Sim, admito que, como sãopaulino apaixonado, tenho secado de todas as formas o Corinthians. Principalmente nos últimos dois ou três anos. Mas minha mandinga não é das melhores, como todos obviamente podem ter notado. Mas isso acontece justamente no momento em que está havendo uma inversão de valores.
O São Paulo sempre foi considerado um time à frente de seu tempo. Sempre se destacou pelo arrojo nas negociações, pelas grandes conquistas internacionais, pelos exemplos dentro e fora dos gramados. Enquanto o Corinthians, principalmente na década de 1960, era conhecido como o "faz-me rir". Um time sem conquistas, mas representado por uma crescente e apaixonada torcida.
Não sei bem quando a coisa se inverteu, mas sei os motivo. O Corinthians rompeu com o ranço dos cartolas que comandavam o clube, com Duailib sendo se maior expoente. Assumiu um nada simpático ex-chefe de torcida organizada, Andrés Sanchez. Ele trouxe um ex-jogador em atividade, Ronaldo, numa jamais visa jogada de marketing, que deu certo.
O clube recuperou-se financeiramente e passou a ocupar seu merecido espaço na mídia, principalmente a internacional, que passava a conhecer o Corinthians, antes limitados a alguns brasileiros e campeonatos paulistas, sem qualquer tradição fora do Brasil.
Mais que isso, Sanchez conseguiu iniciar a construção do tão sonhado estádio do clube. Não que concorde como isso tem sido feito, afinal, vamos pagar a conta muito cara. Mas não é essa a finalidade deste texto. Então o Corinthians fez 100 anos e passou a focar o tão cobiçado troféu da Libertadores, torneio americano de grande expressão, jamais vencido pelo time alvinegro. Passou por uma eliminação vexatória ano passado, mas continuou mantendo o foco.
Nesse meio tempo, Sanchez deixou a presidência em sequer tentar a reeleição.Enquanto isso, o São Paulo viu um cartola, Juvenal Juvêncio, querer se eterniza no pode. E trocou de papéis com o Corinthians. Passou a não ter mais conquistas, a não vencer mais nada em mata-mata e acabou sendo ridicularizado, ano após ano. A última grande conquista, com todos os méritos, foi o tri-campeonato brasileiro, conseguido entre 2006 e 2008. De lá para cá, seca total. Nem Libertadores tem disputado. Tornou-se um time comum.
E o Corinthians chega à final da Libertadores com todos os méritos. Tem jogado um futebol eficiente e inteligente, comandado por Tite, que antes eu o considerava um técnico limitado, até medíocre e hoje tem calado minha boca e de tantos outros críticos.
Não tem uma única estrela que se sobressai aos demais. Tem um time aguerrido, com técnica, uma defesa intransponível e um ataque que dá para o gasto. Diriam os mais ufanistas que esse ou aquele jogador se encaixaria como uma luva nesse time do Corinthians. Qual nada. O time está aí, funcionando perfeitamente.
O maior exemplo disso foi ver o Corinthians desbancando o todo festejado time do Santos, de Neymar. Tite deu um nó tático em Muricy Ramalho e eliminou os santistas, que já sonhavam com a quarta Libertadores de sua história e com uma final de mundial em dezembro contra o Chelsea.
O gigante foi abatido. Primeiro na Vila Belmiro e depois no Pacaembu. Neymar, a grande estrela santista, até agora não se recuperou do baque. Mas continuamos a secar o alvinegro do Parque São Jorge. E eles foram a Buenos Aires e calaram o La Bombonera, da fanática torcida do Boca Juniors, tão acostumada às conquistas continentais.
Agora a semana tem demorado a passar. Sei como os Corinthianos se sentem. Uma semana longa. Mas uma semana onde mais que tudo, está evidenciado que o antes "faz-me rir" é hoje, sem dúvidas, o melhor time brasileiro e totalmente credenciado para sua primeira conquista nas Américas. E por esse time e pelos meus grandes amigos corinthianos, eu me rendo e faço essa homenagem. Antes da partida - onde certamente estarei tentando secar o time brasileiro mais uma vez. Mas de reconhecimento verdadeiro ao seu time, Sandrinha, Cláudio, ET, Marcelão, Dagmar, Hilsão, Canadá, Masson, Aloísio, Nilzinha, Mainá, Mayara, Diego, Ismael, Marcus, Maria, Renatão, Renatinho e a tantos outros corinthianos do bem. E, claro, à memória do meu pai, também corinthiano.
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