-Estava no lugar correto sim,conhecemos aquilo como a palma das nossas mãos, mas o dito prefeito (como já foi falado em outro post seu)descaracterizou S.Paulo,proibindo ,proibindo, proibindo.
    Que saudades da boa e velha Santana!
    Angelica.

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  3. É, Angelica, bons tempos a.K. (antes do Kassab)

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