quinta-feira, 14 de junho de 2012

A saga dos planos de saúde

Há cerca de um mês, quando estava na casa de minha sogra, em São Paulo, conversávamos sobre a questão da saúde. E minha sogra me deixou surpreso ao dizer que havia cancelado seu plano de saúde. A princípio, achei um absurdo, mas depois vi que a coisa não é assim tão absurda.
Durante muitas décadas, depender da saúde pública era algo muito arriscado. Falta de médicos, de leitos, de hospitais, enfim, faltava de tudo para a saúde pública. E os convênios foram ganhando corpo e oferecendo o que o governo tinha obrigação de dar à população sem custo extra, mas não o fazia.
Há coisa de duas semanas, minha esposa tentou marcar uma consulta com minha cardiologista, pela Unimed Ribeirão Preto, mas não obteve sucesso. A consulta não poderia ser realizada antes de três meses. Tentou, então, outro cardiologista, que já havia me atendido, mas que não gostei muito da forma como trabalha. Novamente três meses de prazo. Depois de várias tentativas, conseguiu uma consulta para um mês a partir da data que marcou. No dia da consulta, chegou no horário ao consultório, mas foi atendida com mais de uma hora de atraso. Meu amigo Cesar que me perdoe, mas ela estava mais empenhada em atender pacientes particulares e propagandistas de laboratório do que os pobres usuários de convênio médico.
Durante a consulta, a médica parecia que estava querendo tirar o pai da forca. Primeiro não foi nada simpática - particularmente acho que os médicos têm a obrigação de serem minimamente simpáticos com seus pacientes, pois não é confortável estar no lugar de quem procura atendimento médico. Depois correu com a consulta e se limitou a responder apenas aos questionamentos de minha esposa. Não ia sequer pedir exames de rotina para avaliar taxas de glicemia, triglicérides, colesterol entre outras, mas minha esposa exigiu. Preencheu o formulário e, menos de cinco minutos após entrar no consultório, a porta se abria para a saída de minha esposa.
O problema com os convênios está cada vez mais agravado. Há algumas semanas, um amigo meu, o Marcão - que é um dos donos do Pesqueiro Lagoa dos Patos, em Jundiaí e leva uma vida profissional que é o sonho de todos os que trabalham sob pressão -, já me falava dos problemas que enfrentou com a mesma Unimed em sua cidade.
E vários outros relatos, de amigos ou através da imprensa, dão conta de que os convênios precisam ser urgentemente enquadrados e duramente fiscalizados. Não culpo aos médicos pela forma como a coisa foi conduzida, afinal eles recebem muito pouco dos convênios para consultas. Os convênios médicos - não só a Unimed, mas a grande maioria deles - está enriquecendo, construindo hospitais e continua pagando pouco aos médicos.
Mas o problema não diz respeito ao usuário, àquele que paga mensalmente para ter atendimento de qualidade. Nos últimos meses, para conseguir consultar um pediatra para nosso filho, acabamos recorrendo aos hospitais da rede do plano de saúde. Lá sempre conseguimos algum pediatra. O problema é que acaba sendo algo variável, quase nunca é o mesmo.
Enquanto isso, na saúde pública, mesmo com todo caos enfrentado, a situação acaba sendo igual aos convênios, com a vantagem de que não pagamos nada por isso. Se a consulta for particular, no entanto, aí as datas pululam para o paciente escolher. O mesmo médico que não tem data próxima para o paciente do convênio, certamente terá data talvez até para o mesmo dia, se a consulta for particular.
Isso se não ocorrer o que foi divulgado ontem sobre um médico da Unimed Ribeirão Preto, que estaria cobrando "por fora" para realizar um procedimento cirúrgico. A reportagem da EPTV Ribeirão apurou que o valor seria utilizado para pagar o médico e o anestesista, mas o profissional negou, dizendo que seria utilizado para a compra de material de maior qualidade do que o oferecido pelo convênio.
A questão tem se agravado e já passou da hora de Ministério da Saúde, da agência que regulamenta os planos de saúde, do Ministério Público e das autoridades fiscalizarem e exigirem dos operadores de convênio médico o mínimo de qualidade em seus atendimentos. Não quero mais pagar a conta mensalmente e ter que me conformar. Quero ser bem atendido. Senão, já que convênio e saúde pública caminham lado a lado, para que continuar pagando um plano de saúde? Se meu bolso não permitir consulta particular, melhor mesmo esperar na fila do postinho de saúde.

3 comentários:

  1. Eu fui fazer um plano de saúde para meu filho e comprei um dos melhores da Amil. Infelizmente meu filho ficou doente e na sua internação percebi uma maracutaia dos planos de saúde...apesar de eu ser advogada, caí como um patinho. Pois bem, você pode comprar o melhor plano, mas para certas doenças como o câncer, só pode ser tratado no hospital referência...sim...hospital referência que nem sabemos onde fica. Por este fato, tive que fazer quase todo o tratamento de meu filho no hospital particular, que pasmem, constava do convênio dele mas não era referência do plano...depois dessa, leio linha por linha do contrato e fiz um upgrade no meu há pouco tempo com co-participação, onde pago a cada consulta e exame e sou extremamente bem tratada...coisas do Brasil. Ana Amaral

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  2. Nem me fale em Unimed deixo todo mês quase a metade do meu salário lá, e também é esta burocracia pra ser atendida, e quando você usa o bendito do plano de saúde, no mês seguinte lá vem o bendito fator moderador, que de moderador não tem nada, o valor vem acrescido num valor bem maior, mas fazer o o que não dá pra deixar de pagar e apenas confiar nos hospitais públicos.
    Arlete

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  3. Ana e Arlete, obrigado por acrescentarem mais ao tema, que parece ser inesgotável enquanto não se tomar uma atitude séria em favor dos usuários.

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