Embora já acreditasse no que foi confirmado, confesso que fiquei meio embasbacado quando o corpo do menino Joaquim foi encontrado em Barretos. De qualquer forma, por mais que as evidências indiquem, ainda não foi provado que o autor do crime brutal é o padrasto de Joaquim.
Todas as evidências apontam para Guilherme, o padrasto. Um cão farejador da PM cheirou suas roupas e seguiu rumo a um córrego que passa a 250 metros da casa. Depois voltou à residência e cheirou as roupas do menino, fazendo o mesmo trajeto. Em seguida, cheirou as roupas da mãe, mas não seguiu para o rio. A mãe do Joaquim, Natália, tem sido muito hostilizada, mas não dá para saber se ela é ou não conivente, caso tenha mesmo sido Guilherme o autor do homicídio.
Natália é psicóloca e conheceu Guilherme numa clínica para recuperação de dependentes químicos em que trabalhava. Ele estava em recuperação. Iniciaram um relacionamento e foram viver juntos. Têm um filho de três meses, irmão de Joaquim. Ele confessou que, recentemente, teve recaída e voltou a usar cocaína. Na madrugada do desaparecimento do garoto, Guilherme foi o último a vê-lo com vida. Ele disse que colocou Joaquim na cama às 0h30. Depois saiu de casa sem que a esposa percebesse, para tentar comprar droga. Disse que não encontrou e voltou quarenta minutos depois, indo dormir.
A imprensa ainda relatou um suposto desentendimento entre Guilherme e Joaquim na noite anterior ao desaparecimento, por conta do celular da mãe, que o garoto usava para assistir um vídeo. Mas minimizaram o fato. No dia seguinte, Joaquim desapareceu. Se foi ele, se alguém entrou na casa ou ainda se a mãe é conivente, só a Polícia Civil vai poder dizer.
Em Ribeirão Preto, segundo reportagem do Jornal A Cidade, desde 2008, foram quatro casos de crianças mortas pelo padrasto. Em dois dos casos, houve conivência das mães. Nos outros dois não. Se confirmado mais este caso de Joaquim, o quinto em apenas cinco anos, é uma estatística altamente preocupante. Os padrastos têm se destacado no notíciario de forma tétrica.
De qualquer forma, mesmo que Guilherme seja culpado, não cabe à população fazer justiça com as próprias mãos. Nem hostilizar ou agredir os pais dele, que não têm culpa caso o crime tenha mesmo sido praticado por Guilherme. O que nos resta é orar pela alma de Joaquim e pela família. O pai de Joaquim, Artur, apesar de toda dor, ainda está encontrando forças para pedir que não façam justiça com as próprias mãos. Que os mais exaltados possam ouvi-lo.
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